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Então, à nossa. Obrigada por ter vindo. Por que trouxe este Aeternus de 2022?

Antes de mais nada, muito obrigada pelo convite. É uma honra estar aqui consigo. Porque é um vinho especial. É um vinho que fala da terra, que fala da vida de uma pessoa, que neste caso é o meu pai. É um vinho que honra a sua memória, a sua vida, o seu legado, que acaba por ser eterno. Por isso é que o vinho se chama Aeternus. Se dissermos em latim, será Aeternus. O A representa também América Amorim, o nome familiar Amorim. E é um vinho muito interessante, porque é o único vinho da Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo do Douro, que vem apenas de uma vinha com 12 hectares e meio, uma vinha centenária em terraços, com mais de 100 anos, com mais de 40 castas plantadas. E é um vinho que a própria pessoa nos inspira a criá-lo. Uma coisa é a natureza, outra coisa é a maturação do vinho em barrica, que vamos falando com ele e ele vai falando conosco até encontrarmos o ponto certo para exprimir a personalidade e identidade, neste caso, de América Amorim.

Bem-vindos ao "Tinto no Branco", um podcast observador. Todas as semanas brindamos com um convidado diferente. Sempre uma história de vida, uma vida com história. E ainda algumas dicas úteis para saber mais na hora de abrir uma garrafa. O mundo do vinho português, Tinto no Branco. Eu sou a Ana Sofia Fonseca e comigo está Luísa Amorim, a filha mais nova de América Amorim, que saltou das rolhas de cortiça para o vinho. Aos 52 anos, Luísa é o rosto da família no negócio do vinho e do enoturismo. Com quintas no Douro, Dão e Alentejo, faz fé no mercado de luxo e na qualidade. Luísa, o sobreiro é a árvore da família. O que a levou a preferir a cepa?

Eu acho que a árvore nos dá tudo, nos dá uma árvore de vida, uma árvore de sustentabilidade também. Ensina-nos muito, uma árvore em si, porque é biodiverso. A resiliência, o facto de ser uma árvore que nos dá uma colheita de um fruto, neste caso, de uma matéria-prima, que é a cortiça, que é extraída de nove em nove anos. Acho que a árvore me trouxe o respeito pela terra, o respeito pelas gentes, pela cultura local, se assim posso dizer, e o saber esperar. E o perceber que numa floresta, tal como na vida e tal também como nas cepas, tem que haver um equilíbrio de sustentabilidade entre a comunidade e também entre a própria idade das videiras. Uma família deve ter o avô, os pais, os filhos e, se tudo correr bem, os netos, para que claramente possam viver de forma sustentada para o futuro. É isto que me inspira. Quem tem um negócio de vinho sabe perfeitamente que estamos a fazer para a nossa altura, mas estamos a deixar um legado. Estamos a fazer, como se costuma dizer, eu gosto desta terminologia, que é gerações vindouras.

Como é que começou a gostar de vinho?

Muito jovem. Não nasci numa barrica de vinho, como alguns dizem, mas desde cedo, de facto, a minha vida em casa foi falar de cortiça e de vinho. O dia a dia dos meus pais, sobretudo meu pai, era receber produtores de todo o mundo, de vinho, e também inclui produtores de cerveja, produtores também de destilados. Ter em casa distintos produtores de diferentes nacionalidades e sempre à mesa com um copo de vinho. Toda esta vivência era quase que familiar, não foi um processo que tive que me habituar, foi um processo que acho que cresceu comigo.

As crianças iam para a mesa com os adultos?

Não, lá em casa não. As crianças recebiam os adultos e depois não iam para a mesa com os adultos. Nós tínhamos que comer, neste caso, quando os adultos jantavam na sala de jantar, nós tínhamos que comer na cozinha. Era assim que era antigamente.

Era uma casa muito animada?

Era bastante animada, sim. Nunca faltava programa e estava sempre repleta de gente, claro.

Onde o trabalho e o prazer se misturavam?

Sim, constante. Isso, aliás, é um mote nas empresas familiares. É muito difícil nós conseguirmos ver até que ponto é que é emoção familiar e até que ponto é que é razão empresarial. Tudo se mistura.

Há algum Natal em que não falem de cortiça ou de vinho?

Hoje há Natais que não falamos de cortiça, se bem que olhamos sempre para as rolhas de cortiça, se esta rolha é boa. Principalmente quando a rolha é muito boa, olhamos todos para a rolha de cortiça. O vinho também acho que sim, porque há sempre vinho à mesa e é sempre apreciado, é sempre criticado, nem que não seja sempre aqueles que são críticos, que dizem: "Isto está cada vez melhor".

Seu pai recebia em casa porque o trabalho era também o seu hobby.

Sim.

Quem a vê sempre inquieta, facilmente percebe que herdou do seu pai essa forma de ver o trabalho.

Um bocadinho. Para não dizer um bocado. Acho que realmente eu trabalho com paixão. Muitas vezes me perguntam se eu gosto do que estou a fazer. E é inequívoco. Eu poderia ter outro tipo de profissão e escolhi, de facto, e sinto-me bem neste mundo. Fazer o que faço. Sim, para mim trabalhar é um hobby, porque eu acho que no mundo dos vinhos há várias matérias que me são queridas. A natureza, as pessoas, a internacionalização. E depois vamos a detalhes que são muito naturais em mim, na minha personalidade, que é o marketing, desenhar novos produtos. E quando falo em produtos, não falo só no produto em si da garrafa, falo novos conceitos, novos projetos. Quem me conhece bem, sabe que nunca paro. E estou sempre a criar e a inovar.

Lá vem a frase do seu pai: "Não se consegue nada sem trabalho".

Isso é verdade. Sem dúvida alguma.

É verdade que começou a trabalhar com 21 anos?

É verdade.

Fazer o quê?

O meu primeiro curso foi hotelaria, e trabalhei na área mesmo. Fiz o curso de hotelaria e gestão hoteleira, onde tínhamos estágios obrigatórios durante três meses, praticamente não tínhamos férias, passávamos por todas as secções do hotel. Depois comecei a trabalhar, estudei à noite.

O que foi o mais difícil que fez num hotel?

Eu acho que há duas secções que para mim são muito difíceis e temos que respeitar. Primeiro dizer que é um trabalho muito digno e muito importante e ajudou-me a formar, sobretudo a respeitar toda a hierarquia de uma empresa e todas as pessoas. A começar pelo refeitório e ouvir a conversa de todos os trabalhadores nos refeitórios, perceber que a realidade de todos é diferente e muitas pessoas têm uma realidade muito dura na vida. As duas secções para mim mais difíceis foi, de facto, o housekeeping, a secção da limpeza, sobretudo na área dos quartos, e a zona que eles chamam a copa, que é lavarmos os pratos já sujos, os pratos com a comida que as pessoas deixaram nos pratos.

Mas andou a lavar pratos e a fazer camas?

Sim, senhora. Faz parte do curso e faz parte da aprendizagem. Nada que nos faça mal.

Deve ser ótimo agora para a sua aposta no enoturismo.

Também. Acho que nos dá outra perspectiva completamente diferente. O enoturismo que eu giro são sempre enoturismos mais de nicho. O hotel que nós temos também é um hotel pequenino. É como se fosse um guest house, é como se fosse uma casa privada, em sentido mais hoteleiro. Tentamos sempre receber as pessoas de uma forma muito personalizada, mas sim, o tratar estes serviços, estes produtos e as questões por tu, me permite ir mais além e não complicar.

Ainda se lembra do seu primeiro ordenado?

Eu não me lembro exatamente do valor, mas eu sei que ganhava pouco mais que o ordenado mínimo, talvez 10% acima do ordenado mínimo.

E fez alguma coisa de especial quando recebeu o primeiro ordenado?

Não me recordo.

Chegou a trabalhar no Casino da Figueira da Foz?

Cheguei.

O que fazia?

Estive bastante tempo no controlo de gestão e depois estive muito tempo no marketing e no entertainment também, ou seja, desenhar novos produtos e novos projetos, fazer com que o espaço do casino seja um espaço também de entertainment e de divertimento e que possa dar mais às comunidades locais. Foram esses os dois trabalhos que fiz, controlo de gestão e entertainment.

Para perceber o negócio, chegou a tentar a sorte no jogo?

Primeiro, faz parte. É uma regra, quando se trabalha num casino, ninguém pode jogar no seu próprio casino. É uma regra instituída e de lei em Portugal. Já tentei a minha sorte no jogo, mas nunca me tendo pelo jogo. Sempre nas slot machines, mas por brincadeira com amigos, mas sempre com uma nota contada que é para não me tentar.

Vem da hotelaria, foi um processo natural arrancar com o enoturismo?

Foi. Foi um processo completamente natural, não só porque também via que existia uma oportunidade, era um tipo de serviço que não existia muito na região. Nós nos vinhos, quando se trabalha com vinhos, já se recebe por si só muitos clientes. Já há uma componente de visitas e de clientes muito assídua.

Que leva o saber fazer.

O saber fazer. Exatamente, gostei, do saber fazer. Exatamente, é isso. Depois, foi um crescimento. Nós quando começamos no Douro em 2005, não havia praticamente nada e foi step by step. Eu gosto muito de pensar no turismo e no enoturismo, muitas vezes como os ingleses descrevem tão bem os parques. Não sei se conhece, mas os ingleses quando fazem um parque, nunca marcam os circuitos dentro do parque. Esperam que as pessoas andem pelo parque e elas próprias definem naturalmente. E é um bocadinho, se pensarmos noutra perspectiva, como os corredores dos supermercados. Por que há normalmente aquele corredor que vende mais do que o outro que está ao lado? Por que será? Talvez mais luz, porque está mais perto de alguns passos. E eu acho que no enoturismo também fizemos um pouco esta trajetória. Fomos adaptando à medida que o cliente nos ia pedindo e que víamos que havia esse interesse por este produto, e fomos crescendo assim, adaptando ao cliente.

Foram estudando o consumidor.

Sim.

É verdade que nos primeiros tempos, e o Douro não era o que é hoje, passavam dias e dias sem ver um único cliente?

É verdade.

Isto deve ser terrível.

Era terrível, era uma frustração, mas nunca desisti. E acho que nunca desistimos.

E o que a fez não desistir?

Porque acreditei que era possível. E aí está. Eu acho que é uma questão de acreditar, porque haviam pessoas também que trabalhavam conosco e famílias que dependiam de nós. Mas, sobretudo, porque acreditei, eu sabia que ia explodir mais tarde ou mais cedo. Era uma questão de tempo.

E aumentaram imenso o número de funcionários nos últimos anos no enoturismo.

Muito. Começamos com dois, hoje somos 50.

Qual é a pergunta que faz sempre numa entrevista de emprego antes de contratar alguém?

Bem, enoturismo ou não enoturismo?

Não enoturismo.

Não é enoturismo. Eu acho que mais do que a pergunta, é entender se as pessoas são simpáticas, se gostam de receber, a arte de receber. Falou há bocado da arte de fazer bem e temos que trabalhar no enoturismo com a arte de receber. Temos que gostar de pessoas, temos que gostar de agradar, porque nas férias dos outros é o nosso trabalho e portanto temos que compreender que naquele tempo que as pessoas estão ali para usufruir das suas férias, têm que ter o máximo prazer. E 50% do turismo é um investimento acionista. Pode ser o local, pode ser a Baixa-ela, pode ser o tipo de comida. 50% são as pessoas com quem nós trabalhamos. Eu digo: pode não colocar o talher no sítio, mas se for simpático, já 50% do trabalho foi feito. É isto que se espera. As pessoas que têm boas experiências no turismo, são pessoas que são bem acolhidas pelas pessoas. É um trabalho e é um serviço de pessoa para pessoa.

Nesses primeiros tempos de maiores dificuldades, falava muito com o seu pai?

Pouco, porque eu acho que havia alguma idade que nos separava, e porque eu sou muito ocupada. Acho que falava mais sobre a questão internacional, o vinho, e menos da questão do enoturismo.

Lembra-se do que ele disse quando provou o seu primeiro vinho?

Eu acho que ele tinha dois vinhos preferidos. Na altura, ainda não havia este. Ele tinha dois vinhos que adorava. Um, na altura, que era o Referência, com base tinta roriz. E que estava sempre a dizer: "Adoro isto. Isto é um grande vinho". Fomos buscar esta ideia à Ribeira del Duero, que é o Tempranillo, que é um vinho muito ibérico e que ainda hoje é reconhecido como um dos melhores tinta roriz da região. Tem a ver muito com a exposição solar, tem muito a ver com a genética daquela tinta roriz que nós realmente temos, com a vinha centenária, e é a primeira plantação monovarietal. Nós temos as primeiras três plantações monovarietais que se fizeram no Douro. Temos a primeira touriga nacional plantada, a primeira tinta roriz plantada e a primeira touriga franca plantada. E este é um vinho desta primeira tinta roriz que se fez. Porque antigamente o Douro era o chamado sistema field blend, que é isto que existe nas vinhas centenárias. Ele adorava este vinho, porque era um vinho que realmente lhe satisfazia e gastronomicamente era um vinho que tinha robustez, tinha elegância, mas tinha vibração. Era vibrante também ao mesmo tempo. E o outro vinho que adorava era o Mirábilis branco. Na geração do meu pai, ele se fosse vivo hoje teria 90 anos, faleceu com 82. Nós em Portugal, os nossos avós, os nossos pais, bebiam muito os vinhos do Dão. E ele estava sempre a dar exemplos dos vinhos do Dão. Na altura, ainda não tínhamos a Taboada. E ele dizia: "Não, isto é muito melhor que o Dão", com o referencial que ele tinha. Acho que eram dois vinhos que ele amava e que bebia muito, e eram os mais regulares na mesa dele.

Luísa, quando começou a fazer vinho, sabia o que queria fazer ou foi aprendendo?

As duas coisas. Eu acho que ninguém sabe tudo. Eu posso dizer que eu comecei muito nova, tive o privilégio de ser uma das poucas mulheres na minha altura a trabalhar e acho que sempre viram um bocadinho, na altura, como miúda, porque comecei a trabalhar com 26 anos, era muito jovem e vinha fora do mundo, supostamente, do vinho, fazia imensas questões. Isso deu uma vantagem enorme de poder ser acarinhada por muitos senhores do vinho, por muitas casas, e me darem essa possibilidade de visitar, de perguntar, de questionar. Confesso que quando comecei, porque tinha muita viagem na minha vida e porque era atenta e porque tinha passado por muitas adegas, eu conheço as principais regiões vitivinícolas do mundo, já as conhecia há muito tempo, e não compreendia porque é que o Douro, basicamente, toda a gente tinha dois vinhos, que era um reserva e um colheita, era assim que se chamava, que era um vinho com mais madeira e outro com menos madeira. E não havia brancos. E aquilo fazia-me assim: "Mas por que é que não tem brancos?" Porque as uvas brancas no Douro sempre existiram, até em alta altitude, mas eram transformadas para o vinho do Porto branco, que era dado a turistas. O vinho do Porto branco seco e o doce, que normalmente quando se chegava a um hotel, oferecia-se um copinho de vinho branco do Porto. E achava eu que quando fôssemos para uma distribuição internacional e fôssemos ter com o cliente distribuidor, neste caso, representante da marca, era muito pouco termos só dois vinhos. No mínimo, tínhamos ter quatro. E foi assim que cresci. Achei sempre que poderíamos fazer mais e mais, e aí foi em referência também fazermos o Mirábilis branco numa altura, por exemplo, em que um Pera Manca, do Alentejo, era uma referência. Não tenho problema nenhum em falar dos meus concorrentes amigos, porque eu acho que, com respeito, se estamos cá todos é porque merecemos, é porque trabalhamos para isso. Mas desenhar um vinho um bocadinho à imagem de Borgonha, e fomos quase 15 dias para Borgonha para vermos o que os franceses sabiam tanto sobre madeira. Fazemos um rosé, de facto, com o método vin de noir, fazemos tintos sem madeira. Tentar sempre um portfólio clássico, sim, mas um bocadinho à frente. Porque senão estamos sempre todos a fazer o mesmo tipo de vinho, e isso não é encantador. Também eu tenho que me dar um desafio. E confesso que isso é muito importante na minha vida. Um vinho, eu falar com ele, mas ele também me dá um desafio e é muito importante isso.

E assim chegamos ao final da primeira parte. Regressamos já de seguida para continuar a conversar com Luísa Amorim, produtora de vinho com raízes na cortiça e a ambição de levar o vinho português ao patamar dos mais conceituados do mundo. Haverá ainda tempo para saca-dúvidas, momento certo para conhecer o que precisa para brilhar na hora de sacar a rolha. Até já. Bem-vindos de volta ao "Tinto no Branco", um podcast Observador. Eu sou a Ana Sofia Fonseca e aqui comigo está Luísa Amorim, empresária reconhecida no setor do vinho e do enoturismo, que dá cartas no Douro, Dão e Alentejo. Daqui a pouco teremos saca-dúvidas, o espaço em que todas as semanas partilhamos dicas úteis para a hora de abrir uma garrafa. Mas vamos começar pelo vinho que Luísa Amorim nos trouxe hoje, a Eternos 2022. Com o que é que gosta de acompanhar este vinho?

Primeiro, pela identidade que tem e por aquilo que me diz, posso já acompanhar comigo mesma, sozinha, que é algo que eu gosto de fazer. Pensar no vinho, pensar na pessoa, envolver-me com ele. Perfeitamente normal.

Traz-lhe muitas memórias.

Sim, e quantas vezes não nos apetece beber um copo de vinho Só porque nos apetece beber um copo de vinho. Bebam, por favor, não precisamos de ter comida especificamente à nossa falta. Aliás, até há muita gente que tem esse hábito, que enquanto está a cozinhar, está a beber um copo de vinho, que é ótimo. Eu não como muita carne, mas considero que é um vinho tinto que puxa imenso a carne. Eu beberia este vinho facilmente com queijo, com uma ótima tábua de queijos, tudo que é pastas, acho que vai super bem, porque eu adoro vinho tinto com pastas, com vegetais também, um bom peixe. Há muitos pairings para cada vinho e nós também temos que escolher aquele que achamos que nos faz sentir melhor.

Luísa, começou por estudar hotelaria e só mais tarde foi para a universidade tirar Marketing. Sentia que precisava de um diploma, de uma licenciatura.

Senti mesmo, é verdade. Na altura, o curso de hotelaria não tinha nem bacharel nem licenciatura, era um curso que tinha muito mais aulas práticas, o número de horas e a legislação não permitia que fosse uma licenciatura. Hoje em dia já permite. E então as pessoas já viam o curso de hotelaria assim um bocado de lado. Fui então fazer a parte do bacharel para o Estoril e depois fui estudar Marketing, depois fiz alguns cursos na área de gestão mais pequeninos. Mas sim, senti isso porque vi que para muitas pessoas o doutor pra cá não faz diferença nenhuma, mas que era diferente. Hoje em dia já não estamos assim. Se calhar uma pessoa que tem jeito de mãos, que é criativo, já não precisa de curso superior nenhum, até vão ser se calhar as pessoas que mais valor vão ter no futuro. Mas na altura era assim.

Já percebi que para si as viagens são uma escola. Qual é que foi a viagem que mais a marcou?

É difícil escolher uma, porque eu adoro viajar, mas talvez aquela que mais me marcou pela força da história, tenha sido o Camboja. Nunca mais me esqueci. Tanta história, tanto tempo, tanto esforço humano, realmente, quando se está em Camboja percebe-se aquilo que é a categoria das maravilhas do mundo. Mas eu não sou esquisita nas viagens, eu acho que o mundo inteiro é tão bonito.

Já percebi que usa as viagens também para observar e para aprender. É essa noção da importância de observar o outro que a faz gostar de estar numa esplanada a observar quem passa?

É. Eu acho imensa graça porque me permite estudar gerações. A forma como as pessoas reagem, vestem, tomam um cappuccino, o que é que estão a beber. O mundo está cada vez mais igual. Mas é muito rápido e em três anos a geração muda rapidamente, o que quer e o que não quer. Tenho esta ideia, de facto, no mundo dos vinhos, que eu lembro perfeitamente, também há um mundo antes do 11 de setembro e depois do 11 de setembro, e há um mundo antes de COVID e depois de COVID. E todas as tendências que nós fazíamos no mundo do vinho, e foi assustador. Em vez de demorar sete anos, e aquilo que eram as gerações, e que se fala, os millennials, as Z, as X, por aí fora, aconteceu tac tac. Sem nós darmos por ela, tac tac. E acho que isto é muito importante, pararmos um bocadinho para observar. E estarmos fora do nosso país, fora da nossa empresa, fora dos nossos amigos, para conseguirmos observar. E depois quando voltamos, acho que pensamos melhor naquela gestão, ideias, e depois há um filtro natural que se faz e que se começa a escrever ou na viagem de volta, ou nos primeiros dias quando se cá chega, as ideias, tudo fica mais claro. Portanto, as viagens a mim dá-me mundo e torna tudo mais claro.

Heredou o gosto e a forma de ver as viagens do seu pai?

Sim, eu viajo desde os meus seis anos. Recordo-me que na altura acho que era a única criança na escola que viajava. E o meu pai dizia muitas vezes: "Viajar é a universidade do mundo". Estamos a falar de uma geração completamente diferente, porque hoje viajar tornou-se banal.

Mas não era.

Mas na altura não era. E se tenho algum rasgo um bocadinho à frente, vem dessa época, porque é superimportante.

Andou na escola em Espinho.

Andei na escola em Espinho, andei na altura na escola pública, foi uma opção dos meus pais. Eu sou uma criança de 73, portanto o 25 de abril apareceu em 74 e face à época que foi, estudamos os três em Espinho, vivi uma temporada, nem um ano, em Espanha quando era um bebê, e eu estudei na escola pública até bastante tarde, até o 10º ano.

Foi uma boa experiência?

Ótima. Eu acho que na vida todos temos que viver em sociedade, em comunidade. Não gosto de pensar que só precisamos de alguns, nós precisamos de todos, em qualquer circunstância, todas da vida. E se formos ao nosso núcleo familiar, e agora vou tocar num ponto que para mim é muito importante, que é as questões da saúde. E vê-se muito no final da nossa vida, é quando nós precisamos mais de todas as pessoas. Portanto, todos precisamos de todos. E a escola pública dá-nos isso.

O seu pai foi considerado muitas vezes o homem mais rico do país. Como é que vive essa herança?

Olhe, tento muitas vezes pensar, mas não pensar. Pensar, mas não atropelar, porque também não podemos estar toda a vida a pensar que não nos podemos mexer, que não podemos fazer. Primeiro, dá-nos um sentido de responsabilidade bastante elevado. O manter, eu costumo dizer que é obrigação, sobretudo uma obrigação para honrar e para trabalhar para o próximo legado, para as próximas gerações. Pelo menos é assim que eu sinto e assim que eu vejo. Nós também não podemos ser todos iguais, porque não somos, nem todos vivemos na mesma geração. Às vezes pergunto-me se meu pai cá estivesse, como é que veria isto tudo. Acho que ficava tolo, como muita gente da idade dele fica e como muita gente da nossa geração também ficamos todos tolos. Pensamos demais, pensamos de menos, porque o mundo está assim. É difícil tomarmos decisões, é difícil prolongarmos negócios. Se calhar hoje os negócios têm que ter, sim, uma estratégia a 10 anos Mas têm que ser mais flexíveis. Eu durante muito tempo, mesmo na empresa que tenho vindo a construir, que é a área dos vinhos, muitas vezes sou criticada, porque está sempre a mudar a estratégia. Não estou. Não. O caminho é sempre o mesmo, só que se calhar temos o tronco principal da árvore e os ramos é que crescem, vão-se adaptando. Nós temos que assumir que se isto não vende, das duas, uma: ou porque temos concorrentes, ou porque é cedo demais, ou porque ninguém valorizou. Há uma estrada para se fazer e essa estrada é a mesma sempre. Eu vejo agora, por exemplo, no mundo dos vinhos, que há menos consumo, claramente, e vai haver, nada a fazer, porque os hábitos mudaram e não tem problema nenhum nisso, só temos é que nos adaptar. Isto é como um comboio, não podemos de repente estar a tentar ir para o outro carril, porque vamos começar a perder as carruagens. Temos que nos aguentar, temos que repensar e temos que nos adaptar. E acho que este legado meu pai deixou-me. Esta responsabilidade, mas para lhes eu seguir.

E é tal: "Luísa, não amoleças".

Não amoleças. É verdade. Não amoleças, isso é muito importante.

Era o que ele lhe dizia.

Quando nós pensamos, a tal riqueza que falou, riqueza é feita e é mentira se nós trabalharmos, se nós mantivermos muitos valores e se nós tivermos esse sentido do valor das coisas e das pessoas. Isto é super importante, porque quando perdemos o norte, eu sou do norte, mas quando perdemos o nosso norte, o nosso motivo, o valor das pessoas, o valor das coisas, o valor do dinheiro, vamos perder. E não vamos perder só a fortuna, vamos perder na vida. E ter ou não ter, para mim nunca vou ser de maneira diferente. Dá mais responsabilidade, mas não é por isso que não deixo de andar no parque, que não pego umas sapatilhas, que não faço o que gosto. Isto é muito importante, isso não me amolece a alma, pelo contrário.

Tem duas filhas. Passa-lhes estes valores ou não resiste a dar-lhes tudo?

Passo estes valores e não lhes dou muita coisa. Não posso ter o diálogo que muitas pessoas têm, que é: o pai não pode dar isto, a mãe não pode dar aquilo. É complexo, ou seja, como é que eu vou dizer isto a um dos meus filhos? Mas há muitas outras coisas que se podem dar, que é o que é que tu vais fazer para merecer isto. A responsabilidade do estudo. Eu lembro que uma das minhas filhas uma vez começou a querer ganhar um bocadinho mais dinheirinho do que o que tinha de mesada. A mesada deve ser com medida, tudo deve ser com medida. "Eu quero começar a fazer colares de miçangas como se vê muitas meninas na praia a vender." Mas como é que eu vou resolver esta situação que a minha filha vai vender colares de miçangas? Eu sentia-me assim um bocadinho. Disse: "Muito bem, tu vais vender colares de miçangas se uma parte do teu valor ofereceres à Associação Bagos de Ouro". E assim foi. Desde cedo ela tinha uma conta bancária e chegava ali 30% do valorzinho que ela fazia, todos os meses entrava um dinheirinho na Bagos de Ouro. Claro que quem comprava as miçangas, é quase sempre assim. E os fios era a mãe, mas faz parte, todas as mães fazem isso. Mas este sentido de responsabilidade do trabalho é super importante.

Começou nos vinhos na Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo, no Douro, e depois apostou no Dão, na Quinta da Tabuadela. O Dão tem castas incríveis, ainda é uma região pouco aproveitada?

Muito pouco aproveitada. O Dão tem tudo. É provavelmente a região mais sustentável de Portugal. Aliás, tem vinhos super clássicos, uma estirpe fantástica, super elegantes. Tem solos graníticos. Nem tudo é rosas, porque o clima não é o ideal, mas estamos a falar de terrenos e de condições, é rodeado por cinco montanhas e condições climáticas fabulosas, em que quando nós olhamos para o Dão, percebemos que daqui a 20, 40, 60, 80 vamos ter condições ótimas para fazer vinhos. Não compreendo como é que os portugueses, vou dar aqui um recado, produtores e consumidores estão tão distraídos pelo Dão. Tem vinhos ótimos, frescos, é uma região muito pequenininha, em termos de número de plantação, muito pequena, mas é uma região que pouco a pouco se tem vindo a transformar. As pessoas também têm que abrir, não é só Douro, ou Alentejo, ou só Baga. Quer dizer, descubram, porque a beleza do mundo dos vinhos é essa mesma, descobrir diferentes castas, regiões, produtores. Nós não podemos estar no mundo do vinho, mesmo enquanto consumidores, sempre a provar os mesmos. Eu posso lhe dar o exemplo que eu como produtora, muitas vezes vou aos restaurantes e não provo os meus vinhos.

Entretanto, desceu ao Alentejo e hoje dirige com o seu marido a Aldeia de Cima. Como é que surgiu esse projeto?

Esta era uma propriedade que era do meu pai e surgiu numa altura bastante emotiva da nossa vida. Foi como uma cura de luto. Nós sempre sonhámos também recuperar uma casa. Achamos também que é um conceito de família, as miúdas estarem mais ligadas à terra, na altura mais pequeninas. Experimentarem a terra, os animais, ver as ditas árvores a crescer. E foi isto, nasceu assim. Estamos na Serra do Mendro, tem uma altitude bastante elevada, são quase 424 metros. Eu conhecia aqueles terrenos desde sempre, porque era da propriedade do meu pai e às vezes brincávamos assim os dois, dizíamos assim: "Um dia vamos fazer aqui uma vinha". E sabe que quando as coisas acontecem na vida, a vontade fica mais aguçada. Parece que está ali, vamos embora. E fiz um teste, comecei a pensar melhor aqui nestes vinhos da Vidigueira, provar os tintos e os brancos, porque a Vidigueira sempre foi terra de brancos. Estamos a falar de uma zona em que a temperatura mínima é muito baixa, é das mais baixas do Alentejo, onde temos o Alqueva, que também fez com que em Beja baixássemos a temperatura e também estamos mais ou menos perto do Atlântico. Mas o nosso projeto ali vai mais para além do vinho. É um projeto claramente de recuperação de montado, é um projeto também que trabalhamos muito com ovelhas, temos quase 2000 ovelhas, fazemos mel. Vamos fazer também azeite de variedades portuguesas, sem um sistema superintensivo.

Quem lá vai.

E medronho, que adoramos também Tudo produtos portugueses que nós gostamos. Produtos de futuro, eu acredito nisso.

É verdade que nunca planta castas estrangeiras.

É verdade. Tirando o Alicante Bouschet, que me permite dizer que é estrangeiro, mas para nós, portugueses, não é estrangeiro, é nosso, porque ele se expressa muito melhor. É verdade, é questão de portugalidade. Eu acho que nós, em Portugal, temos mais de 250 castas internacionais. É um património, é nossa génese. Eu sei que viaja muito também, mas tenho a certeza que Portugal tem uma das gastronomias mais ricas do mundo. Não conheço outro país. Eu acho que isto tem muito a ver com os descobrimentos portugueses que nós fizemos. Quando uma pessoa diz assim a um estrangeiro, chega a Nova York, eu brinco muitas vezes, começo muitas vezes assim na conferência: "Tempura não é japonesa, é portuguesa. A vinha de alhos inspirou vários pratos na Índia". Nós temos uma capacidade de adaptação, temos uma cultura gastronómica. Com a gastronomia vêm os vinhos. E os portugueses são muito bons, que é na arte do lote. Isto é muito complicado para um italiano, por exemplo. A Itália é o primeiro país do mundo com mais castas, mas o italiano é mais simples. Faz um vinho monovarietal ou faz com duas ou três castas. Nós não. Aquilo é como se nós estivéssemos a fazer uma refeição de tachos. Qualquer português chega ao frigorífico e pensa: "O que é que eu hoje vou fazer?" Tac, tac, tac, e faz ali qualquer coisa. E há uma cultura no nosso DNA, não sei bem explicar, que nos é natural. Nós conseguimos fazer um lote sem pensarmos muito nas percentagens. E é interessantíssimo percebermos que o lote para nós é importante, e trabalharmos com diferentes percentagens, por quê? Por exemplo, na colheita, imaginemos, de 2022, a Roriz vai me dar uma coisa e na colheita de 2023 vai ter outra. Não preciso exatamente da mesma percentagem.

O que é que tem de ter sempre no seu escritório?

Uma fruta, água, cafezinho, é importante. Um bloco de notas, uma caneta e, claro, o meu computador. E uma cadeira confortável para trabalhar.

O preço do vinho português irrita-a?

Irrita-me, sim. Vou fazer uma comparação que me irrita. Por que as pessoas não questionam dar 20 € por uma vela e questionam dar 20 € por uma garrafa de vinho? Pensem nisto. Eu pego num tacho, pego num bocado de cera, ponho um pavio e está aí uma vela com um frasco qualquer. Quanto é preciso gastar em terra numa adega, pagar os salários, esperar que a vindima seja boa ou não seja boa, depois que tenha 12 meses de estágio, depois, se calhar, são 24 meses de estágio. Depois ainda estão oito meses na loja e depois o cliente ainda nos vai pagar. Estamos a falar de um circuito financeiro de quase quatro anos, portanto não me irrita nada. Eu acho que os agricultores têm que ser bem pagos e temos que acrescentar valor ao produto. Eu acho que tem que haver vinhos para todas as bolsas, para todos os segmentos, tal como também não faz nenhuma diferença eu chegar a Paris e se tiver fome, vou a um McDonald's. Não tenho problema nenhum com isso, vivo feliz e acho é que tem que haver diferentes modelos de negócio. Se o vinho é de massas, nós estamos a trabalhar para um segmento, então acho que deve haver o juízo e não deve haver vinhas, não deve haver adegas, não deve haver grande investimento. Deve ser um negócio que eu compro vinho e vendo vinho. Se o negócio tem um vinho mais caro, então aí acho que tem que haver um negócio de legado. Já não é tanto um commodity, já é mais um negócio de património, de passagem de conhecimento, de passagem de geração em geração, de fazer marca. São negócios completamente diferentes, são os dois superválidos e consegue-se ter nos dois o mesmo sucesso.

A sua família vem do negócio da cortiça e nomeadamente das rolhas. Como é que vê os vedantes alternativos, as tampas de rosca?

Essa é uma perguntinha um bocadinho tricky, mas eu respondo. Também se calhar tem que haver mercado para todos. Agora, quem gosta de um vinho de guarda, está mais que provado cientificamente que um vedante alternativo, como por exemplo, um bag-in-box, um tetra pak, um plástico, não tem a mesma durabilidade. Mas se calhar também há vinhos que não precisam. Eu quero ir para um piquenique, quero abrir rapidamente e quero beber uma garrafa de vinho.

Desde o início, decidiu trabalhar apenas vinhos de qualidade e recusar o preço baixo. Por quê?

Tem a ver comigo, claro. E tem a ver com aquilo que é a entrega. Para mim, só faz sentido trabalhar num projeto de vinhos de forma integrada, com tudo, que é o acrescentar valor, o trabalhar com a terra. Eu disse isto desde o início. As pessoas, a comunidade, o sentido do local. Eu não sei fazer uma marca de vinho e chegar ali, ir a um supermercado, vender numa grande superfície. Sei, mas não é isso que me move. Não é isso a minha mais-valia. A minha mais-valia é transformação, é criação, é deixar lá. É mover, é criar inspiração para os próximos, é mexer com o território, sobretudo com o interior do país, que eu acho que é importante também nós, que somos portugueses, investirmos cá.

Há pouco, a propósito da sua filha, falou do seu projeto social Bagos de Ouro.

Sim.

É uma forma de retribuir à sociedade, é uma forma de fazer parte da sociedade?

É, sim. Também. E é um apelo. Eu acho que também ou se sente vontade de apoiar ou não se sente. Porque senão deixamos uma nota na igreja quando vamos à missa. Nós começamos este projeto com um padre amigo meu, que o padre Amadeu, hoje apoiamos mais de 200 e tal crianças ao longo da vida. Nós começamos a apoiar meninos com seis anos até aos 20 e tal anos. Por que fizemos este projeto? Porque vimos uma pobreza extrema no Douro. O Douro é uma região de montanha. E as sedes das empresas não estão no Douro, estão no Porto. Eu acho que nós temos, se sentirmos esse apelo, temos essa obrigação também de transformar vidas.

O tempo passa a correr e o nosso está a chegar ao fim. Já a seguir, o espaço que nos ajuda a saber o que fazer na hora de sacar a rolha. "Saca Dúvidas". Luísa, imagine que vamos receber em casa um grupo de amigos. Qual é a primeira bebida que lhes podemos servir?

Depende, que eu não tenho todos os dias é como a Pequena Onça, não bebo sempre o mesmo vinho, a mesma bebida, mas há dois ou três, dependendo das épocas, que eu gosto muito. Um rosé é algo que eu gosto de servir imenso no verão, um espumante ou champagne. E agora uma bebida muito engraçada que ando a beber, que adoro, Hugo Spritz. O que é um Hugo Spritz? É feito de prosecco, que neste caso também pode ser feito com espumante ou com champagne, água com gás, que pode ser com a nossa água das pedras, bastante gelo, aquele quantidade de gelo que se põe com um gin, que é para ficar refrescante, e hortelã e licor de sabugueiro. É uma maravilha, um bocadinho perigoso, porque é um bocadinho forte.

Quantos copos põe à mesa?

Copo de água, claro. Se vamos beber mais que um vinho, ponho dois, mas normalmente ponho sempre o mesmo copo de vinho. E escolho um bom copo para servir. Acho que temos que facilitar para quem estamos a convidar. Um bom vidrão é aquele que descomplica. Não é aquele que intimida os convidados. Nós, mais do que o vinho, gostamos de conviver, comer e beber. Se tiver alguém que me ajuda a lavar manualmente os copos, aposto num copo mais fino, de cristal. Se não tiver ninguém, aposto num copo bom, grande, de vinho, mas que vá à máquina de lavar louça, claro.

E assim chegamos ao fim deste "Tinto no Branco", com Luísa Amorim, produtora dos vinhos da Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo, da Quinta da Tabuadela e da Aldeia de Cima. Eu sou a Ana Sofia Fonseca e todas as semanas trago-vos uma pessoa, uma história do mundo do vinho. "Tinto no Branco" passa na Rádio Observador às quintas-feiras depois das 11 da noite e está sempre disponível em podcast. Siga, partilhe, esteja e brinde connosco.