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É uma ideia muito comum nesta altura do ano, há quem associe as infecções urinárias às piscinas ou então ao fato de permanecer muito tempo com o fato de banho molhado. Mas será mesmo essa a explicação, doutora Vanessa Mendes? Bom dia, bem-vinda.

Bom dia. Obrigada.

Por que as infecções urinárias são mais frequentes durante o verão?

É verdade que observamos um aumento das infecções urinárias nesta época do ano, mas é importante esclarecer que a piscina, por si só, não vai provocar a infecção urinária. Na maioria dos casos, estas infecções são causadas por bactérias da nossa própria flora intestinal, que conseguem chegar ao aparelho urinário. E o verão reúne vários fatores que facilitam este processo. As temperaturas elevadas favorecem a desidratação e quando bebemos pouca água, a urina fica mais concentrada e perde parte da sua capacidade natural de eliminar bactérias.

Por isso é que também fica mais escura, não é?

Isso mesmo. Além disso, permanecer também durante muito tempo com roupa ou fatos de banho úmidos, pode alterar o equilíbrio da flora vaginal e criar um ambiente mais favorável ao desenvolvimento de infecções, sobretudo nas mulheres. Ou seja, não é a água da piscina que está na origem do problema, mas sim um conjunto de fatores associados aos hábitos desta altura do ano.

E quais são os sintomas que devem fazer-nos suspeitar de uma infecção urinária?

Que é muito típico: ardor ou dor ao urinar é o primeiro sinal de alarme. Necessidade, por exemplo, também frequente e urgente de urinar, mesmo quando sai pouca quantidade de urina. Uma sensação de pressão ou dor na parte inferior do abdômen. Por vezes, pode também surgir sangue, já numa fase um pouquinho mais avançada, ou alterações do cheiro da própria urina. E se surgir febre ou dor nas costas, ou sensação de arrepio, é importante procurar assistência médica rapidamente, porque pode haver comprometimento renal, uma infecção que denominamos de pielonefrite.

Portanto, é mesmo não deixar andar.

Isso. Se houver evolução, deve ser procurado auxílio.

E há pessoas que devem ter cuidados redobrados?

Sim, como já disse, as mulheres são aqui muito mais afetadas devido à própria anatomia do aparelho urinário. Mas também apresentam maior risco, por exemplo, grávidas, mulheres na menopausa, muito pela parte da secura vaginal, também pessoas com diabetes e quem tem antecedentes de infecções urinárias recorrentes. Nestes casos, a prevenção torna-se ainda mais importante.

Sim, o que se pode fazer para reduzir esse risco?

A prevenção passa por medidas simples, mas muito eficazes. Por exemplo, beber água regularmente ao longo do dia, não adiar a vontade de urinar.

Tão importante isso. Antes de ficar a bater o pezinho.

Trocar o fato de banho, por exemplo, o biquíni ou os calções, que estejam molhados por roupa seca logo após o banho. Manter uma higiene íntima adequada, evitando também, por exemplo, produtos muito agressivos. E nas mulheres que sejam, por exemplo, sexualmente ativas, urinar após as relações sexuais pode também ajudar a reduzir o risco de infecção. São medidas muito simples, como podem ver, que ajudam a proteger um dos mecanismos naturais de defesa do aparelho urinário.

E doutora, quando aparecem os primeiros sintomas, devemos iniciar logo o antibiótico?

Não, de todo. Porque aqui nem todas as queixas vão corresponder a uma verdadeira infecção bacteriana. O diagnóstico deve ser feito por um profissional de saúde e quando necessário, então confirmado através de, por exemplo, um exame de urina. Além disso, a utilização inadequada de antibióticos contribui para o aumento das resistências bacterianas, que é um dos maiores desafios da medicina atual e, por isso, a automedicação deve ser sempre evitada.

Completamente. Portanto, há muito que podemos fazer para prevenir estas infecções, sobretudo durante o verão.

Sim, sem dúvida. A maioria das infecções urinárias pode ser evitada, como já referimos, com medidas muito simples e com alguma atenção aos primeiros sintomas. Aqui, mais uma vez, uma boa hidratação, hábitos de higiene adequados, procura de avaliação médica quando surgem então os sinais de infecção, podem fazer toda a diferença. Aqui, mais uma vez, há uma mensagem que é importante passar, que é: sentir ardor ao urinar, necessidade constante de ir à casa de banho ou dor pélvica, não deve ser encarado como algo normal. Quanto mais cedo identificarmos e tratarmos uma infecção urinária, menor será o risco de complicações e mais rápida será a recuperação. Por isso, neste verão é hidratar bem. É isso mesmo, é um gesto simples, que protege não só do calor, mas também a saúde do nosso aparelho urinário.

Doutora Vanessa Mendes, obrigada. Até amanhã.

Obrigada eu. Até amanhã.