Junho está à porta, o que significa que estão quase a começar as Festas de Lisboa. O início das festividades coincide com o Dia Mundial da Criança e, por essa razão, a autarquia guardou para dia 1 de junho a abertura de um novo teatro na cidade, dedicado aos mais pequenos — O LU.CA — Teatro Luís de Camões. O novo espaço, na Calçada da Ajuda, terá uma programação especial ao longo de todo o mês, com espetáculos gratuitos e visitas, que terão como ponto de partida as fábulas de La Fontaine — “de onde podemos retirar lições de inteligência, de justiça e de sagacidade”, como refere a informação disponibilizada pela EGEAC, responsável pela programação das festas. E é precisamente este o nome do concerto da Orquestra Juvenil Metropolitana, que vai tocar entre 1 e 3 de junho (sempre às 15h) na sala principal do LU.CA.

Nos dias 17, 23 e 24 de junho, o novo espaço cultural lisboeta vai receber o espetáculo Hamlet Sou Eu, sobre o dramaturgo William Shakespeare, e, a 30 e 1 de julho, Daqui vê-se Melhor!, “um convite a todos, dos mais pequenos aos mais velhos, a conhecerem a história do Teatro, desde o antigo Egito até aos dias de hoje”. Durante o resto do ano, o novo teatro — cuja história remonta a 1737, altura em que era a Casa da Ópera do rei D. João V — terá “uma programação regular dedicada à criação contemporânea com especial foco nas artes performativas, teatro, dança, performance, novo circo e no seu cruzamento com outras formas de arte e expressão artística”, esclarece a EGEAC. “É desde já um lugar para os artistas e para as suas criações, para as famílias e para as escolas, para os vizinhos, para os amigos, para as crianças e para os jovens.”

Mas estes não são os únicos espetáculos pensados para as crianças incluídos na programação das Festas de Lisboa, apresentada esta sexta-feira. De 2 a 13 de junho, o Museu de Santo António vai ter uma série de atividades em torno do santo padroeiro, enquanto a Casa Fernando Pessoa programou duas sessões que pretendem celebrar a poesia, a palavra e os 130 anos do poeta que lhe dá nome (e que nasceu precisamente no dia de Santo António, 13 de junho). A 22 de junho, vai ser possível olhar para as estrelas a partir do relvado do Palácio Pimenta, na companhia de investigadores do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço. A iniciativa chama-se “Olhar o céu noturno com telescópios” e começa às 21h30. A entrada é também gratuita (com lotação limitada).

A música nunca pode faltar nas festas. O primeiro concerto para o grande público está marcado para 2 de junho, no Terreiro do Paço. Em palco vão estar a Orquestra Geração (um projeto de inclusão social que forma jovens músicos de comunidades desfavorecidas) e a Orquestra Gulbenkian, conduzidas pelo maestro José Eduardo Gomes. Juntas vão tocar um repertório variado, que vai desde a “Abertura 1812”, composta por Tchaikovsky para celebrar o fracasso da invasão francesa da Rússia, às músicas de filmes como “Guerra das Estrelas”. Na Ribeira das Naus irá celebrar-se a multiculturalidade com o “Lisboa Mistura”, evento que trará a Lisboa, ao longo de todo mês, músicos de diferentes proveniências.

O fado vai voltar ao Castelo de São Jorge. A 14 de junho, Carlos do Carmo passará por lá na companhia de António Serrano. Carminho e Camané também estão confirmados, e cada um levará um convidado. E por falar em fado, o Arraial do Bairro das Pedralvas vai fazer uma homenagem a Maria Armanda e aos seus 50 anos de carreira. Além da própria fadista, vão passar pelo bairro de Benfica Rodrigo, Augusto Ramos, entre outros. De 22 a 2 5 de junho, no Centro Cultural de Belém, decorre mais um Festival Coros de Verão. A 23 de junho, acontece o Festival de Bandas de Lisboa, em vários pontos da cidade. A fechar as Festas de Lisboa, no dia 30, vai estar Gilberto Gil, no jardim da Torre de Belém.

Esta edição das Festas de Lisboa não podia passar ao lado dos 20 anos da Expo 98, data que será celebrada com um espetáculo multimédia (com uma duração de 15 minutos), a 1 e 2 de junho, junto ao Pavilhão de Portugal. Além desta iniciativa, haverá uma atuação dos Olharapos. Nas ruas do Parque das Nações será também possível ver a exposição “Você Não Está Aqui”, que reúne cerca de 70 fotografias de Bruno Portela que ajudam a recordar “como era a zona antes da intervenção urbana da Expo”. Esta não será a única organizada por altura das Festas de Lisboa, cuja programação inclui ainda cinema e literatura.

O que não podia mesmo faltar (além dos arraiais e dos tronos de Santo António) são as marchas, que este ano se inspiraram em Vasco Santana, nascido há 120 anos. O tema vencedor da Grande Marcha é “Vasco é Saudade”, que será interpretado por todas os marchantes durante o desfile na Avenida da Liberdade, na noite de 12 de junho (véspera de feriado).