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Vamos dizer todos adeus a Rui Costa.

Então?

Então, o Rui Costa vai-se embora. Não é esse.

Ao Rui Costa que é ciclista.

É o ciclista. É o ciclista, não o Rui Costa.

Pensava que se soubesse. Algo que nós não sabemos, ele soubesse.

E os meus dons de zandinga ainda não estão a funcionar, pelo menos a estas horas. Mas é verdade, Rui Costa, o único português campeão do mundo de ciclismo, naquilo que foi um verdadeiro feito. Eu lembro-me na altura achar incrível um português conseguir algo que é tão difícil, quase tão difícil como ganhar uma grande volta, que foi sagrar-se campeão do mundo. E Rui Costa teve aí o seu ponto alto, o ponto alto da sua carreira, mas também ganhou três vezes a Volta à Suíça, ganhou três etapas na Volta à França, duas em 2013 e uma em 2011, e teve uma carreira longa, com grandes momentos. E agora despede-se, diz que chegou a altura de arrumar a bicicleta, será?

Sim, ou então arrumar as botas.

E ele diz que o ciclismo o fez muito feliz e que agora é tempo de se dedicar à família. E nós agradecemos ao Rui Costa por tudo aquilo que deu ao ciclismo português. O João Almeida, que agora é o grande ciclista português, também escreveu uma mensagem nas redes sociais a agradecer o exemplo e o incentivo também do Rui Costa. E fica para a história como o único ciclista português até agora a ganhar o Campeonato do Mundo. Um grande obrigado e um abraço para o Rui Costa e também para o outro. Olha, para todos os Rui Costas. Boa sorte!

Para os dois, boa sorte.

Aqui temos falado no "Três Toques" de atividades de ex-jogadores de futebol. Vimos o Dani Alves a dedicar-se à religião, deixou o futebol, mas ele passou também uns momentos complicados na vida pessoal.

Se calhar também por isso.

Também por isso que aquela foi a saída profissional. André Schürrle, ex-futebolista alemão, foi campeão do mundo em 2014, não está tão virado para as questões espirituais. Quer dizer, eu não sei, porque isto é de tal forma difícil o que ele faz, que provavelmente há aqui também um lado espiritual em ação. Então, o ex-jogador do Chelsea, que até fez na final do Mundial 2014 a assistência para o gol que decidiu essa final, agora é alpinista.

Alpinista?

Alpinista, mas é um alpinista um pouco especial, já vos vou explicar. Ele agora, há pouco tempo, subiu ao ponto mais alto da República Checa, com 1600 metros de altitude, chama-se Sněžka. Não sei se estou a dizer bem, vocês que sabem.

Sněžka.

Sněžka. Pronto. E então, ele não só subiu ao ponto mais alto da República Checa, o que já de si é de louvar, mas vestindo apenas calções e sem qualquer agasalho no tronco, portanto em tronco nu, e em condições climatéricas bastante adversas, para dizer o mínimo. Há fotografias nas redes sociais do André Schürrle.

Coberto de neve.

Sim, com neve na barba.

Nariz vermelho.

E ele depois disse que foi uma experiência que nunca esquecerá. E é fácil de imaginar porque estavam 19 graus negativos.

Nunca sentiu nada assim.

Nunca sentiu nada.

Deixou de sentir os dedos.

Com vento de 100 quilômetros por hora. Sentiu neve, chuvas densas. Ele diz: "O que aprendi? O meu corpo e eu somos mais fortes do que eu pensava. Se me dedicar de corpo e alma, consigo fazer tudo." Ora, digam lá que isto também é um bocadinho espiritual, isto não é só físico. Ele deve ter chegado ali a um estado de alheamento. Ele deve ter saído uma experiência extracorpórea. Ele deve ter saído do próprio corpo e deve ter ido dar uma volta para paragens mais quentes. André Schürrle, aqui dar mais um exemplo do que se pode fazer depois de abandonar uma carreira no desporto. Olha, o Rui Costa, se não tiver mais nada para fazer, olhe, vá para Sněžka, na República Checa, e apanhar ventos de 100 quilômetros por hora e só 19 graus negativos.

Ou mergulhar numa praia do Oeste, em Portugal.

É quase tão radical como isto.