O encenador Tiago Rodrigues é o novo diretor artístico do Teatro Nacional D. Maria II (TNDM II), anunciou esta segunda-feira o gabinete do secretário de Estado da Cultura. Miguel Honrado é o novo presidente do Conselho de Administração.

Tiago Rodrigues vai suceder em janeiro ao também encenador João Mota, de 72 anos, diretor artístico desde 2011. A secretaria de Estado optou por não reconduzir João Mota, fundador do teatro A Comuna. “O Secretário de Estado da Cultura agradece o empenho e dedicação ao longo de três anos de mandato demonstrados pelo atual diretor artístico, João Mota e pelo atual presidente do Conselho de Administração, Carlos Vargas”, pode ler-se no comunicado enviado às redações.

Tiago Rodrigues é o cofundador e diretor artístico da companhia Mundo Perfeito, onde criou mais de 30 peças, apresentadas em dezena e meia de países da Europa, América do Sul, Médio Oriente e Ásia. No currículo conta-se também a curadoria portuguesa do projeto europeu de laboratório artístico “Try Angle” apoiado pelo Culture Programme da União Europeia.

Para justificar a escolha, a secretaria descreve o encenador como “um dos mais destacados nomes do sistema teatral português”. Recentemente, pudemos ver Tiago Rodrigues como ator na peça “Albertine, o Continente Celeste”, criada por Gonçalo Waddington.

Também o Conselho de Administração tem um novo presidente, Miguel Honrado, que substitui Carlos Vargas. Miguel Honrado, 49 anos, é desde 2007 presidente do Conselho de Administração da EGEAC, a empresa que gere os equipamentos e a animação cultural da Câmara Municipal de Lisboa. Miguel Honrado regressa assim ao TNDM II, por onde passou em 1994 para desenvolver a programação internacional na área do teatro, no âmbito de “Lisboa 94- Capital Cultural da Europa”.

Miguel Honrado mostrou-se indisponível para prestar declarações. Ao Observador, a EGEAC disse não existir ainda “uma decisão sobre quem ocupará este cargo” a partir de janeiro de 2015″.

Como é que TNDM II se pode sonhar daqui para a frente?

Ao Observador, Tiago Rodrigues disse estar “muito feliz e entusiasmado” com o novo desafio. O processo de decisão aconteceu nas últimas semanas. “Foi algo demorado, por um lado porque é um projeto de grande dimensão e um grande desafio, por outro lado implica uma grande reflexão sobe o meu trabalho artístico e o meu percurso”, explicou, confessando também que sentiu, desde o primeiro momento, “um grande entusiasmo”.

“O TNDM II pode ser um projeto muito importante para dar uma grande energia ao tecido teatral português, aos públicos e à relação entre a criação artística e a sociedade”, disse. “Mais do que um espelho daquilo que é a criação teatral portuguesa, que possa ser um agente provocador para os artistas, um espaço em que os artistas possam interpelar o púbico e a sociedade”.

Suceder a João Mota é, para Tiago Rodrigues, “um privilégio e honra extraordinários. Tenho admiração e amizade”. Antigo e novo diretor já falaram e Tiago vai assegurar que a temporada 20014/15, já anunciada, “será integralmente cumprida”.

“Haverá um período de transição e o meu projeto trará mudanças e novidades, uma outra interpretação do teatro nacional, mas os compromissos assumidos serão todos cumpridos com enorme prazer. Em setembro de 2015 começo então a minha temporada”.

Para a nova temporada pode esperar-se experimentação, novos criadores, novas linguagens. Um “diálogo profundo com aquilo que são os projetos absolutamente exemplares que as companhias independentes têm feito em Portugal”. Mas não só. O novo diretor quer assumir o teatro numa escala internacional.

“O TNDM II tem uma missão consagrada na lei. Acredito que será muito estimulante e que posso fazer um bom trabalho nessa missão, acompanhado por uma equipa que eu conheço relativamente bem e que é muito forte”. Os elogios não ficaram só para a equipa que já trabalha no teatro. Para Tiago Rodrigues, Miguel Honrado será “um interlocutor muito importante”, merecedor de respeito e confiança.

Sobre o futuro imediato da companhia Mundo Perfeito, Tiago Rodrigues afirma que ainda precisa refletir. Certo é que, no novo teatro, vai querer continuar “a criar espetáculos, a escrever e a dirigir. E pensar como é que o TNDM II se pode sonhar daqui para a frente”.