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Ontem estávamos aqui a falar desta música, "Jingle Bell Rock", que tem uma história muito interessante e muito pouco natalícia.

A canção foi lançada originalmente em 1957 por Bobby Helms. É a versão que estamos a ouvir agora, mas quem a compôs foram os senhores Joseph Carlton Beal e James Ross Booth. Quer dizer, isto era o que eles diziam, porque o intérprete Bobby Helms e o guitarrista que o acompanhou nesta gravação, Hank Garland, não concordavam, diziam que a canção era deles.

E ainda é mais complicado do que isso. Eles reconheceram que a canção original, intitulada "Jingle Bell Hop", era de Beal e de Booth, mas que depois tinha sido tão alterada que já não tinha nada que ver com esse original. Eles fizeram uma espécie de tuning à canção e diziam que o resultado final estava muito longe da criação que lhes tinha chegado às mãos e queriam ser pagos em conformidade.

Porque a canção não só foi um sucesso na altura em que foi lançada, como depois disso se tornou um dos clássicos de Natal, daquelas canções que quando chegamos a dezembro se tornam omnipresentes. Por exemplo, esta também.

Queres o refrão, não queres?

Só um bocadinho do início.

Vamos lá. Acho muito triste esta canção, Bruno. Eu acho esta canção muito triste. Fico triste ao ouvir esta canção. Mas olha, outra das virais nesta altura é esta aqui.

Sim, eu acho que esta até se calhar é mais tocada, embora, segundo a minha douta opinião, o "Jingle Bell Rock" seja uma música mais fresquinha, apesar de ser mais antiga, é porque não está tão rodada, não passa tantas vezes.

Deve ser isso.

Às vezes já dou por mim a suspirar quando oiço a minha adorada Mariah. E agora lembrei-me que alguns dos nossos ouvintes podem ter acabado de perder o desafio, o Womageddon. Sabem o que é, não sabem? É aquele desafio de se atravessar todo o mês de dezembro e a quadra natalícia sem ouvir o "Last Christmas" dos Wham!

É impossível.

É verdade, que interessante. Então vamos lá passar mais uma vez. Estava a brincar, não vou fazer isso. Senhor ouvinte, não mude de estação, por favor. Para aqueles que foram apanhados de surpresa e perderam o Womageddon, para o ano há mais.

E voltemos então à história do "Jingle Bell Rock", porque hoje trouxemos aqui esta canção por um motivo especial. Não foi por termos falado dela aqui entre nós ontem, nem é por estarmos quase a chegar ao Natal. É porque hoje faz anos o argumentista Shane Black.

Ok, duas perguntas então: quem é o Shane Black e o que é que ele tem que ver com esta música de Natal?

Duas respostas, Vanessa. A primeira resposta à primeira pergunta é que isso é uma heresia. A segunda é que, já vamos lá. Shane Black, de seu nome verdadeiro, Shane Black, é um rapaz da Pensilvânia que escreveu alguns dos melhores filmes da história do cinema de ação. Foi ele que escreveu "Arma Mortífera", "A Fúria do Último Escoteiro" e "O Último Grande Herói". Estão a ver aquele filme com o Schwarzenegger, em que ele é herói dos filmes de ação?

Que não correu muito bem, não é? Financeiramente falando.

Não correu, não. Foi um fracasso mesmo. Mas talvez isto ajude a lembrar o filme a quem não se lembra dele.

Até lembro-me de ver isto no cinema. É um filme de cinema.

Mas eu gosto deste filme.

Eu também. Tem aquele ator, o mau, que tem aquele lente de contacto.

É o Charles Dance.

É o Charles Dance. Adoro esse ator.

Que entrava no "Menino de Ouro" com o Eddie Murphy. Bem, enfim. Além disso, Shane Black deu um jeitinho no guião de "Predador". Eu continuo a acreditar que foi por causa dele que ele funcionou tão bem. E hoje Shane Black faz 61 anos e como gostamos de dar os parabéns aos nossos heróis, foi este o pretexto para falarmos dele.

Mas ainda não explicaste o que é que uma coisa tem que ver com a outra. Ou como é que uma coisa, a canção "Jingle Bell Rock", leva a outra, ao argumentista de "Arma Mortífera" que faz hoje anos.

A resposta está na tua pergunta, Vanessa. Qual é a música que se ouve no início de "Arma Mortífera"? É muito fácil, não é?

Ah!

Aí está

Mas é Bobby Helms? É a versão Bobby Helms?

É a versão Bobby Helms.

Ok.

Eu acho que sim. Espero que seja. Ou achas que é diferente?

A voz é um bocadinho diferente, mas eu acho que parece meu.

Isto é mesmo do filme?

É tirada do início do "Arma Mortífera". O realizador foi o muito respeitável Richard Donner, que nesta altura, final dos anos 80, era sobretudo conhecido por ter realizado os filmes do Super-Homem, aqueles com Christopher Reeve.

Um filme que tinha um elenco de luxo com Gene Hackman no papel de Lex Luthor e uma participação especial de Marlon Brando.

Que era o pai do Super-Homem. Participação muito especial pelos 12 dias de filmagens. Marlon Brando, que então se especializava em pequenos papéis e muito lucrativos, recebeu cerca de 3,7 milhões de dólares e mais uma porcentagem das receitas do filme. Ao todo, pelos 10 minutos em que aparece, Marlon Brando recebe qualquer coisa como 14 milhões de dólares. Isso à hora foi um pagamento muito jeitoso. Nada mal. O tema que estamos a ouvir é da autoria do mago das bandas sonoras, John Williams, e que por esta banda sonora esteve nomeado para os Oscars. Como já tinha ganho dois na altura, por "Tubarão" e "Guerra das Estrelas", a Academia decidiu que ainda era cedo para lhe dar o terceiro e premiou quem? O nosso ídolo George Moroder, pela banda sonora de "O Expresso da Meia-Noite". Eu confesso que gosto de tudo o que George Moroder faz, mas aqui parece-me que as coisas não encaixam muito bem. Eu gosto da música, mas com o filme aquilo parece que não resulta muito bem. Da última vez que vi o filme, fiquei com a impressão que era uma cabeça de zebra num corpo de leão. Ok. Seja lá isso o que for, parece assustador, mas mais assustadora é a banda sonora de outro filme realizado por Richard Donner. "A Mulher Falcão", composta por Andrew Powell, é considerada uma das piores bandas sonoras de sempre. Ouçam e tirem as vossas conclusões. Parece um anúncio de computadores de 1979.

Tem que baixar o som.

Lembram-se da história do filme? É que é um conto medieval. O Nelson disse um anúncio de computadores, a mim parece-me um anúncio de bebidas isotónicas dos anos 80. Lá está, cabeça de zebra em corpo de leão. Melhor, é cabeça de um Boeing 747 em corpo de falcão. É muito estranho.

Que imagem! Mas vá lá, nem tudo no filme era mau.

Não, claro que não. Qualquer filme com Michelle Pfeiffer tem pelo menos uma coisa a favor: a própria Michelle Pfeiffer.

Pois, claro.

Eu não consegui encontrar nenhuma canção natalícia interpretada pela atriz, mas ontem, em off, a Judite sugeriu que fizesse um "A Coisa Leva à Outra" exclusivamente dedicado às versões de "My Funny Valentine". Não é isso que vamos fazer hoje, já não dá, mas podemos deixar a versão interpretada por Michelle Pfeiffer em "Os Fabulosos Irmãos Baker". Agora digam lá que isto não anda mesmo tudo ligado.

"My Funny Valentine, Sweet Comic Valentine. You make me smile with my heart. Your looks are laughable, unpardonable, but you're my favorite work of art. Is your figure less than Greek? Is your mouth a little weak? When you open it to speak, oh, you smile."