A tecnológica Pipedrive anunciou esta quinta-feira uma reestruturação, que afetará a presença da empresa em Portugal. Nascida na Estónia, a empresa é responsável por uma plataforma de software empresarial de CRM (gestão de relacionamento com cliente).

“Estamos a propor a maior mudança estrutural na história da Pipedrive”, diz o CEO Paulo Cunha numa nota no site da empresa. “Propomos reduzir a dimensão e a complexidade da companhia de forma substancial em todas as nossas localizações.” A decisão traduz-se em “menos equipas, menos níveis e menos localizações.”

Paulo Cunha explica na nota que a “maioria dos trabalhos que existe na Pipedrive hoje serão afetados” pelas mudanças.

A Pipedrive está em Portugal desde 2017, onde entrou com objetivos ambiciosos de contratações, instalando um escritório em Lisboa. A reestruturação também afeta trabalhadores em Portugal. Na rede profissional LinkedIn, há várias publicações feitas nas últimas horas pelos trabalhadores afetados pela reestruturação.

Pipedrive abre escritório em Lisboa e quer contratar 50 pessoas

Alguns relatos mencionam o encerramento do escritório da Pipedrive em Lisboa. Contactada pelo Observador, fonte oficial da companhia não especifica o futuro do escritório português ou quantas pessoas serão afetadas por estas alterações. Mas confirma que “deu início ao processo necessário ao abrigo da lei portuguesa, incluindo a notificação à DGERT”, a Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho. “Os pormenores desse processo são da competência da autoridade e dos colaboradores e representantes envolvidos, pelo que não iremos comentar o assunto através da imprensa”, diz a Pipedrive.

No site da empresa, é dito que o escritório da Casal Ribeiro tem “mais de 200 indivíduos talentosos de mais de 25 países”.

Na nota divulgada, o CEO fala em “decisões muito difíceis” e que “não foram tomadas de ânimo leve”. “Em cada país, seguiremos o processo exigido pela legislação local. Nos casos em que tal processo inclua uma consulta, não serão tomadas decisões definitivas até que esta esteja concluída, e teremos verdadeiramente em conta o que nos disserem”, diz Paulo Cunha. “Nos próximos dois dias, falaremos com cada um de vós para esclarecer se o vosso cargo está ou não em risco e quais serão os próximos passos.” As conversas com os trabalhadores afetados começaram esta quinta-feira, depois do anúncio.

A Pipedrive refere que analisa o posto de trabalho de cada funcionário em função de critérios de “contributo para a estratégia, âmbito e nível dentro da organização e das competências que disponibiliza”. “Nos casos em que seja necessário fazer uma escolha entre pessoas que desempenham funções semelhantes, seguiremos o processo e os critérios aplicáveis a nível local e discutiremos o assunto com as pessoas em causa.”

Paulo Cunha admite no comunicado que “a categoria de CRM está a mudar”, em particular na categoria das PME. “A forma como as pequenas empresas descobrem e compram software está a mudar. Há mais negócios pequenos que estão a pedir recomendações à inteligência artificial (IA) quando escolhem software”, diz. “Como resultado, o tráfego gratuito que impulsionou o nosso crescimento diminuiu drasticamente e o tráfego pago que adquirimos para o substituir custa mais.”

Paulo Cunha descreve que “é uma mudança que está a acontecer de forma transversal na indústria”. “Todos os concorrentes estão a tentar adaptar-se à mesma mudança”, afirma. “Acreditamos que as empresas que responderem com determinação e rapidez sairão mais fortes.”

O CEO rejeita que esta reestruturação “seja um exercício de usar a IA para reduzir custos — nem para substituir pessoas por IA”. “A IA mudou o que os nossos clientes querem e a forma como descobrem o produto.”

A Pipedrive nasceu em 2010 e tem o estatuto de unicórnio (empresa avaliada em mais de mil milhões de dólares) desde 2020. Atualmente, tem cerca de 800 trabalhadores, distribuídos por escritórios em Lisboa, Tallinn, Praga, Londres, Berlim, Dublin, Nova Iorque e Flórida.