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, torcida e música animada ] Está no ar mais um Sem Falta, da Rádio Observador, e apito inicial para mais uma ronda pela arbitragem desta feita do jogo entre Portugal e Noruega, vitória da seleção nacional por duas bolas a uma, carimbando assim a passagem aos quartos de final da Liga das Nações. O que é facto é que o árbitro foi Maurizio Mariani, e Pedro Henriques, logo ao minuto três, na tua opinião, faltou um amarelo a um homem bem conhecido do Campeonato Português, Schjelderup.
Sim, é aquele lance com o Nuno Mendes, em que ele fica a sangrar da boca e realmente percebe-se que faltou mesmo mostrar o cartão amarelo e até assinalar a falta, porque o árbitro nem consignou a falta. É aquela situação típica do Schjelderup estar na frente, Nuno Mendes atrás, e os jogadores hoje em dia utilizam muito os braços levantados, inclusive para se protegerem e impedirem que o adversário se aproxime. Só que o braço demasiado levantado para relar o sol, como foi o caso, movimento para trás, já senti que estava ali o Nuno Mendes, está ali um movimento deliberado e acerta em cheio na boca do Nuno Mendes, que fica a sangrar, porque obviamente o lábio é uma zona mais frágil e, portanto, ali contra os dentes terá feito algum rasgão. De qualquer maneira, ali direto e cartão amarelo que ficou por mostrar.
Temos depois ao minuto nove, um lance na área da Noruega envolvendo João Félix, reclamou-se grande penalidade, mas acredito que o árbitro bem na decisão.
Sim, sem pênalti, o Østigård antecipa-se, põe a sua perna à frente e com o pé direito toca na bola. Não toca nem rasteira, neste caso, o pé ou a perna esquerda do João Félix, que era essa que estava mais próxima. Portanto, bem decidido por parte do árbitro, por este toque apenas na bola, sem falta e sem motivo para apontar pênalti.
Ao minuto 12, viu o cartão amarelo João Cancelo, que depois esteve condicionado o resto do jogo até ser substituído por Diogo Dalot. Marcou o gol do empate português, mas aqui queremos saber se este amarelo no minuto 12 foi ou não bem mostrado.
Sim, foi bem mostrado, é sobre o David Wolf. Na ocasião, o Cancelo falhou a bola e depois com o pé direito faz assim de cima para baixo, um raspão, acerta na canela direita do defesa norueguês e é uma infração, uma entrada negligente, durinha e, portanto, bem mostrado o respectivo cartão amarelo.
Minuto 36, temos o gol da Noruega, que nasce de um livre, que depois vê a bola cair à entrada da área, do lado direito da entrada da área. Aqui creio que dois momentos de análise, o primeiro fora de jogo e talvez um eventual ou não toque sobre Bruno Fernandes.
Bruno Fernandes. Portanto, e nestes dois momentos de análise, o árbitro ou a equipa de arbitragem esteve bem. Primeiro, quando o Ødegard faz o passe, barra a assistência pro Håland, que acaba por finalizar, ele está a ser colocado em jogo pelo próprio Bruno Fernandes, portanto, não há fora de jogo e também não há falta nas costas do Bruno Fernandes, como inicialmente poderia ter-se pensado, porque o Bruno Fernandes depois até choca com o jogador que também está à frente e, por isso, tudo correto, quer em relação à não existência de falta, neste caso, sobre o Bruno Fernandes, como também e em relação à questão do fora de jogo. Vem o assistente ao validar e confirmado depois pelo VAR.
Já na segunda parte, ao minuto 79, aquele que foi o segundo gol e o gol da vitória de Portugal, apontado por Gonçalo Ramos, numa assistência de João Félix, a dar pro lado dentro da área e a receber João Félix, um passe açucarado de Vitinha. Resta saber se estava em jogo João Félix. Creio que será também um único momento de análise.
É exatamente. Podemos também meter a questão do gol propriamente dito de Gonçalo Ramos, mas também não deixa de ser. Mas o momento de análise é mesmo o passe do Vitinha pro João Félix. Este até depois colocaram as linhas para mostrar que não havia fora de jogo e quem está a colocar em jogo o Vitinha é o Østigård. E depois, obviamente, quando o Vitinha faz o passe pro Gonçalo Ramos, o Gonçalo Ramos está atrás da linha da bola, portanto, obviamente, também não há fora de jogo. Portanto, gol legal de Portugal, neste caso, o segundo gol.
E ao minuto 84, na tua opinião, faltou um pênalti por assinalar sobre o Francisco Conceição, que afinal estava a ser imaturo, mas que aliás até tinha aqui um fundozinho de razão, embora não seja desculpável a maneira como expulso.
Sim, eu no direto disse que não era pênalti porque a primeira repetição e única que deram foi vista por trás da baliza e por trás da baliza fiquei com a ideia que o Østigård ao esticar a perna, mais concretamente a perna esquerda, tinha tocado única e exclusivamente na bola. Se bem se recordam, o lance não para, porque é o lance que a gente depois vai fazer a seguir. A seguir, a Noruega sai a jogar e o Schjelderup cai na área adversária. Ou seja, outro possível pênalti. E na sequência disso, temos a situação do árbitro ter que ver o Francisco Conceição no chão, depois o Francisco Conceição a levantar-se, depois levar um amarelo, depois levar o segundo, depois é expulso, depois as substituições. E resumindo e concluindo, praticamente o foco do lance sobre o Francisco Conceição só aparece mais à frente porque houve aqui uma série de acontecimentos. Quando começo a ver a repetição, que é a mais importante, que é a repetição que mostra claramente, ou seja, esta por trás da baliza, fica o pé pela frente e não se percebe se há toque ou não na perna ou na bola, fica a ideia que é na bola. Na repetição que é feita na câmara, deduzo que seja ou plano curto ou master, que é uma câmara, ou talvez a do fora de jogo.
Pedro Henriques?
Sim.
Perdemos-te aqui por alguns segundos. Ficamos na câmara de jogo.
Mas percebe-se pela tal repetição melhor, que é aquela que é dada, digamos, lateralmente, percebe-se que o Østigård nunca toca na bola. Isso é muito importante, porque tocar na bola faz a diferença. E ao esticar a sua perna esquerda, acaba com o pé, tocar quer no pé, quer depois nas pernas do Francisco Conceição, derrubando. E, portanto, aquela bola que até voltou pra trás e que parecia ter sido pelo toque do Østigård tirar a bola, na prática e na realidade, foi sempre o Francisco Conceição que tocou na bola e que fez o próprio desvio de bola. Resumindo e concluindo, o Østigård não toca na bola, toca com a sua perna esquerda ou, mais concretamente, com o seu pé esquerdo, quer no pé esquerdo, quer nas pernas de Francisco Conceição, derrubando. E, portanto, havia motivo para pontapé de pênalti, que eu só consegui ver depois a partir das repetições.
Neste lance, ao minuto 84, Francisco Conceição ficou caído na área. Enquanto ficou caído na área, ao minuto 85, a Noruega conseguiu chegar à área de Portugal e voltar também a reclamar pênalti, desta feita por uma eventual falta que pudesse ter sido cometida sobre o Schjelderup. Mas aqui também vem o árbitro aferir sem.
Legal, sem falta. O Schjelderup faz a tentativa de finta pra dentro, tem pela frente o Dalot. O Dalot tem a posição ganha e não há aquela Rasteira ou obstrução com contato, tipo tu vais passar e eu vou me pôr na frente da tua trajetória. Nada disso. É fazer corpo firme, tens a posição ganha, não tens de sair da frente. E é o próprio Schjelderup que, na tentativa de fazer a finta, acaba por se projetar contra o Dalot. E, portanto, tudo correto, sem motivo para pontapé de penalty.
Temos depois, Pedro, ao minuto 86, dois amarelos em catadupa de rajada para Francisco Conceição, que acabou por ver vermelho. Estava a reclamar daquele lance em que acabaste por dar razão ao jogador português.
Certo.
Mas independentemente do que aconteceu antes, é que a equipa saiu prejudicada por uma atitude que, do ponto de vista disciplinar, não se pode chamar infantil, mas dá vontade.
Exatamente. Só para as pessoas perceberem por que fizemos esta sequência. Primeiro, há penalty sobre Francisco Conceição, o jogo não para. A seguir, não há penalty sobre o Schjelderup. E é aí que depois o jogo acaba por parar e quando para, o árbitro tem que ir lá atrás ver o Francisco Conceição. Portanto, neste momento, com estes dois lances, ainda não tinha havido amarelo. Quando o árbitro vai lá, o Francisco Conceição tem ali um inicial protesto, que é esse que leva o árbitro a mostrar cartão amarelo e sobre esse, não podemos provar que há protesto ou não, mas deduzimos que sim, pela maneira como ele estava a falar com o árbitro. O problema que vem a seguir, que é depois de ter visto um cartão amarelo, o Francisco Conceição levanta a sua mão direita e faz o gesto físico com o polegar. E é para as pessoas perceberem, as pessoas às vezes têm dificuldade em perceber isto, ou quando os jogadores esfregam os olhos ou passam a mão à frente dos olhos. "Ah, mas isso não é nada." Não, há gestos que estão já predefinidos em termos de leis, que são punidos com cartão amarelo por serem considerados anti-desportivos incorretos ou até por cartão vermelho. Por exemplo, fazer sinal de ceguinha ou esfregar os olhos é punido com cartão vermelho. Tivemos há uns anos o Pep, das últimas vezes que jogou, foi expulso exatamente num jogo em Portugal por causa disso. Neste caso concreto, esta sinalética do fisco para o árbitro, no contexto, é claramente um protesto, é uma atitude incorreta, é estar a gozar com o árbitro, com o "sim, estás a ter uma grande atitude. Pois, não marcaste penalty". E é neste contexto que isto é passível de cartão amarelo. E portanto, ele tinha acabado de ver o cartão amarelo. E ao fazer este gesto tão claro, tão evidente, tão ostensivo, o árbitro não tem outra solução que não mostrar o segundo cartão amarelo. Portanto, sob o ponto de vista dos dois cartões amarelos e consequente expulsão, o árbitro está correto. Naturalmente, que isto acontece porque é um penalty e fica por assinalar. Mas por muita razão que um jogador tenha, tem que se perceber isso, não pode protestar da forma como ele protestou, protesto por um lado, e completamente incorreto ao gesto incorreto. E por isso, nesse aspecto, a expulsão está certa sob o ponto de vista da arbitragem, não obstante ter havido um erro grave por parte do árbitro.
E para fechar os lances e antes de conhecermos que nota merece o árbitro italiano, que apitou esta partida de Portugal, Maurizio Mariani, temos um amarelo para Bruno Fernandes, o capitão da equipe, ao minuto 87.
É uma entrada sem bola. O Bruno Fernandes estava quase como lateral direito, a defesa, portanto defesa direito, e é sobre o Schjelderup que estava no corredor esquerdo. O Schjelderup fez o passe para um colega, para dentro, e o Bruno Fernandes não para o movimento e por trás, vai de lado, mas depois com a perna direita, dá um pontapé, entre aspas, não é pontapé no sentido de agressão, mas uma rasteira sem bola sobre o Schjelderup. E portanto, esta entrada fora do tempo, sem bola, claramente para cartão amarelo e bem o árbitro aqui.
Resta saber que nota merece, Pedro Henriques, na tua opinião, a equipa de arbitragem hoje liderada por Maurizio Mariani, nesta vitória de Portugal por dois a um frente à Noruega.
Eu vou dar nota quatro. Às vezes quando os árbitros cometem um erro de penalty e acabam por não ter impacto no jogo, no sentido da vitória, às vezes até dou um pouquinho mais de cinco. Só que o árbitro não começa bem com um cartão amarelo que é muito evidente e ostensivo, aquela mão na cara. E este lance aqui do penalty é daqueles lances que eu compreendo o árbitro, até porque eu também na primeira imagem que tenho, parece-me legal, não consigo compreender o vídeo-árbitro, e não é preciso muitas repetições. Basta ver a primeira repetição de lateral para se perceber que claramente, e isso é fundamental, um vídeo-árbitro o que tem que fazer neste lance? É ver se o jogador toca ou não toca na bola. E ao perceber que ele não toca na bola, perde logo o atennuante de eventualmente não ser falta. Aparentemente, não toca na bola e toca no pé e não para o movimento e vai às pernas do adversário, é penalty. E portanto, este é um lance muito claro e óbvio, na minha perspectiva, com repetições, o que significa para var. E nesse aspecto, não gostei efetivamente da arbitragem, porque depois isso acabou por ter um impacto. Certo que o árbitro tem razão na expulsão, mas ao mesmo tempo tem um impacto de algo que não teria acontecido, que é esta expulsão decorre de um erro grave do árbitro. E é todo este empolgamento final que me faz baixar aquilo que podia até dar um cinco. Portanto, a decisão do árbitro, na ajuda do VAR, o amarelo que faltou pro Schjelderup e depois a consequência que teve no Francisco Conceição, que não é desculpável a atitude que ele teve, eu dou nota negativa, nota quatro.
Nota quatro, nota negativa para o árbitro Maurizio Mariani, italiano que apitou a vitória de Portugal por duas bolas a uma frente à Noruega, quarta jornada do grupo 4A da Liga das Nações. Portugal é o primeiro país europeu a fazê-lo nesta edição da Liga das Nações, o primeiro país a passar aos quartos de final da Liga das Nações. Pedro Henriques, está feito mais um "Sem Falta". Vamos sempre ouvindo a tua voz também em sede de "O Campeão", com notas de 0 a 20 aos protagonistas do dia no mundo do desporto. Um grande abraço e até à próxima.