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Tratar da saúde com a doutora Vanessa Mendes, diretora clínica dos Centros de Saúde CUF. Fala, doutora. Bom dia.

Olá, bom dia.

Não há dedos que cheguem para contar a quantidade de pessoas que hoje te dizem: "Estou sempre cansado". O que é que se passa, doutora? Na semana passada, falamos da relação com o sono, mas hoje importa talvez percebermos quando investigar, como tratar. Doutora, quando é que o cansaço é um sinal de que alguma coisa não está bem?

Antes de mais, é importante destacar que o cansaço ocasional é absolutamente normal. Ou seja, depois de uma fase de trabalho intenso, quando temos uma ou outra noite mal dormida, quando fazemos um esforço físico acima do habitual, após uma gripe ou uma constipação. Ou seja, é expectável que sintamos menos energia, mais cansados. Quando é que não é normal? É efetivamente sentir quando estamos cansados todos os dias, durante muito tempo, semanas, meses, e mesmo após aquelas férias que tanto ambicionamos. Ou seja, depois de descansar.

E continuamos a sentir o mesmo cansaço.

Continuamos a sentir cansado. E já não podemos dizer que é um cansaço pontual. Estamos a falar de algo que merece efetivamente atenção e aqui deveremos então avaliar.

E quais são aqueles sinais que nos devem mesmo fazer parar e pensar do género: "Está aqui qualquer coisa que não está bem."

Sim, há alguns sinais que possam ser importantes. Aquela falta de energia logo ao acordar, dificuldade depois de concentração durante o dia, as alterações do sono, como também já falamos na passada sexta-feira, as alterações do apetite, as mudanças do humor. Ou seja, quando o cansaço começa a interferir com o nosso dia a dia, com o trabalho, com as nossas relações, com as tarefas simples que temos para fazer, então aí deixa de ser normal.

É um alerta.

E passa a ser um sinal de alerta. Significa que o corpo nos está a mostrar que alguma coisa não está bem e que temos que avaliar.

E é nesse momento que devemos pensar logo em fazer exames?

A maioria das pessoas pensa nisso. Mas nem sempre. Na verdade, eu acho que a primeira pergunta a fazer não é as análises que devo fazer, mas sim como é que estão as minhas rotinas. E as rotinas passam muito por: estamos a dormir bem? Os horários são regulares? Como é que está o nosso estresse? Se estamos a fazer exercício ou não, como é que está a minha alimentação. Muitas vezes o cansaço é uma consequência de um desequilíbrio no nosso estilo de vida. E se apesar de corrigirmos estes fatores, o cansaço persistir, temos mesmo que investigar para excluir causas que possam ser frequentes de cansaço, como são, por exemplo, a anemia, as alterações, por exemplo, também da tireoide, alguns défices nutricionais ou outras situações clínicas que possam ser importantes. O que eu gostava de destacar é que o cansaço prolongado não é uma fraqueza nem preguiça. É um sintoma, e os sintomas merecem ser valorizados, principalmente quando se prolongam ao longo do tempo.

É o corpo a dar-nos um alerta. Sinais de alerta. Mas há muita gente que ao mínimo sinal começa logo a tomar comprimidos. É esse o caminho, doutora Vanessa?

Na maioria dos casos, não. Antes de recorrer a suplementos, que agora também se fala muito, ou a medicamentos, há muita coisa que pode e deve ser feita, como também já referi. Que a parte da mudança dos estilos de vida, como a parte do sono, os horários, são pequenas medidas que efetivamente parecem simples, mas são extraordinariamente eficazes.

Portanto, é uma especialista que o diz, até porque resulta mesmo.

Resulta e muito. O nosso corpo gosta de previsibilidade, gosta de rotinas. Pequenas mudanças que possam ser consistentes, feitas todos os dias, podem efetivamente transformar completamente a perceção da energia do nosso corpo. Não é uma solução instantânea, não é isso que nós sabemos, mas é uma solução sustentável.

E então quando é que faz sentido pensar em medicamentos? A partir de que momento? É que existe um momento.

Quando é que faz sentido? É quando efetivamente nós fazemos a investigação e encontramos, há uma causa identificada. Como também já falei, por exemplo, quando há uma anemia por carência de ferro, que é algo muito comum, principalmente em mulheres. Depois também a parte da carência do ácido fólico, da vitamina B12, são duas vitaminas que podem efetivamente causar anemia. Depois também, se houverem alterações hormonais, como, por exemplo, o hipotireoidismo, pode também fazer sentido medicar. Mas mesmo nesses casos, o tratamento deve ser individualizado, personalizado.

Cada caso é um caso.

Exato. Não há o comprimido da energia universal. Há causas diferentes, soluções também elas diferentes e, portanto, o mais personalizadas possível.

Então, doutora, para concluir, que mensagem deixa a quem anda sempre cansado e não percebe o motivo?

A mensagem que eu deixo é que o cansaço é muitas vezes o primeiro sinal de que precisamos ajustar o ritmo. E na sociedade, nos dias de hoje, isto é muito importante. Na maioria das situações, melhorar as rotinas é o primeiro, e muitas vezes o mais eficaz, tratamento para resolver o cansaço. Caso então não se resolva, deve procurar ajuda do seu médico para fazer uma investigação mais pormenorizada e iniciar o tratamento caso se justifique.

Foi mais um Tratar da Saúde. Doutora Vanessa Mendes, obrigada. Até amanhã.

Muito obrigada.