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Olá, bem-vindos à Vici & Suave. O meu nome é Miguel Santos Carrapatoso, sou jornalista e editor adjunto de política do Observador. Tenho ao meu lado o fenome da telefonia portuguesa, o editor da rádio João Alexandre, e as não menos brilhantes Rita Tavares e Inês André Figueiredo. É este elenco de excelência que vai ajudar a explicar uma semana em que a dupla Marcelo e Costa voltou a fazer das suas. Entre recados e recadinhos, o presidente desespera por um plano para desconfinar e vai puxando as orelhas ao primeiro-ministro.
A Páscoa é um tempo arriscado para mensagens confusas ou contraditórias, como por exemplo, a de abrir sem critério antes da Páscoa, para nela fechar logo a seguir, para voltar a abrir depois dela. Quem é que levaria a sério o rigor pascal? É, pois, uma questão de prudência e de segurança manter a Páscoa como marco essencial para a estratégia em curso.
Take it easy. Diria JJ, diz também António Costa. Quem não teve calma e decidiu acabar com a brincadeira foi Rui Rio, que conseguiu convencer finalmente Carlos Moedas a enfrentar Fernando Medina em Lisboa.
Até ao dia 28 de fevereiro, não há apresentação de nome nenhum.
E nos últimos dias houve uma enorme pressão e uma enorme especulação.
Portanto, até dia 28, nada.
E portanto, havendo uma enorme pressão e uma enorme especulação.
A partir do dia 28, não estou a dizer que é logo no dia 1. A partir do dia 1 de março, começaremos a noticiar aqueles que são os nossos candidatos.
Entendemos que deveríamos acelerar a nossa decisão.
Do dia dois e dia três, deu 308. Também não é assim. Está muito avançado, mas não está tão avançado, faltam ainda conselhos muito importantes.
Que eu escolho para Lisboa um advogado que tem alguma visibilidade, uma atividade que tem alguma visibilidade. Mas nunca apareceu na televisão e as pessoas não sabem quem é.
Sim, o engenheiro Carlos Moedas é o candidato do PSD à Câmara Municipal de Lisboa.
A ideia é tentar fazer um brilharete em Lisboa. O resto do país logo se vê. Nós aqui não somos centralistas e temos a ambição de fazer brilharetes em Lisboa, em Coimbra, no Porto e, claro, na cidade que importa, na Póvoa de Varzim. Venha daí a refeição mais deliciosa da política portuguesa. Rita Tavares, começo por ti e tenho uma sopa azeda para provares. Atenção, para fazer um disclaimer, que isto não tem nada a ver com a nossa relação, está tudo bem entre nós e recomenda-se. Serve para falar de António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa. Este plano, qual plano, tem potencial para azedar a relação entre os dois, Rita?
Olha, é uma boa questão. O que é que tem potencial para azedar a relação entre duas pessoas que têm bastantes estratégias para irem picando um e outro e para fugirem aos recados que um e outro vão mandando nas entrelinhas. É difícil acreditar que é desta, porque já são muitos estes azedos de relação entre Marcelo e António Costa, e esta semana surgiu mais este, com Marcelo Rebelo de Sousa a usar uma estratégia que é muito comum nele, que é falar com os partidos e nessas audiências ir passando recados que quer que cheguem cá fora, e eles chegam mesmo. E o que escolheu para passar esta semana foi que este plano de desconfinamento, o tal plano que vai ditar como é que o país vai sair deste confinamento geral em que está desde o fim de janeiro, e pedir que ele seja conhecido o quanto antes. Disse aos partidos que estava algo preocupado por ainda não conhecer nada do plano de desconfinamento. Acontece que depois, o Observador conseguiu ter a informação de que o governo ainda não era desta, ou seja, desta renovação do estado de emergência, que ia divulgar esse plano detalhado sobre o que será o desconfinamento, até porque na cabeça tanto do governo como de Marcelo Rebelo de Sousa, e isso ficou claro ontem na mensagem que ele fez ao país.
Exatamente. Recusa total de experimentalismos.
Sim, e recusa que isso aconteça tão cedo, porque ele próprio diz que é preciso manter o confinamento na Páscoa e que até lá não convém que seja feito um desconfinamento e confinamento e desconfinamento outra vez no espaço de duas semanas ou uma semana e meia, quando é preciso proteger o momento da Páscoa e para que não aconteça aquilo que aconteceu no Natal, que é as famílias juntarem-se e o número de casos voltar a subir e o SNS ficar outra vez totalmente sobrecarregado. Aliás, Marcelo Rebelo de Sousa ontem disse, nessa mensagem, que o número de internamentos em cuidados intensivos ainda está no dobro daquilo que deveria estar. Portanto, já dá uma ideia do que se pode esperar quando atingirmos um determinado número. Ele tem falado em 200, que então podemos começar a pensar em desconfinar, mas que até lá ainda é muito cedo. Portanto, eu acho que, na verdade, eles estão Alinhados, ainda não perceberam.
Precisamente, eu queria pegar nisso para te perguntar o seguinte: de facto, parece que os dois estão alinhados, mas este discurso assertivo de Marcelo Rebelo de Sousa, estes recados, uns mais privados, outros mais públicos, como foi ontem a declaração ao "País".
Ontem houve muitos.
E houve muitos. Não será uma forma de Marcelo pressionar muito o governo dizendo que agora é o tempo de assumirem as responsabilidades?
Claro que sim. E sobretudo se te lembrares que Marcelo começa agora no dia 9 o segundo mandato e ele no discurso de reeleição, no dia 24 de janeiro, depois das presidenciais, fez uma coisa que foi dizer que ele estava cá para mais, ele queria ter mais a dizer sobre isso tudo. E ontem, na mensagem ao país, o Rui Pedro depois fez um texto de entrelinhas que podem ler no Observador, das entrelinhas do Marcelo, do que é que o presidente tinha deixado ali de recados e tinha uma questão muito relevante que é o pedido da solidariedade estratégica. E isto para mim é se calhar o maior recado que ele tem, e mais duro, a António Costa nesta mensagem de ontem, que é: eu quero saber o que se está a passar e quero saber com tempo. Dá-me a ideia que se calhar o presidente ainda não sabe, se calhar sabe calendários, mas ainda não sabe mais. Não sabemos se o governo também já sabe tudo o que vai fazer daqui a 15 dias, porque o que tem sido dito é que estão a ser estudados critérios de desconfinamento com os especialistas e que só depois disso se estabelecerá aquilo que se quer fazer. Entretanto, já foram 100 notícias sobre uma realidade muito sensível, que é a das escolas, que interessa a mesmo muita gente, a muitos burgueses do teletrabalho.
É verdade. Consideras-te uma burguesa do teletrabalho?
Sim, olha, eu neste momento estou aqui, por exemplo, com a minha filha ao lado, que está a fazer a tabuada dos cinco. Enfim, é isto. E estou aqui a aburguesar-me nesta vicissitude.
Deixa-me passar só à Inês André Figueiredo, outra burguesa liberal, para falar sobre esta questão do plano do confinamento, mas colocar aqui a questão no Parlamento. Inês, sei que queres pôr a colherada nesta sopa, mas para falar de outra questão que escreveste durante esta semana.
É verdade, sim senhor. Também azedou um bocadinho no Parlamento, digamos assim, além do desconfina, não desconfina. Parece quase que a história das vacinas no Parlamento desta semana também foi uma espécie de sopa enlatada, digamos assim, há a proposta de grupo de trabalho, depois afinal foi um lapso, já não há grupo de trabalho, até se anunciou que o presidente do grupo de trabalho existia, mas foi tudo muito mal enlatado, daquelas sopas que ficam no frigorífico tanto tempo que já nem sabemos o que lhes fazer. Foi um bocadinho o que aconteceu. O Parlamento demorou tanto tempo a decidir o que ia fazer com este grupo de trabalho, com este plano de vacinação interno dentro da Assembleia da República, que no fim já nem houve solução. Edite Estrela acabou por ficar responsável por fazer a articulação dentro do Parlamento e com as autoridades do plano nacional.
Só para situar os nossos ouvintes. E foi inicialmente apresentada como alguém que ia presidir um grupo de trabalho que afinal não existia, é isso?
Exatamente. No fundo, houve uma conferência de líderes para decidir o que se ia fazer com esta proposta do presidente da Assembleia da República sobre o grupo de trabalho, que até tinha inicialmente sido sugerido pelo PS. No fim, a porta-voz da conferência, Maria Luz Rosinha, sai de lá, apresenta um grupo de trabalho, diz quem é o presidente do grupo de trabalho, neste caso Edite Estrela, e afinal foi tudo um lapso. Ela confirmou ao Observador que tinha havido um erro, que afinal era só uma articulação que Edite Estrela ia fazer com o secretário-geral da Assembleia da República e depois com as autoridades do plano nacional. Ficou tudo muito mal enlatado, digamos assim.
Posso só dar aqui um pequeno achega nesta coisa dos enlatados?
Claro que sim.
Só aqui da burguesia do meu teletrabalho. Posso dar esta achega? Então vá, a burguesa teletrabalho vai pôr esta achega. A mãe da Ana comprou oito latas, cada uma com cinco salsichas. Quantas salsichas tem para cozinhar? Não sei se alguém quer ajudar a resolução deste problema.
É melhor não. Que agora peço-me em matemática.
Eu queria só dar uma achega antes de outra achega.
Vais dar a resposta à minha filha?
Não.
Deixa pensar, vá lá.
Vou deixar pensar. Ainda por causa do confinamento e do desconfinamento e do Costa e do Marcelo. Eu ia lembrar que na reunião do Infarmed de há 15 dias, Costa tinha pedido os tais trabalhos de casa aos especialistas, que acabaram por se transformar nuns maus alunos e que não trouxeram propriamente aquilo que o professor António Costa tinha pedido, e que não sabemos se Costa ficou um pouco aborrecido ou não, ou se simplesmente não tinha nada a acrescentar para não ter falado na reunião do Infarmed. Só que uma nota para ser justa também: o Costa nem sempre falou nas reuniões do Infarmed e até tinha estado algumas sem falar, mas como na semana passada fez esse pedido, esperava-se que pudesse falar normalmente. Isto tudo para dizer que parece que Marcelo também estava à espera que o primeiro-ministro dissesse alguma coisa. Foi pelo menos essa a ideia que ficou num desses recados de que a Rita falava há bocado, que acabam por sair dessas reuniões com o presidente. No fundo, isto para ir ao encontro daquilo que vocês disseram. Não é que eles estejam desalinhados, porque na verdade eles acreditam que não é a altura para desconfinar. Mas no fundo, Marcelo pressionou para que houvesse um plano, o Costa não lhe deu, não quis que houvesse estas tais discussões públicas e acabou por ficar aqui tudo um bocadinho assim. Ainda na mensagem que a Rita referia e que o Rui Pedro Antunes escreveu ontem, eu gostei da parte em que o Marcelo
Enalteceu que é o principal responsável nesta luta de forças. Além desta solidariedade estratégica e institucional que ele pede, foi também mais um recado, Acosta.
Já agora, antes de terminarmos este tema, queria deixar aqui uma chega porque estive-
Eu queria te fazer uma pergunta: se te sentes entalado ou enlatado.
Eu não me sinto entalado nem enlatado. Não sei se o Presidente da República ou o Primeiro-Ministro estão ambos nessa fase e nessa situação. Queria só olhar aqui para a declaração de ontem do Presidente da República, só para dizer isto: precipitações, confusas, contraditória, contraditórios, contraditório, mal entendido, mal entendida, arriscado, prudência, erros. Foram algumas palavras que eu fui colecionando ao longo da declaração do Presidente da República. Na última frase: esperança e sensatos. Eu acho que o recado ficou mais ou menos claro por parte de Marcelo Rebelo de Sousa, de forma mais ou menos resumida. Não sei se querias avançar com outro assunto, Miguel, antes que eu me escarrapateou-se.
Posso pegar na tua deixa. Temos que avançar para a nossa outra sopa. Eu escolhi a sopa da pedra e para citar alguém muito conhecido na nossa praça, da nossa praça jornalística e midiática, eu queria falar da pedrada no charco que deu Rui Rio em Lisboa com a escolha de Carlos Moedas. Rita Tavares, o que te parece esta escolha e esta estratégia?
Eu acho que foi uma pedrada no charco, como diria Tiago Contreras, nosso colega da RTP. Claramente, é uma pedrada no charco porque já ninguém estava à espera. Quer dizer, não sei se ninguém estava à espera, porque Rui Rio estava, de facto, a fazer aqui uma grande-
É verdade que começou por ser avançada essa hipótese, depois o próprio ou alguém muito próximo dele-
Não é propriamente um homem inesperado. Eu não estou a dizer que é um homem inesperado, estou é a dizer que houve aqui um certo suspense que foi feito à volta do nome para Lisboa, como está a ser feito para outras autarquias do país por parte do PSD, mas não se esperava, pelo menos, que fosse assim de repente e numa quinta-feira à tarde que de repente tudo se desenrolasse e que o candidato Carlos Moedas aceitasse o desafio que lhe estava a ser lançado pelo PSD, porque até em conversa contigo, Miguel, a ideia que fomos tendo foi essa, que havia vontade do PSD, mas que ainda não se sabia a resposta de Carlos Moedas. E de repente tudo se desenrolou. Curiosamente, no dia seguinte a Rui Rio ter dito que só depois de 28 é que o PSD daria a conhecer. Eu gosto muito destas, tu sabes.
Eu sei. Eu sofro na pele, isso mesmo. Inês André Figueiredo, tu que tens uma veia liberal também, o que achas que a direita vai achar desta escolha? Fala-se da hipótese da iniciativa liberal vir a apoiar também Carlos Moedas. O CDS já anunciou o apoio, o Chega está fora do barco, mas pode ser uma candidatura interessante desse espaço político à direita.
Pode ser pelo menos uma candidatura que faça esta frente que se falava a Fernando Medina, porque no fundo, se cada um for puxar por si, vai ser muito difícil levar estas eleições a bom porto. Se a direita se juntar toda-
De barco e a bom porto.
Exatamente. Se a direita se juntar toda aqui em prol de Carlos Moedas, talvez isso vá facilitar um bocadinho esta missão. Já agora, deixa-me só dizer uma coisa muito rápido, que eu sei que estamos a terminar. Eu lembro-me de uma frase na entrevista de Rui Rio ao Observador que me ficou assim na cabeça: "Dêem-me o benefício da dúvida, eu sei o que estou a fazer." Pronto, por isso o Rui Rio acabou por lançar assim este nome ainda antes do 28, ainda antes de março, como ele tinha dito. Vamos ver que surpresas é que estão mais guardadas. Acho que nós estamos todos aqui a fervilhar para ver como é que vão ser estas eleições.
É isso mesmo. Nós aqui também sabemos o que estamos a fazer, mas infelizmente estamos a ficar sem tempo nesta primeira parte da Vixi Suave. Temos que interromper para um intervalo. Fique por aí. Na segunda parte teremos um convidado muito interessante. Olá, bem-vindos à segunda parte da Vixi Suave. Temos conosco Nuno Afonso, vice-presidente do Chega e coordenador autárquico nestas eleições muito importantes para o Chega. Nuno, bem-vindo ao Vixi Suave.
Obrigado pelo convite.
Começamos por esta pergunta: já assumiu que o objetivo do partido é ser a terceira força política mais votada. Quer dizer que se o Chega falhar essa meta, André Ventura deve demitir-se outra vez?
Não, até porque quem falou fui eu. Mas não, eu sempre assumi que o nosso objetivo é conseguirmos concorrer a todas as concelhias. Esse é o nosso objetivo.
Mas também disse que era ser a terceira força mais votada nestas eleições.
Esse é um dos objetivos, mas o primeiro é conseguirmos mesmo ir a todas as concelhias.
Mas antes não é um objetivo verdadeiro, é isso? Disseram-no por dizer?
Qual?
Esse da terceira força política mais votada.
Não, não é por dizer, nós temos consciência que isso é possível. Aliás, nas sondagens, neste momento, somos a terceira força política e eu acredito que isso está reforçado nas autárquicas. Isso é a minha ideia e aquilo em que eu acredito.
Mas imaginemos que o Chega não consegue, de facto, ser a terceira força política mais votada, até porque são umas eleições autárquicas, são as primeiras a que o Chega concorre. Isso seria uma derrota para André Ventura e para o partido?
Não. Exatamente por serem as primeiras, eu acho que uma derrota seria nós não conseguirmos ir a grande parte das concelhias e ir a eleições a grande parte delas. Os resultados em si não acredito que seja uma derrota, porque é a primeira vez que estamos a participar.
Claro. O partido está agora a começar a procurar e a selecionar candidatos. Sublinhou recentemente que um dos três critérios a cumprir é não ter cadastro. Por que esta preocupação agora?
Sim, o André Ventura assumiu que ia dar indicações para que se pedisse o registo criminal a todos os candidatos Porque isso é importante para nós. Somos um partido antissistema que lutamos contra a corrupção, contra os poderes instalados e contra os crimes que são cometidos. Não podemos permitir ter candidatos que tenham lesado o Estado de alguma forma, até porque nós sabemos a pressão que a comunicação social faz sobre nós. Uma coisa é o Bloco de Esquerda ter um candidato preso por tráfico de droga, outra coisa é nós. No Bloco de Esquerda ninguém toca muito nisso. É nós que iam nos cair em cima e abrir jornais e manchetes durante semanas.
2019, há dois anos, portanto, o Hugo Guernano foi condenado à pena suspensa de quatro anos de prisão por homicídio simples, por negligência grosseira e foi cabeça de lista ao Porto. O que é que mudou de 2019 para aqui?
Na realidade, não mudou nada. Analisando bem a questão do Guernano, toda a gente sabe aquilo que aconteceu e a injustiça que foi cometida com ele. Portanto, são situações completamente diferentes.
Ainda assim, tem cadastro. Portanto, o que eu pergunto é se vão avaliar caso a caso. Afinal, não é um critério objetivo.
Eu acho que ainda não confirmei se o Guernano era candidato ou não.
Não foi isso que eu perguntei.
Pois, eu sei.
A Inês tinha perguntado se isto era um critério objetivo e se tinha mudado alguma coisa de 2019 para cá, e deu o exemplo do Guernano. De facto, o que está a dizer é que a situação do Guernano era uma situação muito particular. Eu pergunto se vão analisar candidatos autárquicos caso a caso. Afinal, não é um critério objetivo a questão de não ter cadastro.
É um critério objetivo, mas o que nós falamos foi que seria a partir das autárquicas e vamos fazer esse trabalho nas autárquicas. No caso do Guernano, e nessa altura, nós já tínhamos algum cuidado com os candidatos que foram escolhidos e tivemos cuidado. O caso do Guernano, como eu disse, é uma situação completamente diferente, porque analisando bem a questão, sabemos o que se passou na realidade e da injustiça que foi.
Mas outras questões diferentes podem entrar na lista de candidatos do Chega?
Outras questões diferentes, como assim? Se tiverem cadastro, não.
Disse-nos agora que o Guernano era uma questão diferente, mas que em 2019 foi aceite. Apesar disso, foi candidato de lista ao Porto, como sabemos. O que lhe estou a perguntar agora é:
Situações como as do Guernano, não há muitas. Desta injustiça cometida, que eu tenha conhecimento, não há muitas mais. Portanto, é uma situação diferente, sim.
Deixe-me passar aqui adiante para outra questão. Falou em medo e até vergonha a alguns possíveis candidatos aceitarem convites do Chega. Isto era o que estava a sentir do lado das pessoas a quem fazia os convites. Têm levado muitas negas, é isso?
Não, não temos levado muitas negas, felizmente não. Mas sabemos que há zonas, aliás, houve pessoas que já nos disseram isso e que tinham algum receio, mas que aceitaram na mesma. A questão é que em situações como em algumas zonas do Alentejo, nós tivemos, nós não, o André Ventura, que teve uma excelente votação nas presidenciais, há pessoas que de facto disseram que tinham algum medo de aceitar dar a cara, porque têm negócios abertos, têm portas abertas ao público e têm receio de possíveis retaliações.
Sondaram Ana Rita Cavaco, a bastonária da Ordem dos Enfermeiros, para ser candidata à Câmara de Lisboa, mas ela recusou. Ao Observador disse que tinha dois nomes, sobra um, portanto, já tem alternativa?
Não. Eu sou coordenador autárquico nacional e tenho o prazer, por assim dizer, de fazer convites. Eu nunca falei com a Ana Rita Cavaco sobre isso. O André Ventura também não.
Então é mentira? A Ana Rita Cavaco mentiu, é isso que está a dizer?
O que eu estou a dizer é que eu nunca falei com a Ana Rita Cavaco sobre isso. Temos dois nomes para Lisboa ainda, não foram contactados, posso-lhe dizer. Nem sequer sondagens houve ainda, porque estamos em processo de eleições internas e até esse processo estar terminado, embora só haja um candidato, como sabemos, até esse processo estar terminado, não vão haver contactos. Há trabalho feito ainda.
Deixe-me insistir. A bastonária confirmou, disse que tinha havido um contacto feito pelo Chega e que ela tinha recusado. Está nos a dizer que nem o Nuno nem o André Ventura fizeram esse contacto. Alguém pode ter feito esse contacto em nome do Chega?
Isso terão que lhe perguntar a ela.
Muito bem, mas imagino que Lisboa, concelho, no caso, continue a ser um dos grandes objetivos do partido. Acredita que é possível derrotar Fernando Medina e fazer uma coligação à direita em Lisboa?
Uma coligação pós-eleitoral?
Sim, claro.
Eu acredito que sim, acredito que seja possível. Eu acho que até a nível nacional, mais cedo ou mais tarde, a direita chegará ao poder. Da maneira que as coisas estão a correr, e o Fernando Medina, obviamente, está muito ligado a este poder, está muito ligado ao primeiro-ministro.
E não é tarde, ou melhor, o Chega já não devia ter um candidato, se esse é o objetivo do partido, já não devia ter um candidato para concorrer a Lisboa. Já não é tarde?
Nós começámos a trabalhar no processo autárquico ainda em 2019. Portanto, nós temos as coisas bem estruturadas e bem encaminhadas. O facto do candidato ser apresentado ou não ser apresentado, não acredito que seja tarde, acho que estamos na altura certa. As coisas são feitas com o seu tempo certo, passo a passo. Nós somos um partido muito novo ainda, portanto temos que fazer as coisas com alguma estabilidade, alguma certeza daquilo que estamos a fazer.
Sem sairmos aqui da área metropolitana de Lisboa, o Chega sinalizou três alvos: Sintra, Loures e Amadora. Por que acreditam que a agenda do vosso partido terá mais sucesso aqui nestes locais?
Bem, é uma questão de fazer as contas em relação ao que foram os resultados, quer nas legislativas, quer nas presidenciais. Eu estou a ter em conta também resultados das autárquicas anteriores para ver o que são os votos de De direita, de esquerda, de centro, e fazendo esta análise que nós temos estado a fazer, chegamos à conclusão que nesses concelhos teremos mais hipóteses, mas não são só esses. Fora da zona de Lisboa há mais.
Diogo Pacheco de Amorim já anunciou que será candidato a Cascais. O Nuno Afonso já decidiu onde vai ser? Fala-se muito de Sintra. Será candidato a Sintra?
Eu não sei se o Diogo Pacheco de Amorim assumiu alguma coisa. Eu por acaso não falei com ele ontem, vi uma notícia ontem, mas não me parece que tenha sido o Diogo a falar sobre isso.
Então é mentira. Já íamos com muitas confusões em relação aos candidatos do Chega.
Há muita especulação. Eu tenho dito e já disse na primeira entrevista que eu dei sobre as autárquicas há umas semanas. E eu disse uma coisa muito simples, que se manterá, que é: nós não vamos anunciar candidatos até o dia 6 de março. Portanto, tudo aquilo que aparecer na comunicação social até lá não tenham como certo.
Mas é um pouco estranho, Nuno, porque esta notícia foi dada com base numa fonte do Chega.
Pois, isso é o que diz a notícia. Comigo não falaram, eu sou coordenador autárquico, como lhe disse.
É uma notícia dada pela Agência Lusa. E, portanto, está a citar fonte do partido e é mais uma mentira. Há aqui algum receio do Chega em estar já a precipitar estes nomes e estão a travar aquilo que até vai ser verdade daqui a uns dias? O que está a acontecer, afinal?
O que eu sei é que essa notícia saiu, eu vi, recebi, enviaram-me essa notícia. Falam de facto de uma fonte da distrital, se não me engano, acho que é a distrital de Lisboa. Eu falei com o presidente da distrital, ele não sabia de nada, eu também não falei com a comunicação social, portanto, não sei quem será essa fonte.
Portanto, Diogo Pacheco de Amorim não vai ser candidato a Cascais, é isso?
Não sei se vai ou não, mas não está nada assumido ainda, nem vai ser assumido antes do dia 6. Até porque repare, nós temos as concelhias, isto não é um trabalho de equipa. Eu sou o coordenador, mas tenho muita gente que trabalha comigo, e as próprias distritais e as concelhias têm o dever e o trabalho, que estão fazendo com tempo, de procurar os melhores candidatos nas suas zonas. Era muito deselegante da nossa parte estar a anunciar candidatos sem ter primeiro as reuniões com as concelhias e com as distritais. Isso não vai acontecer até ao dia 6 de março.
Isto é apenas uma gestão do calendário interno do partido, já percebemos, porque afinal as notícias que está a dizer que são falsas, podem não ser totalmente falsas, é isso? E é só uma questão de calendário, de formalização e de cumprimento dos rigores partidários na apresentação de candidaturas, é isso?
Sim, Rita, não é?
Sim, exato.
Rita, pode ser uma questão de calendário, eu não sei em relação ao Diogo, mas, por exemplo, repare eu vi uma notícia, não me lembro onde, que eu poderia ser candidato a Amadora. Não faz grande sentido. Uma das nossas prerrogativas para encontrar candidatos é que os candidatos sejam preferencialmente das zonas onde se candidatam, dos concelhos onde se candidatam. E eu nunca vivi na Amadora.
Já viveu em Sintra, não é?
Em Sintra, sim, em Lisboa também, já vivi noutros países também.
Mas aqui há uma questão de vontade pessoal, e nós estamos a lhe perguntar muito concretamente: tem vontade de ser candidato autárquico em Sintra ou não? Se disser que não, não será candidato, ninguém no partido vai obrigar.
O que eu posso dizer é que não serão anunciados candidatos até o dia 6 de março, já disse. Não vou mesmo anunciar, porque é um acordo que nós temos internamente, não vamos falar sobre isso até ao dia 6.
Claro, passemos à frente então. Prometeu de alguma forma vergar, ou nas suas palavras, dobrar o PSD em várias autarquias do país para forçar coligações pós-eleitorais com o Chega. O que é que vai exigir ao PSD para governar?
Em primeiro lugar, a palavra dobrar não foi minha. Devia estar entre aspas e não está, porque não fui eu que disse.
É mais um equívoco.
Mas vai de encontro àquilo que nós pretendemos. Não é propriamente vergar o PSD, mas obviamente vão ter que ser feitos acordos pós-eleitorais, para que possam governar algumas câmaras, para que nós possamos, ou para haver alguma estabilidade em algumas das câmaras, de certeza que precisarão de nós.
Disputar territórios do PCP, por exemplo, será um dos objetivos do Chega?
O nosso objetivo é disputar todos os territórios, sejam de quem forem.
Mas tem sido muito discutida a questão do PCP e do Chega, se o Chega tem ou não capacidade de se intrometer em certos bastiões do PCP. Vão apostar nisso também? É parte da estratégia do partido?
Eu vou ser muito sincero consigo. Analisando bem os números, eu não acredito que nós tenhamos roubado assim tanto eleitorado ao PCP. O que aconteceu é que nessas zonas nós roubamos eleitorado à abstenção. Também algum ao PCP, seguramente, mas roubamos muito eleitorado à abstenção nessas zonas onde o PCP era mais forte. Nós vamos querer disputar essas zonas também, obviamente que sim. O eleitorado do PCP é um eleitorado relativamente conservador em certos aspetos. Portanto, há alguma proximidade ideológica aqui, sim, nesse aspeto conservador.
Há quem defenda que enquanto o Chega depender de André Ventura e não tiver implantação nacional, estará sempre condenado a ser um epifenómeno. Estas autárquicas são fundamentais para o futuro do partido, nesse sentido? São fundamentais as autárquicas?
A questão é fundamental a implantação nacional. Sendo nós um partido antissistema e um partido que quer ser representante do povo e das vontades do povo, que é um bocado aquele conceito de populismo, que é a palavra que às vezes podem nos definir, é um facto que nós queremos representar o povo e ser a sua voz, e para isso temos que ter alguma implantação nacional, temos que crescer em todo lado, em todo o país. Não podemos focar-nos apenas em Lisboa, Porto, Setúbal, Faro, nos grandes distritos
E olhando para um futuro mais longínquo e para uma possível maioria de direita, tem sido um tema muito discutido nas últimas semanas e meses, Rui Rio tem dito que não cederá em nada que fira os princípios do PSD. Ora o Chega tem objetivamente exigências que o PSD rejeita à partida. Se chegarmos a esse impasse, e aqui pergunto-lhe já na qualidade de vice-presidente do partido, o Chega prefere novamente a votos ou vai abdicar das suas bandeiras se chegarmos a um impasse ou a um bloqueio em que a direita não se entende?
Eu creio que o André Ventura já abdicaria de certas bandeiras, mas nós estamos a falar de um cenário de legislativas. Antes das legislativas, o Rui Rio vai ter que ganhar as eleições internas do PSD, que são já para o ano, se não me engano.
São sim, senhora, em 2022, no arranque do próximo ano. Acha que Rui Rio não vai resistir às autárquicas? É isso que nos está a sugerir?
Vamos ver. Isso é um problema deles.
Mas foi o Nuno Afonso que trouxe o tema para cá, não fui eu que lhe fiz essa pergunta.
Eu neste momento estou focado nas autárquicas e o partido está focado nas eleições internas e posteriormente nas autárquicas. As legislativas ainda falta algum tempo, vamos continuar a trabalhar até lá. E depois negociaremos o que tivermos que negociar.
Acha que outra liderança do PSD teria mais vontade de olhar para o Chega como um parceiro viável?
Eu não sei, depende de quem for o presidente. Eu não faço ideia quem é que se vai candidatar aí.
Há muita gente no Chega, incluindo André Ventura, que suspira por um regresso de Pedro Passos Coelho. No seu entender, e aqui pergunto-lhe a sua opinião, Pedro Passos Coelho seria um líder com quem o Chega conversaria melhor?
Conversar melhor é possível que sim, porque eu sei que o André tem uma relação pessoal com o Pedro Passos Coelho, eu conheço. Eu próprio também o conheço. Fui aluno dele.
Foi aluno de Pedro Passos Coelho?
Sim. Como há uma relação pessoal, se calhar conversava-se melhor, mas não sei, depende de quem for o candidato.
Nuno Afonso, vamos avançar para o nosso outro segmento do programa, Carne ou Peixe. Tem de escolher uma e só uma opção. Se não escolher, vai passar fome e olhe que é difícil trabalhar de estômago vazio e, portanto, soltemos a trilha. Preferia ver o Chega num governo liderado por Pedro Passos Coelho ou por Rui Rio? É um bocadinho redundante esta pergunta, mas eu não adivinhava a sua resposta.
É por Pedro Passos Coelho.
Muito bem.
E preferia ser oposição durante mais quatro anos ou Chega no governo, mas sem André Ventura?
Não, eu prefiro ter sempre o André Ventura conosco.
E preferia ir ao ginásio com António Costa ou com Pedro Nuno Santos?
Acho que com o António Costa. É um tipo divertido.
Olhe, Nuno Afonso, estamos a aproximar do fim do nosso programa. Como é hábito na Vício e Suave, o nosso convidado tem o prazer e o privilégio de escolher uma sobremesa, no caso, uma música ao seu gosto, e explicá-la por quê. Que música é que nos trouxe?
Eu escolhi a Man of the Hour, dos Pearl Jam, porque não só é uma das minhas músicas preferidas, talvez não a preferida, mas é uma das preferidas, mas é a banda sonora do meu filme preferido, que é o filme Big Fish, do Tim Burton. É um filme que fala sobre a relação de um pai com o filho e da forma como o pai deixa marcas para que o filho possa seguir a vida de uma outra forma e de uma maneira mais consistente. E ensina-nos também que temos que aspirar a coisas grandes e almejar grandes feitos e lutar e trabalhar por isso. E a música faz-me lembrar do meu pai, que já faleceu há 10 anos e é uma música que me diz muito.
Nuno Afonso, muito obrigado por ter vindo, ainda que virtualmente, a esta Vício e Suave.
Obrigado eu pelo convite.
Obrigada.
Voltamos na sexta-feira, a próxima sexta-feira, aliás, à mesma hora, sempre na Rádio Observador.
Obrigada por ter ouvido este podcast. Se gostou, pode subscrevê-lo, pode partilhá-lo e também pode ouvir a Rádio Observador online em 98.7 em Lisboa e em 98.4 no Porto.