Esta segunda-feira assistiu-se a um dérbi quente entre Sporting e Benfica. Como são todos aliás. Mas este foi diferente. E não meteu bola.

Todas as semanas no programa “Prolongamento”, da TVI, um painel composto pelo portista Manuel Serrão, pelo benfiquista (e diretor da Benfica TV) Pedro Guerra e pelo sportinguista Eduardo Barroso discute a atualidade desportiva. E estas discussões semanais já resultaram num processo judicial por parte do presidente do Sporting, Bruno de Carvalho, ao antigo jornalista Pedro Guerra. Isto porque o benfiquista afirmou ter em sua posse o contrato assinado pelo Sporting com o avançado grego Kostas Mitroglou, que agora joga no Benfica.

Na noite de segunda-feira os dois puderam encontrar-se frente a frente. E foi um autêntico combate de resistência. A discussão, que durou mais de duas horas, até começou calminha, mas no final não foi “limpinho limpinho”, como classificou Jorge Jesus o dérbi Benfica-Sporting de 2013.

O duelo teve de tudo. Desde o diretor do Benfica TV a dizer que Bruno de Carvalho é um “caso de psiquiatria” até à denúncia de que o Benfica oferece “prendas” às equipas de arbitragem de “meio milhão por ano”, segundo Bruno de Carvalho (“uns almoços à la carte todas as semanas aos seis elementos da equipa de arbitragem, o árbitro, os fiscais e até o observador, que pode meter água ou até champanhe”.

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Sobre o caso Carrillo, Bruno de Carvalho lamenta a situação admitindo que o peruano pode ir para o “Cucujães, ao Mérida, ou ao Partizan. E entre estes clubes está o Benfica e o FC Porto.” Sobre o posicionamento de Jorge Jesus em relação a este caso, o líder verde e branco assegura que os dois tomam “as decisões em conjunto”, avisando ainda que “não vão conseguir colocar-nos em lados opostos.” Ora, Pedro Guerra afirmou que Bruno revelou “inexperiência” e que este devia ter sido um “dossiê prioritário” desde o início.

Foi aqui que o ambiente começou a aquecer. O presidente leonino não deixou Guerra sem resposta.

Este senhor chega aqui e diz que Carrillo devia ser o dossiê prioritário. Já ouvi dizer por aí que o Maxi Pereira foi uma cobardia do presidente do Benfica. (Pedro Guerra) E vem para aqui cheio de papelinhos dizer parvoíces. O Maxi Pereira é um assunto, o Carrillo é outro assunto. (…) O Ruben Amorim anda a treinar sozinho no Estádio Nacional. É bonito?”

Pedro Guerra não se ficou: “Não lhe admito. Ninguém o leva a sério.” No meio disto Eduaro Barroso também levou um aviso ao qual respondeu: “Tenho um medo de si…”

Sobre o processos contra a gestora de fundos Doyen, Bruno de Carvalho foi claro ao afirmar que “se perder no Tribunal Arbitral do Desporto, porque o futebol é o que é, mesmo sendo uma injustiça total, recorremos aos tribunais e aí temos a certeza absoluta que ganhamos.” E Pedro Guerra lançou o desafio: “Vamos falar de verdade”. E Bruno de Carvalho aceitou tirando um papel com uma fotografia de um vídeo do youtube alegando que o diretor da BTV ligou para o canal a fazer-se passar por outra pessoa. Guerra foi peremptório.

Nós vamos resolver isso em tribunal. Isso é mentira. O doutor Bruno de Carvalho acaba de provar que não está a altura de presidir uma instituição como o Sporting Clube de Portugal. Quer falar do seu passado como gestor? Quer falar das empresas que abriu e fechou? Enquanto gestor foi uma nulidade”

Enquanto Pedro Guerra respondia, Bruno de Carvalho mostrava papéis com notícias de dívidas de Luís Filipe Vieira. Nem a deputada socialista Ana Gomes escapou: afinal a queixa contra a hipótese de existir capital guineense no Sporting pode ter dupla face  e acontecer também no Benfica.

Depois de se ter abordado temas como a revelação do contrato de Jesus pelo Football Leaks e Mitroglou entre outras coisas, Bruno de Carvalho tirou uma carta da manga: colocou em cima da mesa uma caixa-oferta com a cara de Eusébio que engloba uma visita ao museu Cosme Damião, um jantar e uma camisola do clube da luz.  Segundo o presidente do Sporting, é esta a prenda oferecida pelos encarnados à equipa de arbitragem, aos dois delegados e ao observador da Liga. Estas “prenda” engloba, segundo o líder verde e branco, “40 jantares por época” com um preço entre 500 a 600 euros cada um.

prenda

A caixa que Bruno de Carvalho alega que é oferecida pelo Benfica às equipas de arbitragem, aos delegados e observadores dos jogos.

Pedro Guerra reagiu desta forma:

Lamento profundamente que o nome de um homem como… eu até me estou a comover ao falar dele… o Eusébio seja aqui tratado desta forma.”

Quando o programa terminou houve mais para contar. É que Eduardo Barroso levantou-se para confrontar Guerra. Felizmente que os microfones estavam desligados. Aqui fica o momento:

https://www.youtube.com/watch?v=UjqabDwetDM

Mas há muito mais. Um autêntico duelo de titãs clubísticos que pode ainda dar muito que falar nos próximos dias. O melhor é mesmo ver para crer.