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São 10:01. As notícias com Carla Jorge Carvalho. Na sequência da intervenção policial nos protestos pela habitação no Porto, as opiniões dos partidos divergem. PS e PSD deixam algumas críticas à PSP. Já o CHEGA critica a ausência do ministro da Administração Interna.
Foi este o tema do Explicador desta manhã. Eduardo Cabrita, antigo ministro da Administração Interna, pede que não se desfoque o debate na questão principal, que é a crise na habitação, e pede também respeito pelos manifestantes.
Nós não podemos desfocar a questão. O problema central não é a segurança interna. O problema grave é a habitação, que é de facto um problema que não foi criado agora, mas que se agravou substancialmente nos últimos dois anos. Ora bem, é neste contexto que é necessário ter uma garantia do respeito absoluto pela relevância do direito de manifestação. Eu acho que, neste caso, o que é necessário é uma averiguação independente. Deveria ser feito pela Provedoria de Justiça sobre a proporcionalidade da intervenção da PSP.
Já André Coelho Lima, antigo vice-presidente do PSD, da direção liderada por Rui Rio, critica a intervenção das forças de segurança. Diz: "Estão a ter o efeito contrário ao pretendido".
A força utilizada não foi proporcional à perigosidade latente. Temos que saber reconhecer isso, porque além da proporcionalidade e adequação, obviamente que se exige às forças policiais a avaliação sensata do momento. Ontem houve nova manifestação, já está marcada para Lisboa, ou seja, uma intervenção mais musculada, ao invés de afastar o perigo, fomenta que existam mais iniciativas.
Chama mais pessoas a isso, André Coelho Lima.
Exatamente isso. Eu penso que o que aconteceu ontem demonstra isso mesmo.
Já do lado do CHEGA, Rui Gomes da Silva aponta o dedo ao ministro da Administração Interna, diz que tem estado desaparecido.
O senhor ministro da Administração Interna desapareceu, ou seja, quando o Estado deveria ser presente, deveria ser forte, devia ser tão forte que não precise ser violento. O problema é que o Estado aqui não é forte, porque desapareceu no campo da administração interna. O senhor ministro anda perdido em parte incerta, desaparecido em combate, em função das galeras, agora na luta de galos com o seu secretário-geral e desapareceu. Ou seja, no momento em que o ministro precisava de estar a liderar, neste caso, as forças de intervenção, a polícia, etc., o senhor ministro deve andar perdido.
Rui Gomes da Silva e o ministro sombra da Justiça por parte do CHEGA. Hoje, em debate no Explicador, esteve os protestos no Porto por causa da habitação.
A organização da manifestação denuncia que havia um grupo de extrema-direita infiltrado e com facas na Praça Dom João I ontem à noite. A PSP não confirmou ainda nenhuma destas denúncias.
Foi por volta da 01:00. Os organizadores do protesto alertaram as autoridades para a presença de pessoas com o propósito de causarem distúrbios. Uma pessoa acabou por ser hospitalizada depois de alegados confrontos. Um dos porta-vozes do Movimento pela Habitação, Pedro Manuel, relata à Rádio Observador o que aconteceu.
Isto foi resultado da infiltração de um grupo de, pelo menos, seis manifestantes de extrema-direita nesta manifestação. Isto foi identificado e eles foram identificados já pela nossa equipa de segurança, mesmo antes da assembleia começar.
Mas houve alguma confirmação oficial da polícia de que estas pessoas pertenceriam a movimentos extremistas?
Não, e eles estavam muito entusiasmados em gritar isso e em provocatórias verbais após o fim da assembleia, que viraram provocatórias físicas e a partir do momento que eles carregaram contra as pessoas, foi acionada a equipa de segurança para formar um cordão, novamente, proteger as pessoas que estavam cá. Temos a confirmação de que ainda restam cinco membros deste grupo, com confirmação visual de que possuem facas.
Pedro Manuel é um dos porta-vozes do Movimento pela Habitação a denunciar a presença de um grupo de extrema-direita armado ontem na Praça Dom João I. A Rádio Observador está em contacto com a PSP para perceber o que aconteceu. A Polícia de Segurança Pública ainda não confirmou nenhuma destas denúncias. Os manifestantes estão na rua há seis dias, protestam contra o aumento do preço das casas, mas também pela subida generalizada do custo de vida. Daqui a pouco está marcado um debate no Parlamento, a pedido do PCP, precisamente para discutir estas questões.
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, diz que é hora de aumentar o apoio à Ucrânia e a pressão sobre a Rússia. À entrada para a reunião dos 27, a Europa mantém o apoio a Kiev tão forte como sempre.
As declarações de António Costa ao lado de Zelensky e de Ursula von der Leyen, à entrada para a reunião que acontece em Bruxelas. António Costa diz que a Europa está do lado de Kiev e promete zero facilitismos para com Moscovo.
President Zelensky, is very simple. Presidente Zelensky, é muito simples. O apoio da União Europeia à Ucrânia permanece forte. Não é hora de retirar o apoio à Ucrânia, não é hora de aliviar as sanções contra a Rússia. Agora é o momento de aumentar o nosso apoio, de aumentar a nossa pressão. E é isso o essencial para trazer a Rússia para um cessar-fogo, para a mesa das negociações, de forma a acabar com esta guerra.
António Costa esta manhã em Bruxelas com Ursula von der Leyen a garantir que os 27 não vão recuar nas sanções à Rússia até ao fim da guerra
É claro que apoiamos o cessar-fogo energético de Trump, mas vimos que a Rússia não o respeitou, nem por um único minuto. Em vez disso, a Rússia posicionou uma escalada da guerra e, portanto, temos de aumentar a pressão sobre a Rússia. Estamos a trabalhar no 22º pacote de sanções e uma coisa é clara: não levantaremos as sanções, a menos que a Rússia pare a guerra.
A garantia deixada por Ursula von der Leyen ao início do segundo dia da reunião do Conselho Europeu, momento em que Volodymyr Zelensky aproveitou para agradecer o apoio dos líderes dos 27 à Ucrânia. O presidente ucraniano coloca a defesa energética como a prioridade de Kiev, à porta do inverno.
Na nossa agenda estão as necessidades de energia. Este é o ponto número um e é claro que queremos acabar com esta guerra o mais rápido possível. Não vemos sinais do lado russo que eles estejam prontos para acabar com esta guerra. É por isso que temos de nos preparar para o inverno. O pacote Inverno não é apenas sobre energia, é também sobre defesa aérea e estou grato à União Europeia por estar conosco. Como a presidente von der Leyen disse, não precisamos apenas de discutir 2026, temos também de discutir 2027.
Nos trabalhos de hoje, volta a estar a questão do apoio militar e financeiro europeu à Ucrânia e o reforço da pressão sobre a Rússia, numa altura em que Kiev e Washington aparecem cada vez mais de costas voltadas. Donald Trump assumiu ontem não ser grande fã do presidente da Ucrânia. O líder norte-americano diz que é mais fácil negociar com Vladimir Putin e critica a decisão de Kiev de retomar os ataques às refinarias de petróleo russas.
São 10:09, Carla. Antes do Contracorrente, que outras notícias marcam esta manhã?
Foi convocada uma nova greve dos trabalhadores do Metropolitano de Lisboa, desta vez parcial. A paralisação está marcada para os dias 28 e 30 deste mês. Vai ocorrer entre as 05h e as 10h. É o que informa um comunicado divulgado hoje pela empresa. Os trabalhadores queixam-se da falta de condições laborais, mantêm as reivindicações que estiveram na origem da paralisação da última quarta-feira. Um estudo realizado pela Associação Nacional de Unidades de Saúde Familiar revela que nove em cada 10 centros de saúde têm três ou mais falhas informáticas num ano. De acordo com os dados recolhidos entre junho e agosto deste ano, mais de 82% das unidades tiveram falhas de material básico. Em declarações à Agência Lusa, o presidente da USF e coordenador do estudo, André Biscaia, fala numa situação preocupante. António Guterres diz que subsidiar os combustíveis fósseis equivale a subvencionar o suicídio. As declarações foram feitas hoje, antes da cimeira da COP 17, que começa segunda-feira na Arménia. O secretário-geral das Nações Unidas pede mais investimento na proteção da natureza. Guterres alerta ainda que os países estão atrasados em praticamente todas as metas de biodiversidade previstas para 2030.
Carla, Jorge Carvalho com as principais notícias que marcam esta manhã de sexta-feira. Às 11h voltamos a olhar para o mundo.