Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Sem falta na Rádio Observador com Pedro Henriques. Vamos analisar o trabalho da equipa de arbitragem no jogo entre Benfica e Futebol Clube do Porto. Jogo que terminou com um empate a um golo e que teve, de resto, muitos casos. Boa noite, Pedro Henriques.
Muito boa noite.
Vamos à fita do tempo deste jogo. Vamos analisar então esse trabalho da equipa liderada por Artur Soares Dias e começamos desde já pelo minuto nove deste clássico. Ficou a dúvida de se Vertonghen fez o pênalti sobre Marega. Ficou por assinalar esse pênalti ou não?
Não, boa decisão da equipa de arbitragem. O Vertonghen estica o seu pé esquerdo e toca claramente e em primeiro na bola, na disputa de bola com Marega, e depois há de continuar um contacto, mais um choque de pernas, mas o facto do Vertonghen ter tocado primeiro na bola e de forma muito clara, isto é atenuante para que aquilo que poderia ter sido um pontapé ou uma rasteira no seu adversário, não tivesse acontecido. E boa decisão, não havia motivo para pontapé de pênalti.
Seguimos para o minuto 15 deste clássico e neste caso, para o primeiro cartão deste encontro, cartão amarelo para Sérgio Oliveira. Foi uma boa decisão por parte do árbitro?
Sim, é um tackle deslizante sobre o Everton. Ele vai com o pé direito à frente, mas depois é acima de tudo com o outro pé, com o pé esquerdo, que vai a deslizar, que acaba por, à continuação, escorregar, acertar e derrubar de forma negligente o Everton. Portanto, cartão amarelo bem mostrado.
E depois da meia hora de jogo, ao minuto 31, há novo cartão amarelo, neste caso para Weigl. É uma decisão acertada?
Sim, é um pisão sobre o Sérgio Oliveira, mais concretamente no calcanhar. E estas entradas, estes pisões, devem ser punidos com cartão amarelo, porque normalmente são entradas chamadas inteligentes, ou seja, não têm em conta o perigo e as consequências do seu ato para com o adversário, e são aquilo que nós popularmente dizemos, umas entradas mais duras. E estas situações de pisar o adversário é normalmente com a sola, é com o piton, são bastante duras e dolorosas para quem sofre a falta e muitas vezes quando são no pé, no peito do pé, mas sobretudo no calcanhar, podem inclusive ser perigosas em termos de lesão. E daí, este cuidado, e estou aqui a esticar um bocadinho mais, porque isto depois vai ser importante para o resto de outros lances, de falar que realmente estas infrações, estes pisões, têm que ser punidos com cartão amarelo. E este foi.
Muito bem. E na primeira parte temos ainda um caso a discutir, mesmo a fechar a primeira parte nos minutos de desconto, Artur Soares Dias assinala pênalti, mas o vídeo-árbitro liderado por João Pinheiro acaba por anular esse lance por causa de um fora de jogo no início da jogada. Tudo certo nesta decisão, Pedro Henriques?
Sim, vamos começar pela questão do fora de jogo. Ao ser fora de jogo, e hoje em dia com a vídeo-arbitragem é fácil, com a colocação das linhas, e este é de 19 centímetros, nem sequer é daqueles de poucos centímetros que muitas vezes lança dúvidas, tudo o que acontece pra frente é anulado. Isto é, o possível pênalti que o árbitro assinalou e o cartão amarelo que deu ao Manafa, são automaticamente anulados. E por quê? Porque este cartão resulta de uma infração. No entender do árbitro, a infração do Manafa foi dentro da área e portanto seria pênalti. E como era na tentativa de jogar a bola ou rasteirar o seu adversário, mesmo estando isolado, o cartão vermelho passa para cartão amarelo, porque foi na tentativa de jogar a bola e foi com o pé. Isto para explicar porque que o árbitro não assinou o pênalti e cartão vermelho, porque a lei da triplapunalização outorgou isto. Mas há uma questão. É claro que o fora de jogo anula tudo, mas na realidade, tanto o toque no pé como a falta feita por Braç, mas aquilo que realmente faz cair o jogador do Benfica, o Rafa, é a falta no pé, era fora da área. Portanto, vamos admitir que, por hipótese, não era fora de jogo. O vídeo-árbitro, de certeza que iria reverter este pênalti com cartão amarelo para puxar a bola para fora da área, para livre direto e neste caso, com cartão vermelho, porque não se tratando de um pênalti, é claro, a opinar do gol mantinha-se e portanto, era cartão vermelho. De qualquer forma, tudo isto que estou aqui a referir perde qualquer importância, ser pênalti ou ser livre direto, ser cartão amarelo, ser cartão vermelho, porque efetivamente o fora de jogo anulou técnico e disciplinarmente tudo o que aconteceu pra frente e, portanto, boa decisão da equipa de arbitragem em anular, digamos, este pênalti que foi inicialmente assinalado.
Vamos então agora para a segunda parte deste clássico no Estádio da Luz. Minuto 56, novo pênalti assinalado por Artur Soares Dias e novamente revertido pelo vídeo-árbitro. Esteve bem a equipa de arbitragem neste lance?
Sim, esteve bem. O que o árbitro pensa que vê é um toque do Zaidu a nível do pé, no pé do Diogo Gonçalves e com isso rasteira o adversário. E foi isso que ele assinou o pontapé de pênalti. Na prática, quando depois se percebe através das imagens, quem pisa é o Diogo Gonçalves que pisa o Zaidu. E o Diogo Gonçalves é que utiliza o seu pé esquerdo e ao pisar o seu adversário, acaba por cair e vamos aceitar que caiu por causa desse pisão que o faz desequilibrar. O vídeo-árbitro, tratando-se de uma situação de pênalti que inicialmente assinalado pelo árbitro, tem que rever o lance e propõe ao árbitro a ir ao monitor para rever o lance para reverter. A gente tá a dizer, obviamente, eu também digo que o vídeo-árbitro é que reverte, é uma forma prática de dizer. Na realidade, quem pode reverter é o árbitro. O vídeo-árbitro apenas propõe e dá a sua opinião. E o árbitro concordou. Só um pormenor. O árbitro começou este lance com bola ao solo, por uma razão muito simples, no entender do árbitro, ao não ser pênalti e ele ao ter interrompido. Neste caso, porque assinalou pênalti ou não ser pênalti, não há nenhuma infração no ponto de vista dele pra assinalar, ele tem que começar com bola ao solo. Mas na realidade, o Diogo Gonçalves, se pisa o Zaidu, é ele que faz falta sobre o Zaidu e dentro desta perspectiva, devia ter começado, é pouco relevante, mas com livre direto dentro da área a favor do Porto. É pouco relevante, mas é só para dizer que isto é que era o mais correto. O mais relevante disto tudo é que o pênalti foi incorretamente assinalado e ainda bem que o vídeo-árbitro interveio e fez a alteração e reverteu o lance anulando o pontapé de pênalti, que realmente não existiu.
Portanto, dois pênaltis revertidos, duas boas decisões. Seguimos para o minuto 58 e para o que viria a ser, a partir daqui, uma série de cartões mostrados. Começamos por esse minuto 58, cartão amarelo mostrado a Lucas Veríssimo. É uma boa decisão por parte do árbitro?
Sim, é aquela situação que temos vindo a falar várias vezes. Os jogadores muitas vezes utilizam cotovelos, braços ou mãos, seja a saltar, a disputar da bola ou quando estão a ser, de alguma maneira, a tentar proteger a bola ou muitas vezes a serem carregados pelos seus adversários. E quando utilizam esta mão, braço, cotovelo na cara do seu adversário e a cabeça, o rosto, o pescoço, são zonas de proteção que as leis de jogo têm vindo a dar, porque são zonas perigosas quando se leva uma cotovelada com a mão ou com o braço Dentro desta perspectiva, o árbitro muito bem mostrou o cartão amarelo, porque essas situações têm que ser banidas do futebol. E, portanto, o que aconteceu foi que o Lucas Jorris abriu o braço direito, esticou completamente, acertou na cara do Taremi. Há um complemento desportivo, cartão amarelo bem mostrado.
Dois minutos depois, é Rafa quem vê esse cartão amarelo. É um cartão bem mostrado por parte do árbitro?
Sim, vai por trás, tem uma entrada perfeitamente negligente, sem qualquer hipótese de chegar à bola. É aquilo que nós dizemos vulgarmente, uma entrada muito dura e, portanto, o árbitro bem mostra aqui o respectivo cartão amarelo.
Já aos 64 minutos, é um jogador dos Dragões que vê o cartão amarelo, neste caso, Pepe. É uma boa decisão de Artur Soares Dias?
Sim, entra de frente, falha completamente a entrada, muito negligente, ainda por cima perto da área e acerta com os pitons em cheio no Rafa, acabando por o derrubar. Cartão amarelo bem mostrado, quer pelo local da infração, já próximo da área, embora na zona lateral, quer pela entrada em si, que é realmente muito dura, que é a tal negligência. Portanto, cartão amarelo bem mostrado e este é um lance que depois vai ter consequências mais à frente, que, de resto, foi aquilo que o Jorge Jesus-
Jorge Jesus já contestou. Exatamente. Avançamos ainda antes desse lance contestado pelo treinador encarnado, vamos até ao minuto 71, é Elton Leite a ver cartão. O que se passou neste lance, Pedro Henriques? E quanto ao amarelo, se foi bem mostrado.
Bem mostrado, retardou o pontapé de baliza. Estamos a falar do Elton Leite, o guarda-redes. O Benfica na altura estava por cima em termos de resultado. Convinha, obviamente, retardar algum tempo, quebrar o ritmo e o árbitro entendeu que ele estava a fazer isso para além do tempo normal e, portanto, mostrou o cartão amarelo por causa disso mesmo.
Vamos então a um dos lances contestados por Jorge Jesus. Ao minuto 80, falta de Pepe sobre Seferović. O treinador encarnado disse mesmo que Pepe devia ter sido expulso. Um pisão sobre o avançado do Benfica. Justificava-se aqui mostrar o segundo cartão amarelo a Pepe, como defendeu Jorge Jesus? E pergunto também, Pedro Henriques, se nesse lance o Benfica saiu rapidamente para o ataque e marcou. Artur Soares Dias acabou por anular esse golo. Pergunto por quê?
Vamos dividir em duas partes. Em primeiro lugar, de forma muito clara, o Pepe, por isso é que eu estava a falar há bocado do pisão, a entrada de sola, de cima para baixo, perigoso, seja no tornozelo, seja no peito do pé, seja muitas vezes lateral. Portanto, esta é uma situação clara e semelhante à que já tinha acontecido e a outra que vai acontecer a seguir, em que o árbitro depois no espaço de três minutos tem realmente um critério que não é uniforme e é isso que depois muitas vezes os adeptos não entendem. O Pepe pisa de forma negligente, completamente fora de tempo o seu adversário e devia ter visto aqui o segundo cartão amarelo de forma muito clara. Portanto, isto é um facto. Se o árbitro, quando apitou para a infração, fosse puxado o cartão, fosse mostrado o respectivo amarelo e expulsasse, obviamente, que fazia bem em ter apitado e não permitir que a bola fosse reposta em jogo, porque havia um jogador que ia levar cartão amarelo e que ainda por cima tinha que ser expulso e tinha que sair do terreno de jogo. A partir do momento em que apita apenas a falta e que, no entender dele, não é para cartão amarelo, não faz sentido nenhum que não permitisse que o Benfica fizesse a reposição da bola, até porque a bola estava no sítio onde ocorreu a infração e estava parada. Porque se a bola estivesse muito fora do sítio ou eventualmente com a bola em movimento, isso é que não era permitido recomeçar o jogo. A partir do momento que a bola está no sítio e está parada, portanto, não está em movimento, deveria ter deixado que o jogo seguisse rápido. De resto, tivemos ainda agora nas competições internacionais, em jogos da Champions, gols obtidos exatamente esta semana, desta forma de reposição de bola rápida. Portanto, digamos que há aqui duas situações em uma, que depois, inclusivamente, nós não colocamos aqui no nosso oracuzinho, mas que não sendo relevante, depois o Rui Costa, que estava no banco como dirigente do Benfica, acaba por ser expulso na sequência disto tudo, exatamente por causa da não compreensão desta, digamos, dupla decisão. Por um lado, o Pepe devia ter sido expulso, por outro lado, a questão de não permitir a reposição rápida. Este é um lance que não é somenos, é um lance muito importante em relação ao jogo e depois vai ter influência-
Acabaria por definir exatamente o resultado.
Na minha opinião, exatamente.
Avançamos até ao minuto 80. Pedro Henriques, há dois cartões mostrados para Mbemba e para Gabriel, neste caso por protestos. Foi bem decidido?
Sim, foi na sequência. Ou seja, é na sequência deste lance, nós dividimos isto, em que depois gera-se confusão, aqueles encostos, os protestos, o empurra, tudo isso, e o árbitro acaba por mostrar o cartão amarelo. E é isso que muitas vezes o mundo do futebol não entende, como o árbitro tem muitas vezes facilidade em mostrar um cartão amarelo por um empurrão, por um protesto, por uma situação que é para advertir, mas que é menor, e depois numa entrada mais dura, como foi, por exemplo, a entrada do Pepe, não adverte. Ou seja, no mesmo lance, houve aqui várias nuances que acabam por desvirtuar um pouco aquilo que estava a ser a arbitragem do Artur Soares Dias, com muito boa ajuda do vídeo-árbitro, diga-se de passagem.
Já aos 83 minutos, há cartão amarelo para Seferović. Pedro Henriques, o que há a dizer desta decisão?
Pois é, que passado os tais três minutos do lance do Pepe, temos um lance que é quase papel químico e o árbitro aqui bem mostrou o cartão amarelo. O Seferović falha completamente a entrada à bola e acaba por pisar o Urrib, quando este vai à saída, fazer sua transição da zona defensiva. E, portanto, se este lance é mais espaçado no tempo ou tinha acontecido antes, podíamos tentar de alguma maneira compreender. Isto é que se torna menos compreensível como é que dois pisões em tudo idênticos, um não é punido e o outro é. E portanto, é isso que muitas vezes o mundo do futebol tem dificuldade em entender. Obviamente, e é bom relembrar, já agora, que no minuto da situação do Pepe, que era uma expulsão por acumulação, o vídeo-árbitro não pode intervir. Portanto, não faz parte do protocolo, só pode intervir em erros diretos. Neste caso concreto, o cartão amarelo ao Seferović é bem mostrado. Pena foi não ter sido também o mesmo critério em relação ao Pepe três minutos antes.
Muito bem, aos 90 minutos, há mais um cartão amarelo, desta vez para Diogo Gonçalves. É um cartão bem mostrado por parte do árbitro?
Uma entrada dura, uma entrada completamente fora de tempo, sem qualquer hipótese. É chamada quase falta tática, mesmo para destruir a jogada. Luís Dias saía com velocidade e essa entrada negligente valeu-lhe o cartão amarelo. De resto, o Diogo Gonçalves teve uma atitude fair play ao ter ido cumprimentar o Luís Dias, porque percebeu claramente que a falta era merecedora disso mesmo.
E ficamos por aqui no que toca a cartões amarelos. Foram 11 ao todo os cartões mostrados por Artur Soares Dias neste clássico que se jogou no Estádio da Luz. Vamos agora ao último lance para análise. Ao minuto 93, o Benfica marca, o Benfica festeja, mas depois o vídeo-árbitro acaba por anular esse lance. Pergunto, Pedro Henriques, se é uma decisão acertada.
Sim, não é o Pizzi em si, é no corredor esquerdo, no início da jogada, o Darwin que está adiantado em relação ao último adversário, neste caso, curiosamente, em relação ao Pepe. Está adiantado cerca de 30 cm e automaticamente tudo o que acontece pra frente fica sem efeito. Relembrar que esta foi a terceira excelente intervenção do vídeo-árbitro, porque também nesta decisão o árbitro assistente deixou seguir e, portanto, se não houvesse vídeo-árbitro, teria sido validado um gol em fora de jogo.
Está feita então a análise aos lances deste clássico. Falta agora, como sempre, a nota para a prestação da equipa de arbitragem liderada por Artur Soares Dias. Pedro Henriques, que nota a atribuir para a arbitragem deste clássico?
Vou dar nota cinco, que é a nota mínima positiva, mas vou dar nota cinco por valorizar as três excelentes intervenções de João Pinheiro como vídeo-árbitro, que salvou completamente o jogo. Portanto, dois situações de pênalti que foram revertidos e um gol que também foi anulado por fora de jogo. Senão teríamos um dos jogos mais problemáticos da história do Benfica-Porto, se esses lances fossem todos validados de forma completamente irregular. A nota positiva é para o vídeo-árbitro, que auxiliou o árbitro que em terreno de jogo não teve essa capacidade e que cometeu, sobretudo, para mim, o erro maior, e esse o vídeo-árbitro não pode intervir, que foi exatamente a não expulsão do Pepe ao minuto 80 por segundo cartão amarelo e depois aquela tal reposição de bola que falamos, que ele também acabou por não permitir e deveria ter permitido.
Muito bem, nota cinco atribuída pelo Pedro Henriques, sobretudo por essa intervenção do vídeo-árbitro, neste caso liderado por João Pinheiro. Fica também a nota do antigo árbitro Pedro Henriques neste "Sem Falta" a analisar o lance com Pepe. Pepe que devia ter visto esse segundo cartão amarelo de forma clara, é o que defende o antigo árbitro Pedro Henriques. Pedro, obrigada, boa noite, até à próxima.
Obrigado, boa noite.
Fica então aqui a análise de Pedro Henriques ao trabalho da equipa de arbitragem liderada por Artur Soares Dias. É mais um "Sem Falta", como sempre na Rádio Observador.