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"Ninguém para o Benfica." Era nisso que estavam a pensar, não era? Mas hoje não vamos falar de bola, mas do senhor George Roy Hill, realizador do filme que popularizou esta música, foi o filme "A Golpada".

Já tinhas prometido esta história para hoje, mas antes de continuarmos com a história do realizador, que hoje faria 101 anos, podemos contar a história desta música intitulada "The Entertainer" e escrita em 1902 pelo compositor de ragtime, Scott Joplin. Nos anos 70, os americanos redescobriram a música daquele período e o filme "A Golpada", com esta adaptação de Marvin Hamlisch, deu uma ajuda.

Marvin Hamlisch, que é uma das poucas pessoas no mundo que é EGOT, ou seja, que ganhou um Emmy, um Grammy, um Oscar e um Tony. Mais, ele é PEGOT, porque também ganhou um Pulitzer.

E mais, ele é PEGBOT, porque além de ganhar um Pulitzer, um Emmy, um Grammy, um Oscar e um Tony, escreveu uma das canções de James Bond, esta que é a preferida do Bruno.

É a melhor de sempre. Carly Simon.

Carly Simon. Já tivemos esta conversa, pai, tantas vezes.

Pois é. Vale sempre a pena repetir. Hamlisch ganhou dois Oscars, não foi com esta música. Ganhou para melhor banda sonora original e um deles foi com a banda sonora de "A Golpada". O filme que juntou, uma vez mais, a dupla fabulosa Paul Newman e Robert Redford, que já tinham participado no outro filme de George Roy Hill, "Dois Homens e um Destino".

De resto, esse foi o primeiro grande sucesso da carreira de realizador de Roy Hill. Foi o filme com maiores receitas de bilheteira nos Estados Unidos em 1970 e obteve sete nomeações para os Oscars, incluindo a de melhor realizador, que George Roy Hill perdeu dessa vez.

Mas haveria de ganhar três anos depois, com "A Golpada". Essas foram mesmo as únicas nomeações do realizador. Apesar de ter continuado no activo durante muitos anos, nunca mais alcançou um nível idêntico de sucesso e de reconhecimento.

Outro facto curioso é que ambos os filmes ganharam o Oscar de melhor banda sonora original, "Dois Homens e um Destino", ainda lhe juntou o Oscar de melhor canção original, esta escrita por quem, Bruno?

Isto é aquele senhor que nós todos gostamos muito de dizer o nome. É o Burt Bacharach e é interpretada pelo senhor B.J. Thomas. Este senhor, B.J. Thomas, que depois se converteu ao cristianismo e passou a fazer música edificante. Uma categoria que é para fazer com que as pessoas se portem bem. Uma categoria na qual podemos incluir esta canção, que é do genérico da sitcom Growing Pains, que em Portugal eu creio que se chamou "Tudo em Família", mas já não tenho a certeza. Eu pedi ajuda no meu Facebook. Se alguém se lembrar do título em português de Growing Pains, por favor, pode mandar também um e-mail para observador@observador.pt.

É ouvinte@observador.pt.

Mas lembram-se dessa série ou não? Tinha o Kirk Cameron, que na altura era um ídolo das adolescentes e que entretanto também se tornou um cristão renascido, que diz coisas como: "A homossexualidade corrói os pilares da sociedade" ou qualquer coisa assim.

E nessa série, o papel do pai era desempenhado pelo ator canadiano Alan Thicke. Se o apelido vos lembra alguma coisa, lembra muito bem, porque Alan Thicke era o pai de Robin Thicke, o músico que escandalizou o mundo com esta música. Se calhar foi mais com o vídeo, não?

Quer dizer, disseram também que a letra era assim.

É plágio?

Não, eu acho que também alguém disse isso. Mas acho que alguém o acusou de ser um incentivo à violação.

Não sei, está lá "am, rata".

Pois, e ela também se queixou dele. Depois disse que foi tocada inapropriadamente pelo Robin Thicke.

Ainda por cima estava sem roupa, é normal que qualquer toque fosse um bocadinho inapropriado.

Eu não sei se escandalizou assim tanto, mas foi uma daquelas músicas que se estava em todo lado, como esta.

Judite, diz-me só uma coisa, sabes tocar isto no piano?

Esse teste toda a gente sabe tocar isto no piano, se quiser.

Eu não.

Voltámos à "A Golpada".

Estavas perdida.

Estava um bocadinho perdida. Muito bem, já dissemos que o filme valeu a George Roy Hill a sua segunda nomeação e o único Oscar que ganhou. O filme ganhou sete Oscars, mas os protagonistas não tiveram tanta sorte. Robert Redford ainda esteve nomeado para melhor ator, mas Paul Newman, nada, nem sequer a nomeação teve.

Isso é sempre injusto.

A academia não gostava muito do Paul Newman, que só ganhou o Oscar de melhor ator em 1987, creio, com "O Cor do Dinheiro", de Martin Scorsese, e Robert Redford, que nunca ganhou o Oscar de melhor ator, ganha o Oscar de melhor realizador com o filme "Gente Vulgar". Eu já aqui vos falei da história desta música da Johanna Spybelell Se já falei, eu não vou voltar a falar. Eu acho que não falaste, mas como é que isto caiu aqui aos trambolhões? Porque esta música é do Gente Vulgar. Da banda sonora. E tornou-se muito popular nessa altura. Ok. E se se lembrarem, há uma música dos Maroon 5 que pega nesta música. Sim. Ok. Vamos voltar à carreira de George Roy Hill, que só fez mais um filme com relativo sucesso. Foi em 1982, com a adaptação do romance de John Irving, "O Estranho Mundo de Garp". O filme tinha Robin Williams como protagonista e sim, Robin Williams ganhou um Oscar anos depois e marcou a estreia de uma atriz fora de série, Glenn Close, e que ostenta esse recorde invejado de atriz com mais nomeações para o Oscar, sem nunca ter ganho. "O Estranho Mundo de Garp" valeu-lhe a primeira nomeação e depois teve mais sete com "Lamentos de uma América em Ruínas", também "A Mulher", "Albert Nobbs", " Ligações Perigosas", "Atração Fatal", em que cozia um coelhinho branco numa panela, "Os Amigos de Alex" e ainda "Um Homem Fora de Série", em que contracena ao lado de Robert Redford. Porque isto está tudo ligado. É uma injustiça que uma atriz como Glenn Close nunca tenha vencido um Oscar, ela que já tinha uma carreira prestigiada no teatro antes de se estrear no cinema com esse filme, "O Estranho Mundo de Garp", e que tem uma voz extraordinária e que poucos conhecem. É verdade, ela canta maravilhosamente e por isso para a despedida, vamos ouvi-la no papel de Norma Desmond, na adaptação musical de Sunset Boulevard, feita por Andrew Lloyd Webber.