O pintor português Luís Rodrigues vai expor uma centena de obras, em três salas da cidade francesa de Avallon, na região da Borgonha, de 04 de abril a 28 de junho, disse o artista à Lusa.

A sala “Les Abattoirs”, de 600 metros quadrados, vai apresentar cerca de meia centena de telas de grande formato, enquanto a igreja romana Saint-Lazare d’Avallon vai dispor de dois espaços para as obras do artista: a sala Saint Pierre, para as peças em cerâmica – que revisitam a arte do azulejo -, e a sala “La Fabrique”, para obras sobre papel.

Nascido em Torres Novas, em 1948, radicado em França desde 1967, o artista plástico regressou nos últimos três anos aos temas que marcaram a sua infância: as praias da Nazaré e os ciprestes de Torres Novas, declinados em pinturas de grande formato, em obras sobre papel e em peças de cerâmica.

“As telas da Nazaré começaram por simples desenhos a lápis. O mais importante da história é a marca de um tempo passado que continua sempre presente, é como uma pegada que o mar limpa mas não anula completamente. O mais importante não é a pegada mas a memória da pegada”, descreveu o pintor, explicando também ter trabalhado as linhas dos tecidos das barraquinhas das praias, em gravuras sobre madeira e em colagens sobre papel.

Quanto a Torres Novas, Luís Rodrigues afirmou ter sido sempre “subjugado pelos ciprestes”, que comparou “aos menires e aos obeliscos, símbolos de poder e de divindade” e que, nos últimos anos, regressaram ao seu vocabulário plástico, como “uma outra maneira de continuar a história da infância”.

No catálogo da tripla exposição de Avallon, o historiador de arte francês Christian Limousin admitiu que se trata de “uma obra difícil de etiquetar”, considerando que, “em certos aspetos, se aproxima do expressionismo abstrato, em outros, do paisagismo abstrato ou do abstracionismo lírico” e até mesmo do barroco, “pelo imprevisível, pela tensão permanente, pelas oposições brutais, pelos contrastes contundentes e pela busca constante de ritmo”.

Luís Rodrigues contou à Lusa que trabalha paralelamente sobre tela, papel ou madeira, passando do desenho, aguarela e pintura, à gravura, colagem, cerâmica ou escultura, testando constantemente novas possibilidades com os materiais, entre tintas, carvão ou alcatrão.

A tripla mostra em Avallon dá o pontapé de saída para uma temporada de exposições em França e em Portugal, depois de um silêncio expositivo, “nos últimos dois, três anos, por necessidade de estar com o espírito mais tranquilo”, após a conclusão da série anterior que durou dez anos.

De 16 de junho a 31 de julho, é a vez da Maison Jean Cousin, em Sens, na região da Borgonha, expor mais de 30 obras, essencialmente trabalhos sobre papel e algumas telas de grande formato da série Nazaré.

Ainda de acordo com o pintor, de 18 de setembro a 19 de dezembro, o Museu Municipal Carlos Reis, de Torres Novas, vai expor uma seleção de obras, estando prevista a criação de um núcleo de arte contemporânea, no qual Luís Rodrigues terá duas salas permanentes e contribuirá com uma doação de “mais de uma centena de obras”.

Para 2016, estão a ser programadas uma exposição no centro cultural de Ormesson-sur-Marne, nos arredores de Paris, três exposições em Lisboa e uma em Cascais.

Além de França, Luís Rodrigues já expôs na Alemanha, Canadá, Estados Unidos, Bulgária e Portugal, estando presente em coleções particulares na Alemanha, Argélia, Bélgica, Espanha, França, Itália, Suíça, Portugal, Líbano e Estados Unidos.