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A tragédia.

O horror.

O horror. Ontem foi horrível para Cristiano Ronaldo, Jorge Jesus, João Félix. Eu não sei se estavam a ver. Imagino que não, que estavam a fazer outras coisas.

O Paulo foi-me dizendo, eu não estava a conseguir ver o Paulo.

Eu estava sentado.

Acho que criámos um grupo de WhatsApp só para eu ir informando.

E fizeste muito bem. Eu estava sentadinho a ver o jogo entre o Al-Nassr e o Al-Hilal, que poderia dar o primeiro campeonato para aí em sete ou oito anos ao Al-Nassr.

Viu nos canais de desporto?

Sim, na Sport TV.

Tu costumas ver no YouTube, não é?

Eu vejo diretamente em árabe, nos canais árabes.

É muito parecido.

Comprei uma parabólica própria para apanhar.

Parabólica.

Há aquele delay de alguns segundos.

Sim, tu não podes ouvir as outras pessoas a festejar e ficas irritado.

E é muito melhor ouvir os comentários em árabe.

Sim, claro. E depois, como as pessoas que moram lá no prédio.

No condomínio?

No condomínio, ouve-se e eu não gosto.

Não gostas.

Ali aquele delay, eu assim sou o primeiro.

Normalmente até usas aqueles tampões.

Para ir à janela.

Eu vou à janela logo gritar e estrago o jogo aos outros.

Ontem foi exatamente isso que aconteceu. Estragar o jogo é mesmo a expressão certa, porque o Al-Nassr estava a 15 segundos de se sagrar campeão, porque estava a ganhar. Bastava-lhe ganhar ontem ao principal rival, ao Al-Hilal, e estava a ganhar 1 x 0 e tudo parecia indicar que estava no papo. Eu estava a ler também comentários nos sites desportivos dos jornais e estava a dizer: "Já está. Já se vão iniciar os festejos, soltar os fogos." O que é que acontece? Há um lançamento lateral, muito longe ainda da baliza do Al-Nassr, e parecia que daí não viria perigo nenhum. E acontece a verdadeira tragédia: o guarda-redes e o defesa do Al-Nassr atrapalharam-se um ao outro e desse lançamento a bola não toca em nenhum jogador do Al-Hilal, ou seja, há um lançamento do Al-Hilal, a bola segue diretamente para a grande área e são os dois jogadores do Al-Nassr que chocam e se atrapalham e a bola entra na baliza.

Que balde de água fria.

Foi mesmo inacreditável. Jorge Jesus não se ajoelhou, mas ele estava com uma cara só ultrapassado na tristeza por Cristiano Ronaldo, que chegou mesmo a chorar. O Cristiano Ronaldo estava no banco, foi substituído aos 82 minutos e estava à espera da consagração de finalmente vencer um título. É oficial na Arábia Saudita, ainda não foi ontem. O culpado foi o guarda-redes Bento, o guarda-redes brasileiro do Al-Nassr. Jorge Jesus disse: "Bem, são lances que acontecem". Acontecem, mas não é muitas vezes. E foi um balde de água fria. Eu acho que é pouco para dizer aquilo, porque o árbitro deu oito minutos de compensação e estávamos no minuto 97 e 43 segundos, portanto, já não havia tempo quase para mais nada e era um lançamento muito longe da área.

E se calhar quem fez o lançamento não estava com firmeza. Foi uma última tentativa.

Aquela coisa de se mandar às vezes o guarda-redes. Mas desta vez não foi preciso mandar o guarda-redes, porque o guarda-redes adversário chegou e ajudou bastante. Eu acho que até foi considerado autogolo, porque coisas daquelas não acontecem muitas vezes. Maria João, temos aí um sonzinho. Vamos ouvir.

O duro.

O Al-Nassr ontem não pôde festejar, mas no fim de semana houve muita gente a festejar. E aqui estamos a ouvir os sons dos festejos do Barcelona, mais propriamente, sons e festejos que envolvem o próprio presidente do Barcelona, Joan Laporta, que foi dos mais efusivos, senão o mais efusivo, nos festejos. Nestas imagens, que não podemos ver aqui, estava a dançar ao som desta música, mas também dançou ao som de Rosalía e muitos outros. Ele era o mais animado da festa, muito mais animado do que os jogadores. Até se percebe, os presidentes vivem estas coisas.

O Jorge Jesus também dançava sob essa música.

Ele dançava qualquer som que houvesse, mas ontem teve de dançar ao som daqueles violinos tristes.

Violinos.

Os violinos, como bem ouvimos aqui. Desta vez, o Barcelona pôde festejar.

Ganhou ao Real.

Ganhou ao Real Madrid, 2 x 0, foi o suficiente.

Claro, foi um resultado claro.

Não tiveram daqueles momentos em que se chega ao tempo de compensação e a festa é estragada por um guarda-redes.

Distraído.

Distraído, com mãos de manteiga ou luvas de manteiga. Não correu bem, mas podemos ficar felizes pelo Barcelona e pelos festejos que envolveram o presidente Joan Laporta.