De onde viemos, onde estamos, para onde vamos. Desprezando a reflexão filosófica, em termos práticos a resposta a estas questões encontra-se… num mapa. Existem para todos os gostos e utilizações. Mapas geográficos, políticos, económicos e astronómicos. Mas também há mapas astrais, mapas do tesouro e, na história de Portugal, um famoso mapa cor-de-rosa cujo episódio agitou as relações entre Portugal e a Grã-Bretanha no final do século XIX.

A evolução do mapa começou muito antes do aparecimento das primeiras formas de escrita. O estudo e a prática da cartografia combinam a ciência, a estética e a técnica para encontrar modos realistas de comunicar os espaços de forma eficaz. As primeiras representações visuais da realidade continham elementos ordenados que serviam para reconhecer os terrenos onde os primeiros grupos humanos habitavam e caçavam.

Existem três exemplares cuja idade é ainda foco de debate nos domínios arqueológicos: uma pintura com cerca de nove mil anos encontrada numa gruta do Neolítico, situada na Turquia (Çatalhöyük); uma pedra polida com inscrições sobrepostas que terá perto de 14 mil anos, descoberta numa caverna em Espanha; e a gravura esculpida numa presa de marfim com 25 mil anos, encontrada em Pavlov na República Checa, na qual se identificam montanhas, vales, estradas e um rio. Subsiste ainda o caso da estranha rocha onde se podem ver os contornos da Europa entre outros detalhes, e que pode ter mais de 500 mil anos. O achado pertence a um arqueólogo amador britânico que tem lutado pela validação científica da sua “rocha-mapa”, mas a comunidade científica remete para uma coincidência natural.

Considerado o pai da Geografia, o grego Cláudio Ptolemeu escreveu o primeiro tratado no ano 150 d.C.. A obra inclui uma lista com mais de 8000 locais conhecidos pela civilização greco-romana. Cerca do ano 1300 foi revelado um dos mapas medievais mais conhecidos, o “Mappa Mundi” de Haldingham que está exposto na catedral de Hereford, em Inglaterra. É um exemplo clássico de mapa O-T – “orbis terrarum” – em que a Terra tem a forma de um disco. O mapa é formado por um círculo dividido em três partes que correspondem aos territórios conhecidos (Europa, Ásia e África) rodeados pelos oceanos. Nos finais da Idade Média o Mapa de Fra Mauro encomendado por D. Afonso V, medindo cerca de cinco metros quadrados, reuniu todo o conhecimento geográfico existente no século XV.

No século XVI o desenvolvimento da projeção criada pelo flamengo Gerardus Mercator foi a grande inovação que revolucionou as cartas de navegação, ao ponto de ser considerada incompatível com os métodos da época. A projeção de Mercator acabaria por se tornar a forma convencional de ver o mundo num plano. Em 1662 o “Atlas Maior” do holandês Joan Blaeu configura um exemplo do Barroco na cartografia. São 11 volumes, mais de 4600 páginas e 594 mapas que reuniam todo o conhecimento geográfico, terrestre e astronómico. Chegou a ser considerado o maior livro de sempre.

Desde os mapas de pedra até aos de papel passaram muitos milhares de anos em busca do mapa perfeito. Hoje a engenharia geográfica usa satélites e bases de dados como ferramentas, o GPS e os Sistemas de Informação Geográfica. O conhecimento que temos do espaço à nossa volta é cada vez maior e os mapas podem estar em qualquer lado, em casa, no pulso e no automóvel. É apenas o início de um novo capítulo da história do mundo e da forma como o colocamos no mapa.