Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Boa noite, bem-vindos a mais uma edição do "Sem Falta". Para isso, contamos, como é hábito, com a ajuda do antigo árbitro Pedro Henriques. Boa noite.

Muito boa noite.

Boa noite, Pedro. Este dia também é difícil para o futebol português, com o desaparecimento de Vítor Oliveira, como já tem sido dado conta por vários protagonistas do futebol. Mas vamos também passar à análise destes dois grandes jogos do dia. O primeiro, Porto-Santa Clara, um jogo que terminou com a vitória dos Dragões por 1x0. Jogo arbitrado por João Pinheiro, com o VAR a estar a cargo de Bruno Esteves e também Rui Cidade. Foram assistentes de João Pinheiro, Tiago Costa e Nuno Eiras. E nesta partida, eu começava por pegar aqui ao minuto 26, com Rachid, que há dúvida sobre se intercepta a bola com o braço dentro da área.

Um lance legal, também fiquei com essa dúvida no início da jogada, mas depois com as repetições, é claro, Rachid intercepta com a coxa e, portanto, aquilo que poderia ser uma situação de pênalti ao cruzamento do Zaidu, não aconteceu. Portanto, boa decisão da equipa de arbitragem, deixar seguir o jogo, não havia motivo para pênalti.

E poucos minutos depois, é Rachid que leva cartão amarelo.

Bem mostrado. A dúvida era se era cartão amarelo ou cartão vermelho. É uma situação típica em que o Luis Díaz baixa ligeiramente a cabeça, embora dentro da zona em que podia jogar a bola com a cabeça, e o Rachid acaba por ser apanhado desprevenido por essa ação técnica e ao tentar pontapear a bola, não se apercebe desse jogar com a cabeça do Luis Díaz e acaba por lhe acertar em cheio na cara, que é sempre uma situação, no limite, muito negligente. E foi isso. Não tem em conta o risco e as consequências do seu ato, mas não há aquilo que podia ser uma conduta violenta ou, neste caso, uma agressão. E, portanto, correta a decisão de mostrar apenas cartão amarelo.

Aqui foi uma série de minutos com vários cartões amarelos. Três minutos depois deste Rachid, houve um mostrado a Grujić, deste lado do Futebol Clube do Porto.

Sim, uma entrada, um pisão, mais concretamente, bastante negligente sobre Carlos Júnior. Uma entrada que nós vulgarmente dizemos bastante dura, que tecnicamente chama-se negligente e, portanto, impunha-se, como foi feito, a mostragem do respectivo cartão amarelo.

E logo a seguir foi Costinha.

Aqui um cartão amarelo bem mostrado, por uma infração sobre o Otávio, um cartão amarelo diferente, aquilo que a gente chama vulgarmente também a falta útil, portanto, apenas com o objetivo de destruir uma saída em contra-ataque e de parar ali a jogada. E, portanto, a chamada falta antidesportiva, bem mostrado o respectivo cartão amarelo a Costinha.

E entramos aqui, Pedro Henriques, em dois dos lances com maiores dúvidas ainda na primeira parte. Pênalti por assinalar de Villanueva sobre o Otávio. Com que impressão é que ficaste?

Para mim, mais do que impressão, com a certeza de que foi motivo para pontapé de pênalti. Se em jogo jogado é um lance difícil, porque o Otávio quando cruza a bola está a sair ou já saiu do seu pé, quando eventualmente ele sofre a infração, e portanto, para o árbitro que está em terreno de jogo, é sempre complicado, porque normalmente há a tendência para colocar os olhos no momento ou no sítio por onde a bola vai parar, para ver se depois aí acontece, por antecipação, alguma infração. É um lance de televisão e a televisão, neste momento, chama-se vídeo-árbitro. Portanto, o Villanueva acaba por dar dois toques no Otávio. Um no pé, talvez o menos evidente, mas depois com o seu joelho direito, ao fazer o toque com o pé esquerdo inicialmente. Mas depois com o seu joelho direito, por arrastamento, acaba por acertar em cheio no calcanhar, também direito, do jogador do Porto. E, portanto, se dúvidas havia no primeiro toque, que é feito no pé que cruza a bola, não há dúvidas no toque que é feito por trás e que destrói ou faz cair o jogador do Futebol Clube do Porto. E, portanto, motivo para pontapé de pênalti, impunha-se aqui uma intervenção que não foi feita por parte do vídeo-árbitro. O vídeo-árbitro fez e de duas, uma: ou não considerou haver infração ou não considerou ser um erro claro e óbvio, daí a sua não intervenção, mas este é um lance claramente que se impunha a intervenção do vídeo-árbitro e, no limite, a ida do árbitro ao monitor para verificar o lance.

E a fechar esta primeira parte, o gol anulado a Grujić ao minuto 43.

Não há nenhuma imagem para relembrar. O Sérgio Oliveira bate o pontapé de canto, supostamente a bola sai para fora da linha de baliza e entra dentro do terreno de jogo. O árbitro assistente é perentório para levantar a bandeirola e quando o Grujić cabeceia, já o árbitro apitou e não se pode dizer propriamente dito que é um gol anulado, mas que o gol que resulta acaba por ser anulado na perspectiva da tal bola que saiu para fora das quatro linhas. Nenhuma imagem, e quando digo nenhuma imagem é porque as câmaras que estão colocadas, nenhuma delas está no enfiamento da linha de baliza para nos dar a certeza. Ficamos com a sensação que sim, que a bola descreve um arco e terá saído. Agora, uma certeza que eu sei, até porque passei lá por dentro, a pessoa que está mais bem colocada naquele momento, porque é uma bola parada, é o árbitro assistente que está exatamente no enfiamento, porque é ele que tem que estar no pontapé de canto. Não está numa jogada em que ele vinha a correr. Não, ele está parado e, portanto, a convicção que ele tem de levantar a bandeirola induz-me, até pela perspectiva que também parece que a bola saiu para fora das quatro linhas, foi uma boa decisão.

E na segunda parte, há aqui um lance em destaque fora das quatro linhas, que é o cartão amarelo ao treinador do Porto, Sérgio Conceição.

Sérgio Conceição protesta porque quer um cartão amarelo que o árbitro não mostrou e na sequência dos protestos, o árbitro vai ao banco, provavelmente alertado pelo quarto árbitro ou pelo árbitro assistente, e acaba por advertir o Sérgio Conceição. De relembrar só que uma das diretivas que foi dada este ano aos árbitros é exatamente na parte disciplinar, um cuidado maior, e aqui a intervenção dos assistentes e do quarto árbitro é muito importante, um cuidado maior para aquilo que são todos os protestos que vêm das pessoas que não estão diretamente a intervir no jogo e que são as pessoas que estão no banco. E daí também termos visto mais frequentemente esta época, nas jornadas que já tivemos, mais amarelos e até vermelhos a pessoas que estão colocadas no banco.

E também é mais audível, não é, com a ausência de público. Não sei se isso fará diferença, mas acaba por ser.

Também faz, claro que sim.

Pedro Henriques, nota global para a arbitragem de João Pinheiro, da equipa liderada por João Pinheiro.

Sempre que há um erro grave, no sentido de um penalti que fica por assinalar, normalmente a nota ou é o positivo mais baixo ou a negativa alta, ou seja, o cinco é positivo, o quatro é negativo. Como a equipa que acaba por ser prejudicada acaba por ganhar e portanto fica prejudicada, eventualmente, em um gol que poderia ter convertido, mas não fica nos pontos, vou dar nota positiva baixa, porque ele esteve bem em todos os lances, com exceção deste. Portanto, vou dar um cinco.

Cinco para João Pinheiro nesta vitória do Porto por 1 x 0 frente ao Santa Clara. Passemos para o segundo jogo grande do dia, vitória do Sporting por 2 x 1 frente ao Moreirense, equipa de arbitragem liderada por Vítor Ferreira, com Paulo Miranda e Valdemar Maia como assistentes e no vídeo-árbitro, Rui Oliveira e Sérgio Jesus. Aqui começamos pelo gol do empate do Sporting aos oito minutos. Há ou não irregularidade, Pedro Gonçalves?

Há mesmo irregularidade. O que acontece é que o Passinate, que é o guarda-redes do Moreirense, ao defender a bola para frente, a bola foi à zona do joelho esquerdo do Pedro Gonçalves e ressaltou para o cotovelo esquerdo também e ato contínuo ele acaba por obter o gol. Não importa se este toque que é feito com o braço é deliberado, que não foi, ou se é acidental. A lei 12, a página 104, já na época passada tinha feito uma alteração profunda que diz que sempre que se obtém um gol na baliza adversária, diretamente após um toque na mão, no braço, mesmo que seja acidental, como foi o caso, pune-se a falta atacante. Isto veio aliviar um bocadinho a decisão dos árbitros, que não têm que estar a ver se foi deliberado, se foi intencional. Mesmo sem querer, desde que toque e daí resulte um gol obtido por ele ou por um colega da sua equipa, o gol tem que ser invalidado. É um lance muito difícil para o árbitro, porque o árbitro vem a correr e bem nas costas e o que vê é as costas do jogador e dificilmente teria a capacidade e a perceção de ver. O árbitro assistente, estando na perpendicular, está muito longe, do lado contrário está a 40 metros de distância, mas este é um lance de televisão, claramente. E aqui o vídeo-árbitro tinha um papel muito facilitado. Não tem que ver se houve intenção ou se não houve intenção. É agarrar-se à lei, é tocou ou não tocou no braço. Tocou, pune-se a falta. E era tão simples este lance que depois se percebe com as imagens que realmente há o toque, mesmo sendo acidental. Portanto, aqui a responsabilidade maior, naturalmente, para a não intervenção do vídeo-árbitro. E eu fiquei logo com a ideia que ia haver problema neste lance, porque o jogo recomeçou muito rapidamente. Portanto, o vídeo-árbitro faz parte do protocolo ver os gols e um vídeo-árbitro que se tivesse o tal cheiro, o tal feeling em relação a este lance, iria estar ali a ver três ou quatro repetições, três ou quatro imagens para tentar perceber apenas uma coisa simples, que era se havia toque ou não no braço. E fazia a sua intervenção e era muito fácil ter resolvido o problema. Não o fez e é um lance importante, porque é um gol e o gol que deu o empate ao Sporting, neste caso.

E aos 22 minutos, novo lance na área defensiva do Moreirense, com dúvidas sobre se a bola passou ou não passou a linha de baliza de Passinate.

Mas as dúvidas foram bem esclarecidas pelas repetições, que nem sempre acontecem, porque em campos com dimensões maiores, como é o caso do Sport, Benfica, Porto, etc, as câmaras do fora de jogo são colocadas bem altas e permite, naturalmente, ver, por exemplo, estes lances sobre a linha de baliza. E Passinate toca na bola ainda antes dela sequer chegar à linha de baliza e, portanto, boa decisão. A bola não entrou, não foi gol e, portanto, boa decisão da equipa de arbitragem.

Entramos agora em lances da segunda parte. Aos 69 minutos, um remate à trave na baliza do Moreirense. A bola acabou também por não entrar na baliza, por não ser validado.

Sim, claramente. De qualquer maneira, chamamos aqui a atenção, porque é uma bola que depois da trave vem ao solo e podia ficar essa dúvida, mas realmente a repetição esclarece claramente que não entrou e, portanto, mais uma boa decisão, não houve gol.

Entramos agora aqui também numa onda de cartolinas amarelas aos 72 minutos para Dérick.

Sim, estes cartões amarelos, dois deles diferentes do normal. O Dérick o que faz é impedir a execução do pontapé livre. É lógico que ele tenta desculpar-se na perspectiva que julgava que a bola já estava em movimento e foi lá tirar a bola ao jogador do Sporting, mas a realidade é que a bola não estava ainda em movimento, não estava em jogo e o Dérick acaba por retardar o recomeço do jogo e impedir a execução rápida do pontapé livre, portanto, cartão amarelo bem mostrado.

E aos 77 foi Nuno Santos do Sporting.

Também um amarelo por pontapear a bola para longe depois do árbitro já ter interrompido o jogo. Enquadra-se isto num comportamento antidesportivo e por isso cartão amarelo bem mostrado.

E para fechar esta ronda de cartolinas, aos 82 minutos foi mostrada essa cartolina amarela a Galego.

Falha a entrada, dá um pontapé na perna de Palhinha, uma entrada negligente, não tem em conta o risco e as consequências do ato para com o seu adversário, portanto, bem mostrado o cartão amarelo.

E Pedro Henriques, tendo em conta também estas considerações sobre o jogo do Sporting Moreirense, que nota é que atribuís à equipa de arbitragem liderada por Vítor Ferreira?

Percebemos a diferença em relação ao jogo anterior, vou dar nota quatro. E por quê? Há também a questão do penalti, neste caso aqui concreto, a questão de um gol irregular. Só que este é um gol que é irregular para a equipa que acaba por ganhar de 2 x 1 e portanto aqui tem influência eventual, obviamente, pois não sabia o que ia acontecer a seguir, naquilo que é a distribuição dos pontos. Por isso, uma nota negativa, nota quatro.

Pedro Henriques, obrigado. Marcamos encontro na segunda-feira, há jogo do Benfica, aqui com a análise ao Porto 1, Santa Clara 0 e também ao Sporting 2, Moreirense 1. Obrigado, até uma próxima.

Obrigado, boa noite. Saudações desportivas. Rádio Observador, Grande Lisboa, em 98.7