O Tremor vai na quinta edição e afirma-se cada vez mais como um antídoto para os festivais de Verão do vira-o-disco-e-toca-o-mesmo. É um festival tão especial que até hesitamos em chamar-lhe festival. É uma experiência. Porquê? Nós contamos-lhe tudo.

Porque transforma a ilha num palco

Curioso, um Tremor sem epicentro. Apesar de grande parte da acção de passar em Ponta Delgada, o festival comporta-se como uma espécie invasora que dá sinais de vida noutras latitudes: já houve concertos numas termas, num estádio de futebol, num hangar ou no meio da floresta.

Este ano a Ribeira Grande torna-se mais presente no cartaz com concertos no Arquipélago e no Teatro Ribeiragrandense (o equipamento cultural português com o nome mais comprido). Mas o melhor deste festival excêntrico (i.e., sem centro) são as experiências geográfico-sensoriais do Tremor na Estufa, concertos em lugares que não foram feitos para receber concertos; e o Tremor Todo o Terreno, os passeios a pé mais rock’n’roll da história do pedestrianismo. Como nos anos anteriores, os lugares nestas viagens são limitados e o destino é uma surpresa.

Porque envolve a comunidade como nenhum outro

É uma preocupação dos organizadores que, em 2013, se depararam com o centro de Ponta Delgada numa espécie de coma. O primeiro festival funcionou como desfibrilador – 24 horas só com músicos portugueses — e desde então o coração da cidade vai recuperando os batimentos cardíacos.

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“Foi um bora lá fazer o que se pode, à maluca”, lembra António Pedro Lopes, um dos organizadores, “tínhamos muita vontade de fazer acontecer, muito desejo e muito sonho. Em seis meses montámos um festival”. A ideia de fazer concertos em lojas de camisas, cafés, igrejas e outros lugares fora do comum ajudou a fundir o Tremor com a comunidade local.

“Nenhum festival existe sem um sentimento de pertença. É muito importante para nós esta dimensão humana e familiar. Nunca vamos abdicar dela”.

A prova disso? O festival abre esta terça-feira com um concerto da Banda Lira das Sete Cidades, que vai musicar um video de Daniel Blaufuks sobre o Hotel Monte Palace.

Porque tem um cartaz cada vez melhor

O mérito é maior quando pensamos que o Tremor trabalha em condições meteorológicas muito específicas. Que o Anticiclone dos Açores se porte bem este ano e não atrapalhe as aterragens dos Boogarins, dos Liima, dos Parkinsons, de Mikky Blanco ou Baby Dee, só para dizer alguns nomes.

“Há 1001 condicionantes para fazer as pessoas chegar”, diz o organizador, “não é a logística mais fácil do mundo, até à última ficamos à espera para saber se corre tudo bem”. Os tremorenses (nome inventado agora para os frequentadores do Tremor, por forma a evitar usar “festivaleiros”, um adjectivo medonho) têm de estar preparados para uma ou outra desilusão: aconteceu em 2016, por exemplo, quando os Clinic cancelaram. O que só vem provar que o Tremor nos prepara melhor para a vida que um festival Sudoeste.

Porque está num dos sítios mais bonitos do mundo

Vamos ser sinceros: não era preciso uma desculpa como o Tremor para ir aos Açores. O que o festival faz é transformar uma visita ao arquipélago num ritual anual. E isso é um feito ao alcance de poucos.

O bilhete para os quatro dias do festival custa 35€ e pode ser adquirido online ou nos seguintes locais: La Bamba Bazar Store e A Tasca, em Ponta Delgada; e no Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas, na Ribeira Grande.