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Vamos a isso. Tudo pronto para mais um Três Toques com o Bruno Viera Amaral. Qual é a pergunta do dia?

Vamos lá. É muito simples. Se souberem, sabem. Se não souberem, adeus. Até à próxima.

Eu costumo saber.

Tu costumas. Então esta é pra ti, Paulo: qual foi o único ucraniano a ganhar a Bola de Ouro?

Eu sei essa.

O quê?

Eu disse Shevchenko.

Diz lá. Não sei dizer.

Um traumatismo ucraniano? Vamos falar de traumatismos ucranianos.

Dá lá ajudas. Shevchenko. Diz lá o nome, eu não sei dizer. Mas estou a ouvir.

Ivan Yakovlevich?

Não.

Não? Tarás Kovaliov? Andriy Shevchenko?

Sim. É isso! Eu posso fazer palmas?

Podes bater palmas . Hoje não podíamos esperar, a Maria João vinha logo. Não, porque os restantes eram personagens do Gogol. Enfim. Vamos falar aqui de um ucraniano que está em Portugal, é o guarda-redes do Benfica, Anatoliy Trubin. E o Trubin fez aqui um balanço de um ano e meio em Portugal. Está muito contente, diz que isto é espetacular. Os portugueses impressionam pela sinceridade e hospitalidade. Diz que lhe faz lembrar muito os ucranianos. Ele só tem é um problema: a condução, a estrada. Ele diz que ainda se está a habituar ao estilo de condução deles. Aqui, diz ele, em Portugal. Deles que somos nós. Aqui em Portugal não é preciso estar só atento ao que se passa à volta, mas também é preciso saber prever o futuro.

Basicamente, é como um guarda-redes. Eu acho um bom treino pra um guarda-redes.

Reflexos.

Eu que vá e depois nós falamos.

Eu queria só dizer uma coisa ao Trubin: não se preocupe, porque há quem tenha vivido uma vida inteira em Portugal e ainda se esteja a habituar ao estilo de condução dos portugueses. Portanto, don't worry.

E não fala da comidinha, que é boa?

Da comida, por acaso, uma nova língua, cultura e ritmo.

Não, não falou da comida. Também os jogadores têm uma alimentação espetacular.

Deixaram publicar uma entrevista em que ele não fala da comida?

Macrobiótico, se calhar. Não, por acaso não fala. Fala só de: “Somos muito hospitaleiros.”

Mas também eles têm grandes carros e depois não podem dar muito. Deve ser por isso que ele está a falar da condução.

O hospitaleiro já inclui a comida, vamos considerar assim.

Vamos aqui a uma notícia de um antigo jogador de rugby francês, uma grande estrela do rugby no início do século, Sébastien Chabal. Tinha umas grandes barbas. Ainda tem. Era uma das estrelas da seleção francesa de rugby, mas agora ele vem dizer que não se lembra de nenhum minuto que tenha jogado. Ou seja, não se lembra de nada. Há ali uma parte da memória-

Também me acontece, às vezes

...com a idade. Às vezes a pessoa esquece as coisas, as chaves.

Tão querido.

Não, mas isto é sério, isto tem que ver com as pancadas que os jogadores levam. Nos desportos de contato físico mais violento.

Mas no futebol dizem que há um impacto enorme das cabeçadas.

Do jogo de cabeça, precisamente. Isto é o efeito de anos e anos sofrer placagens. E ele disse que nem se lembra do dia do nascimento da filha. Ou seja, não é uma coisa levezinha.

Não há um documentário sobre isto?

Tem sido muito estudado, sobretudo no futebol americano, apesar de todas aquelas proteções que eles utilizam, tem sido estudado e de facto há estudos que comprovam o efeito. Também no pugilismo, das pancadas sofridas na cabeça. Às vezes para alguns jogadores, o melhor era mesmo esquecer certos momentos. Aqui, não, aqui são todos. Rafinha, jogador do Brasil, que há tempos ficou na berlinda por umas declarações mais acintosas que teve em relação à Argentina, agora vem dizer que não se arrepende de nada.

Pensei que ia corrigir, mas não. Diz que não se arrepende.

Não se arrepende. Ele lembra-se perfeitamente do que disse e vem reafirmar, porque ele disse, não sei se se lembram, falamos aqui dessas declarações, o Rafinha numa entrevista a Romário, o antigo internacional brasileiro, veio dizer: “Não, vamos dar porrada nos argentinos” e tal. Depois foram à Argentina e foram mais ou menos trucidados. Agora o Rafinha diz: “Não, eu não volto atrás em nenhuma palavra e vou sempre defender o meu povo”. Se calhar o melhor é defender em campo do que nas declarações. O Rafinha já mostrou que tem tido uma época espetacular no Barcelona. O problema é que estes jogadores chegam à seleção brasileira e depois é só garganta. É Palhinha. Pronto, a resposta do dia já não é necessária. A pergunta do dia.

Foi limpinho.

Limpinho. Hoje era o Shev.

Quando a João também tem aqui umas paragens.

Escapa-lhe algum.

É das pancadas no meu computador às 04:00 .