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Começa agora o Três Toques, sempre com o Júlio Magalhães e também em direto no YouTube, Facebook e site do Observador. E então, quem pega na bola?
Começo eu.
Ai, começas tu.
Hoje nenhum de vocês vai começar. Hoje começo mesmo eu. Pode ser?
Modernices.
És o dono da bola.
É a primeira vez também que tal acontece no Três Toques.
Olha, a Maria João: “Modernices”, diz. Ela é que nunca pegou na bola.
A pessoa não se pode ausentar. Ontem eu não estive cá e houve isso. As regras são lá as regras. É assim. Dança das cadeiras aqui. Então, mas a que se deve a honra, Júlio?
Às vezes temos que variar pra que os nossos ouvintes também sintam que, como diz o Paulo, não andamos aqui pra ver os eleitos andar.
Claro.
Por isso, vocês vão-
Graças a nossos-
Frases que ficam.
Esta é a frase da semana. Têm sido um sucesso as nossas frases.
Têm.
Por isso, vocês agucem agora a vossa curiosidade, que eu vou contar a história dele.
De quem, do Paulo?
Esta é uma série de dois dias, começa hoje.
Dele?
De quem? Do Paulo?
Podia ser de Paulo. Mas esta é uma série que começa hoje e acaba amanhã. Está bem? É uma série.
É uma série? Está bem.
É uma minissérie.
Mas que vale a pena mesmo ouvir e por isso é diferente. Isso já vem nos jornais estrangeiros todos, e vou vos contar a história do Jeremy Lin, um jogador de basquete da NBA, asiático. O seu sonho sempre foi jogar na NBA. E tem uma frase que é: “Os caminhos do Senhor são inesgotáveis”, porque ele é muito devoto, fazia parte de uma associação de cristãos na Califórnia, embora seja de origem do Taiwan e seja de origem asiática. Eu começo já pelo fim, que é: ele, em determinada altura, conseguiu chegar à NBA, andava a marcar 28 pontos por jogo, um recorde da sua carreira até então. Tinha 23 anos e andava em pleno processo de se converter no líder dos New York Knicks, na altura. Estava então a fazer isso, a marcar pontos, até que o adversário que se seguia era, nem mais nem menos, os Lakers, onde jogava o Kobe Bryant, que recentemente morreu.
Sim.
Esta é a história que começa no fim, que é: na conferência de imprensa, como este Jeremy Lin foi jogar porque o outro se lesionou e começou a marcar pontos, alguém perguntou ao Kobe Bryant: “Conhece o Jeremy Lin?” E o Kobe Bryant disse: “Não faço a mínima ideia de quem é”. Já toda a gente sabia quem era o Jeremy Lin. Foi pra o jogo, o Jeremy Lin. A equipe do New York Knicks arrasou com os Lakers e este Jeremy Lin marcou 38 pontos, vários saltos, foi a grande figura e nessa semana foi capa da Time.
O Kobe Bryant ficou sabendo agora.
Começa aqui a história do Jeremy Lin. Exatamente. É isso, começamos pelo fim.
Jeremy Lin.
Aqui que tornou-se conhecido. Exatamente.
Mas ele certamente tinha um sonho. Como todos os jogadores de basquete, qualquer a jogar na NBA. Chegou lá?
Exatamente. Teve muitas dificuldades, má sorte e aquilo a que nos Estados Unidos se diz os prejuízos das questões raciais. O Jeremy Lin começou novo, era bom estudante, queria chegar à NBA e mesmo logo no liceu, nos institutos onde andava, destacava-se como o melhor jogador. Quando acabou aquilo que é a fase final do ensino secundário, fez um DVD com as suas melhores imagens e mandou para as equipes. Apesar de ter sido o melhor nesses campeonatos que fazem pra jovens, a verdade é que foi excluído. Voltou a tentar, foi pra Harvard, pra universidade, onde tem mais projeção os estudos que propriamente o desporto, e voltou a ser o melhor jogador durante esse ano. Além de ter tirado licenciado em economia, voltou a ser o melhor jogador em Harvard, era o que marcava mais pontos e, portanto, nem isso foi suficiente pra o escolherem para aquele que se chama o draft da NBA.
Isto deixa-me muitas dúvidas. Ficou por aí o sonho dele ou conseguiu mesmo chegar à NBA? Desculpa, pra quem não acompanha, este Jeremy Lin é um ilustre desconhecido.
É, parece um ilustre desconhecido, mas tornou-se famosíssimo depois desse jogo. Só que primeiro, pra chegar a esse jogo, andou ali até que foi àquelas ligas de verão, que nós ainda há pouco falamos. Conseguiu finalmente ir àquela liga de verão, que teve lá o nosso Nemeas Queitás, vocês já falamos disso aqui. E nessa liga de verão conseguiu ser o melhor jogador. Só que não havia lugar pra ele, até que nos Golden houve um treinador que disse: “Como é que é possível um jogador destes não ter lugar?” E então meteram na equipe. Só que nessa equipe estava Stephen Curry, que é o melhor jogador que temos falado aqui, que tem sido o melhor jogador da NBA. E, portanto, Jeremy Lin não jogou nessa época e acabou por sair dessa equipe e o melhor que conseguiu foi depois um posto nos Dallas Maverick, de novo pra participar nessa liga de verão. Mas não conseguiu, nos Mavericks também acabou por não jogar. E esta história está sempre associada ao fato de, de alguma maneira, ele ser asiático.
Claro. Mas então o que é que segue? Asiático, já disseste, muito religioso. Ele perdeu as ilusões, então, de conseguir jogar na NBA, ao nível da NBA?
Não. Depois saiu, voltou a sair, e é então que alguém repara nele e leva-o pra os New York Knicks. Consegue fazer então uma partida pelos Knicks. Conta a história que no Madison Square Garden, Jeremy Lin, antes de um jogo com os Miami Heat Um dos jogadores muito conhecidos de Miami passou por ele e ele estava na capela e disse-lhe: "Estás a rezar?" E ele disse: "Estou, rezo antes de todos os jogos, mas hoje estou a rezar especialmente para que não me ponham de novo fora da equipa e que possa continuar a jogar basquete". E nesta história, este jogador dos Miami Heat conta esta história de ele estar sistematicamente a rezar e rezava sobretudo para não ser nunca excluído. Já tinha sido excluído em várias etapas da sua carreira, de várias equipas e, portanto, o New York Knicks era a última hipótese que ele tinha. E vem esse jogo, que é onde ele marca 38 pontos. Amanhã vamos seguir esta história.
Contra os Lakers.
Contra os Lakers e contra Kobe Bryant, que o tinha menosprezado na conferência de imprensa. Dizem aqui os especialistas que no final ele tinha a resposta preparada, que era dizer ao Kobe Bryant: "Eu gosto de mentes".
Não digas. Ficamos aqui com aquele tananam.
Ficamos aqui para amanhã.
Amanhã continuamos esta história para vocês verem depois onde é que isto vai parar.
Meu Deus, não percam.
É magnífica esta história, não percam. Notas de autor: ontem o Sporting perdeu, o Porto perdeu duas, três equipas portuguesas estão em condições, ainda assim, de seguirem em frente.
E o jogo ao Braga.
E o jogo ao Braga. Estão todas em condições de seguir em frente nas próximas eliminatórias.
A Maria João ouve os noticiários. O Paulo ficou espantado com o conhecimento da João, porque o Paulo não ouve os noticiários da Rádio Observador. Olha, quanto à nossa caderneta, há um número repetido, é o número 15 dos Estados Unidos. É só isto.
Então, é só isso, não é? Pronto, e já temos muitos cromos, não é?
Temos muitos, mas faltam-nos muitos mais.
Não, temos que começar a dar calor a isso.
Temos que dar calor a isto. Para a semana sou eu que compro as saquetas.
Está bem, muito bem, vamos a isso.
Está feito?
Está feito. Amanhã continuamos com a história do Jalen Green, que é uma história extraordinária, como vão ver amanhã.
Muito bem, combinado. Foi mais um Três Toques da Rádio Observador. Amanhã então mais, já sabe que é sempre no fim do jornal das 20h00.