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Um, dois, três, quatro, cinco e por aí fora.
E por aí fora.
Começas com uma goleada, é isso?
Uma goleada. Seis. Não foi a goleada do Sporting ao Arouca.
Então pronto, vou desligar o microfone.
Também foi 6 x 0. Foi a pior goleada da carreira de Neymar.
Quantos?
6 x 0, do Vasco da Gama. Não é um clube que ande na crista da onda, mas que foi ganhar a casa do Santos, e Neymar sofreu, como dizia, a pior derrota da sua carreira.
6 x 0.
Ele que tinha escapado da maior humilhação, quer dizer, escapou mais ou menos, porque não esteve em campo, da maior humilhação da seleção brasileira, o célebre 7 x 1, na meia-final do Campeonato do Mundo de 2014 contra a Alemanha. O Neymar estava lesionado nesse jogo. Há quem diga que se o Neymar estivesse em campo, as coisas teriam sido diferentes.
6 x 1.
Nunca saberemos. Teria sido 7 x 2. Mas pronto.
É que o Brasil jogou muito mal esse jogo, não foi?
E a Alemanha jogou muito bem. De facto. Que eu acho que ao fim de meia hora já estava 4 x 0. Mas numa meia-final do Campeonato do Mundo, de facto foi impressionante. Isto não foi numa meia-final do Campeonato do Mundo, mas também pesa para os adeptos ferrenhos do Santos perderem em casa com o Vasco da Gama por 6 x 0. Neymar saiu em lágrimas. Muito se discutiu sobre o regresso de Neymar ao Santos, onde ele foi muito feliz, onde se apresentou ao mundo do futebol, de onde saiu para o Barcelona. E é sempre aquela questão de saber se se deve voltar ao lugar onde já se foi feliz. Depois deste fim de semana, a resposta é não, não se deve voltar. Mas a verdade é que Neymar continua a ser uma figura do futebol mundial e foi importante para os adeptos do Santos que ele tivesse querido regressar ao clube onde foi formado, mas certamente não estariam à espera que fosse para porradas históricas desta dimensão. Ele acabou por sair mesmo em lágrimas.
Em lágrimas. Olha, o segundo toque também envolve Neymar.
Também envolve Neymar, por quê? Porque Neymar, antes de ir para o Santos, estava no Al-Hilal de Jorge Jesus, na altura, e parece que os dois não se deram muito bem. E eu vou arriscar dizer que se calhar não se deram bem porque nenhum dos dois falava a mesma língua.
Como assim?
My player. Welcome.
Nice to meet you.
I don't speak English very well. Do you speak English?
English, German.
Português?
No.
Espanhol?
Entendo.
Ora, aqui está. Ainda vais pôr isso outra vez?
My player. Welcome.
Welcome.
I don't speak English very well.
I don't know.
Do you speak English?
English, German.
Português?
No.
Espanhol?
Entendo.
Vamos lá contextualizar isto. Jorge Jesus continua na Arábia Saudita, agora no Al-Nassr, de Cristiano Ronaldo, e recebeu um reforço de peso vindo do Bayern de Munique, Kingsley Coman, um grande jogador para reforçar a equipa de Jorge Jesus. E foi assim que o treinador português recebeu o jogador francês. Perguntou-lhe logo: "Então, mas que língua é que falas? You not speak English very well? You speak português? O que é que falas?" Kingsley Coman, de jogar na Alemanha, fala alemão, fala inglês, diz que entende espanhol, português é que a coisa não vai lá muito bem, e em inglês eu acho que vão ter algumas dificuldades. João, passa lá isso outra vez.
Isto é tão bom.
My player. Welcome.
Welcome.
E a música?
I don't speak English very well. Do you speak English?
English, German.
Português?
No.
Espanhol?
Entendo.
Espanhol, português. Grande JJ, é um grande treinador.
Mais nada. E sabes o que eu gosto no JJ? É que ele se lança para as feras e para terreno que não conhece, de peito aberto.
Sabes por quê? Porque ele tem uma grande vantagem, é que ele de futebol sabe muito.
É verdade.
Ele de futebol sabe muito, e isso depois é o que interessa no contacto com os jogadores. Diz-se, é um lugar-comum dizer que o futebol é uma linguagem universal, mas a verdade é que ele sabe mesmo muito de futebol e essas barreiras linguísticas são ultrapassadas por esse conhecimento que ele tem e pela forma de conseguir passar a mensagem aos jogadores. Não resultou com o Neymar, terá sido por outras razões. Com ele não resultou, porque às vezes as pessoas não se entendem.
Exato.
E uma prova disso é o que se está a passar no balneário do Paris Saint-Germain, mas aí isso até mete geopolítica.
Explica lá isso melhor.
Vou explicar então. O Paris Saint-Germain contratou um jogador ucraniano, Zabarnyi, ao Bournemouth, por 63 milhões de euros, e já tem no plantel um jogador russo, Matei Safonov. E isto pode vir a não correr muito bem.
Vai dar chispa.
É, porque Illia Zabarnyi tem sido bastante ativo na defesa da Ucrânia, nas redes sociais. E um sinal de que as coisas podem não vir a correr muito bem no balneário do Paris Saint-Germain é o facto de o jogador ucraniano, no Instagram, seguir quase todos os companheiros de plantel, menos o russo.
O facto de ser russo não quer dizer que ele seja alinhado com Putin e com o que ele está a fazer.
Obviamente, e o jogador até tem sido discreto. Mas não é só a questão do Zabarnyi, é a mulher do jogador ucraniano, isso é que ainda é pior, que tem incendiado. Estes incêndios nas redes sociais são terríveis e alastram. Que há uns tempos escreveu o seguinte no Telegram: "É uma pena que eles não possam", e referia-se aos russos, "ser varridos da face do planeta para sempre." E ainda respondeu, ainda reagiu a alguns comentários e escreveu: "Meu Deus, como esses canalhas estão ofendidos. Só existe uma verdade, o mundo inteiro odeia. Terroristas não têm o direito de existir nem de serem bem tratados." Isto referindo-se aos russos, não sabemos se a todos os russos.
Nada meiguinha.
Não. Entretanto, apagou estas mensagens. Vamos ver se as coisas, entretanto, agora até com as negociações nos Estados Unidos, acabam por arrefecer um pouco, ou se Luiz Henrique, para além de dar a tática, vai ter de recorrer à sua capacidade de mediação e exatamente diplomática para resolver este conflito entre um ucraniano e um russo que partilham o mesmo balneário, o do Paris Saint-Germain.
E a fechar o "Três Toques" de hoje.