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"Fuga para a Vitória" é talvez um dos filmes mais loucamente improváveis da história. Um filme que reuniu o realizador John Huston, então já no ocaso de uma longuíssima carreira em Hollywood, os actores Michael Caine, Sylvester Stallone e Max von Sydow e os futebolistas Osvaldo Ardiles, Bobby Moore e Pelé, todos eles campeões do mundo de futebol. A estrela, se é que havia dúvidas, era o astro brasileiro. Michael Caine até disse que trabalhar com Pelé foi a única razão pela qual aceitou participar no filme. Isso e talvez o cheque recebido. Mas para trabalhar ao lado de Pelé, só mesmo no cinema, porque em relação às qualidades futebolísticas de Michael Caine, o argentino Ardiles disse que eram péssimas, que ele nem sequer conseguia correr 20 metros.

Já o fisicamente mais robusto Stallone começou por dispensar indicações técnicas nos treinos de preparação para o filme e fraturou uma costela. Depois disso, levou os treinos ministrados pela lenda das balizas Gordon Banks mais a sério e lá ficou preparado para defender as redes dos aliados contra os nazis.

Quem sempre reconheceu que só fez o filme por causa do dinheiro foi o realizador John Huston, que na altura era o único elemento ligado ao filme que tinha ganhado um Oscar, afirmou que detestava o filme e tinha boas razões para isso. O filme era péssimo. Era e ainda é. Em "Chinatown", a personagem de John Huston fez a célebre afirmação de que os políticos, os prédios feios e as prostitutas se tornam respeitáveis com o tempo. Já o tempo não fez grande coisa por este, "Fuga para a Vitória", mas tínhamos de o lembrar hoje, um dia após a morte do Rei Pelé.

De resto, os filmes sobre o futebol são poucos e não são grande coisa. E o mesmo quase se pode dizer de outros filmes em que grandes figuras do desporto resolveram fazer uma perninha ou dar uma mãozinha.

Foi o caso do filme que tinha esta música do agora caído em desgraça, R. Kelly. "Space Jam" estreou-se em 1996 e misturava personagens dos desenhos animados como Bugs Bunny e Daffy Duck e jogadores de basquete da NBA, incluindo o que muitos consideram o melhor de sempre, Michael Jordan, e que na altura ainda estava no activo.

O filme também não é dos melhores, mas ainda assim arrecadou 250 milhões de dólares nas bilheteiras, tornando-se o filme sobre o basquetebol mais bem-sucedido da história.

Porém, em "Space Jam", Michael Jordan limitava-se a ser ele próprio. Mas na história do cinema encontramos grandes atletas, alguns dos melhores do mundo, que tentaram a sorte como actores. E aqui encontramos um pouco de tudo. Há aqueles cujos feitos no grande ecrã quase eclipsaram os seus desempenhos desportivos e aqui destacam-se dois. Conhecem esta música? É de "O Exterminador Implacável". Muito bem. Antes de ser actor, Arnold Schwarzenegger era a maior estrela do culturismo. Sete vezes Mister Olympia. Ele foi o Pelé dos músculos e o Michael Jordan do óleo Johnson espalhado pelo corpo. Mas tudo o que fez no cinema depois disso remeteu as proezas desportivas de Schwarzenegger para a gaveta das curiosidades. Outro que foi um dos maiores desportistas da sua época, mas que alcançou ainda maior fama no cinema, foi o campeão olímpico de natação, Johnny Weissmuller, será? Ou para os amigos, Tarzan. Incrível.

Weissmuller, deve ser isso. Ganhou cinco medalhas de ouro nos Jogos Olímpicos de Paris em 1924 e em Amsterdão em 1928. Bateu 67 recordes do mundo antes de se transferir para Hollywood, onde foi o Tarzan mais famoso da sétima arte. Não era bem isto que tu querias, pois não?

Não. Eu agora queria a música do "Onde é que Para a Polícia?" e já vou explicar porquê. Porque as passagens do futebol americano para o cinema, visto estas serem duas formas de entretenimento essencialmente americanas, foram mais frequentes do que as de outros desportos e talvez a passagem com maior impacto até tenha sido a de O.J. Simpson, que teve um pequeno papel no filme "A Torre do Inferno" e depois ainda brilhou nas comédias "Onde é que Para a Polícia?", antes de a polícia se ter perguntado: "Onde é que para o O.J. Simpson?" e "Quando é que Para o O.J. Simpson?"

Outra estrela do futebol americano, embora não da mesma dimensão de O.J. Simpson, que passou pelo cinema, foi Carl Weathers, o inesquecível Apollo Creed dos filmes de Rocky e que tem essa curiosidade de ter contracenado com Stallone e com Schwarzenegger quando os musculosos estavam no auge das carreiras. No caso do antigo culturista, foi em "O Predador", depois ainda participou noutro filme sobre desporto à volta do desporto, "O Maluco do Golfe", uma comédia com Adam Sandler.

Numa comédia, também brilhou a grande altura, literalmente, Kareem Abdul-Jabbar, o basquetebolista que ainda hoje tem o recorde de maior número de pontos na NBA, um campeonato que conquistou, aliás, seis vezes. O filme, como toda a gente da nossa geração se lembra, chamava-se "Aeroplano" e era dos mesmos autores de "Onde é que Para a Polícia?", que escolheram Kareem Abdul-Jabbar, porque no filme catástrofe dos anos 50, intitulado "A Hora Zero", o papel de piloto tinha sido desempenhado por um antigo profissional de futebol americano, Elroy "Crazy Legs" Hirsch. Como o filme dos irmãos Zucker e de Jim Abrahams era uma paródia, trataram de convencer o basquetebolista a alinhar no jogo ou então no filme.

Mas sabes onde é que o Kareem Abdul-Jabbar entra também? Neste novo Glassonian. O Knives Out: Mystery.

Eu adormeci.

Adormeceste antes dessa parte. Imagina, ele aparece numa videochamada e eu não quero estar aqui a enganar.

A spoiler.

A spoiler, mas eu acho que é uma videochamada em que ele fala com o Kareem Abdul-Jabbar e está também aquela atriz do Crime de Isella, que morreu também em 2022.

Ele aparece lá nessa parte? Nessa parte ainda não vi.

É o que saiu agora na Netflix, o Mystery Knives Out.

É o Glass Onion: Knives Out Mystery.

Knives Out, isso. Disse ao contrário. Está lá o Kareem Abdul-Jabbar. Isso devia ser no início.

É o Kareem Abdul-Jabbar.

Eu sei que ainda estavas acordado nessa altura.

Deve ser nos 10 primeiros minutos.

Ainda não vi. Para o final, voltamos a Pelé, que ainda participou noutros filmes, como um dos Trapalhões, e teve documentários feitos sobre a sua vida e a sua carreira, mas agora é para lembrá-lo como músico e cantor.

Porque também foi músico e cantor. Esta canção, escrita pelo próprio Pelé para os Jogos Olímpicos do Rio de 2016, chama-se "Esperança, que é a última a morrer". Já um rei como Pelé nunca morre.

Basta olhar pro horizonte, pra uma nova esperança despontar. Oh, oh! Abre os olhos pro futuro, que outro sol agora irá brilhar. Brasil, Brasil. A chama está acesa e pronta pra incendiar, a alma e o coração. Aqui no Brasil! As nações do mundo prontas pra celebrar. Amor e muita paz. Unidos somos mais. E é um novo tempo que a gente avista. Oh, oh! É o povo brasileiro nessa conquista. Oh, oh! E essa própria gente, nunca desista. Nunca desista. Nunca desista. Senhoras e senhores do mundo inteiro. Sejam muito bem-vindos ao Rio de Janeiro. Cidade maravilhosa, explosão da natureza. Sua gente carinhosa, meu Deus, quanta beleza. Assista sua bandeira, cada um por seu país. E a festa é brasileira pro mundo ser feliz. Somos uma só torcida com alegria e emoção. Que esporte é vida, acelera o coração. Garra, força e energia, isso dá pra ver. De qualquer canto deste planeta. O grito da torcida vai vencer, pode crer. Amor e muita paz. Unidos somos mais. E é um novo tempo que a gente avista. Oh, oh! É o povo brasileiro nessa conquista. Oh, oh! E essa própria gente, nunca desista. Nunca desista. Nunca desista. E é um novo tempo que a gente avista. Oh, oh! É o povo brasileiro nessa conquista. Oh, oh! E essa própria gente, nunca desista. Nunca desista. Nunca desista. No maior show da Terra, vou dizer pro mundo inteiro. Com muito orgulho, como é bom ser brasileiro. Cada um fez sua parte, tá na hora de brilhar. E mostrar pra toda gente o nosso jeito de jogar. Vem gente de todos os cantos do planeta. Milhões de bandeiras enfeitando as janelas. Já tá tudo preparado na nação verde e amarela. Vamos lá, minha gente. Respeitamos a todos, mas vamos acreditar no Brasil.