“Isto já não é o futuro, é o mapa em que se movem hoje as companhias”, disse Fernando Meco ao El País. O diretor de marketing da empresa de software analítico SAS referia-se à enorme quantidade de dados pessoais recolhidos pelos telemóveis “inteligentes”, ou smartphones no termo original. Será isto um problema? Ora vejamos.

Certamente já recebeu no seu telemóvel 0 menu de alguns restaurantes perto do sítio onde está, sem que o tenha pedido. Isto acontece porque esses estabelecimentos podem ter um acordo com o seu operador de telecomunicações que, por sua vez, sabe o local onde você se encontra.

Um pequeno pormenor: você deu permissão para isso. Tente recordar-se. Já encomendou pizzas por telefone? Utilizou ou subscreveu algum serviço do género na Internet? Reformulando a questão: quando utiliza esses serviços, costuma ler os termos e condições dos mesmos? Ora aí está. É provável que ao utilizar certos serviços esteja implicitamente a dar permissão às empresas para que acessem os seus dados pessoais, dados esses que o seu telemóvel recolheu sobre si.

Chamam-lhe big data, que não é mais do que a análise massiva de dados para deles retirar o máximo proveito. O jornal espanhol El País faz referência a um estudo da revista MIT Sloan Management Review: 50% das empresas afirma que aprender a transformar dados em ações de negócios está entre as suas prioridades.

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O mesmo estudo conclui que para uma empresa ser competente na análise destes dados, não basta contratar peritos e especialistas. É preciso promover a formação de toda a força de trabalho, para que todos os trabalhadores tenham noção do que é a big data e como ela pode otimizar resultados.

Ao El País, Fernando Meco afirmou que “hoje, as empresas têm mais acesso aos dados do que há uns anos”. Mas acrescentou: “São cada vez menos eficazes em saber como os usar”. Segundo as consultoras McKinsey e Gartner Group, em 2018 serão necessários entre 140.000 e 190.000 cientistas de dados nos EUA. À escala global, este valor sobre para 4,4 milhões.

Conclusão: as empresas estão cada vez mais interessadas na big data e em como ela pode ajudar na tomada de decisões. E você? Sente-se intimidado com tudo o que aqui explicámos? Sente que o seu smartphone o está a trair de alguma forma? Há solução. Por exemplo, que tal começar por desligar o GPS e deixar de oferecer os seus dados pessoais às empresas que o rodeiam?