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Este é o "Tratar da Saúde" da Rádio Observador com a Dra. Vanessa Mendes, diretora clínica dos Centros de Saúde CUF. Doutora, bom dia. Bem-vinda.
Bom dia. Obrigada.
Quando pensamos numa piscina, pensamos em férias, diversão, descanso, mas dificilmente pensamos em otites, conjuntivites, infeções ou até acidentes. E talvez devêssemos. Dra. Vanessa, afinal, quais são os principais riscos para a saúde associados às piscinas?
Apesar de as piscinas serem, na maioria das situações, espaços seguros, existem alguns riscos para a saúde que importa conhecer. Os mais frequentes são as otites, como referiu, as "ites", conjuntivites, a parte da irritação da pele, também dos olhos e mais raramente algumas infeções gastrointestinais. Mas existe um risco que continua a ser o mais importante de todos, que é o afogamento, especialmente nas crianças. E aqui um dado importante a destacar que é: em Portugal, só em 2024, foram registados 12 casos de afogamentos em crianças e jovens, que foram noticiados na imprensa, sendo sete deles fatais. Portanto, continua a ser uma das principais causas de morte acidental na infância. A boa notícia é que a maioria destes problemas e destes acidentes podem ser prevenidos com medidas muito simples.
Vamos começar pelas infeções. Quais são as mais frequentes?
A mais comum é, de todas, a otite externa, que surge sobretudo nas crianças e em pessoas que permanecem muito tempo dentro de água. São também frequentes as conjuntivites, que podem resultar, por exemplo, da irritação provocada pelo cloro. Também em pessoas com pele mais sensível podem surgir irritações cutâneas ou agravar-se até doenças que já existam, como por exemplo, a dermatite atópica. Muito frequentes também as dermatofitoses, e aqui explicar o que são. Ou seja, são as infeções da pele que são causadas por fungos. E aqui é muito frequente a tinha dos pés, frequentemente conhecida por pé-de-atleta, que é mais frequente aqui associada às piscinas. E por fim, entre outras, mas aqui também a destacar, que embora menos frequentes, podem também ocorrer infeções gastrointestinais quando existe, por exemplo, a ingestão de água contaminada.
Sim, quando sem querer bebemos a água da piscina. E o que é que podemos fazer para reduzir estes riscos todos?
Como eu referi, há medidas muito simples, mas que podem efetivamente fazer a diferença. Por exemplo, tomar duche antes e depois de entrar numa piscina. Evitar engolir água, aqui mais para os pequeninos, que é difícil, bem sei, mas é uma tentativa. Não utilizar piscina quando temos problemas gastrointestinais, como, por exemplo, uma diarreia ou uma outra doença infecciosa. Depois também secar bem os ouvidos após o banho, sobretudo nas crianças e em quem tem tendência para as tais-
Estou todo dedo no ar, neste caso. Tendência para otites.
Para otites, exatamente. E depois também, por exemplo, utilizar chinelos nas zonas comuns, por exemplo, também para prevenir o pé-de-atleta que já falámos.
Mas a Dra. Vanessa referiu que o maior risco continua a ser o afogamento.
Sim, sem dúvida. O afogamento é habitualmente muito rápido, é silencioso e pode acontecer em poucos segundos. Ao contrário até do que vemos nos filmes, a maioria das vítimas não consegue gritar, não tem tempo sequer para pedir ajuda. Por isso, as crianças devem estar sempre sob supervisão direta e permanente de um adulto, mesmo que saibam nadar.
Pois.
E aqui importante dizer que mesmo com boias, braçadeiras ou colchões insufláveis, nunca devem substituir esta vigilância.
Sim, não são suficientes. E depois há outro erro que costuma acontecer também nesta altura do ano e que tem a ver com o sol, não é?
Sim. Muitas pessoas passam várias horas dentro da água e muitas vezes esquecem-se que continuam expostas à radiação ultravioleta. E a água transmite uma sensação de frescura, mas não protege da ação do sol. E aqui é fundamental reaplicar regularmente o protetor solar, manter uma boa hidratação e evitar a exposição durante as horas de maior intensidade solar.
Dra. Vanessa, no fundo, o que estivemos a dizer é que as piscinas, de facto, podem ser uma excelente forma de aproveitar o verão, desde que sejam utilizadas em segurança.
Sim, sem dúvida alguma. E aqui é mesmo a aproveitar, estamos no verão, o bom tempo pede isso mesmo. Mas a verdade é que temos aqui momentos de convívio, atividade física, lazer, com benefícios importantíssimos para a nossa saúde, não só física, mas mental. E por isso é que o verão é tão bom para a nossa saúde mental. Mas esses benefícios dependem também de alguns cuidados simples: uma boa higiene, proteção solar, acima de tudo, uma vigilância permanente das crianças, que permitem prevenir a grande maioria dos problemas associados às piscinas. Porque aqui o objetivo é bem simples. É aproveitar o verão em segurança e criar boas memórias.
As melhores. tratardaSaude@observador.pt, para onde pode enviar as suas dúvidas, as suas questões ou sugestões. Se preferir, também pode enviar áudio por WhatsApp 910024185. Dra. Vanessa, até segunda.
Até segunda, obrigada.