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O segundo do três sem faltas para ouvir nesta 14ª jornada na Rádio Observador. Ontem acompanhámos o Sporting, hoje, Pedro Henriques, foi noite de Benfica e Moreira de Cónegos com uma arbitragem que apesar de ter sido calma, não foi desprovida de erros. O árbitro Hélder Carvalho, vamos analisar o trabalho.
Muito boa noite. Vamos então analisar o jogo do Hélder Carvalho, que fez, como tínhamos dito logo no início, o seu quinto jogo da Primeira Liga e curiosamente o terceiro do Benfica esta época. Vamos lá então.
E começamos ao minuto três, logo com um lance que vai dar trabalho, Pedro. Alegado penalti sobre o Pavlídis, não foi marcado, muito reclamaram os adeptos do Benfica, muito reclamaste tu também das imagens televisivas, mas depois chegaste a um esclarecimento.
Sim, a um esclarecimento no sentido de que, na minha opinião, ficou aqui um pontapé de penalti por assinalar. É certo que as imagens televisivas não são as melhores e eu relembro que este jogo, no mínimo, terá 11 câmaras, e tem que ter mais, tratando-se de um dos grandes, e portanto, há câmaras por trás da baliza e era a câmara por trás da baliza que tinha que ser dada e não aquela que foi dada do ângulo contrário, deduzo que tenha sido a câmera do fora de jogo, eventualmente a de planos curtos, que nos deu com imagens que não são boas, até porque depois uma dessas imagens tem as redes das balizas pela frente e, portanto, retira alguma qualidade. De qualquer maneira, o lance é da seguinte maneira: o Pavlídis está dentro da área do lado direito e no seu encalce está o Gilberto Batista, que está a tentar tirar a bola. E o Gilberto Batista, ao esticar a perna direita, acaba por colocá-la até à frente, em relação à perna esquerda do Pavlídis e toca-lhe também com o joelho, mas sobretudo com toda a parte da perna direita ao nível da perna esquerda do Pavlídis. E quando digo toca, não é só tocar, é tocar e rasteirar, porque o Pavlídis está a fazer aquele movimento de possível cruzamento, finta e ao mesmo tempo para cruzar a bola e o Gilberto Batista ao colocar a sua perna direita acaba, no fundo, de rasteirar a perna esquerda do Pavlídis e ele cai por isso. Não vejo ali aquela situação de contato com aproveitamento, nada disso. Vejo que a queda é uma consequência daquela perna direita que é esticada, que vai ao encontro da perna esquerda, que toca e derruba. E portanto, para mim, ficou um pontapé de penalti por assinalar. Eu tento compreender sempre a posição do árbitro, porque ainda por cima é na chamada zona cinzenta. A zona cinzenta é entre o poste e aquele lado do árbitro assistente. Por quê? Porque o árbitro como faz a diagonal, e o árbitro assistente está na linha, o árbitro assistente está sempre a 20, 25 metros daquela zona e o árbitro também como faz a diagonal estará sempre a 20, 25 metros. Portanto, é o momento da área mais difícil para a equipe de arbitragem verificar. No meu tempo, isso era sempre uma preocupação, porque nós treinávamos muito isso e por isso o árbitro muitas vezes, ou eu, neste caso concreto, como os outros árbitros, tínhamos que nos deslocar muito mais para aquela zona interior. Hoje em dia não há essa necessidade, porque há vídeo-árbitro e o vídeo-árbitro tem, lá está, no mínimo, tem que ter mais, porque os jogos grandes normalmente têm mais de 11 câmaras, e tinha câmaras de ângulo inverso, porventura, não sei se ali em Moreira de Cónegos tinha, mas pelo menos atrás da baliza ou de topo, uma câmara de topo, que há sempre uma, que é obrigatório, colocada atrás de uma das balizas para ter o campo todo visto na longitudinal e essa garantidamente que iria dar a imagem da rasteira e portanto, para mim ficou aqui penalti para assinalar. Estou a mastigar um pouquinho mais aqui neste lance, para mim é o lance mais importante.
É o lance capital.
Sim, é o lance do jogo. Claro que depois perde impacto, porque o Benfica acaba por ganhar por 4x0, mas neste momento estava 0x0 e por isso poderia ter tido outra importância, que acaba por não ter.
Ao minuto 21, reclamou-se também, por parte do Benfica, um alegado penalti de Dinis Pinto na área do Moreirense. Resta saber se havia razão para essa reclamação.
Não, aqui é mais fácil de ver com as repetições. O Georgi Sudakov cabeceia, a bola vai de cima para baixo e vai à zona abdominal, vamos chamar barriga, que é assim mais fácil, do Dinis Pinto. E portanto, em nenhum momento toca na mão e no braço e por isso não há qualquer infração para o tal penalti que foi pedido por braço, mão do Dinis Pinto.
Temos também ao minuto 28, Vasco Sousa, que na tua opinião deveria ter visto amarelo em que lance, Pedro?
Viu depois mais à frente, mas aqui devia ter visto cartão amarelo. É uma entrada chamada fora de tempo, em que a bola já não está lá e ele com o pé direito pisa, entra de sola e pisa com o pé direito também o pé direito do Enzo Barrenechea. E portanto, isto enquadra-se naquelas entradas duras, negligentes, os tais pisões de sola e que são punidos com livre direto e o árbitro assinalou o livre direto, mas também com cartão amarelo.
Temos depois, ao minuto 28 também, um amarelo, desta feita para Stepanovic, da equipe do Moreirense, na tua opinião, bem mostrado, Pedro.
Sim, foi logo na sequência desta situação, passado 50 segundos, mas ainda dentro do minuto 28. Este lance é tal que o Stepanovic acaba por ter uma entrada dura sobre o Barreiro. E o Barreiro depois acaba por sair ao intervalo lesionado. Eu sei que as pessoas, se calhar, vão aqui fazer comparações com aquele lance do Prestianto, Benfica-Sporting, mas são dois lances completamente diferentes. E aqui a atuante é a seguinte, é que o Stepanovic acaba por ir com a perna completamente recolhida e dobrada, portanto, ele não vai em tackle, não vai de sola, e acaba por, ao encolher, dar com o peito do pé na zona do aquiles, ali do calcanhar. Claro que a zona em si é sempre uma zona que, por isso é que se chama tendão de aquiles, por ser uma zona mais frágil, desprotegida. E acaba por dar esse toque com o pé nessa zona do aquiles. Não vem em velocidade, não há impetuosidade, não há malícia, não há tackle, há apenas e até como atuante a tal perna recolhida e dobrada, e pois não parar o movimento e dar com o peito do pé nessa zona. Para mim, bem o livre direto e só o cartão amarelo. Chamamos a isto as entradas negligentes e a definição de entrada negligente, que na lei 12 Faltas e Correções, na página 109, fala exatamente que é uma entrada em que põe em risco a segurança integrada física dos adversários com o uso excessivo de força, porque essas sim são para cartão vermelho, falam em negligência, que diz que não tem em conta o perigo e as consequências do seu ato, do jogador que faz a falta, para com o adversário na forma como aborda. É claramente a negligência que está em jogo neste lance. E portanto, para mim, bem o apenas cartão amarelo.
E ao minuto 33, Vasco Sousa que se escapou de um primeiro, na tua opinião, amarelo que devia ter sido mostrado, aqui não escapou e viu o cartão amarelo. Desta vez, bem visto?
Bem, ainda por cima, foram duas faltas duras. Não sei se o árbitro também teve em consideração, ao dar cartão amarelo neste lance, o fato de já ter essa falta anterior em que o árbitro percebe que foi uma entrada mais dura e que não mostrou amarelo por opção dele, mas porventura até já o ter avisado. Nós depois na televisão não conseguimos ver, sobretudo isso, que muitas vezes nos escapa, que é que o árbitro depois passa pelo jogador, fala com o jogador, diz: "Atenção, que já estiveste ali uma entrada, a próxima se fazes igual, vou te mostrar amarelo", numa perspectiva até de sermos proativos nesse tipo de intervenção pedagógica junto dos jogadores, mas aqui não há volta a dar. O Vasco Sousa, que até foi reincidente, acaba agora por ver o cartão amarelo apresentado sobre Richard Rios. Eu diria que vai com tudo, ou seja, é aquela situação em que ele vai com tudo e depois é que o corpo que o derruba. Não é propriamente uma daquelas situações de sola ou de pontapés, nada disso, mas é que o corpo, a expressão que não está nos livros, mas é a expressão para as pessoas perceberem, abalroou completamente o Richard Rios. O chamado atropelamento e fuga, como nós dizemos meio a brincar, muitas vezes neste tipo de entradas. E esta entrada é negligente também, por isso cartão amarelo bem mostrado.
Temos ao minuto 36, o primeiro gol do Benfica com Pavlidis, jogada de Tomás Araújo a encontrar Aouchmane na direita, Aouchmane a cruzar, gol Pavlidis. Resta saber se tudo legal com este primeiro gol do Benfica aqui em Braga.
Sim, tudo legal. Aqui a questão era a questão do fora de jogo, até vimos depois o árbitro. Isso foi o primeiro gol do Benfica. Um gol também relevante e importante, porque é o gol que desbloqueia e dado momento os jogadores ficaram ali um bocadinho: "Mas por que está a demorar tanto tempo?" E o árbitro fez aquele gesto com a mão direita e esquerda para esticar um fio, como quem diz: "Estão a ser colocadas as linhas", porque era isso que estava a ser feito, porque quando o Aouchmane cruza pro Pavlidis, o Pavlidis tem um movimento que vem de dentro da área para fora, ou seja, vem da frente para trás. O normal é ir de trás pra frente, no sentido da baliza, e neste caso, ele dá um passo ou dois para trás para tentar receber a bola como recebeu e depois capsiá-la, como fez pra finalização. E nesse momento, o conto é o momento do passe, não é o momento em que a bola chega, obviamente. O Maracas é o jogador do Moreirense que está a colocar o Pavlidis em jogo e portanto, tudo legal.
Resta um lance na segunda parte, a única nota que tenho aqui pra segunda parte, não sei se quer falar mais alguma coisa, mas é a questão do final do jogo. Três minutos dados, quando na verdade houve muitas substituições, também gols. Na tua opinião, isto é um erro, Pedro, não dar o tempo justo?
Sim, é sobretudo neste minuto 90 para dizer o seguinte: o erro das equipas de arbitragem é quando os jogos estão resolvidos, com resultados de 4 x 0. Ontem com o Sport foi a mesma coisa, com o 6 x 0. Obviamente, que eu perceba, que uma parte mais tarde damos dois, três minutos, quem perde quer sair embora, quem ganha está satisfeito e está tudo resolvido. Mas não é bem assim, porque esta liga resolve-se também por gols marcados e sofridos e pela diferença de gols marcados e sofridos, e resolve-se também por melhores marcadores.
Tudo conta, na verdade.
Tudo conta, melhores marcadores, etc. E se pensarmos que às vezes, sobretudo pras descidas, onde às vezes isso é muito relevante e importante, o tempo adicional tem que ser dado. Se nós tivemos cinco paragens para sete jogadores entrarem. Se tivemos três gols, e só pra termos uma noção, sempre que se faz uma paragem pra substituição, o que se pretende é que se dê 45 segundos. Ora, se temos cinco paragens, feitas as contas, temos aqui quase quatro minutos, 3:45. E quando se tem os 3:45, não pode olhar para trás, para três, tem que olhar sempre pra frente, para quatro. Pelo menos tinha que dar quatro minutos só pelas substituições. E depois pensares que há três gols, e houve uma altura que até se queria pôr-se a dar um minuto de desconto sempre que houvesse um gol, mas havendo três gols, que há o festejo, etc. E os gols da Lei 7 são, em termos de festejos, para serem colocados também em cima da mesa no que diz respeito ao tempo adicional. Faltou aqui tempo pra ser dado e é essa a minha crítica.
Pedro Henriques, pra terminar este "Sem Falta", nota pra Hélder Carvalho.
Vou dar nota cinco, sendo positiva é uma positiva baixa, porque obviamente se o jogo ou o resultado tivesse sido outro, do empate ou o Benfica perdesse, teria que dar três ou quatro. Mas o pênalti, que é um erro, acaba por não ter impacto naquilo que é o jogo, sob o ponto de vista de quem ganha e de quem perde os pontos. É nessa perspectiva que eu quero dizer. E também há uma falha no cartão amarelo. Depois, houve também coisas boas. Houve um gol em que o assistente esteve muito bem na sua validação, houve o lance da área em que o árbitro anunciou o pênalti e bem, houve dois amarelos que foram bem mostrados, portanto, também há coisas positivas. E é valorizando um bocadinho essas coisas positivas que eu também dou aqui a nota cinco.
Pedro Henriques, está feito. Entrego mais um "Sem Falta" a contar pra 14ª jornada. Nota cinco pro árbitro Hélder Carvalho, neste encontro entre Moreirense e Benfica. 4 x 0, vitória dos encarnados. Nós temos encontro marcado, Pedro, esta segunda-feira também para o futebol clube do Porto, Estrela da Amadora. Um abraço.
Um abraço também.
O "Sem Falta" fica sempre disponível em podcast.