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É isto mesmo, Mike Oldfield com "Tubular Bells". O melhor filme de sempre estreou há precisamente 49 anos. Foi a 26 de dezembro de 1973, que os espectadores entraram em pânico com a história de uma menina possuída pelo Diabo. "O Exorcista", adaptação do romance de William Peter Blatty, ainda hoje é um dos raros filmes de terror a conseguir a nomeação para melhor filme do ano e pode não ser o melhor filme de sempre, é verdade, mas é sem dúvida um dos meus preferidos.
E nomeações não lhe faltaram, incluindo para melhor ator, melhor atriz, melhor atriz secundária, a impressionante Linda Blair, que nos convenceu mesmo que era uma rapariguinha com o Diabo no corpo.
Ao contrário do realizador, William Friedkin, que queria ver o filme lançado antes do Natal, a produtora optou por lançar já depois do Natal, para evitar polémicas ainda maiores. Natal e possessões demoníacas não eram o casamento mais desejado e, além disso, a produtora não tinha grandes expectativas quanto ao possível resultado de bilheteira.
Os filmes de terror geralmente apelavam a um nicho e mesmo quando saltavam as barreiras dos fãs deste género, nunca eram sucessos arrasadores. Mas com o Diabo as coisas são diferentes e ao fim de um mês a Warner Brothers percebeu que tinha em mãos possivelmente o maior sucesso da história do estúdio. O anterior recordista, para terem uma ideia, era "My Fair Lady". Não podia haver dois filmes mais diferentes.
Muito diferente. Era também o filme que ultrapassou "O Exorcista", quer em bilheteira, quer nos Oscars. Não sei se se lembram, mas falámos dele na semana passada.
Era "A Golpada" e vistas as coisas desta maneira, eu digo que foi uma das maiores injustiças dos Oscars. "A Golpada" envelheceu muito mal e "O Exorcista" está cada vez melhor. Cada vez, não digo porque em 2000 foi lançada a versão do realizador e o filme não ganhou grande coisa com isso. Mas está cada vez melhor a versão original, aquela que foi para os cinemas em 73. Para mim, toda a gente que entrou no filme devia ter ganhado um Oscar.
Ellen Burstyn, que fazia o papel de mãe atormentada, ganhou, mas foi no ano seguinte, pelo papel principal no filme de Martin Scorsese, "Alice Já Não Mora Aqui".
"Alice Já Não Mora Aqui" abria com esta canção dos anos 40, "You'll Never Know", mas lá vamos. Dizer que o filme é de Martin Scorsese não explica bem a história, porque foi a atriz Ellen Burstyn quem levou o guião à Warner Brothers, porque queria fazer um filme sobre mulheres reais, mulheres que tivessem vidas e ambições de mulheres normais, o que também não era assim tão habitual em Hollywood.
O estúdio lá deu luz verde ao projecto e perguntaram à atriz se tinha ideia de quem poderia realizar o filme. Burstyn aconselhou-se junto de Francis Ford Coppola, que lhe sugeriu o jovem realizador do filme "Mean Streets: Cavaleiros do Asfalto".
A atriz gostou, porque considerou que um realizador mais novo e ousado, como Scorsese, era o ideal para contrabalançar os elementos melodramáticos, telenovelescos do filme e a experiência correu bem para a atriz, que ganhou o Oscar, e para o realizador, num dos raros filmes da carreira em que a protagonista é uma mulher.
E voltamos à canção que estamos a ouvir, "You'll Never Know", que aqui é interpretada pela atriz Alice Faye. No filme "Alice Já Não Mora Aqui", a protagonista sonha em ser uma nova Alice Faye. E quem foi Alice Faye? Foi uma atriz e cantora conhecida, acima de tudo, pelo filme "Meu Coração Canta", onde o coração dela cantava esta canção, que acabou por vencer o Oscar de melhor canção original em 1943, sucedendo a "White Christmas". Ainda está na época ou já está fora de época?
Não, ainda é Ano Novo, pode ser.
Pode ser? Ok.
Até aos Reis, acho eu.
Ah, e até aos Reis.
Quem fazia par com Ellen Burstyn em "Alice Já Não Mora Aqui" era o ator e cantor Kris Kristofferson, que dois anos depois entrou no remake do filme "A Star is Born", com Barbara Streisand, intitulado "Nasceu uma Estrela". "Assim Nasce uma Estrela" é o título das outras versões desse filme. Das quatro versões do filme, esta, com Barbara Streisand e Kris Kristofferson, foi a única em que os atores principais não foram nomeados para melhor ator e atriz principal. Em compensação, o filme venceu o Oscar de melhor canção com esta evergreen, nas vozes de Streisand e Kristofferson.
A versão mais recente deste filme está na memória de todos. Lady Gaga e Bradley Cooper foram nomeados para melhor atriz e ator e não ganharam, mas a canção do filme limpou o Oscar.
Por último, vamos homenagear Linda Blair, a eterna Regan McNeil, que nunca mais se conseguiu livrar da personagem e do filme, de "O Exorcista". Esteve nomeada nesse filme para melhor atriz secundária, mas depois nunca mais fez um filme com um impacto semelhante. Perdeu o papel em "Taxi Driver", que acabou por ir para Jodie Foster, e também em "A Lagoa Azul", o papel que acabou por ficar com Brooke Shields. Suspirei agora um bocadinho. Conhecida pelo activismo em prol dos direitos dos animais e pela divulgação de um estilo de vida vegano, Linda Blair esteve envolvida em várias polémicas ao longo da carreira, uma das quais em 1977, quando foi condenada por comprar drogas.
Isso aconteceu quando se preparava para estar presente no funeral dos membros da banda Lynyrd Skynyrd, que tinham morrido num acidente de aviação e que eram grandes amigos da atriz.
E é com um dos grandes sucessos da banda que nos despedimos. "Sweet Home Alabama" foi gravada no ano em que saiu "O Exorcista" e lançada um ano depois, em 74. Da história da canção, uma resposta musical a outra canção de Neil Young, já aqui falámos. Desta vez é só mesmo para a ouvirmos.