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Olá, bem-vindos à Vichy Suave. Ainda não há governo, a Assembleia da República ainda não está instalada, mas já se instalou a confusão na escolha dos próximos vice-presidentes. Diogo Pacheco Amorim foi vetado ou vai ser vetado pela esquerda e ainda terá irritado mais essa ala do hemiciclo com declarações que teve esta semana.

A nossa cor de origem é a cor branca, todos nós sabemos disso. A nossa raça é a raça caucasiana, como chamam. Cientificamente, há raças distintas e há cores distintas.

Depois do nome Diogo Pacheco Amorim, vamos propor outro, e depois outro. E caso esse nome seja também chumbado e se mantenha uma atitude de boicote, vamos recorrer ao Tribunal Constitucional.

Não será com os votos do PCP que o Chega terá esse lugar institucional.

Eu ainda não falei com o líder do Partido Socialista e com o líder parlamentar do Partido Socialista, com o grupo parlamentar do Partido Socialista sobre essa matéria.

A posição dos partidos não é muito relevante, porque os vice-presidentes são eleitos por voto secreto dos deputados.

Ora muito bem, lá vamos a isto com todo este secretismo, obscurantismo. Está difícil dizer. É obscuro. Eu sou o Rui Pedro Antunes, editor de política do Observador, claramente melhor nessa função do que na realidade. E comigo tenho o jornalista da Rádio Observador e vice-presidente Diogo Teixeira Pereira.

Olá.

Querem vetar o Diogo? Não.

Espero que não.

E as jornalistas da seção de política e também vice-presidentes. Podem ser?

Sim. Se não vetar.

Inês André Figueiredo e Rita Penela. Vai começar, antes que isto piore, a Vichy Suave. Ora bem, vamos então seguir a nossa Vichy Suave com um caldo entornado. Diogo, vou começar por ti.

Boa.

Não sei se é a primeira vez que coabitamos num programa.

Eu acho que é.

É?

Que bonito.

Então olha, bem-vindo.

Obrigado.

Podes me dizer bem-vindo a mim também, por favor.

Bem-vindo, Rui Pedro, também.

Qual é o teu caldo entornado, Diogo?

O caldo entornado desta semana é um caldo que já vem da semana passada e portanto daqui a nada é um caldo azedo, que está relacionado com toda esta questão do vice-presidente da Assembleia da República. Quem diria que íamos discutir os vice-presidentes da Assembleia da República nesta fase? Já se disse quase tudo sobre isto. Já toda a gente teve uma opinião sobre isto. Diz-se que o Chega se vitimiza muito e que isto é bom para o Chega se vitimizar. E eu se calhar gostava de ir por aí, porque, de facto, isto é uma ótima forma de o Chega se poder vitimizar e fazer política da forma como o Chega costuma fazer muito. Há sempre muitos lamentos, muitas queixas. André Ventura, no final da conferência de líderes, até veio mais uma vez queixar-se porque o presidente da Assembleia da República deu uma palavra a Edite Estrela, mas não deu uma palavra a Diogo Pacheco Amorim e que isso não era bonito, que era feio. E, portanto, o Chega usa sempre esta forma de fazer política.

Sabes o que era feio? Era se Fé Rodrigues desse uma palavra a Diogo Pacheco Amorim. Suspeito que a palavra não era muito amigável.

E, portanto, esta lógica da vitimização existe muito no Chega, mas também vamos ser honestos, também não é inédita do Chega. A vitimização é uma tática política muito frequente. Eu até arriscaria dizer que toda a campanha eleitoral foi feita de vitimização. O PSD queixava-se que o PS deturpava as ideias do PSD, o PS queixava-se que a esquerda é que era responsável pelo chumbo do Orçamento do Estado, a esquerda o contrário. A iniciativa liberal queixa-se de que toda a gente se queixa de tudo.

Uma pandemia da vitimização.

Exatamente, é uma pandemia da vitimização. Mas acho que chegados aqui, estamos num beco sem saída, ou melhor, num beco com saída, porque a solução está encontrada, não há forma como isso se resolve. Não é possível isso resolver-se. O Chega pode apresentar os 12 candidatos, eles podem ser chumbados, vamos andar a falar sobre isto durante semanas, mas acho que não há aqui uma saída fácil para isto, porque o voto é dos deputados, ninguém pode obrigar os deputados a votar. Portanto, creio que isto está mais ou menos arrumado. Mas seria também importante, e talvez o nosso convidado de hoje nos possa ajudar a responder esta pergunta, que é: André Ventura diz que se os candidatos do Chega forem constantemente chumbados, vai levar este caso para o Tribunal Constitucional. Mas o que se espera que o Tribunal Constitucional faça? O que é possível? Quais são os caminhos que depois podem seguir daí? E acho que isso seria interessante também de perceber.

Bom, nós já tivemos aqui esta semana na Rádio Observador uma especialista a falar sobre isso e sobre essa dificuldade, porque a questão é que a Constituição fala de facto nos quatro nomes, portanto, é um artigo que está na Constituição sobre essa proposta dos quatro maiores partidos, mas também diz que tem que ser aprovado por maioria dos deputados. Isso também é uma condição sine qua non para que esse vice-presidente possa ser eleito e já tivemos o caso.

E também diz que a mesa pode tomar posse tendo só a maioria. A própria Constituição prevê que-

E aconteceu durante três anos, a Inês também escreveu sobre isso, com Nuno Cruz Açor Cabral, em que foi sucessivamente rejeitado, não pelo nome em si, não pelo partido em si, mas porque Manuel Monteiro tinha criticado precisamente, na altura líder do CDS, existirem muitos cargos e como aquele cargo traz algumas regalias como cargo de vice-presidente da Assembleia da República, então foi chumbado várias vezes e funcionou tudo na mesma. Mas eu ia aproveitar precisamente esta deixa, porque a Inês esta semana tornou-se quase mais especialista que o deputado Duarte Pacheco, que é daqueles deputados a quem se recorre sempre que se quer saber alguma coisa do regimento.

Ou o Pedro Delgado Alves.

Pedro Delgado Alves também é bom, é verdade. E Inês, qual é o teu caldo entornado?

O meu caldo entornado.

Despega-se, desculpa.

Exatamente. Estou a perceber. É exatamente esse. E gostava de ir um bocadinho aqui atrás em relação àquilo que o Diogo disse, porque de facto estas declarações de Diogo Pacheco Amorim aqui na Rádio Observador vieram entornar ainda mais o caldo. Ou seja, se o Chega já estava no centro desta polêmica por causa da vice-presidência, estas afirmações acabaram por ser usadas pela esquerda para justificar ainda mais aquilo que tinham vindo a argumentar, a ideia de que o partido não pode ter uma pessoa sentada na mesa do Parlamento, num lugar tão importante da Assembleia da República. E de facto, como o Diogo dizia, esta história está praticamente contada, até porque ninguém tem escondido propriamente o que vai fazer, mas há aqui três grandes questões: o que diz a lei, a posição da esquerda, e aqui um dos grandes ses será o voto do PS, porque de facto, e também aqui na Rádio Observador, o vice-presidente da bancada parlamentar do PS, Hugo Pires, disse que o seu voto seria contra, mas não se sabe se a posição do PS será essa, até porque esta é uma votação de urna fechada, e depois a atitude que o Chega vai tomar, porque esta ideia de que vai insistir até ao fim a propor o nome dos 12 deputados não vai levar a lado nenhum. Ou seja, se sobre a lei, o regimento diz que as quatro maiores forças políticas podem de facto indicar um nome para a vice-presidência, e assim foi, o Chega indicou Diogo Pacheco Amorim, mas também não diz em lado nenhum que este nome tem de ser aprovado. Se assim fosse, não seria uma indicação, seria uma escolha do partido. E no final das contas, a verdade é que os deputados votam em urna fechada, nem sequer é uma votação de braço no ar, como normalmente assistimos na Assembleia da República, e cada deputado tem o direito a expressar a sua opinião. No limite, se foi a democracia a funcionar por ter deixado o Chega apresentar este nome, também será a democracia a funcionar se este nome não for aceito e, está explícito em todo lado, que a mesa da Assembleia da República pode funcionar sem estes três vice-presidentes.

E será que todos os deputados do Chega vão votar a favor de todos os candidatos para as vice-presidências e para a presidência?

Exatamente, esse também é um ponto.

Podem fazê-lo, mas também podem não o fazer.

Vale para eles, mas não é para os outros.

Não sei, eles até podem assumir que votam a favor de todos.

Nós tivemos-

É secreto, portanto, não saberemos.

Mas André Ventura tem falado muito da tradição. E a verdade é que a tradição tem sido cumprida, mas como o Rui estava a dizer há pouco, o Nuno Cruz Abecasis não seguiu a tradição. E tivemos outros casos, mesmo em relação à presidência, em que a tradição não foi seguida. Ainda há pouco, em 2015, quando o Fernando Negrão foi chumbado, também era tradição ser o partido mais votado à Assembleia da República a ter um presidente na Mesa, e não foi assim. Por isso, esta tradição que André Ventura diz que tem de se manter, não tem. É a tal democracia a funcionar. Se eles quiserem votar contra, terão de votar contra.

A tradição já não é o que era. E forçou até Diogo Pacheco Amorim a dizer uma coisa que não vai ser simpática para André Ventura quando estiver no palco dos congressos a debitar, que é que votou em José Manuel Pureza para vice-presidente da Assembleia. Eu quero ver como é que ele vai justificar aos militantes ter votado em José Manuel Pureza para vice-presidente da Assembleia. Quero ver como é que safa dessa. Na próxima entrevista em que André Ventura vier aqui à Rádio Observador, vamos perguntar: "Então votou em José Manuel Pureza?"

E será que também votou a favor de Vera Rodrigues?

Talvez, mas é uma boa pergunta. Rita Penela, teu caldo entornado. Deixa-me só dizer que nenhum de nós é caucasiano puro, aqui somos pelas cores todas, não temos lápis cor de pele, nada dessas coisas.

Felizmente.

A Vixi Suave é muito multicultural.

Evoluímos um bocadinho. Para quem evoluiu, para quem continua parado.

Penela é de nós quem tem a tez mais...

Avançando.

Foi mais à praia.

É, a pessoa que cresce na praia tem essa vantagem.

São Miguel, terra batosa, é que se safa e não está cá hoje.

É verdade.

Mas para quem não está, e acho que ficou-te muito mal, Diogo, foste o primeiro a intervir neste programa e não tiveste uma palavra para dizer à tua colega que faz anos e que não está aqui sentada hoje, portanto, espero o pagamento desta aposta futura, mas vai daqui um beijinho para a Rita Tavares.

Falhei.

Falhaste, lamentavelmente.

Vão daqui os parabéns à Rita Tavares.

A Rita Tavares é das poucas fundadoras da Vixi Suave que se mantêm historicamente aqui. Acho que, na verdade, sobram três pessoas do painel inicial.

Uma palavra para a tradição.

A tradição cumpre-se, como há sempre aquele momento de envergonhar quem faz anos em direto, hoje cumpri eu essa tradição.

Parabéns.

Exatamente. E o caldo entornado, ou o caldo que já entornou, já não há lá nada, vai ser o PAN. Eu vou virar aqui um bocadinho também para o partido que acompanho mais a nível da editoria. E isto não é a primeira vez, já ouvimos, as críticas parece que voltam todas, e não sei muito bem se em algum momento se vai perceber exatamente o que se passa no partido ou como é que aquilo funciona, no sentido em que sempre que saem, mudam as pessoas e as críticas que surgem são as mesmas. Eu não sei se um partido é feito de pessoas. E à partida, quando as pessoas mudam, alguma coisa há de mudar, mas no PAN não parece que isso aconteça. Quando saiu o Francisco Guerreiro, falava-se de falta de participação, falta de democracia interna, depois saiu Cristina Rodrigues, falta de democracia interna. A resposta do PAN, na altura pela voz de André Silva, era que aquilo era só uma questão de egos e que eram interesses pessoais. André Silva sai para o comboio da paternidade, que nunca se percebeu muito bem qual era o significado disso. Desaparece por completo Volta agora altamente crítico de Inês Sousa Real e da direção atual, portanto, se calhar a transição para o comboio não foi assim uma coisa tão simpática, foi uma viagem comprada para um destino que ele se calhar nem queria muito, e aparece agora, mas sem querer voltar à política, e anda o PAN nesta saga de ver as pessoas sair e acenar sempre com a bandeirinha do "são interesses pessoais e estão todos a prejudicar muito o partido". O que é facto é que os resultados eleitorais, os últimos, quer seja nas autárquicas, quer seja agora nas legislativas então, que são altamente expressivos, de quatro deputados passar para um, mostram que independentemente das pessoas que vão saindo, o partido não cresce e cai. Ontem soube-se que estava a haver movimentações no seio do partido para tentar provocar o congresso que a Comissão Política Nacional não quis, através do convocatório do congresso extraordinário, que quis adiar e que inventou aquela artimanha de auscultar os filiados, que não tem qualquer prazo, não tem qualquer diretriz, pelo menos conhecida, internamente também não há quem conheça ou não está explícito como é que a coisa vai funcionar. E agora os filiados começam a movimentar-se para recolher os 20% de assinaturas que os estatutos do partido de 2018, porque os estatutos que a direção atual implementou e aprovou no último congresso foram chumbados pelo Tribunal Constitucional em dezembro, ficou tudo no segredo dos deuses, até que aqui no Observador conseguimos dar essa notícia já dois dias depois das eleições, porque internamente também não se fez muito eco de que não havia estatutos. Continuou-se a trabalhar, havia pessoas contratadas ao abrigo desses novos estatutos que também continuaram a trabalhar, que agora são despedidas já depois de saírem da direção. Há toda uma dúvida sempre em volta do funcionamento interno do partido, que mesmo quem está lá dentro assume depois que não percebe como é que as coisas acontecem e os resultados eleitorais são aqueles que se viram e de 75% menor representatividade na Assembleia da República na próxima legislatura.

Avançamos então aqui para a tigela sem sopa, uma tigela porque muitos dos animais também comem numa tigela. Diogo, tens alguma coisa a dizer sobre isto?

Eu por acaso agora tinha pensado noutra coisa, mas lembrei-me que durante esta semana tive uma ideia genial e preciso de a dizer aqui para que ela fique registada e publicada.

Só dizeres que ela já é genial.

Mas uma ideia vindo de ti, ideia genial é redundância. Se vier de ti, Diogo, é sempre genial.

Garantido. Muito obrigado, Rui Pedro, por me fazeres essa justiça. Como podes ver, para além de genial, sou também muito modesto. Estão-me a falhar as palavras, este dia está difícil. Tive uma ideia, agora estava a ouvir a Rita e lembrei-me que era preciso falar sobre isso, que é: não sei se já repararam, mas nós depois das eleições ficamos sem direita em Portugal. A direita são 12 deputados que são os do Chega. O PSD é um partido do centro, a Iniciativa Liberal agora também quer ser do centro. Como ninguém quer ficar à direita, eu tive uma ideia muito boa que é: aproveitávamos aqui o comboio da paternidade do antigo líder do PAN e uma vez que ele já não precisa dele, reconvertíamos São Bento, a Assembleia da República, reconvertíamos aquilo num teatro. Acho que aquilo pode ser muito bom para uns espetáculos e púnhamos os deputados todos num comboio da paternidade. Eu acho que duas carruagens do Alfa Pendular são suficientes para isto, que eles ficam todos alinhados uns atrás dos outros e desta forma conseguem não haver direita nem esquerda. Depois se calhar vai ser difícil decidir quem é que fica à frente e atrás. Mas como o Alfa Pendular até anda nos dois sentidos, isto resolve-se. No caminho Lisboa-Porto há uns que estão à frente, no caminho Porto-Lisboa há outros que estão à frente.

Isso teria leituras políticas porque quem tem a pasta é Pedro Nuno Santos e portanto a pasta dos comboios.

Se o comboio da paternidade não estiver disponível, podemos tentar aquelas carruagens Arco que o Pedro Nuno Santos comprou a Espanha.

Espanha, exato. Inês, a tua tigela.

Só vou deixar aqui duas colheradas. Espero que geniais, porque a fasquia está elevada. Não geniais, bastante modestas. Duas colheradas e já agora para o futuro, ver como é que esta questão dos votos dos imigrantes se vai resolver, porque os partidos parece que hoje começaram, inclusive aqui o PAN de quem a Rita falava, mas também já o Livre, começaram a recorrer para o Tribunal Constitucional para que houvesse a anulação dos votos da Europa que foram anulados, ou seja, para que esta opção do presidente da mesa do círculo da Europa fosse cancelada. E depois também para ver como é que vai acabar esta questão do "queria e mudei o Parlamento" com a Iniciativa Liberal para ver se vai estar entre o PSD e o PS ou se é preciso ali um alfa pendular para resolver este assunto.

Grande ideia, essa de onde é que tiraste isso?

Foi aqui um passarinho.

Gosto. Podem ir para as galerias também. Conosco está o secretário-geral e novo líder parlamentar do Chega, Pedro Pinto. Bem-vindo, Pedro Pinto.

Obrigado!

O vice-presidente do Chega, ouvimos aqui há pouco no noticiário, Pedro Frazão foi condenado esta sexta-feira por ter feito um tweet que dizia que Francisco Louçã recebia uma avessa do Banco Espírito Santo e que este banco era um grande doador das campanhas do Bloco de Esquerda. Surpreende-o esta condenação do vice-presidente do Chega?

Em primeiro lugar, boa tarde a todos, muito obrigado pelo vosso convite. Dizer que não me surpreende, até porque a justiça em Portugal, quando é coisas que envolvem dirigentes do Chega, funciona muito rapidamente, ao contrário de outros processos. Portanto, percebemos perfeitamente que a justiça funciona desta maneira. Às vezes, e não é o caso só do Pedro Frazão, às vezes temos esse problema de escrever muito com o coração e muito rapidamente nas redes sociais. Isso acontece-nos um bocadinho a todos. Vamos ver, eu creio que Pedro Frazão irá recorrer também dessa sentença. Não falei com ele ainda. Aliás, soube agora mesmo ao ouvir esta notícia. Vamos ver o que vai acontecer.

Há uma justiça então para os cidadãos comuns e outra justiça para o Chega que é mais rápida?

Há uma justiça muito mais rápida para o Chega. Aliás, vê-se as condenações que André Ventura tem tido.

Mas são os juízes, é o Ministério Público, quem é que tem algo contra o Chega?

Alguém é. Não estou a dizer que têm contra o Chega. Aliás, nós até somos a favor que a justiça funcione rapidamente. Agora, não pode funcionar só rapidamente quando envolve alguém do Chega, tem que funcionar rapidamente quando envolve outros dirigentes políticos e até não só a nível político, mas a nível nacional, qualquer processo.

Precisamente dessas condenações, Pedro Frazão foi agora condenado, enfim, vai recorrer, portanto, isto pode não transitar em julgado, se depois esse recurso

possa ter ou não sucesso. André Ventura também foi condenado no caso da família Costa. Filipe Melo foi condenado a pagar uma dívida. Vai liderar uma bancada de condenados, é isso?

Não. No caso, por exemplo, do Filipe Melo, se o Filipe Melo diz que vai pagar uma dívida, isso acontece a muita gente no nosso país, infelizmente, mas se ele está a pagar, nem há uma condenação, isso é um pagamento, será feito por aí. E não é uma bancada de condenados, bem pelo contrário, é uma bancada que tem muita qualidade. Ao contrário, por exemplo, que eu vinha agora na rádio e vinha ouvir uma comentadora vossa a dizer que a bancada do Chega não tinha qualidade. Não sei onde ela foi buscar essa percepção, porque ainda não se viu a qualidade que a bancada do Chega vai ter ou não, e a dizer que a Iniciativa Liberal é uma bancada de grande qualidade. Também não sei como é que conseguem fazer isso. Aliás, porque os oito deputados da Iniciativa Liberal não têm sido tão expostos mediaticamente como têm sido os do Chega. Isso é uma das coisas que tem que se ver. Em Portugal, já toda a gente sabe quem é que são os 12 deputados do Chega e ninguém sabe quem é que são os oito deputados da Iniciativa Liberal, por alguma coisa é.

Já vamos à bancada parlamentar do Chega, só que uma questão marcada pela atualidade. Tiago Sousa Dias, que saiu esta quinta-feira da direção do partido, que tinha o cargo de secretário-geral, escreveu o seguinte: "Em novembro de 2021 recusei ter um salário no partido." O que lhe pergunto a si, Pedro Pinto, é se tem ou já teve um salário no partido.

Não, nunca tive salário nenhum no partido. Trabalhei com o Tiago Sousa Dias durante um ano, porque somos um partido que temos dois secretários-gerais, um ligado mais à parte política e o outro ligado mais à parte financeira, porque é um trabalho que dá imenso trabalho, ao fim e ao cabo, passe o pleonasmo. Mas sempre tive uma boa relação com ele, sempre trabalhamos bem em conjunto, fizemos uma boa equipa de trabalho. São opções que ele tomou, agora salário, nem ele nem eu recebemos salário nenhum.

Mas nessa publicação no Facebook, onde anunciou que ia deixar esse cargo, Tiago Sousa Dias também disse que, passo a citar: "Não abdico da liberdade de pensar por mim." O Chega não deixava o secretário-geral do partido pensar pela própria cabeça?

Deixava, obviamente deixava, como deixa a mim e eu estou aqui e penso pela minha própria cabeça.

Então por que são estas declarações?

Tem de perguntar ao Tiago Sousa Dias.

Mas já não é a primeira vez que há pessoas dentro do Chega que dizem que não há democracia interna, que não se pode pensar pela própria cabeça.

O Chega foi um partido que cresceu muito rapidamente. E ao crescer muito rapidamente, também todas as pessoas pensaram que podiam emitir só a sua opinião e sem ter que cumprir regras, porque os partidos políticos têm regras, como qualquer empresa, qualquer função. Mas não creio que tenha sido isso com o Tiago. Pelo menos nunca tivemos essa conversa, ele nunca me disse nada disso. Nem nunca sentimos, quer em reuniões de direção, onde toda a gente fala abertamente, onde o Tiago e eu, que não temos direito a voto, porque os secretários-gerais não têm direito a voto numa reunião de direção, mas no entanto dávamos sempre e manifestávamos sempre a nossa opinião. Portanto, não percebo por que o Tiago fará isso, mas nada melhor que falarem com o Tiago e ele certamente que dirá.

A questão Tiago Sousa Dias aconteceu muito por causa das escolhas de André Ventura para as listas de deputados. Foi público que Tiago Sousa Dias queria integrar as listas. André Ventura até o disse. Há uma razão para não ter sido integrado nesta?

Essa é uma pergunta que nunca me pode fazer a mim, tem que fazer sempre ao André Ventura, porque foi ele que escolheu as listas, foi ele que escolheu as cabeças de lista. Certamente havia uma coisa muito importante e que o André Ventura sempre nos transmitiu, foi que o partido não acabaria no dia 30 de janeiro. Ou seja, fariam falta pessoas para trabalhar, não só no Parlamento, mas para trabalhar também a nível do partido. E nós não podemos descurar, e há elementos que estão desde a fundação do partido, caso, por exemplo, do Ricardo Regala, que está desde a fundação do partido e também não foi para deputado e vai continuar a trabalhar para o partido.

Se olharmos para as listas de deputados, a grande maioria da direção está no partido e o Pedro Pinto também foi também.

Inês, foram opções do André Ventura e essas opções são respeitáveis. Eu sempre disse isso. Eu, se não estivesse na lista de deputados, eu no dia seguinte estaria a trabalhar, ou se não tivesse sido eleito pelo círculo de Faro, no dia seguinte estaria a trabalhar pelo partido com as mesmas ganas de sempre.

Já agora, deduzo que não vá responder, mas aconteceu o mesmo com-

É capaz de deduzir bem.

Aconteceu o mesmo com Nuno Afonso, gostava de perceber se também entende o fato de-

Nuno Afonso será chefe de gabinete.

Certo, mas os candidatos a deputados foram, como disse, escolhas pessoais de André Ventura e o líder do Chega falou até em competência e em lealdade. Se Nuno Afonso voltou a ser convidado para esse tal gabinete parlamentar, se Tiago Sousa Dias foi um dos maiores responsáveis pelas alterações jurídicas do partido e com algum sucesso, até no Congresso foram aprovados os novos estatutos. Pode depreender-se que o líder do Chega não considera estes dois dirigentes leais?

Inês, vocês já tiveram aqui o André Ventura e tiveram a oportunidade de lhe fazer essa questão. Portanto, essa questão ficou respondida.

Sim, mas hoje temo-lo aqui a si, que é secretário-geral neste momento.

Mas essa questão tem que ser posta a André Ventura, porque ele é que é o líder do partido e o presidente do partido.

Mas como dizia há pouco, não pensam todos pela cabeça de André Ventura. Portanto, traz a sua opinião e era isso que estávamos a tentar perceber.

Seguimos todos uma linha. Não vou emitir opiniões sobre os deputados, nem sobre a lista de deputados. Para já, foram eleitos 12 deputados. Portanto, posso emitir opinião sobre esses 12 deputados que foram eleitos. Agora, sobre quem ficou de fora, quem deixou de ficar de fora, peço desculpa, mas isso não.

Então foi como substituto nomeado Rui Paulo Sousa, uma das pessoas da confiança de André Ventura. É um sinal que o líder do Chega está a apertar o núcleo duro?

Não, o Rui é uma pessoa que também está conosco desde 2019, princípio de 2020, porque ele ainda foi candidato pelo Lença a Santarém nas eleições de 2019, e sempre provou ser uma pessoa leal, uma pessoa trabalhadora, uma pessoa com competência. Isso é importante também. E depois é uma pessoa que percebe bem de contas, ou seja, lá está, eu continuarei com a minha parte política e precisaríamos de uma pessoa que perceba de contas e saiba tratar disso. E o Rui é uma pessoa à altura para esse cargo.

Falávamos há pouco aqui também da questão da vice-presidência da Assembleia da República e de todo o caso criado à volta desse tópico. Se a esquerda chumbar Diogo Pacheco de Amorim como vice-presidente para a Assembleia, quem é que acha que devia ser o nome seguinte a ser indicado pelo partido?

Diogo Pacheco de Amorim

Portanto, continuarão isso.

Não sei se é isso que o partido irá fazer. Eu acho a pessoa indicada para ser vice-presidente da Assembleia da República, por todo o historial que tem a nível político, até pela idade, até por ser a pessoa mais velha também da nossa bancada. Eu acho que Diogo Pacheco de Amorim daria um belíssimo vice-presidente da Assembleia da República.

Mas há uma estratégia definida no Chega para aquilo que vai acontecer para os próximos tempos?

A estratégia do Chega é simples: o Chega quer aquilo a que tem direito. Está na Constituição da República, inclusive. Ainda há poucos dias, José Manuel Fernandes, aqui no Observador, falava sobre isso. Creio que é o artigo 175 da Constituição, onde está, por plano direito, a terceira força política tem direito a um vice-presidente da Assembleia da República.

Tem direito a indicar o nome para o vice-presidente.

Se os deputados votarem contra, ficará provavelmente vazio. Mas isso seria um mau indicador a nível político. Significa que há aqui deputados que não querem os deputados do Chega, não respeitam 410 mil eleitores que votaram no Chega, e isso tem que ser respeitado. Nós podemos gostar mais ou gostar menos, ou dizer que são pessoas isto ou aquilo. Não é isso que está em causa, mas votaram 410 mil pessoas no Chega e esse voto tem que ser respeitado. E o que se está aqui a fazer é uma falta de respeito a essas pessoas que votaram no Chega.

O presidente do partido, André Ventura, já disse que vai levar o caso ao Tribunal Constitucional. O que é que espera que saia daí?

Nós esperamos que se faça justiça, porque ao fim ao cabo, houve várias medidas que nós propusemos na última legislatura que foram tratadas como inconstitucionais pelo Tribunal Constitucional e até pelo Parlamento. Agora, que nós temos razão, que nós estamos do lado da Constituição. Dizem que não, porque não pode ser.

Mas o que é que pode acontecer? Qual é que é a decisão que querem ter do Tribunal Constitucional?

Não pode haver uma Constituição para quando é contra o Chega e outra Constituição para quando é a favor do Chega. A Constituição é só uma. Nós podemos não concordar com ela, não concordamos. Achamos que a Constituição deve mudar em várias vertentes. Agora, é esta que temos que levar. Não pode haver uma quando é a favor do Chega e outra quando é contra o Chega.

Mas neste caso, o partido até acha que a Constituição está de acordo com aquilo que o partido está a defender neste momento.

É o que diz lá na Constituição.

Mas o que é que espera que aconteça? Que o Tribunal Constitucional decida que o vice-presidente nomeado pelo Chega seja nomeado sem que isso passe pela votação dos deputados?

Teremos que ver como é que será. Agora uma coisa será certa: se a Constituição está assim, se se cumpre a Constituição quando é algo contra o Chega, tem que se cumprir a Constituição quando é algo a favor do Chega.

Acredita que André Ventura votou a favor de Ferro Rodrigues na votação há quatro anos?

Não sei, sinceramente.

Há dois anos, exatamente.

Não, não sei. Sinceramente, não sei.

É que para ser coerente na vontade dos outros deputados aprovarem o vice-presidente do Chega, André Ventura terá que ter votado a favor de Ferro Rodrigues.

Eu julgo que até a nível, não só Ferro Rodrigues, como os vice-presidentes, neste momento, o que estamos a debater é o caso dos vice-presidentes. Eu julgo que se uma coisa que André Ventura é nesses casos, é coerente. E nas reuniões que já falámos sobre isto, sempre dissemos a mesma coisa. Por exemplo, João Cotrim Figueiredo. João Cotrim Figueiredo, vamos votar a favor dele. O nome indicado, quer pelo PS, quer pelo PSD, nós votaremos também a favor. É uma questão de tradição. Sempre foi assim na Assembleia da República. Por que estamos neste momento a mudar a tradição? Porque existe um partido de verdadeira direita na Assembleia. É por isso, é um cerco ao Chega. Isto é como a Iniciativa Liberal. Agora também não queria ficar ao pé de nós, que quer ficar entre o PS e o PSD. Nós também percebemos, porque eles também não são de esquerda nem são de direita. Nós também percebemos o afastamento que eles querem da direita. Isso também não nos surpreende. Aliás, eu julgo que a Iniciativa Liberal só surpreende quem não tem andado na política e diz que a Iniciativa Liberal é de direita. O que não é verdade. Ou seja, tentam afastar o Chega, fazer um cerco sanitário ao Chega, mas tem que aguentar durante quatro anos e nove meses. Vão ter que perceber que o Chega tem 12 deputados eleitos, eleitos por 410 mil votos, e vão ter que levar com eles.

O Pedro Pinto vai votar a favor de todas as propostas de todos os partidos para a presidência e a vice-presidência?

Provavelmente, sim.

Provavelmente.

Provavelmente, sim.

Há aqui características que têm irritado particularmente o candidato a vice-presidente do Chega, Diogo Pacheco de Amorim. Disse esta semana aqui na Rádio Observador, apesar de ter tido um grande destaque também nas televisões, que a nossa cor de origem, a cor branca, e que a nossa raça é a raça caucasiana. Revê-se nestas afirmações?

Eu costumo dizer que às vezes, dentro do Chega, qualquer coisa que nós dizemos é logo empolado com uma perspectiva totalmente diferente. Diogo Pacheco de Amorim certamente disse isso. Eu não ouvi, sou sincero, não ouvi essas declarações, depois vi a polêmica que deu, até a entrevista que fez à SIC.

Ele depois reiterou várias vezes estas afirmações.

É uma opinião, agora pode ser tirada do contexto e depende muito daquele contexto em onde nós queremos inserir esta opinião. Depende muito já de uma conversa.

Não as diria. Se fosse Pedro Pinto, não as diria.

Não, somos pessoas diferentes. É uma coisa boa que nós temos na bancada, provavelmente do Chega, é que somos todos diferentes. Cada um tem a sua qualidade, mas não há nenhum que seja igual ao outro. A maneira de ser, a maneira de expor as ideias. O Diogo fez isso não com a intenção que depois lhe quiseram conotar e com a intenção que lhe quiseram dar. Certamente que não foi essa a intenção.

É que ele nunca se demarcou delas e repetiu-as várias vezes. Portanto, se não tinha intenção, foi muito mau a expressá-las.

É a maneira dele expor.

Deixe-me só colocar a questão: os portugueses têm cor, na sua perspectiva?

Os portugueses têm cor. Têm brancos, negros.

Portanto, nós portugueses não temos uma cor.

Todos os que nasceram em Portugal têm cor. Desde que nascem em Portugal, são portugueses.

Portanto, não é a cor branca, é independentemente disso. Portanto, discorda daquilo que disse o Pacheco de Amorim?

São fait divers.

Não, eu faço a pergunta mesmo de uma forma muito clara. O Diogo Pacheco de Amorim disse: "A nossa cor é a cor branca."

O Diogo Pacheco de Amorim disse dessa maneira. Eu certamente não diria dessa maneira, mas pronto, somos pessoas diferentes.

Esta afirmação serviu de justificação à esquerda para dizer que não estaria em condições de ocupar um cargo institucional como vice-presidente da Assembleia.

Se nós formos analisar o que a esquerda diz, por exemplo, Edite Estrela, não sei se estaria. Se nós formos procurar por aí, o próprio Ferro Rodrigues, se calhar com o processo Casa Pia, com as coisas todas que se passaram no processo Casa Pia, se calhar Ferro Rodrigues também não poderia ter sido presidente da Assembleia da República.

Não foi condenado nesse processo.

Está bem, mas esteve envolvido.

Nem sequer foi.

E às custas.

Quando disse provavelmente sim, quando me respondeu há pouco sobre votar favoravelmente os candidatos, se for Edite Estrela, vai pensar duas vezes.

Pensarei duas vezes, mas talvez vote a favor. Sinceramente não sei, mas é um voto que é livre.

Mas nesse caso a sua opinião sobre a pessoa interessa mais do que a tradição.

Inês, não, é isso que eu ia dizer.

Ao contrário.

É precisamente isso. Eu acho que as tradições são para se manter. Eu sempre fui a favor das tradições em tudo. E se existe essa tradição de quer o presidente, quer o vice-presidente da Assembleia da República, apesar de ser com os votos dos deputados, mas ser eleito, isso terá que acontecer. Sabemos que houve casos, por exemplo, Fernando Nobre, no caso do PSD, mas isso havia uma divergência dentro da bancada do PSD, sabia-se isso. Por isso é que ele não foi eleito como presidente da Assembleia da República. Ou seja, isso é um caso diferente. O que está aqui em causa com o Chega e com o caso Diogo Pacheco de Amorim é totalmente diferente. Apesar de quererem depois colocar a dizer que é igual, não tem nada a ver uma coisa com outra. Não tem nada a ver uma coisa com outra, porque o que se passa neste momento, e vamos ver, se Diogo Pacheco de Amorim não for aceito como vice-presidente, nós vamos lançar outros nomes. E depois vamos ver o que vai acontecer com os outros nomes. Vamos ver se é por causa de Diogo Pacheco de Amorim, se é por causa de serem deputados do Chega.

Mas ainda antes de ser conhecido o nome de Diogo Pacheco de Amorim, já havia vozes da esquerda a dizer que era.

Ora aí está, Inês, é por aí.

Mas ninguém disse que era contra Diogo Pacheco de Amorim. Só houve um aumentar da polémica quando estas declarações vieram a público.

Inês, a diferença é precisamente essa. A diferença entre o caso de Fernando Nobre e o caso de Diogo Pacheco de Amorim, por exemplo, ou o caso do Cruz Abecasis, é mesmo essa. É porque agora é a ideologia. Agora o que está aqui em causa é a ideologia, pura ideologia, mais nada.

Deixe-me só perguntar se essa ideologia e este tipo de afirmações que foram usadas pela esquerda, se concorda que elas podem criar um fosso entre um Chega radical e um Chega mais moderado que poderá existir ou não agora no Parlamento.

O Chega não é radical nem será moderado. Será o Chega, será a linha base do partido, será a linha base que nós traçamos. Temos as nossas opiniões, vamos apresentar as nossas propostas e depois o Parlamento dirá se aceita ou não. Agora, não esperem do Chega uma iniciativa liberal.

Mas André Ventura já admitiu que terá de haver uma moderação, até para conquistar votos, por exemplo, do PSD, que não conquistará se mantiver esta narrativa.

O que é que a Inês por moderação quer dizer, o que é a moderação?

Um partido mais moderado.

A nível de quê?

A nível das propostas que o partido tem trazido.

Tais como?

Por exemplo, em relação à justiça.

Certo. Justiça, prisão perpétua. Existe a prisão perpétua. Em mais de três quartos da Europa existe prisão perpétua. Vocês acham normal, por exemplo, o caso do pai que matou a Valentina, aquela menina que foi morta. Está na prisão a jogar PlayStation. Mas é isto que é a justiça e daqui a uns anos está na rua. Isso é justiça? Poderá fazer a mesma coisa? O caso daquela mãe que mandou o filho aos porcos. Não merece prisão perpétua? Vai ter que sair, depois vem com a história: "Ah, direitos humanos". Bom, direitos humanos. E os direitos daquelas famílias que foram destroçadas, os direitos daquelas crianças que foram mortas, aí não existe? É os direitos humanos da pessoa que matou e que é presa.

Temos que avançar, a moderação do Chega era precisamente em algumas propostas que algumas até podem de alguma forma violar os direitos humanos ou não.

Mas não é a prisão perpétua que viola os direitos humanos.

Ou a própria Constituição e aquilo que está na própria Constituição, que o Chega defende para uns aspetos e não para outros. Mas temos aqui que avançar também, esta semana tivemos uma história também de uma autarca do Chega, de Navente, que tinha sido condenada por comprar material roubado e que foi provado e foi inclusivamente condenada. Devia ser retirada a confiança política esta.

Nós também fomos surpreendidos com essa história, porque como vocês sabem, nós pedimos o registo criminal a todos os nossos candidatos e o registo criminal dessa candidata está limpo. Portanto, fomos apanhados de surpresa. Se eu acho que devíamos retirar ou não a confiança política? Vamos analisar o caso. É um caso que vai levar, hoje mesmo.

Pode ser uma questão técnica, porque às vezes o tribunal julga e demora algum tempo a ir para o registo criminal. Pode ser só apenas isso, mas é um facto que foi condenado.

Certo, mas o que é certo também é que nós tivemos o registo criminal dessa pessoa e estava limpo. Portanto, aí somos surpreendidos, vamos analisar.

Só a propósito isto, cada vez são conhecidas mais pessoas do Chega e vão surgindo estes casos, naturalmente saem, não são conhecidos. O facto de deixar de ser o rosto do partido André Ventura e começarmos a conhecer outras pessoas, isto pode ser um problema para o partido?

Não, há aqui uma grande diferença. Olhe, por exemplo, a Iniciativa Liberal não traz estes casos porque não tem autarcas eleitos. O caso, por exemplo, do Partido Socialista e do PSD, seria importante fazerem a mesma análise que fazem e o mesmo empolamento que fazem quando é um autarca do Chega, que fizessem com autarcas do PS ou do PSD.

E fazemos muitas vezes.

Não estou a dizer ao Observador. Atenção, estou a dizer na generalidade e sabem que é verdade. Vou lhe dar o exemplo de uma coisa que disseram sobre um indivíduo que estava nas listas do Chega e que depois teve aquele problema na Povoa de São Miguel e tudo isso. E as notícias eram sempre autarca do Chega. Autarca do Chega, não, é mentira, ele não foi eleito. Aquilo não foi eleito e dizem que era autarca do Chega.

Era candidato a autarca do Chega.

Era candidato, não era autarca Há aqui uma grande diferença. Era Caída, não era autarca.

Vamos avançar, Pedro Pinto, para a nossa fase do carne ou peixe.

Já vamos para a carne ou peixe, a esta hora já é hora de almoço.

É verdade. Não é só o Observador que faz investigações sobre autarcas de outros partidos e do PSD. Os outros jornais também fazem, não é um exclusivo do Observador.

Não, bem pelo contrário. Aliás, volto a repetir a mesma coisa. Eu acho que o Observador tem sido uma folha a dar fresco em relação a estes pronómios. E acho que têm feito o vosso trabalho, que é o trabalho jornalístico.

O que tu estás a dizer é que os outros jornais também fazem esse trabalho ou estamos só a discutir? Vamos avançar para o carne ou peixe.

Até lhe vou dizer, só 30 segundos. Eu ouvi agora uma espécie de jornalista dizer, num debate numa televisão, no debate onde esteve o Pedro Frazão agora na CNN, uma coisa clara: "Estou a investigar o Chega há dois anos." Então mas agora os jornalistas são ativistas? Há aqui uma coisa que não pode ser. O jornalismo é jornalismo, ativismo é outra coisa.

Naturalmente, o interesse por partidos novos como a Iniciativa Liberal e o Chega é maior.

Mas façam também essa análise à Iniciativa Liberal. Não fazem, eu sei.

E certamente os jornalistas têm que fazer escrutínio de todos os partidos igual.

Sabe que não.

Vamos então avançar para a fase do carne ou peixe. Nem de propósito, quem é que escolhia para vice-presidente do Parlamento, se pudesse, Rui Rio ou João Cotrim Figueiredo?

Ora bolas. Essa é boa, Rui Rio.

E quem é que convidaria para assistir a uma tourada? António Costa ou Pedro Nuno Santos?

Isso era uma bela tourada. António Costa, porque ele já foi a touradas, mas depois quando quis fazer aquilo com o PAN, disse que não gostava.

Estava a falar de jornalistas, se voltasse à função de jornalista, quem convidaria para um programa de rádio? Matteo Salvini ou Santiago Abascal?

Santiago Abascal, claramente.

Se pudesse dar um lugar na bancada do Chega a um membro do CDS, a quem é que daria? Francisco Rodrigues dos Santos ou Nuno Melo?

Nuno Melo.

Muito bem, chegamos assim ao fim do nosso carne ou peixe e vamos avançar para a última fase da nossa refeição, que é a sobremesa. Não sei se isto aqui é mais uma apologia ao líder do Chega, sempre acusado o Chega de ser um partido de um homem só, mas escolheu o homem do leme. Por que foi esta escolha? É homenagem a André Ventura?

É curioso, porque quando dizem que o Chega é um partido de um homem só, está aqui a prova que não é. O Caída, vice-presidente da Assembleia da República, não é André Ventura, o líder da bancada parlamentar não é André Ventura. Portanto, o Chega é um partido de vários homens e mulheres que querem trabalhar por este país. Esta música é uma música que me diz muito há muitos anos, mas que ao fim e ao cabo, acaba por se enquadrar nisto que nós temos pela frente. Temos pela frente quatro anos e nove meses muito difíceis, que vão ser de um governo socialista, uma maioria socialista, e que vão ser extremamente complicados. E precisamos de um homem do leme. Esse homem do leme pode ser claramente André Ventura.

Muito bem, é assim que fechamos mais um programa da Vixi Face com o Homem do Leme. Recusramos na próxima semana às sextas-feiras, como habitual.

Brigar em direito ou buscar demais. E mais que uma onda, mais que uma maré. Tentaram prendê-lo, impor-lhe uma fé. Mas vogando à vontade, rompendo a saudade. Vai quem já nada teme, vai o homem do leme. E uma vontade de vir, nascer do fundo do céu. E uma vontade de ir, correr o mundo e partir, a vida é sempre a perder. Do fundo do mar, já sei os outros, os que lá ficaram. Em dias cinzentos, descanso eterno lá encontraram. E mais que uma onda, mais que uma maré. Tentaram prendê-lo, impor-lhe uma fé. Mas vogando à vontade, rompendo a saudade. Vai quem já nada teme, vai o homem do leme. E uma vontade de vir, nascer do fundo do céu. E uma vontade de ir, correr o mundo e partir, a vida é sempre a perder. Do fundo do horizonte, sopra um murmúrio. Para onde vai? Do fundo do tempo, foge o futuro. É tarde demais. E uma vontade de vir, nascer do fundo do céu. E uma vontade de ir, correr o mundo e partir, a vida é sempre a perder. E uma vontade de vir, nascer do fundo do céu.