Mais de 50 manifestações estão previstas para várias cidades italianas durante a jornada de greve geral, iniciada às 08h00 (TMG e Lisboa) e que termina às 16h00. A greve foi convocada pela principal central sindical de Itália, a CGIL, de esquerda, e a terceira mais importante, a UIL, moderada. A segunda principal central, a UGL, de direita, recusou associar-se a um protesto que considerou contraproducente e defendeu antes “um grande pacto social”.

Os transportes serão o setor mais afetado pela greve, a par de muitos outros serviços públicos. Dezenas de voos foram anulados ou adiados nos principais aeroportos do país, as três linhas de metro de Roma estão encerradas e os restantes transportes urbanos, sujeitos a serviços mínimos, vão funcionar apenas nas “horas de ponta”. Para minimizar os efeitos da greve, o município de Roma abriu o centro da cidade a todos os veículos, e não apenas aos que detêm uma autorização especial, como é a norma na capital.

O principal alvo dos protestos é a lei laboral de Matteo Renzi (socialista), aprovada pelo parlamento na semana passada e que, visando encorajar a contratação, facilita os despedimentos e reduz os direitos e proteção dos trabalhadores nos primeiros anos de contrato. Os sindicatos criticam igualmente o projeto de Orçamento do Estado para 2015, considerando as medidas de relançamento da economia insuficientes.

Desde que assumiu a chefia do Governo, em fevereiro, Matteo Renzi mantém relações tensas com os sindicatos, tendo eliminado a concertação social em várias questões. “O Governo comete um erro ao eliminar a discussão e a participação” dos sindicatos na produção das leis, afirmou Susanna Camusso, secretária-geral da CGIL. “O Governo tem de escolher entre o conflito e o diálogo”, acrescentou.

Na quinta-feira, sobre a greve de hoje, Renzi disse “respeitar muito” a greve geral, mas “não partilhar das suas motivações”, desejando “bom trabalho a quem for trabalhar e boa sorte a quem fizer greve”.

Em outubro e novembro, quando foi confrontado com várias greves, Renzi foi mias duro na reação, tendo afirmado que “o tempo em que as manifestações bloqueavam o Governo acabou” e que “se os sindicalistas querem negociar, devem candidatar-se ao parlamento”.

Com a lei laboral aprovada, a greve geral de quinta-feira, a primeira no Governo de Renzi, terá apenas um efeito simbólico.