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Touchdown! Unbelievable!
Este é o Som do Vamos à Bola, o jornal de desporto da Rádio Observador, que hoje tem a edição do Miguel Pina Andrade. Poucas horas antes do jogo de despedida da Argentina de Lionel Messi, Cristiano Ronaldo quebrou o silêncio. Miguel, o capitão da seleção nacional acusa Jorge Jesus de faltar às promessas e de ter uma atitude de "quero, posso e mando".
Uma reação à polêmica que surgiu quase uma semana depois de Cristiano Ronaldo ter abandonado os trabalhos da equipa das Quinas, em Copenhague, na Dinamarca. Através de um comunicado, Ronaldo ordena cronologicamente todos os acontecimentos, desde a eliminação de Portugal no último Campeonato do Mundo, até ao triunfo da equipa das Quinas diante da Noruega. Ora, Ronaldo pede desculpas aos portugueses e aos colegas de equipa e reitera João Lourenço para que a federação o castigue pelos atos cometidos.
Pela primeira vez e na primeira pessoa, Ronaldo afirma que tinha a intenção de abandonar a equipa das Quinas no final do Campeonato do Mundo. Revela que Pedro Proença sugeriu ponderação no passo seguinte e anunciou-lhe que Jorge Jesus seria o homem que iria suceder a Roberto Martínez. Ronaldo encontrou-se com Jesus por duas vezes antes do início dos trabalhos de Portugal com vista aos quatro jogos da Liga das Nações. Ficou definido o plano de jogos de CR7 para esses quatro desafios. Seria titular em dois, iria para a bancada nos restantes. O plano não foi cumprido e Ronaldo acusa Jesus de falhar a promessa ao não entrar no desafio frente à Noruega. Para acalmar os ânimos, houve nova reunião entre Ronaldo e Jesus, já com a presença do presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Pedro Proença. Ronaldo pediu a JJ que dissesse, em conferência de imprensa, que o capitão ama a seleção, que sempre foi exemplar, leal e profissional. Pediu ainda para que o selecionador admitisse o erro de colocar alguém da dimensão de Pelé ou Maradona a aquecer, para depois não o colocar em jogo. Ronaldo ouviu Jesus, não gostou e foi-se embora. Diz que o selecionador falhou nova promessa, teve uma postura incorreta e uma atitude de "quero, posso e mando". Na parte final do comunicado, Ronaldo afirma que errou quando decidiu abandonar o estágio da seleção e pede desculpas aos colegas e aos portugueses, mas reforça que a quebra de palavra tem um impacto definidor. Quanto ao abandono, refere que a consequência do ato deve ser avaliada e punida pela federação, sem qualquer tipo de atenuantes. Já quanto a jogos de despedida, Ronaldo diz que haverá tempo para isso, mas reforça que está na seleção para competir.
O jornalista João Lourenço com os principais destaques do aguardado esclarecimento de Cristiano Ronaldo. Já Jorge Jesus, confrontado pelos jornalistas sobre esta carta de Cristiano Ronaldo, diz que ainda não leu o comunicado.
Viu o comunicado de Cristiano, certamente. Vim de Leiria, estive a ver o jogo vindome de Leiria. Falhou ou não falhou com a sua palavra? Estive em Leiria a ver o jogo da seleção, agora vou ler o comunicado, não tenho nada a dizer.
Declarações de Jorge Jesus, captadas aqui pela CMTV, à porta de casa do selecionador nacional.
E na análise, Miguel, o comentador desportivo Bruno Batista afirma que o comunicado de Cristiano Ronaldo coloca em Jorge Jesus a resolução do caso.
E que agora cabe ao selecionador nacional decidir como vai responder ao capitão da seleção nacional.
Ronaldo volta aqui a deixar a porta entreaberta. Ontem surgiram na comunicação social algumas notícias que davam conta que Ronaldo não voltaria com Jorge Jesus. Eu acho que isso não está explícito neste comunicado. Portanto, Ronaldo deixa aqui a porta aberta. No entanto, deixa o ônus no lado de Jorge Jesus. É Jesus que vai ter que ou desmentir o que está aqui e dizer que não se comprometeu com nada disto, ou ficar calado, dizer que o tema está resolvido e, tal como disse na última conferência de imprensa, que Ronaldo, se estiver em condições, será convocado e voltará.
Análise do comentador desportivo Bruno Batista, em declarações à Rádio Observador.
E Lionel Messi dançou esta madrugada o último tango com a camisola da Argentina. O número 10 despediu-se da Albiceleste com um golo e duas assistências.
Estreou-se dia 17/08/2005, em Budapeste, contra a Hungria. Nessa partida acabaria por ser expulso apenas 45 segundos depois de entrar. 21 anos depois, a despedida estava marcada para o maior estádio da Argentina, o Monumental, casa do River Plate. Os bilhetes esgotaram numa hora e meia e os 85 mil adeptos presentes no estádio escutaram pela última vez a apresentação da maior figura da história do desporto argentino.
Y por última vez, vistiendo la camiseta número 10, nuestro capitán, el máximo goleador de la historia de la Selección Nacional Argentina, la leyenda Lionel Andrés Messi.
O jogo frente ao Benim foi secundário. A noite foi marcada, sim, por muita emoção e muitas homenagens. Lionel Messi assistiu para os dois primeiros gols, primeiro para Otamendi, que também se despediu da Albiceleste. Depois, assistiu também o segundo gol de Nico Paz. O último gol da Pulga com a camisola 10 da Argentina surgiu de pênalti aos 71 minutos e no final do jogo Messi agradeceu a todos por tudo.
É difícil dizer alguma coisa hoje. Há muitas emoções, muitas coisas a passar-me pela cabeça. Obviamente, a primeira coisa em que penso é no meu pai. Só me resta agradecer, tal como disse na carta de despedida. Foi um enorme orgulho para mim defender esta camisola durante todo este tempo, mais de 20 anos Mesmo nos piores momentos que passamos e que eu vivi, nunca deixei de lutar, de dar o meu melhor, de querer estar sempre presente. Não voltar a jogar vai ser uma grande dor. Acreditem que gostaria de jogar para o resto da vida, porque jogar pela seleção da Argentina é a coisa mais bonita que pode acontecer.
Lionel Messi, num dos vários momentos de homenagem que marcaram esta noite. Também o treinador da seleção argentina, Lionel Scaloni, falou. Diz que agora começa um novo ciclo, que tal como Messi, também tem muito talento.
Podemos ser uma grande equipe, podemos ter novos jogadores que vão surgindo, mas essa aura, eu não vi em ninguém na minha vida. Joguei com grandes jogadores, eu disse outro dia, mas o que ele gera, não vi em ninguém, e isso não vai mais existir. Buscaremos novas ferramentas, buscaremos novas coisas, seguramente, mas essa sensação não estará. Então, ter desfrutado disso foi incrível e tocará seguir sem ele.
O selecionador argentino Lionel Scaloni, em conferência de imprensa depois do final do jogo. Sorte a nossa, Carlos, que pudemos assistir à carreira lendária de Lionel Messi com a camisola albiceleste.
Vai continuar a distribuir magia agora em Miami, no Inter Miami. Desde 2005, foram 208 jogos pela seleção argentina, marcou 126 gols e fez 68 assistências.
O que faz de Messi o jogador com mais internacionalizações, o melhor marcador e o que mais assistências fez na história da seleção. A La Pulga jogou seis mundiais, desde a Alemanha 2006 até o Mundial deste ano. Foram 21 gols em 34 jogos. Pela Argentina, o herdeiro do número 10 de Diego Armando Maradona conquistou o Mundial de 2022 e a Finalíssima do mesmo ano, também conquistou as Copas Américas de 2021 e 2024 e pelas camadas jovens ganhou o Mundial de sub-20 em 2005 e a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Pequim em 2008. Foram 21 anos ao mais alto nível e um amor incondicional pela Argentina.
Miguel, vamos fechar ao olhar para as nomeações do Conselho de Arbitragem para a próxima jornada.
Sim, João Pinheiro foi o designado para dirigir o jogo grande desta oitava jornada, o Sporting de Braga x Sporting. Manuel Mota vai estar no VAR. Já o Marítimo Futebol Clube do Porto vai ser apitado por João Gonçalves, com Tiago Martins a partir da Cidade do Futebol. E por fim, Luís Godinho vai a Luz arbitrar o Benfica x Vitória de Guimarães. Também vai ter como vídeo-árbitro Pedro Ferreira.
Fica por aqui o Vamos à Bola de hoje. O Jornal de Desporto da Rádio Observador está de volta amanhã com a edição do Miguel Pina Andrada.