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Com o nosso CEO de bola, Bruno Vieira Amaral.

Hoje há futebol. Não é todos os dias. Quase todos os dias, mas não é todos os dias. Hoje há futebol aqui no "Três Toques". Ontem houve futebol.

Pensei que era aí, futebol, jogos e tal.

Hoje, por acaso, não sei se há jogos em Inglaterra. Ontem houve muitos. Em Inglaterra eles estão sempre a jogar. É espetacular.

São danados para o jogo.

É, são fanáticos por essa coisa. Mas há quem, em Inglaterra, se veja afastado do jogo. Desta vez foi um treinador. Normalmente são os treinadores que pagam.

Que pagam.

É o alvo.

São eles que levam com o chicote.

Estão mais à mão de semear. Mas neste caso não foi exatamente o treinador, ou o treinador principal, foi o treinador das bolas paradas. E o treinador das bolas paradas tem cada vez mais importância no futebol moderno. Por acaso, depois de ter escolhido esta notícia, estava a ver uma ou outra notícia sobre a importância das bolas paradas ofensivas na eficácia do Sporting. O Sporting tem dependido bastante das bolas paradas. O Paulo tem sempre uma grande questão.

As bolas paradas são cada vez mais centrais na tática de uma equipa.

Mas é verdade.

Mas têm que ser postas a andar.

Claro.

É só a partir do momento em que elas deixam de estar paradas. Eu adorei a forma como disseste isso, convincente.

Em inglês são as set pieces, mas em português.

São quem?

As set pieces. Portanto, não são as stopped balls. Still balls, não. São as set pieces. Em Portugal, não, são as bolas paradas que depois têm que ser postas em movimento, mas são muito importantes. Por exemplo, o Arsenal, que neste momento está na liderança da Premier League, é conhecido por marcar muitos gols na sequência de pontapé de canto. Já se diz, mais ou menos a brincar, que são quase pênaltis para o Arsenal. Quando há um pontapé de canto, já se sabe que aquilo quase sempre, se não der golo, anda perto. E no Arsenal, o treinador das bolas paradas é a quem é reconhecido o mérito por essa eficácia. Portanto, há cada vez uma maior importância destes treinadores.

A especialização de treinadores é que é impressionante. Não fazia ideia que havia um treinador de bolas paradas.

Isso normalmente.

O Quaresma tinha lá a chegada também.

Sim, isso existe muito em desportos como o futebol americano, ou mesmo no basquete, em que há treinadores para muitos.

O futebol americano vive de bolas paradas.

Bolas paradas.

A jogada começa sempre, não é? São muito rápidas.

E há paragens.

E percebe imenso, Paulo.

Não, vocês desvalorizam o meu conhecimento sobre a matéria.

Não, pelo contrário. Como o Liverpool não está a atravessar o melhor dos momentos e como também não tem sido muito eficaz nas bolas paradas, quem pagou não foi o treinador principal, foi o treinador das bolas paradas, que agora vai ficar parado durante uns tempos até encontrar um novo clube.

Hiperspecialização na contratação e hiperspecialização no despedimento.

No despedimento. Foi ele o alvo da chicotada psicológica. Ontem falámos aqui de ténis.

A propósito da guerra dos cegos.

A propósito da guerra, a batalha dos cegos, o jogo de exibição que opôs Aryna Sabalenka a Nick Kyrgios. E hoje temos notícias sobre o que ganham os jogadores, o top cinco dos tenistas que mais ganharam em prize monies durante 2025. Em primeiro lugar, está Carlos Alcaraz, o número um do mundo. Logo abaixo, está o italiano, número dois do mundo, Jannik Sinner. Carlos Alcaraz acumulou US$ 20 milhões, Jannik Sinner, US$ 19 milhões.

Só em prêmios.

Só em prêmios. Ou seja-

Depois há salário, publicidade, etc.

Publicidade. Muitos recebem logo à cabeça para entrarem em determinados torneios, mas neste caso estão a falar dos prêmios pelas vitórias que obtiveram. Curiosamente, no top cinco, os restantes lugares são ocupados por três tenistas mulheres. Aryna Sabalenka em terceiro, Iga Świątek em quarto e Elena Rybakina em quinto.

A diferença é muita, já agora, por exemplo, do terceiro para o segundo?

Tem. Dezenove milhões para o Jannik Sinner, que está em segundo, 15 milhões para Aryna Sabalenka, que está em terceiro, porque todos os grandes torneios, pelo menos os grandes torneios, têm prize monies iguais.

Já têm o equal pay.

Exatamente. O que não acontecia quando se disputou a primeira Batalha dos Cegos em 1973.

Não acontecia e esteve longe. Só recentemente, nos últimos anos. Dois, três anos é que essa prática começou a ser.

Nos Grand Slam.

Se não me engano, o Open dos Estados Unidos foi o primeiro a adotar o equal pay, mas depois todos os outros. Mas estamos a falar de, acho que eu, dos dois últimos três anos, a generalização. É recente.

Mesmo que seja um pouco mais, não será muito, mas é um exemplo para outros desportos. E de facto é significativo.

Ponham os olhos no ténis.

Voltando ao futebol. Neste caso, não falando de futebol feminino, mas futebol masculino. Mais um gol de Cristiano Ronaldo na Liga Saudita. É verdade, o gol 957 da carreira, e este foi muito especial.

Então.

Porque foi um gol marcado com as costas.

Com as costas.

Com as costas.

Ele não tinha já marcado um gol com as costas contra a Coreia do Norte?

Contra a Coreia do Norte, acho que foi com os ossos.

No sete a zero.

Foi, acho que foi sete a zero em 2010. É verdade, muito bem, João Miguel.

É este espírito que o país precisa.

Exatamente, é esta mentalidade.

Pensava que ias dizer que era memória.

Eu deserrasquei, eu também pensei que estavas a elogiar o João Miguel. Mas não. Vocês vejam as imagens. O João Félix faz o remate. Aliás, foi um gol completamente português. Mentalidade Félix, Ronaldo. O Félix faz o remate, a bola bate nas costas do Ronaldo e ele começou logo a correr e a festejar o gol como se fosse dele. Eu acho que não devia contar como gol dele.

Mas foi um acaso?

Não pode haver mais.

Não há acaso no futebol.

Não pode haver mais acaso do que isto, mas foi o Ronaldo.

Mas ele estava lá.

Ele estava lá. É verdade. Nunca vamos saber se a bola não tivesse batido nas costas do Ronaldo, se iria entrar ou não. A verdade é que ele festejou como se tivesse sido ele a fazer o remate e o gol foi-lhe atribuído. 957. Já não falta tudo para os mil.

Muito bem.

Agora só falta saber fazer boletins de eleições só com os nomes dos candidatos. Mesmo, mas quase.

Isso é um bocadinho mais difícil do que marcar gols com as costas.

Foi o "Três Toques" com o Bruno Vieira Amaral.