Foi considerada um sex symbol. Aliás, os primeiros papéis que marcam a sua já longa carreira deveram-se, também, à sua beleza. Jacqueline Bisset continua a ser conhecida, por muitos, pelas cenas subaquáticas protagonizadas no filme O Abismo, de Peter Yates (1977), onde é vista a usar apenas uma camisa e a parte de baixo do biquíni. Hoje, com 69 anos de idade, Bisset permanece uma mulher sem preconceitos: “As mulheres mais velhas continuam a querer ter sexo, mas os homens não querem dormir com elas”, disse ao Guardian.

O comentário, que faz o título do respetivo artigo, não vem ao acaso. O trabalho mais recente da atriz está quase a chegar aos cinemas e promete, no mínimo, surpreender muitos fãs. Em Bem-vindo a Nova Iorque, de Abel Ferrara, Bisset dá vida à esposa de um executivo viciado em sexo, interpretado por Gérard Depardieu. A história tem um fundo de verdade e inspira-se no mediático caso de Dominique Strauss-Kahn. No decorrer do enredo, Bisset é das poucas mulheres com quem o marido escolhe não dormir. Mas enquanto a personagem de Depardieu procura satisfação em mulheres novas, Bisset garante que o desejo sexual não diminui entre aquelas de idade mais avançada.

Trabalhar neste filme levantou uma série de questões para Bisset: quais as vantagens e desvantagens da pornografia, o porquê de casais lésbicos poderem ou não trabalhar como prostitutas e em que momento o sexo se torna num gesto transaccional para um cônjuge desiludido? “Bisset pode ter lidado com uma geração de homens a admirá-la, mas considera que, hoje em dia, a etiqueta sexual está a evoluir a um ritmo difícil de processar”, escreve a jornalista Catherine Shoard, do The Guardian.

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Bisset, que teve quatro companheiros de longa data e tem dois filhos, considera que há homens que conseguem lidar com mais de uma mulher ao mesmo tempo. “Oiço falar de pessoas que tiveram três famílias. Parece extraordinário que elas tenham tido tempo para tal. (…) Não há respeito pelas mulheres. Eu nem sei se esses homens gostam de mulheres”. A atriz comenta que na origem destas situações podem estar pessoas em busca de glorificação pessoal, narcisistas e inseguras. “Nunca estão contentes com aquela pessoa que olha para eles com amor. E confirmam [constantemente] se ela ainda é atraente, especialmente à medida que vão envelhecendo. As mulheres sentem isso”.

Mas este talvez não seja um problema real para a estrela que, nos últimos 30 anos, tem sido vista sobretudo no pequeno ecrã — ganhou um globo de ouro por melhor atriz secundária em miniséries, pela participação em Dancing on the Edge. A atriz garantiu em vezes anteriores que nunca se submeteu a operações plásticas e, ao todo, são mais de quatro décadas de presença em Hollywood sem um retoque que seja. A beleza continua a ser-lhe algo natural.

No entanto, já disse não gostar da sua aparência quando tinha entre 20 e 30 anos e que, à semelhança de muitas mulheres, vivia com vários complexos. Segundo a Today, a atriz de olhos azuis e cabelos ainda longos e morenos não acredita que as operações plásticas façam as pessoas parecer mais novas, mas sim diferentes. “Temos de nos habituar a nós mesmos. Num nível profundo, muito profundo, temos de nos enfrentar e perceber que as pessoas gostam de nós pelo que somos… Levei a minha vida toda [a perceber isto]”.