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Eu ontem disse aqui que íamos ter um jogo emocionante.

É verdade.

França e Marrocos.

França e Marrocos. Mas foi um bocadinho-- não me deu sono. Eram quartas de final do mundial, duas grandes equipes. Continuo a dizer que pra mim, as duas melhores equipes neste mundial até o momento.

Estou tentando concordar contigo.

Se calhar, também achas que a Espanha-

Agora sim, Bruno, agora ficaste contente. Se o Paulo concorda contigo é porque a tua opinião é muito válida.

É muito válida.

Exato.

Mas o jogo foi menos equilibrado.

Morninho.

Foi menos equilibrado do que se estava à espera.

Eu não vi.

Houve mais França, não é? Muito mais França.

Houve mais França.

Era um jogo mais disputado.

Que Marrocos conseguisse pelo menos criar mais perigo. Não digo ganhar, porque França, de fato, tinha algum favoritismo.

Mas dar mais luta, não é?

Mas dar mais luta. Ontem, a certa altura, pareceu aquela seleção de Marrocos do último mundial, que era uma seleção com uma postura mais defensiva. Foi assim que eliminou Portugal e Espanha também. Espanha nas oitavas de final e depois Portugal nas quartas de final, e depois foi eliminada por França nas semifinais, mas num jogo em que criou muito mais perigo do que ontem. É verdade que também esta França não é a mesma França de há três anos e meio. No Catar, é uma França mais forte, mas mesmo assim esperava-se que Marrocos fizesse mais do que um remate à baliza, que foi aquilo que acabou por fazer, e nunca se sentiu verdadeiramente que estivesse a ameaçar a seleção francesa. Na primeira parte-

Então foi um passeio no parque pra seleção francesa?

Foi um passeio não completamente tranquilo, mas no geral, sim, com um domínio da França mais prolongado durante todo o jogo do que aquilo que se estava à espera. É verdade que se chegou ao final da primeira parte com o jogo empatado. Mbappé falhou um pênalti. Mais uma grande defesa. O pênalti não é muito bem marcado. Também houve uma polêmica, tem havido sempre polêmicas.

Ou seja, ele acertou na baliza, o guarda-redes é que defendeu.

Ele acertou na baliza, mas não foi muito bem marcado.

E o guarda-redes acertou na bola.

Mesmo. O Bono, o guarda-redes marroquino, já tinha sido decisivo na decisão por pênaltis contra os Países Baixos, onde fez defesas inacreditáveis nos pênaltis, mesmo inacreditáveis para um desempate por pênaltis, com uma forma de defender menos ortodoxa. E ontem não precisou de fazer isso, porque o pênalti, de fato, não é muito bem marcado, mas o Mbappé queixou-se do tempo que demorou até a marcação do pênalti. De fato, aquilo arrastou-se por uma série de minutos. O árbitro nunca mais dava ordem para a marcação do pênalti. Supostamente, depois houve um momento em que o VAR estaria a verificar se era mesmo pênalti ou não. Depois disso, ainda houve um compasso de espera até Mbappé marcar o pênalti.

Desconcentrou.

É, e percebeu-se que ele ficou um bocadinho afetado por toda essa demora. Bem, vale o que vale. Não será uma desculpa completamente válida, porque depois o pênalti é muito mal executado, o que não impediu Mbappé, depois na segunda parte, marcar um gol extraordinário.

Se redimir.

Redimiu-se e é daquele tipo de gol que já toda mundo está à espera de Mbappé. O segundo gol também é muito bom, do Dembélé. Aliás, nessa altura, Marrocos tenta esticar um bocadinho o jogo e percebeu-se que com mais espaço, os jogadores que a França tem no ataque acabam por ser muito mais perigosos.

Mas a França tem jogadores perigosos a jogar e depois outros tantos no banco. É incrível.

A certa altura, já com 2 x 0, ele tirou o Mbappé, por exemplo, tirou o Dembélé, e França continuou com o mesmo nível. O Olise continuou a jogar, eu acho que tem sido dos jogadores mais decisivos, senão o mais decisivo de França na manobra ofensiva da equipe.

O Paulo diz que sim.

Como o Paulo concorda. Ainda que, deixem-me trazer aqui o unsung hero desta seleção francesa, que é aquele jogador fundamental, mas que muitas vezes não é destacado.

Passa despercebido.

É o Adrien Rabiot. É um jogador que joga ali no meio-campo, não é um médio defensivo. Paulo?

Eu tô olhando pro Paulo porque os olhos do Paulo dizem muito.

A Maria só olha pra mim.

Diz, Paulo. Não estejas medo.

Não estejas medo. Eu acompanho-te em tudo aquilo que estás a dizer, Bruno.

Não, é que o Rabiot é tramado.

É, puxa! O que ele diga.

É sério.

É um jogador muito importante.

Mas joga cá atrás, é?

Joga cá atrás, um bocadinho lá à frente.

Ok.

Como o próprio nome indica. Pronto, lá estão vocês.

Está tudo estragado.

Bem, ok. França ganha.

Estava tão bem.

A tentar dar um contributo válido.

Eu acho que não devo ter assistido na minha vida a um período de domínio tão prolongado de uma seleção no mundial como esta seleção francesa, que chega às semifinais pela terceira vez consecutiva Nas outras duas edições chegou mesmo à final. Uma ganhou, a outra perdeu contra a Argentina. A Alemanha conseguiu três finais consecutivas nos anos 80, 82, 86 e 90. O Brasil também, três finais consecutivas, 94, 98 e 2002. Mas a forma como esta França chega a estas finais, o domínio que teve na maior parte dos jogos, ou seja, com muito poucas seleções a criarem verdadeiras dificuldades, parece-me que é um período de domínio raramente visto no mundial, a fazer lembrar aquele Brasil de 58, 62 e que depois ainda conseguiu o título em 70.

E agora gostavas de ter um França x Espanha?

Um França x Espanha. Ora aí está. Uma Espanha que em 2024 no Europeu eliminou a França. A verdade é que essa Espanha não é bem esta Espanha.

Não tem nada a ver.

É uma outra Espanha, completamente diferente. É diferente, um bocadinho para pior. Não tem tido jogadores como Nico Williams e Yaminal na mesma forma, portanto acaba por ser uma equipa menos capaz de criar tanto volume de jogo ofensivo, por isso terá também mais dificuldades, caso passe a Bélgica, com esta França. Mas se há uma equipa capaz de derrotar ou criar mais dificuldades à França, será certamente a Espanha.

Portanto apostas numa final. Não sei se elas se vão encontrar.

Eu aposto numa final.

Espanha x França.

Não, Espanha x França, se a encontrarem, se encontram será nas meias-finais.

É, que a Espanha joga hoje com a Bélgica.

Aquilo que se diz uma final antecipada.

É, mais uma final antecipada.

Este sorteio correu mesmo todo.

E é ótimo. Dá sempre jeito.

Muitos deles foste tu que criaste, muitos deles foste tu que lançaste.

Ou que pensou.

Já, não vamos falar sobre isso.

A minha modéstia impede-me de o dizer, Maria João, mas ainda bem que o disseste.

Mas com este resultado de ontem, o certo é que vamos ter três equipas europeias nas meias-finais, porque há dois confrontos entre equipas europeias agora, Espanha.

Estava ali a ver, hoje é Bélgica e França, não é?

Não, hoje é Espanha e Bélgica. Amanhã Inglaterra e Noruega e depois Argentina e Suíça. Portanto, só a Argentina é que se pode intrometer aqui no domínio europeu. Vamos ver o que se vai passar hoje. A minha aposta para a final, deixo já aqui, pode acontecer ou não, é um França e Inglaterra.

França e Inglaterra, porque a Espanha, entretanto, e a França cruzam-se.

Cruzam-se.

Eu vou fazer as minhas contas e amanhã, depois mando uma mensagem.

E França e Argentina é possível?

França e Argentina é possível. Eu estou a apostar numa meia-final Inglaterra e Argentina.

Que a Inglaterra ganha.

Com um grande peso histórico.

As Falkland.

As Falkland, a "La Mano de Dios", o gol do Maradona, todas essas coisas.

Também foi com a Inglaterra, é isso?

Foi. E é um confronto no mundial após a guerra.

Logo a seguir.

Logo após a guerra das Malvinas, das Falkland.

Para uns serão Falkland, para outros Malvinas. Aliás, o problema também começa aí.

Há logo esse problema que me complicava muito a vida.

Se nem se entendem sobre o nome das ilhas.

Hoje também temos o Wimbledon, meias-finais do torneio masculino. Arthur Fils e Alexander Zverev de um lado, Jannik Sinner contra Djokovic do outro.

Esse vai ser o grande jogo.

As atenções estão mais centradas neste jogo, saber se o Djokovic consegue bater o recorde de finais e consegue alargar o número de Grand Slams conquistados de 24 para 25, mas vai enfrentar um Jannik Sinner, que é o número um do mundo. Eu diria que o favoritismo está do lado do italiano. Ontem ficaram definidas as finalistas do torneio feminino. São ambas checas. Linda Nosková venceu a ucraniana Marta Kostyuk. Karolina Muchová venceu a americana Coco Gauff num grande jogo. Eu estava a ver ontem, foi um jogo muito emocionante, três sets, decidido no tie break, muita emoção até ao final. E agora no próximo sábado vamos ter aqui um duelo totalmente checo, o que demonstra, de facto, que a República Checa é uma potência desta modalidade, com uma grande capacidade.

E vai sempre renovando.

E um grande investimento em formação. Eu estive lá há uns anos, na Chequia, e é incrível o número de cortes que se encontram na cidade de Praga, quase em todo lado. E há, de facto, uma tradição grande. Basta pensar em grandes nomes do passado, que acabaram dois deles por se naturalizar norte-americanos, Ivan Lendl e Martina Navratilova, duas lendas desta modalidade. Agora vamos ter esta final completamente checa no setor feminino. Por último, para terminar, falando do Tour de France. Ontem foi uma grande etapa no Tour de France, com a subida ao Col du Tourmalet. Tadej Pogačar, e isto aqui acaba por retirar algum interesse, porque já se sabe quem é que vai ganhar. Ontem ganhou e deixou Jonas Vingegaard, que é o grande rival, a mais de dois minutos.

Deixou para depois uma desgraça para o Pogačar.

Teria de ser mesmo algo muito surpreendente. Tadej Pogačar caminha para a sua quinta vitória no Tour de France.