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Começa mais uma jornada da Liga Portugal Betclic. Aqui não há meio-termo. As equipas não jogam bem nem mal, antes pelo contrário, são remates rasteiros, a meia altura, por cima da barra. Estádios bonitos, modernos, arejados. Fica na retina o cheiro de bom futebol. Liga Portugal Betclic, em nome do futebol.

Mais uma vez, Pedro, muito bem-vindo, muito boa noite.

Boa noite.

Vamos então para o "Sem Falta", que tem aqui a tua análise ao árbitro João Gonçalves. Ora, minuto 30, não há penalty sobre Kiko.

Sim, é o lance com o Pepê, o Pepê nas costas do Kiko. O Kiko dá um género de um remate na atmosfera e ficou-se na dúvida como estava de frente para o guarda-redes, se esse remate teria sido porque ele falhou ou se o Pepê, que estava nas suas costas, teria empurrado, agarrado, carregado. Só deu duas repetições, más repetições, mas mesmo com essas más repetições, fico com a ideia que não há nenhuma infração por parte do Pepê e por isso dou como legal esta decisão. Fica a ideia que ele se desequilibra por falhar exatamente o pontapé, o tal pontapé na atmosfera.

Entretanto, minuto 35, é o golo anulado ao Porto. Bem anulado?

Sim, bem anulado. É uma questão de fora de jogo. O VAR vem apenas confirmar aquilo que o assistente tinha visto no campo. Portanto, o assistente deu logo o fora de jogo e anulou o golo. Pepê passa para Gabri Veiga, que faz o golo. O Gabri Veiga está adiantado em relação ao último adversário. Ainda estou à espera das imagens da cidade do futebol com as linhas do fora de jogo.

Entretanto, ainda nesta primeira parte, uma primeira parte um bocadinho mais conturbada. Amarelo para Alanzin, minuto 43.

Sim, amarelo bem para o Alanzin, é uma entrada ao Alan Varela, quando o Alan Varela ganha a bola à saída do meio-campo. Ou seja, o Moreirense posicionou-se numa situação parecida de contra-ataque. Entretanto, o Alan Varela ganha a bola e quando sai ele a fazer a transição ofensiva e já no meio-campo adversário, o Alanzin manda-se às pernas dele. É uma mistura de entrada dura, negligente, com aquilo que nós dizemos falta tática para destruir a jogada, cartão amarelo bem mostrado.

Depois aparece o penalty para o Porto e aparece ao minuto 45 mais um. É um penalty daqueles que não há grande questão, não há grande polémica.

Sim, até porque nós tivemos aí umas jornadas atrás a questão dos agarrões e foi muito polémica tanto no jogo do Sporting com o Braga e sobretudo do Porto com o Benfica. E é para que não haja dúvidas. Sempre que tivemos uma infração, e neste caso vamos falar especificamente dos agarrões, é preciso que haja nesse agarrão uma causa, um efeito, uma consequência. Não basta parar uma imagem e ver uma camisola ser puxada para se dizer que há infração. Não é essa a ideia do legislador do internacional board. O internacional board diz: "Paremos as imagens para ver se realmente agarrou, puxou, se está com a mão na camisola, ou para ver muitas vezes se as faltas são dentro ou fora, ou para ver se tocou no ombro ou no braço. Isso serve as imagens paradas. Depois, em movimento normal, vamos sempre colocar a imagem para tentar perceber se há uma causa e um efeito, aquilo que nós chamamos uma consequência." Bom exemplo de um agarrão ostensivo, persistente, evidente. Estamos a falar de um maranhão em relação ao Frahol e que tem uma consequência, e a consequência é que o jogador do Porto, o Frahol, além de ser puxado para trás e portanto ficar impedido de correr para ir tentar buscar aquela bola, é este agarrão que faz com que ele não o consiga efetuar. Não é uma daquelas situações em que o jogador é agarrado e mesmo assim consegue desenvolver a sua ação. Não, ele é impedido de chegar à bola, é puxado exatamente por esta infração e, portanto, bem o VAR a chamar o árbitro. Só não percebo é porque não há cartão amarelo, porque este agarrar, que é um comportamento incorreto em sentido desportivo, sem bola, não se insere em nada daquilo que são as leis das duplas interpretações. Isso é só para na tentativa de jogar a bola, quando há penalty, na tentativa de jogar a bola. Tudo o que é agarrar, empurrar, puxar, até está escrito na lei exatamente como eu estou a dizer, é para amarelo ou vermelho, conforme a circunstância. Neste caso, faltou aqui o cartão amarelo.

Ainda nesta situação, há aqui um amarelo para Maracás, 45 mais um.

É entre o penalty e o árbitro ir ao monitor verificar o lance. Por isso é que eu coloquei à posteriori, porque na prática, embora o árbitro só tenha dado o penalty depois de ir ao monitor, na prática, o penalty aconteceu antes disso. E o Maracás acaba por protestar com o árbitro exatamente quando ele vai para o monitor. Estará ali a dizer qualquer coisa que o árbitro não gostou e que foi incorreto na perspectiva de que o Maracás percebeu que o árbitro iria ao monitor já para verificar o lance. E todos os jogadores já sabem, quando são chamados, é porque alguma coisa estará em análise, neste caso, uma questão de penalty.

Quarenta e cinco mais seis. A fechar a primeira parte, mais um amarelo, neste caso, amarelo para Borra.

Exato. É uma falta atacante, conforme o Porto está a atacar no corredor esquerdo, já junto à banda de Alan Kante, para quem defende, neste caso o Moreirense, sobre o Bernardo, é conforme ele estava no seu corredor direito e portanto é uma entrada às pernas durinha, negligente, cartão amarelo bem mostrado.

Segunda parte, logo ali ao minuto 47, ao segundo minuto. Gabri faz falta dentro ou fora da área?

É aquele lance que a bola é metida em profundidade. Não consegui captar o nome do jogador do Moreirense e gosto de sempre ter os nomes dos jogadores, mas é aquela situação em que a bola é metida em profundidade, em que o jogador do Moreirense, há uma troca de braços, há uma possibilidade eventualmente de ser falta ou não. A minha dúvida aqui é porque as imagens, uma vez mais, em repetição de muito longe, não dá para perceber. No meu ponto de vista, há aproveitamento. No meu ponto de vista, não há motivo para qualquer infração, que sendo fora, faltava-me dizer isto, eu estava aqui a ler, sendo fora, seria sempre uma situação de livre direto. Por que o VAR poderia intervir? Não no livre direto, mas era uma clara oportunidade de golo. E é por isso que o VAR ou não intervém. Tem imagens close, tem imagens de ir buscar o lance perto e portanto deduz-se que tenha feito isso tudo. Se não dá, eu dou também o benefício da dúvida, porque tenho dificuldades com uma repetição à distância em que não se consegue perceber se há braços, se não há, de dar mais qualquer opinião em relação a isto e por isso vou dar como benefício da dúvida, que é para o árbitro, que é para o VAR, que tiveram outras oportunidades de ver o lance. O árbitro em direto, mais perto, e o VAR com as imagens todas.

Entretanto, há ou não penalty sobre o William, minuto 62?

Este é um lance em que o Willean Gomes, dois momentos com o Dinis Pinto na área por trás. O primeiro momento de mão nas costas, que é um toque ligeiro ali no nível do ombro, não era falta. Há realmente um troca-pés. O troca-pés é aquela situação em que tu estás por trás e, de alguma maneira, quando o jogador vai a correr, acabas por lhe dar um toquezinho, das nele um cheirinho, e ele acaba por tropeçar e cair. Isso é falta. Sendo pênalti para mim, a puxar o filme atrás, percebe-se primeiro lugar, e por acaso, embora na diagonal, mas dá para perceber que o Willean Gomes está a recuperar, vem da frente para trás, sai de fora de jogo e automaticamente tudo o que aconteceria ou o que aconteceu para frente seria anulado por esse fora de jogo. E depois a seguir, ainda há uma discussão de bola com o Tégia, o Willean Gomes recupera de fora de jogo para jogo e vai dar um cheirinho no Tégia, o suficiente para ele ficar fora da jogada. Para mim, até as duas análises, que é fora de jogo e falta atacante, e depois a seguir é que ele sofre a falta para pênalti. O que eu acho? Aliás, tenho a certeza, se o VAR, depois de analisar o lance, porque teve a analisar, começa o jogo conforme a situação estava, não dá pênalti, não dá fora de jogo, não dá falta atacante, é porque não considera que sequer há pontapé de pênalti. E portanto, por isso é que não vai ter outra ação e deixar seguir o jogo. Para mim, erradamente, porque se há pênalti, para mim há pênalti, o árbitro, aliás, o protocolo diz claramente que neste caso, "mas há uma falta antes, não vais dar, é para seguir." Não, se há pênalti e antes do pênalti há qualquer coisa, como é o caso de um fora de jogo, uma falta atacante, é com isso que vais recomeçar, que é para as pessoas perceberem que sim, eu validei o pênalti, mas como há uma infração antes, neste caso de quem ataca, é aí que temos que começar. O VAR não considerou nada, o que me deixa sempre preocupado, porque parece um pênalti claro, mas obviamente que deixa de ser pênalti porque realmente saiu de posição fora de jogo.

Há aqui um erro. Falta um segundo amarelo para o Maracás, aos 76 minutos.

Acaba por ser um erro no jogo. Como o Porto ganhou, acaba por ter menos impacto naquilo que podia ser discussão e conversa final, mas é uma entrada do Maracás por trás sobre o Samu, que acaba por tocar no calcanhar do pé esquerdo, da perna, pé esquerdo, e é uma entrada durinha, é uma soladazinha. De resto, o Samu ficou no chão.

É aquela entrada junto ao banco, não é? Junto ao lateral da caixa.

Exatamente. É uma entrada por trás, negligente, passível de cartão amarelo, a somar a que ele já tinha visto no tal protesto que ele fez quando o árbitro foi ao monitor. Portanto, aqui o Maracás ficou claramente por ver o cartão vermelho e ser expulso.

Dois lances para análise ainda, minuto 78. Há ou não pênalti sobre o Dinis Pinto?

Sim, é aquela questão de ser dentro ou fora da área, que o gol é o Denis Gol que acaba por meter, de empurrar, neste caso, com a mão direita, o ombro esquerdo do jogador do Moreirense. A questão aqui que se coloca é que realmente o jogador do Moreirense, como aquilo é no limite, vai cair muito dentro da área. Parece ver depois o banco do Moreirense a pedir pênalti, a dizer que é dentro. Mas quando se para a imagem, percebe-se que o início da ação, agarrar, saltar, carregar, rasteiras, takes, tudo tem a ver com o início da ação. Só o agarrar, empurrar, etc, é que é a única exceção da Lei 12, em que não é o início da ação. Quando um jogador é agarrado fora da área, entra agarrado e aí cai, é o final da ação. É a única exceção. Todo o resto das outras 12 infrações, aliás, são 12, as outras 11 infrações da Lei 12, que são punidas com livre direto, dentro da área, pontapé de pênalti, é sempre onde tem o início da ação. E neste caso, o início da ação, o momento daquele primeiro contacto que depois leva ao desequilíbrio, é fora da área e por isso veio o árbitro assinalar apenas o livre direto.

E falta o gol do Porto, o gol ao minuto 88.

Sim, eu na altura foquei-me na questão, lá está, o direto ainda estas coisas. Foquei-me na questão do possível fora de jogo e aí quando a bola é desviada ao primeiro poste, percebe-se claramente que o Álvaro Martínez está a pôr em jogo o Dennis Goul, que é ele que vai fazer o gol. Mas há mais uma análise que eu acho que não foi o fora de jogo, porque o árbitro fez o sinal de linhas. Até se foi feita da referência que ele estava a fazer o sinal de linhas. Eu acho que o VAR demorou um bocadinho mais, não só por isso, porque eu acho que essas linhas colocadas davam logo de forma muito clara o não fora de jogo. Eu acho que ele também teve a analisar só o primeiro poste, o Frold teria feito uma falta atacante naquela molhada, naquele salto. Para mim, sem qualquer infração, saltou na vertical, sem empurrões, os contactos normais daquela molhada, ainda por cima o Porto tem esta maneira de marcar os pontapés de canto e os livres ali junto ao canto, com muitos jogadores depois ali no coração da dita pequena área, junto do guarda-redes, e daí que é normal haver os contactos. Não há falta do Frold em termos atacantes, não há fora de jogo, porque quando a bola é desviada, claramente o Álvaro Martínez está a pôr o Dennis Gol em jogo e portanto tudo certo neste gol, que é decisivo no jogo.

E falta a nota para João Gonçalves, Pedro.

Vou dar nota cinco, porque repare, ele tem uma série de decisões que são boas. Há muitas outras decisões, aliás, mesmo dentro dessas decisões que eu dou como boas, eu gostava de ter tido imagens que não as tive. A transmissão foi tudo menos boa e portanto faltou claramente planos mais apertados, mais fechados, para nós conseguirmos perceber efetivamente alguns lances que nos deixam dúvidas de possíveis faltas. Posto isto, vou dar nota cinco, não tem impacto no jogo porque o Porto acaba por ganhar o jogo, mas obviamente que a não expulsão do Maracás podia ter tido impacto, caso houvesse empate, porque de certeza que iriam bater-se sobre essa situação, porque ainda faltavam 14 minutos, ainda por cima o árbitro deu 10 minutos de descontos. Hoje carregou bem, e bem, porque para além da questão das seis paragens para substituições, o gol e um amarelo na segunda parte, até esse momento. Mas houve muitas paragens idas ao banco, advertências no banco, houve várias escutas não idas ao monitor, mas à espera que o VAR estivesse a analisar os lances, alguns deles demoraram. Olha, como foi o caso deste último que nós relatamos do gol, e daí o árbitro ter dado os tais 10 minutos. Nota cinco, não tem impacto, acertou nas principais decisões. Uma, como foi o pênalti, foi o VAR que lhe deu e, portanto, na prática, não foi o árbitro que acertou, porque se tem sido o árbitro a acertar nesse lance, eu daria aqui um seis, mas há este erro que não tem impacto no jogo, que é claramente o Maracás devia ter sido expulso e não foi por acumulação de cartões amarelos, mas sobra a boa decisão do VAR no momento um do pontapé de pênalti a favor do futebol clube do Porto e em alguns lances que nos deixam dúvidas, dei muitas vezes o benefício da dúvida ao árbitro neste jogo.

Muito bem, nota cinco dá aqui o Pedro Henriques a João Gonçalves para o Sem Falta, que fica também disponível através de podcast da Rádio Observador. Amanhã voltamos com a Taça da Liga. Tudo certo, Pedro?

Tudo certo. Um abraço. Até amanhã.

Até amanhã. Até amanhã.