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Três trocos com Bruno Vieira Amaral nesta manhã de terça-feira. Olá, Bruno.

Olá, bom dia. Como estás, Nelson?

Temos uma pergunta para começar.

Temos uma pergunta.

Quantos portugueses já ganharam a Bola de Ouro?

Quantos foram?

A Bola de Ouro?

A Bola de Ouro.

Mas isso tem truque. Não é evidente.

Não há Bola de Ouro.

Diz lá, então.

Não é quantas bolas de ouro foram ganhas.

Eu sei. Esse teria mais dificuldade. Eusébio, Fernando Gomes, Cristiano Ronaldo.

Fernando Gomes é a Bota, não é?

Bi Bota.

É Bota, não é Bola de Ouro.

Eu desisto.

Ah, é Bola, não é Bota.

Bota é para o melhor marcador dos campeonatos europeus.

Exato. Ele é Bi Bota.

O Fernando Gomes foi Bi Bota, tal como o Eusébio, também foi Bi Bota.

Então, quem é que não é Bota?

Mas eles não têm duas botas cada um, sempre? Ou são 10?

Então e o Cristiano Ronaldo?

O Cristiano Ronaldo? Mas pronto, então quantas é que são?

Três.

Três, pronto.

Mas, Carla, mas esses também ganharam, já percebi que há uma bota e uma bola.

É verdade.

Ganharam.

Mas deve haver quem ganhe isto tudo.

Já ganharam também a Bola? A Bola de Ouro é nacional ou internacional?

A Bola é France Football.

As Bolas de Ouro e as Botas de Ouro são internacionais.

As Botas também?

As Botas também.

As Botas são os melhores marcadores. A Bola de Ouro é o melhor jogador.

O melhor jogador do mundo.

Normalmente, quem vota são os treinadores, outros jogadores.

Jornalistas.

É o ecossistema que vota.

É um bocadinho.

O ecossistema.

O ecossistema.

Muito bem. Já vamos à resposta a essa questão: quantos portugueses venceram a Bola de Ouro?

Espera aí. Diz lá, então.

Tu disseste duas vezes desisto, mas vamos lá. Eu digo dois.

Dois.

Já foi.

Queria só estes segundos de atenção.

Mas hoje, Bruno, trazes histórias dos Paralímpicos.

Ainda, porque esta é uma grande história. Eu encontrei ontem na Tribuna Express a história do nadador chinês Yin Chen Guo, que foi uma das figuras de destaque dos Jogos Paralímpicos em Paris. E reparem nisto: ganhou seis medalhas, quatro delas de ouro nos 50 metros livres, 50 metros mariposa, estafeta mista, quatro vezes 50 metros livres de 20 pontos e estafeta livre quatro vezes 50 metros estilos 20 pontos. E ainda bateu dois recordes do mundo.

Eu já me cansei só de ouvir isto.

E ainda te vais cansar mais se vires o vídeo da prova do desempenho deste atleta, porque o que é aqui ainda mais incrível é a categoria em que ele compete. É a S5, que é para atletas sem braços, e a técnica que ele desenvolveu para nadar e com uma velocidade que de facto impressiona. Nas distâncias de 50 metros, Guo só vem uma vez à superfície, o resto da prova é feita em apneia e a velocidade, claro, deve-se ao batimento das pernas. Nos últimos anos, ele foi aperfeiçoando esta técnica de apneia, graças a muito treino, em que foi melhorando o tempo que conseguia passar debaixo d'água. Como é que ele fazia isso? De dia, treinava na piscina e à noite enfiava a cabeça numa bacia com água para aumentar o tempo que conseguia estar debaixo d'água. Assim, aumentou o tempo de apneia de um minuto para dois e passou de vir três vezes à superfície durante aqueles 50 metros para passar a vir só uma vez, o que lhe dá uma vantagem sobre os outros concorrentes. Eu sugiro que vejam o vídeo. Podem ver aquele em que ele bate um dos recordes do mundo.

Uma das coisas mais impressionantes deste atleta é a forma como ele respira, porque mesmo quando vem à superfície, ele parece que consegue fazer uma bolha de ar. Ele não sai completamente da água, mas cria uma parte em que consegue respirar um pouco. Ele faz uma bolha com a própria respiração. Há uma fotografia dele em que ele está completamente coberto d'água, mas reparas que há um espaço para ele respirar.

Para respirar.

Que é uma coisa impressionante como ele consegue fazer aquilo.

Cria uma espécie de uma onda.

Exatamente. Ele usa o movimento da água, está completamente tapado, mas tu vês que na zona do nariz e da boca, ele tem um ligeiro espaço onde consegue inspirar um pouco e lá volta a apneia. É impressionante.

Muito treino é o segredo de Yin Chen Guo. Grande atleta dos Paralímpicos.

Mas Bruno, tenho a dizer-te que na semana passada te escapou aqui um tema, que foi os finalistas do Ballon d'Or.

Pois é.

Ainda bem, mas vamos a tempo.

Vamos a tempo.

Não é isto a Bola de Ouro?

É a Bola de Ouro.

É, mas-

Em francês fica melhor.

Não é Ballon d'Or.

No título original.

É o mesmo.

Assim o Paulo já sabia.

Claro, confundiu-se. Ballon d'Or. Parece nome de gelado, Ballon d'Or.

Exato.

Bem, ainda vamos a tempo, porque o anúncio do vencedor só será feito a 28 de outubro, mas confesso, escapou-me na semana passada este anúncio, não falámos dele aqui. Este ano a organização é conjunta da France Football, que historicamente é que entrega o prêmio, a prestigiada revista francesa e também da UEFA. E há algumas curiosidades na lista de 30 jogadores dos finalistas, que foi então divulgada na semana passada e começamos pelos portugueses. Há dois e a novidade é que nenhum se chama Cristiano Ronaldo.

Portanto, passou a era mesmo já.

Já passou a era.

Acabou de marcar um gol decisivo, Paulo.

Um gol, dois, nos dois últimos jogos.

É a primeira vez que ele não consta?

Não.

Nos últimos anos.

Não é. Eu acho que no ano passado já não constava. Esta é a primeira vez que ele e Messi não estão um ou outro, nos últimos 20 anos.

Reparaste como o Paulo virou o jogo e tu começaste a ter que responder.

Isso é técnica. É treino.

Não, era mesmo curiosidade, para perceber qual foi o momento da viragem.

Não, mas no ano passado já não tinha estado. Também os dois nomeados portugueses finalistas também não são Bruno Fernandes ou Bernardo Silva, que estamos habituados também normalmente a ver nestas listas. Os portugueses que entram nesta lista muito restrita são Rúben Dias, o central campeão inglês pelo Manchester City, e o médio do Paris Saint-Germain, Vitinha, que foi campeão de França no ano passado e um dos melhores jogadores da Ligue 1 Ligan, sabes o que é? Ligan Ballon d'Or.

Ligan. Estou a reparar que a fuga de talentos no futebol também é uma realidade. Nenhum deles joga em Portugal.

Completamente. E vai ser muito difícil. Eu não sei, agora também não quero estar a mentir, mas é provável que o último jogador português a atuar em Portugal, incluído nesta lista, deva ter sido o Deco em 2004. Não quero estar aqui com mentiras. De qualquer das formas, é a melhor classificação nos últimos largos anos de um atleta, de um futebolista português a jogar em Portugal.

Só para os mais desatentos, 2004 foi há 20 anos.

Foi há 20 anos.

Quem acha que foi há pouco tempo.

Estava aqui a contar com os dedos.

Com eu, que 2004 foi ontem, afinal foi há 20 anos.

Mas quase de certeza que o vencedor não sairá deste duo de futebolistas portugueses. Os grandes favoritos são o brasileiro Vinicius Junior, do Real Madrid, o inglês Jude Bellingham, também do Real e da seleção inglesa que chegou à final do Euro, e Rodri, campeão de Inglaterra no City e campeão europeu de seleções pela Espanha. À espreita, mas com menos possibilidades de vencer, estão o avançado norueguês Erling Haaland, do Manchester City também, ou Dani Carvajal, que tem aqui uma particularidade: o lateral do Real Madrid é, desta lista de 30 jogadores, o único a ter se sagrado campeão europeu pela seleção espanhola e pelo clube. A minha aposta é Vinicius Junior. Acho que vai para ele.

Eu acho que isso também entrega o Vitinha. Está para aí.

O Vitinha.

Talvez para o próximo ano.

Eu estou dividida entre um e outro.

Vinicius Moraes.

Vinicius e Vitinha.

Muito bem. Continuando a olhar aqui para a lista de melhores, neste caso dos 30 melhores. Há outro português numa lista de 30 melhores, mas não é no futebol. Atenção, a bola aqui é mais pequena.

Mais pequena.

É no ténis.

É muito divertido.

E isso é uma grande viragem, ter um português entre os 30.

O ténis é um grande desporto.

Eu também, mas ter um português entre os 30 melhores é mesmo bom. É eu o culpado.

É a segunda vez.

É a segunda vez. Desta vez é Nuno Borges, o tenista maiato. Tornou-se ontem o segundo português a entrar no top 30 do ranking ATP, depois de, em 2016, João Sousa, tenista vimaranense. Eu gosto sempre destas coisas.

Não, maiatos.

O tenista maiato. Depois há o João Almeida, o ciclista, que é o ciclista de A dos Francos. Ou A dos Francos.

A dos Francos. Como é isso? É Franquista? A do frangueiro.

A do Franquista.

Da capoeira.

Olha, não insultes as pessoas de A dos Francos. Isto pode dar problemas.

Não é isso.

O João Sousa, em 2016, chegou ao lugar 28 do ranking. Até hoje é a melhor classificação de um tenista luso. Nuno Borges, que na semana passada chegou à quarta ronda do Open dos Estados Unidos, em que foi derrotado por Daniil Medvedev, ocupa agora precisamente o 30º lugar, que é, claro, a sua melhor classificação de sempre. Isto num ano que já era histórico para o tenista maiato, por ter conquistado o seu primeiro torneio ATP em Bastad, na Suécia, numa final contra Rafael Nadal. No topo da lista do ranking, permanece o vencedor do Open norte-americano, o italiano. Jannik Sinner, já no ranking feminino. Iga Świątek, polaca, mantém a primeira posição, mesmo não tendo sequer chegado à final do último Grande Slam do ano. Aryna Sabalenka, que ganhou o Open dos Estados Unidos, é a segunda.

É a segunda. Olha, vamos lá. Não chegou na pergunta do dia.

Não chegou. E por que o sistema de pontos é complicado, porque depois tens que defender os pontos que conquistaste no ano passado.

Olha, vamos responder à pergunta do dia: quantos portugueses já ganharam a Bola de Ouro?

Três, pumba. Três toques, três portugueses: Eusébio, Luís Figo e Cristiano Ronaldo.

Luís Figo.

Luís Figo, que nunca ganhou a Bota de Ouro.

A Bota de Ouro.

Muito bem, está feito o Três Toques de hoje com o Bruno Vieira Amaral. Daqui a pouco vamos conhecer o tema do Contracorrente.