O diretor do Museu Nacional de Arte Antiga, António Filipe Pimentel, enviou uma carta ao ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, onde pede desculpas formais pelas declarações feitas sexta-feira passada na Escola de Quadros do CDS.

Na carta enviada no início da semana, à qual o Diário de Notícias teve acesso, Pimentel pede desculpa pelos acontecimentos “infelizes” que ocorreram na Escola de Quadros do CDS. O diretor do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA) escreveu que as suas afirmações foram “descontextualizadas” mas também diz não ter dúvidas “sobre a sua manifesta inoportunidade, se retrospetivamente observadas e com olhos e ouvidos descomprometidos, justamente os de quantos as leram e ouviram.” Assim, apresentou um “pedido de formais desculpas” a Castro Mendes que já se tinha mostrado incomodado com as palavras.

Durante a Escola de Quadros do CDS, na sexta-feira em Peniche, o diretor do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA) afirmou que o museu tem 64 pessoas para as 82 salas que são abertas ao pública, acrescentando que “um destes dias há uma calamidade no museu”. Pimentel acrescentou ainda que se anda “a brincar ao património” e que todas as tutelas “dispõem de toda a informação cabal do que vai acontecer, mas quando acontecer, abre os telejornais”.

No dia seguinte às declarações do diretor do MNAA, o ministro da Cultura mostrou-se “perplexo” e revelou a sua intenção de falar com Pimentel, mesmo depois de este ter dito que apenas tinha alertado para que “o museu está no seu limite da subsistência”.

António Filipe Pimentel é diretor do museu desde 2010. O ministério da Cultura de Castro Mendes anunciou este ano a criação de um projeto de gestão autónoma dos museus de que o Museu Nacional de Arte Antiga seria o pioneiro, uma medida referida por Pimentel na missiva: “Tal trabalho – trabalho sério e entre equipas – tem, justamente, vindo a ser sedimentado no quadro quase inverosímil de pouco mais de 4 meses. Que semelhante acontecimento possa vir a perturbar o futuro idealizado para a instituição que recebi dos meus predecessores e que porfio em poder legar, como é de minha liminar obrigação, protegida e acrescentada, é, para além do plano estritamente pessoal dos meus sentimentos, a minha imediata e central preocupação”.