“Deadpool” chega esta quinta-feira aos cinemas. Não é bem um super-herói mas também não é um criminoso. É uma espécie de mercenário, gosta que lhe paguem e consoante o preço logo se decide para onde vai. Começou por arranjar problemas aos New Mutants, mas pouco depois estava disposto a combater uns quantos bandidos. Tem uma boa dose de mania e quase nada de humildade, tem alguma dificuldade em estar calado e gere bem a força extraordinária que lhe passa pelo corpo. Já tinha aparecido no cinema (em “X-Men Origins: Wolverine”, de 2009) mas só agora tem direito a tamanho tempo de antena (interpretação de Ryan Reynolds, realização de Tim Miller).

Não está entre as personagens mais populares da Marvel – ou do universo dos comics em geral – mas tem tudo o que é preciso para gerar um filme que motive até sequelas. E naturalmente que não é o único. Reunimos uns quantos, pode ser que alguém com influência leia isto e diga algo como “olha que estes tipos até têm razão”. Nunca se sabe.

Jean Grey

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Certo, já temos muitos filmes dedicados aos X-Men, mas se há uma saga só do Wolverine Jean Grey podia ter o mesmo tratamento. Sem querer, é um dos elementos mais importantes do mais popular grupo de mutantes dos comics. Tem capacidades telepáticas de tal maneira fortes que até a própria tem alguns problemas em controlar. E tem também o apelido “Fénix” porque já morreu e voltou à vida umas quantas vezes. Fora isso, tem uns quantos dramas pessoais que a tornam perfeita para ser personagem principal de um filme a si dedicado. Casada com Ciclope mas com um queda (generosa) por Wolverine, só esta crise tem potencial para gerar conflitos que destroem cidades inteiras. No próximo filme da saga X-Men, “Apocalypse” (estreia ainda este ano), vai ser interpretada por Sophie Turner. Pode ser que lhe corra bem a aventura.

Shotaro Kaneda

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O nome não facilita o marketing, mas se o colocarmos no devido contexto o cenário é outro. Kaneda é o protagonista de “Akira”, uma genial história de distopia futurista e um dos mais populares títulos de manga de sempre. A publicação em livro aconteceu durante a década de 80 (com reedições em anos seguintes) e em 1988 chegou a ser adaptada numa longa-metragem de animação. Mas nunca “Akira” chegou ao mundo feito dos estúdios mais as grandes produtoras e respectivas estrelas. Já esteve para acontecer mas ainda não se viu nada. E tem tudo para funcionar: “Akira” conta a história de um pós-apocalipse nuclear em Tóquio em ambiente de terceira guerra mundial. Kaneda está a tentar salvar o seu melhor amigo, Tetsuo Shima, que por ter capacidades psíquicas fora do comum é procurado por uma organização secreta que o quer usar como arma. Uma aventura pela amizade e contra a opressão social num futuro quase desfeito. Não é bem um herói mas também não é um garoto normal. E filme nem vê-lo.

Namor

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É filho de um marinheiro e de uma princesa da Atlântida. Um mutante que se dá tão bem debaixo de água como à superfície. É caso raro e tem história que chegue para uma saga daquelas que costumam dar dinheiro com fartura. Vai dar trabalho encontrar um actor que o possa encarnar, teria de ser uma espécie de Weissmuller com melhor inglês, alguém que possa vestir uma tanga feita de escamas, que nade como corra e que vá bem com colegas como o Capitão America, o Quarteto Fantástico, os Vingadores ou os X-Men. Já trabalhou com todos nos quadradinhos, não há desculpa para o deixar sozinho na sala de cinema.

Cyclone

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O nome verdadeiro é Maxine Hunkel e na genealogia da DC Comics é neta do Red Tornado, o cruzamento entre um andróide e um extraterrestre. E Cyclone segue a tradição familiar: é super inteligente e é capaz de controlar ventos e marés só com o pensamento. E claro que voa. Dá-se mal com as coisas da vida social e tem até alguma tendência para a depressão, mas esses detalhes da sua personalidade têm tido um efeito sedutor junto dos leitores. Cyclone surgiu pela primeira vez em 2006, mas ao longo dos últimos anos tem ocupado lugares privilegiados nas listas de personagens favoritas no universo da DC. Faz também parte das encarnações mais recentes da Justice Society of America que, como o nome indica, é uma organização que luta pelo bem em geral e pelo americano em particular.

Kamala Khan

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É a primeira personagem muçulmana da Marvel com direito a uma publicação em nome próprio. Apareceu pela primeira vez em 2013 e pouco depois assumia o nome Miss Marvel, em homenagem à heroína que sempre adorou, Carol Danvers, que em tempos usou o mesmo título. Quando foi anunciado que teria direito a um título seu houve tantos elogios como críticas e dúvidas. O costume, quando se trata de uma primeira vez. Um pequeno detalhe que chegaria para chamar gente às salas. Mas o mais importante é o que Kamala Khan faz e aí entramos no campeonato do espectáculo. Consegue esticar as pernas e os braços como nunca imaginámos; deforma o corpo como um transformer humano; brilha no escuro; e consegue curar-se a si própria com muita rapidez. A sua ancestralidade remonta aos tempos dos chamados Inhumans, uma categoria de seres especiais criados pela Marvel com muitos milhões de anos e influência no destino da Terra.

The Shadow

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Conseguiu alguma popularidade nos anos 30, como personagem de tiras pulp nos jornais. E na década de 80 voltou a conseguir protagonismo mas nunca se afirmou como nome fundamental do universo DC. Em 1994, há mais de 20 anos, Alec Baldwin foi o Sombra, mas já era tempo de lhe darem espaço para um regresso com mais categoria. Afinal, é dos nomes obscuros mais adorados pelos fãs de BD. Mistura as características de um espião com as de um detective privado, ao mesmo tempo que é do melhor que já se viu para a combinação tiros-bombas-socos-nas-trombas. Teve um encontro imediato com Bruce Wayne quando o futuro Batman ainda era um garoto. Wayne viu como The Shadow arrumou um bando de rufias que assaltavam um banco e nunca mais se esqueceu de como há vários métodos para resolver um problema.

Artigo corrigido com informação sobre o filme do Sombra.