O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, disse esta sexta-feira que subvencionar as energias fósseis equivale a “subvencionar o suicídio”, alertando para a necessidade de a natureza ser protegida.

A declaração de Guterres ocorreu numa reunião de preparação da cimeira da COP17 sobre biodiversidade, que vai realizar-se na Arménia a partir de segunda-feira.

Os hidrocarbonetos “estão a fazer ferver o nosso planeta e constituem um flagelo para a biodiversidade”, declarou o secretário-geral da ONU no mesmo discurso em Erevã, capital da Arménia.

“A dura realidade é que estamos a gastar o nosso dinheiro em causas erradas. Por cada dólar investido na proteção da natureza, 30 dólares são destinados à sua destruição”, afirmou Guterres.

Os Estados têm tido dificuldade em reduzir os subsídios a atividades prejudiciais à natureza — um compromisso que, no entanto, os Estados assumiram em 2022 e cujos progressos deverão ser analisados na COP17, que tem início na segunda-feira.

Prevê-se que os países atinjam os objetivos até 2030, no entanto, tal como no caso dos subsídios a atividades “prejudiciais”, estão atrasados em praticamente todas as metas, disse Guterres.

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A cimeira na Arménia vai elaborar um balanço dos progressos feitos nos últimos anos e explorar formas de acelerar as ações.

No início de outubro, 130 empresas, entre as quais a BNP Paribas, a Danone e a Hermès, publicaram uma carta dirigida aos Estados, instando-os a “reformar os incentivos” financeiros, estimados em 2,6 mil milhões de dólares por ano, que ainda destinam uma quantia excessiva de dinheiro público a atividades que provocam o “esgotamento dos recursos naturais”.