Cinema

Três filmes para ver esta semana

Um drama baseado numa história real, um policial sobre livro de Jo Nesbo, filmado na Noruega com Michael Fassbender e a animação "A Paixão de Van Gogh" são as escolhas de Eurico de Barros esta semana.

"O Castelo de Vidro" um filme sobre as vicissitudes de uma família que viveu teimosa e voluntariamente nas franjas da sociedade nos EUA

Autor
  • Eurico de Barros

“O Castelo de Vidro”

Este filme baseado nas memórias de infância e juventude da jornalista americana Jeannette Walls volta a juntar o realizador Destin Daniel Creton e a actriz Brie Larson, depois do excelente “Short Term 12” (2013), só que com resultados menos satisfatórios. Jeannette, as duas irmãs e o irmão passaram, nas décadas de 60 e 70, quando eram pequenos, muitos anos a cruzar os EUA, arrastados pelos pais de casa decrépita para casa devoluta, vivendo em condições lamentáveis. O pai, Rex (Woody Harrelson) era um engenheiro brilhante mas alcoólico, megalómano e obsessivamente anti-sistema, e a mãe, Rose Mary (Naomi Watts) uma pintora excêntrica e irresponsável, que deixava os filhos a gemer de fome enquanto acabava os seus quadros (um dia, esfomeada, a pequena Jeannette foi cozer salsichas e o seu vestido pegou fogo, deixando-a com queimaduras no corpo para o resto da vida).

Embora seja um impressionante testemunho do que significa viver teimosa e voluntariamente nas margens da sociedade num país como os EUA, a fita de Creton atenua muito os horrores vividos pelos pequenos Walls descritos no livro e as marcas que eles deixaram (a irmã mais nova sofreu de perturbações mentais e esteve internada, o que é omitido aqui) não se decide entre a revolta e a indignação da adulta Jeannette por tudo o que ela e os irmãos sofreram, e e o sentimentalismo da fidelidade à família, por pior que ela seja, e apoia-se demais nos clichés do alcoolismo e dos abusos sexuais para criar drama. Além da interpretação de Brie Larson, um destaque especial para a da estupenda Ella Anderson, que faz de Jeannette na infância.

“O Boneco de Neve”

O sueco Tomas Alfredson (“Deixa-me Entrar”, “A Toupeira”) realiza esta adaptação do policial do escritor norueguês Jo Nesbo, o sétimo livro da série protagonizada pelo detective alcoólico Harry Hole, aqui interpretado por Michael Fassbender. Estamos na altura das primeiras neves na Noruega e Hole e a sua equipa investigam o desaparecimento de uma mulher nos subúrbios de Oslo, cujo lenço foi encontrado enrolado num boneco de neve. E relaciona esse pormenor com o caso de um assassino em série que perseguiu anos antes, auto-nomeado O Boneco de Neve, que não conseguiu apanhar e desapareceu sem deixar rasto. A rodagem de “O Boneco de Neve” decorreu na Noruega e além de Fassbender, o elenco inclui também Charlotte Gainsbourg, Val Kilmer, Rebecca Ferguson, J.K. Simmons, Chloë Sevigny no papel de gémeas e Toby Jones.

“A Paixão de Van Gogh”

O inglês Hugh Welchman e a polaca Dorota Kobiela demoraram cinco anos a realizar este filme de animação, a primeira longa-metragem totalmente pintada do mundo, que abraça a tese segundo a qual Van Gogh não se suicidou mas foi assassinado (talvez involuntariamente), expressa pelos seus biógrafos Steven Naifeh e Gregory White Smith num livro de 2011, Van Gogh: The Life. Para animar o filme, que tem actores de carne e osso e usa também tecnologia digital, foram precisos 120 artistas, que pintaram à mão 65 mil fotogramas, usando a mesma técnica e o estilo de Van Gogh. A história é, assim, contada através de dezenas de obras do pintor, protagonizada por pessoas com quem ele privou ou retratou nesses mesmos quadros, e ambientada em locais onde viveu e que fixou nas telas. Van Gogh aparece apenas em “flashbacks” monocromáticos e no final da fita. “A Paixão de Van Gogh” foi escolhido como filme da semana pelo Observador e pode ler a crítica aqui.

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