Uma escola sem professores, livros, notas nem propinas. É improvável mas a realidade prova o contrário: em França há uma escola que aposta na formação de jovens estudantes para que estes se tornem programadores de excelência. Instalada num antigo edifício pertencente ao governo, em Paris, a École 42 está totalmente equipada com computadores da Apple e está aberta 24 horas por dia. Fundada pelo francês Xaviel Nell, empresário na área das telecomunicações, esta escola permite que sejam os alunos a estabelecer o seu próprio ritmo de aprendizagem e valoriza o diálogo e a troca de experiências enquanto método de ensino.

Para Nicolas Sadirac, diretor da escola, o objetivo é criar a próxima geração de empreendedores e inovadores. Citado pela PolicyMic, Sadirac explica que a formação académica considerada tradicional não incentiva os alunos a pensar de forma criativa e fora da caixa, já que é um modelo de aprendizagem demasiado mecânico.

A escola não está oficialmente acreditada no sistema de ensino francês e, no final do curso, os alunos não ganham qualquer tipo de diploma. Ainda assim, é mais difícil garantir um lugar na École 42 do que na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos da América. O ano passado, e de acordo com a Venture Beat, um site de notícias sobre tecnologia, 70 mil pessoas candidataram-se ao teste de qualificação online. 20 mil conseguiram completar o teste e, desse número, 4000 foram convidadas para passarem um mês em Paris a fazer exercícios intensivos de programação, durante 100 horas semanais. No final do processo de seleção, apenas 890 estudantes foram escolhidos para a aula inaugural da escola, em Novembro de 2013. A média das idades é de 22 anos e 11% dos estudantes são raparigas.

Por ter financiado o nascimento da escola com uma doação de 70 milhões de euros, não faz parte dos planos de Xavier Nell ganhar dinheiro com a escola. “Eu conheço apenas um negócio, a criação de software”, disse o empresário francês à Venture Beat. “Ganho imenso dinheiro e quero dar alguma coisa de volta ao meu país”, acrescentou. Algumas universidades internacionais já demonstraram o seu interesse no método de aprendizagem da École 42 e Nell e Sadirac consideram expandir este modelo de ensino a outros países.