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Vamos ao Três Toques. Hoje temos uma frase de Luís Figo que ameaça tornar-se um meme automático. Um direto olímpico. Temos de ir novamente aos Jogos Olímpicos de Inverno. Este direto de uma jornalista australiana tinha algum teor alcoólico.

Estava animada.

Estava animada. Até um pouquinho. E uma atleta medalhada, não nestes Jogos Olímpicos de Inverno, pelo contrário, é voleibol de praia, mas que foi suspensa por celebrar a prisão de alguém muito conhecido. Já vamos falar. Começamos por Luís Figo. Nós temos aquele debate: quem terá sido ou quem é o melhor jogador de sempre? Eusébio, Cristiano Ronaldo, depois temos o Futre, Figo. Quando Cristiano Ronaldo apareceu, Figo era a grande figura da seleção nacional.

O Europeu 2004 era: "Tirem o Figo que é velho, ponham o Cristiano Ronaldo."

Exatamente. Houve essa mudança de geração.

Lembro isso, Paulo. Tenho isso gravado. Eu corto às vezes e ponho.

O Paulo é um dos que exigiu.

Quantas vezes não grita isso da bancada? Ali mesmo do banco.

Eu lembro quando comíamos aquelas sandes de torresmos, não era, Paulo?

Tão bom.

Mas aí foi mesmo uma passagem de testemunho. Não aconteceu, por exemplo, com o Eusébio, que depois houve um fosso até aparecer mais uma grande figura do futebol português, mas no caso de Figo e Cristiano Ronaldo, houve uma passagem de testemunho. Os dois coincidiram no Euro 2004. Aliás, até o mesmo número. Na altura, não podiam usar o mesmo número. Figo era o sete, veio Cristiano Ronaldo.

Também era o mesmo número, exatamente.

E em 2006 também ainda jogaram o Mundial, em que Portugal conseguiu o segundo melhor resultado de sempre, também atingindo as meias-finais. Ora, num podcast recente, Figo falou sobre a sua carreira, sobre os Galácticos no Real Madrid e claro, também falou sobre Cristiano Ronaldo. Quando lhe perguntaram se alguma vez sentiu ciúmes do protagonismo de Cristiano Ronaldo, Figo disse: "Não, zero ciúmes, só admiração." Destacou o talento, a longevidade, o impacto mundial do atual capitão da seleção portuguesa. Mas depois houve uma frase, e essa frase é que fica. Fala-se muito, diz-se muita coisa, mas depois há uma frase que se destaca de todas as outras. E Luís Figo, num tom de animosidade, num tom descontraído, disse: "Não fui eu que joguei com Cristiano Ronaldo, ele é que jogou comigo." Bem, os dois jogaram um com o outro.

Sim, porque ele é que era a estrela.

Na altura era.

A necessidade de explicar.

Hoje, se perguntarem a qualquer pessoa, foi o Figo que jogou com o Cristiano Ronaldo. Mas é verdade, quando Ronaldo apareceu na seleção, o Figo era o grande herói, era o capitão, a estrela da seleção portuguesa. Isso não é uma farpa, não será propriamente também um abraço. Estará assim a meio. Respeitinho pelos mais velhos. Bem, agora sim, o direto olímpico que correu um pouco de forma-

Só visto, não é?

Isto é preciso ver, porque houve uma jornalista australiana. A Austrália não participa apenas no Festival da Eurovisão. Não é o único certame estranho para a Austrália participar. Também participa nos Jogos Olímpicos de Inverno e até com relativo sucesso. Tem seis medalhas até o momento, três são de ouro, portanto, tem lá também jornalistas a acompanhar esta competição. E esta jornalista estava a fazer um direto. Tudo normal: frio, neve, medalhas, mas depois começou a enrolar um pouco o discurso.

Porque ela tinha tomado um daqueles-

Para ser tão bom.

Não, um Flexiva.

O Flexiva, não sei.

Estava com umas dores na lombar.

Flexiva?

É um tipo de Zecaris. Se tivesses amigos, percebias o que era isto.

Amigos que de vez em quando têm dores nas costas. Bem, trocou algumas palavras, um discurso meio arrastado, parecia estar a patinar um bocadinho. No dia seguinte, a própria jornalista assumiu. Tinha bebido antes do direto, depois ela disse: "É a altitude."

O álcool e a altitude ampliam o efeito.

É verdade, ela não estava a brincar.

Dizem.

Pois. Não é por experiência própria. Leste sobre o assunto.

Não dizem, aliás.

Tens um amigo.

Nos voos, no avião.

O engenheiro. Aquele que não tem o rio, é engenheiro.

Como é com o álcool? Pois, ele só tem um rio.

Só tem um. Tem qualidade. E em altitude é ainda pior.

É verdade.

A jornalista pediu desculpa, disse que também não tinha comido nada.

Pois, caiu na fraqueza.

Caiu na fraqueza da altitude.

Isto acontece muitas vezes.

E o frio.

E uma pessoa, faz bem tomar assim qualquer coisa forte pro frio.

Sim, pra aquecer.

Mas não convém é ser antes de um direto, pois pode-se notar um bocadinho.

Ela achou que só fazia efeito mais tarde.

Mais tarde. Era efeito retardado. Mas não. É um conselho que fica aos jornalistas que estão a acompanhar os Jogos Olímpicos de Inverno.

Se for fazer diretos, não bebam.

Não bebam. Vamos passar para outras paragens mais quentes.

Para a medalhada que foi suspensa.

Literalmente, é verdade. A brasileira Carol Solberg, que foi medalha de bronze numa etapa do circuito mundial de voleibol de praia, aproveitou uma entrevista no ano passado, após o jogo, para celebrar a prisão do ex-presidente do Brasil, Jair Bolsonaro. Disse que era um dia incrível, estava muito feliz e que era importante celebrar. Qual foi o problema? É que a Federação Internacional de Voleibol não achou assim muita piada às declarações. Considerou esta declaração conduta antidesportiva e aplicou uma suspensão A Carol Solberg falha a primeira etapa do circuito em 2026. Não foi uma suspensão prolongada, mas mesmo assim é uma suspensão, e que nos leva à questão da liberdade de expressão.

Não perde os direitos cívicos.

Eu percebo que as federações procurem evitar manifestações durante os jogos.

Sim, mas isso durante os jogos. Agora, nas entrevistas que dão, acho difícil que se possa controlar a intervenção política, por mais disparatada que possa ser de um atleta.

Sim, e no fundo, é algo que acontece depois, não é durante o jogo, e está a manifestar a opinião, podia ser sobre outro assunto qualquer. Mas neste caso, a Federação Internacional de Voleibol puniu mesmo a atleta com esta suspensão. E mostra que no desporto moderno, a linha entre a opinião pessoal e os regulamentos é muito tênue. E aqui aquilo que se pode dizer ou que não se pode dizer. Eu sou a favor da liberdade de expressão. Quer dizer, neste caso, não estamos a falar durante o jogo, durante a competição. É algo que está numa entrevista em que o atleta até pode ser questionado.

Sim, quando eles vão às conferências de imprensa, se é um tema atual e tem a ver com o país, claro.

Porque aqui estamos a falar de uma coisa que foi dita logo após, mas podia ter sido dita numa conferência.

Sim, se a circunstância que muda só, é estranho.

Pois. Bem, não sabemos. A verdade é que o facto acaba por ser este: a jogadora foi suspensa por uma opinião, por algo que manifestou numa entrevista após o jogo. Pode estar aqui aberto um precedente um pouco perigoso.

Um precedente.