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Começa aqui mais uma edição do "Boa Moeda, Má Moeda" com o Paulo Ferreira. Paulo, bom dia. Estamos com novos máximos nos combustíveis.
E achas que isso é um bom dia, não é?
Não é.
Pois não é. Segunda-feira de manhã tem sido assim nas últimas semanas.
É recorde, não é?
Valores recorde. De facto, os preços de referência de venda de gasóleo e gasolina nunca andaram por estes níveis. Já tinham ultrapassado os € 2 até aqui há três anos ou quatro, quando foi a subida na sequência da invasão da Ucrânia. Agora já estão nesta casa há algum tempo, mas já estamos com o gasóleo na casa dos 2.23 e a gasolina nos 2.12. De facto, isto já são valores nunca antes atingidos. São preços de referência, é evidente, não há preços tabelados. Vamos encontrar vários postos com preços inferiores a estes, outros também com preços superiores. Mas as subidas desta semana são de € 0,065 para o gasóleo, de € 0,056 para a gasolina, isto já depois do ajustamento do ISP, que o governo reduz quando sobem os preços de mercado. E agora vamos olhar para um depósito de 50 litros. Neste momento, 50 litros de gasolina já custam € 106 e 50 litros de gasóleo custam € 112. E 50 litros nem é um depósito dos mais-
Nem é dos maiores, pois não
...dos maiores.
As empresas de transportes metem muito mais.
Muito mais, sem dúvida. E, portanto, isto pesa já bastante. Há um debate a decorrer sobre o efeito de uma descida do IVA, eventualmente para 13%. Isso baixaria o preço em cerca de € 0,20, se o IVA caísse dos 23 para os 13%. € 0,20 é aquilo que o mercado engole em duas semanas ou três, como temos visto. Mas o Brent continua acima dos $ 100 também, certamente vamos ter que continuar a suportar estes preços durante algum tempo.
Como disse Luís Montenegro, que não se ouve.
Avisou disso.
Claro. Parece que há cada vez mais pessoas a pedir crédito para pagar as suas próprias contas.
É um pouquinho reflexo disto tudo, do aperto que as finanças pessoais sofrem nestes momentos. Porque os ordenados não se ajustam, vão se ajustar, se calhar, muitos deles em janeiro. Para já não se ajustam e há custos que vão aumentando. E aqui falamos dos dados do European Consumer Payment Report 2026, da Intrum. A Intrum é uma entidade que se dedica à recuperação de dívidas, que diz que, de facto, mais de metade dos consumidores em Portugal recorreu a crédito para pagar contas nos últimos seis meses. Isto é um estudo anual baseado numa enquete a 20 mil consumidores de 20 países europeus, Portugal incluído. A este nível, Portugal não está muito fora daquilo que é o retrato europeu. A proporção em Portugal chega então aos 53% de pessoas que contraem crédito para pagar despesas correntes. Na Europa, o número é de 56%. Também os atrasos nos pagamentos estão a subir. 24%, portanto, um quarto, números redondos, dos consumidores em Portugal pagaram pelo menos uma conta fora do prazo nos últimos 12 meses.
Quantos? Desculpa, Paulo.
24%.
24%. Um em cada quatro.
Exatamente. Que é um número substancial, não é residual. Eram 22% no ano anterior, portanto, há aqui uma ligeira subida. Ainda assim, estamos abaixo da média europeia, que aponta 29% a percentagem de consumidores europeus que deixaram pelo menos de chegar uma conta fora do prazo. Ao mesmo tempo, diz este estudo, as famílias estão a adotar uma postura mais prudente. Cerca de 66%, aqui estamos a falar de dois terços, dois em cada três, dizem estar a reforçar as poupanças para fazer face a despesas imprevistas. Isto acima dos 60% registados em 2025. Também é um clássico em Portugal, e parece um contrassenso, mas acontece, que é em alturas de mais crise, mais aperto, isso durante a troika foi visível, a poupança aumenta. Isto é, quem pode poupar, de facto, sentindo o aperto dos tempos, toma cuidados que não toma noutras alturas e vai deixando algum dinheiro de lado. É isso que parece estar a acontecer também.
Amanhã olhamos para outras notícias que mexem com o nosso bolso, com o Paulo Ferreira em Boa Moeda, Má Moeda.