Horas antes de Ronaldo anunciar no London Palladium Theatre, perto de Thierry Henry e Kate Scott, quem era o melhor jogador do mundo, a France Football já tinha cometido o erro de revelar o top 3. No site oficial da Bola de Ouro, de forma inadvertida, foram publicadas três notícias: a notícia da vitória de Harry Kane, a notícia da vitória de Kylian Mbappé e a notícia da vitória de Lamine Yamal. Minutos depois, todas estavam fora do site. Mas já ninguém iria esquecer que um dos três seria mesmo o vencedor da noite.
E foi. Já perto das 23h em Portugal e em Inglaterra, perto da meia-noite em Espanha, França, Itália e Alemanha, Harry Kane foi chamado por Ronaldo para receber a Bola de Ouro pela primeira vez e falar como melhor jogador do mundo. O que só se soube mais tarde, porém, foi que o avançado inglês do Bayern Munique ganhou por uma das margens mais curtas de sempre — tendo menos pontos de vantagem para Kylian Mbappé do que Rodri teve há dois anos para Vinícius.
Não foi Yamal, não foi Mbappé: Harry Kane vence Bola de Ouro e é o melhor jogador do mundo
“A diferença de pontos entre Kane e Mbappé é menor do que a diferença entre Rodri e Vinícius em 2024. E aí foram apenas 41 pontos”, disse Vincent Garcia, editor-chefe da France Football e um dos principais responsáveis pela Bola de Ouro. Todas as dúvidas ficarão esclarecidas no próximo sábado, quando a revista francesa publicar as votações completas, mas o jornal El Mundo avança que durante a noite existiu a ideia de que Mbappé liderou a eleição durante muito tempo, com Kane a dar a volta já numa fase final.
Em terceiro, portanto, ficou Lamine Yamal. O jogador do Barcelona subiu ao palco durante a cerimónia, para receber o Troféu Kopa pelo terceiro ano consecutivo, mas voltou a ver outro levantar a Bola de Ouro depois de em 2025 ter ficado apenas atrás de Ousmane Dembélé. Para Vincent Garcia, Yamal acabou por ser prejudicado pelos próprios colegas de Espanha que também conquistaram o Mundial 2026. “Acho que o Rodri roubou votos ao Yamal. A seleção espanhola que foi campeã do mundo provocou uma dispersão de votos. Eram um coletivo, foi difícil destacar realmente uma prestação individual”, explicou o jornalista.
Como sempre, porém, o facto de Lamine Yamal ainda não ter sido eleito como melhor jogador do mundo não foi pacífico junto do entorno mais próximo do espanhol. O pai de Yamal fez questão de sublinhar a “injustiça” do resultado a todos os que o quisessem ouvir no London Palladium, segundo o jornal Marca, enquanto que o tio do avançado, em declarações à Cadena SER, também se mostrou surpreendido.
HARRY KANE IS THE 2026 BALLON D'OR! #ballondor pic.twitter.com/k3CUlwLF1E
— Ballon d'Or (@ballondor) October 26, 2026
“O meu sobrinho é ótimo, é o melhor jogador do mundo e toda a gente sabe disso. Se gostas de futebol vais ver o Lamine, não vais ver o Harry Kane. Ele é um jogador, o meu sobrinho é o melhor jogador pelo que brilha em campo. O Lamine é muito jovem, tem 19 anos e vai ganhar mais, mas o Harry tem mais três dias de futebol e pronto, deram-lhe a Bola. Mas ele fez uma temporada incrível e marcou golos que mais ninguém marca. Passes, assistências, o que vocês quiserem”, defendeu Abdul Yamal, que ainda antecipou que o sobrinho irá ganhar “cinco Bolas de Ouro”.
Joan Laporta, naturalmente, foi mais diplomático. “Ele já é o melhor jogador jovem do mundo e um dia vai ganhar a Bola de Ouro. Espero que isto sirva de motivação e que os colegas também o ajudem a superar esta desilusão rapidamente. Acho que fez o suficiente para ganhar este ano, mas os votantes decidiram que não e temos de aceitar com desportivismo”, disse o presidente do Barcelona, numa aparente farpa ao boicote que o Real Madrid implementou à Bola de Ouro depois de Vinícius perder para Rodri em 2024.
A ordem dos três primeiros classificados, porém, não foi a única polémica da noite. Uma das principais surpresas foi o 11.º lugar de Jude Bellingham, que, apesar de não ter estado ao mais alto nível pelo Real Madrid na última temporada, marcou sete golos no Mundial 2026 e estaria à espera de outro reconhecimento. Depois, Pau Cubarsí. O central ganhou a La Liga e a Supertaça com o Barcelona e foi dos melhores jogadores de Espanha rumo à conquista do Campeonato do Mundo, mas não foi além da 12.ª posição. Por fim, o choque total com Vitinha: depois de ter sido terceiro classificado há um ano e na sequência de uma época em que foi uma das grandes figuras do PSG na reconquista da Liga dos Campeões, o médio português terá sido muito castigado pelo pobre Mundial da Seleção Nacional e caiu para 14.º.
Por fim, a cerimónia da Bola de Ouro ficou marcada pelos atrasos. A decorrer longe de Paris pela primeira vez, em Londres e no London Palladium para assinalar os 70 anos da primeira Bola de Ouro de sempre que foi entregue ao inglês Stanley Matthews, a gala tinha início marcado para as 20h, mas só arrancou já muito depois das 20h30. À hora marcada, a organização anunciou o atraso de meia hora devido ao intenso trânsito de Londres, com o jornal El Mundo a destacar o caos nas “ruas estreitas, com baias por todo o lado, centenas de adeptos encavalitados em cima delas e uma fila de carrinhas a tentar passar, uma por uma, através de vários controlos”. Entre Luis de la Fuente, um dos primeiros a chegar, e Lamine Yamal, um dos últimos a chegar, passaram mais de duas horas e meia.