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Quem foi Ted Bundy, o psicólogo e serial killer que matou mais de 30 mulheres nos EUA?

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Matou mais de 30 mulheres entre 1974 e 1978 nos Estados Unidos. Conseguiu escapar duas vezes da polícia e na última desapareceu durante 46 dias. Agora, a Netflix fez um documentário sobre Ted Bundy.

Ted Bundy nasceu no dia 24 de novembro de 1946 em Vermont. Licenciou-se em psicologia, e era conhecido por ser um homem simpático e bonito.

Aparentemente era um jovem bem-parecido, inteligente e simpático, características que usava para atrair raparigas e torturá-las até à morte. Licenciou-se em psicologia na Universidade de Washington, em 1972, onde chegou a estar no quadro de honra. Um ano depois, matriculou-se na Universidade de Direito de Seattle, mas deixou de aparecer nas aulas e não acabou o curso. Foi nesta altura que Ted Bundy se tornou serial killer nas horas vagas. Saltou de estado em estado e assassinou mais de 30 mulheres nos EUA, entre a California, Colorado, Florida, Idaho, Oregon, Utah e Washington, mas raramente deixava rasto.

Bundy atacava as raparigas com pancadas, mutilava-as (muitas ficavam irreconhecíveis) e movia os corpos para outros locais. Como nos anos 70 os sistemas de comunicação e de investigação eram pouco eficazes, as polícias dos vários estados demoraram a associar os homicídios uns aos outros e o assassino só foi identificado no dia 6 de agosto de 1975, quando tinha 28 anos.

Matou mais de 30 mulheres em 4 anos, nos EUA. Alguns corpos não chegaram a ser encontrados.

Apanhado! Quase…

A patrulha de trânsito de Utah ficou desconfiada quando viu um Volkswagen Bug castanho-claro com as luzes apagadas. Este modelo de carro já estava a ser procurado pelas autoridades porque tinha sido identificado por Carol Daronch, uma jovem que conseguiu fugir das mãos do assassino depois de a ter algemado ao Volkswagen Bug.

O Volkswagen de Bundy está exposto no Alcatraz East Crime Museum, no Tennessee.

A polícia pediu para Bundy encostar, mas ele tentou escapar, sem sucesso. Quando a polícia revistou o carro, foram encontrados vários objetos suspeitos, como algemas, um picador de gelo, e uma máscara de ski. E embora o homem tivesse conseguido arranjar sempre argumentos, acabou por detido e levado para a esquadra por desobediência.

Na esquadra, a polícia reparou que Ted se enquadrava no perfil do homem que tinha raptado Carol. Quando a chamaram para o identificar, a jovem disse com todas as certezas que tinha sido ele. No julgamento, em fevereiro de 1976, o suspeito foi considerado culpado por tentativa de rapto e agressão e foi preso, ficando sujeito a uma pena indeterminada de 1 a 15 anos.

Enquanto estava preso, foram reunidas provas suficientes para acusar o serial killer de um primeiro homicídio, o de Caryn Campbell, 23 anos, no estado de Colorado, o que podia levar à pena de morte. De Utah foi assim transferido para uma prisão no condado de Garfield (Colorado) até que a decisão fosse tomada. Ali, passava os dias a preparar a própria defesa em tribunal… e um plano de fuga.

A primeira fuga: muito frio, fome e menos 11 quilos

Bundy tirou as medidas ao tribunal de Pitkin, em Aspen (Colorado) onde começou a ser julgado e praticava exercícios de resistência na cela, como saltar vezes sem conta do beliche e percorrer longas distâncias num espaço tão pequeno. Em junho de 1977, dia da audiência preliminar do homicídio de Caryn, o suspeito estava sozinho na biblioteca do edifício e aproveitou para saltar do segundo andar pela janela. Seguiu em direção às montanhas de Aspen, passou frio e fome e abrigou-se numa cabana com poucas condições, na floresta.

Foi lançada uma grande operação com centenas de agentes, cães de caça e o FBI para encontrar o fugitivo, mas só depois de 6 dias a monte, deixou de oferecer resistência e voltou a Aspen, onde foi encontrado pelas autoridades com menos 11 kg. Apesar do ar abatido, as câmaras captaram sempre um Ted sorridente e à procura de protagonismo.

Nesta foto de 1977, Ted Bundy, é escoltado para fora do tribunal em Pitkin County, Colorado. Estava sempre sorridente perante as câmaras.

Sete meses depois… desapareceu durante 46 dias e matou mais mulheres

Em dezembro, Ted estava novamente preso a aguardar o julgamento pelo homicídio de Caryn, quando, numa noite, o guarda lhe levou o jantar à cela. No dia seguinte, a comida permanecia tabuleiro e na cama estava uma pilha de livros tapada com um cobertor: Bundy escapou por um buraco no teto da cela, rastejou até ao dormitório dos guardas, vestiu um dos uniformes e saiu pela porta da frente da prisão de Garfield.

Duas semanas depois da nova fuga, o seriall killer entrou outra vez em ação: percorreu mais de 2 mil km do Colorado até Florida para matar. Foi do Colorado até à Florida de autocarro, avião, comboio e de carro. Pelo meio ainda fez uma paragem em Chicago (Illinois) para ver a equipa da Universidade de Washington jogar futebol americano.

Na cidade de Tallahasee, entrou numa casa de estudantes, a república Chi Omega, e assassinou duas mulheres, Lisa Levy e Margaret Bowman, que foi espancada, estrangulada e abusada sexualmente. Agrediu ainda as colegas de casa das vítimas Karen Chandler e Katy Kleiner, que conseguiram sobreviver e não o conseguiram ver de forma a identificá-lo.

O fugitivo foi do Colorado até à Florida de autocarro, avião, comboio e de carro. Pelo meio fez uma paragem em Chicago (Illinois) para ver a equipa da Universidade de Washington jogar futebol americano.

Depois de 46 dias à solta, foi detido pelas autoridades na zona de Pensacola após uma perseguição numa operação STOP. Tinha roubado um carro e 21 cartões de crédito. Resistiu à detenção e não quis dar o nome às autoridades. Bundy estava irreconhecível, e em tribunal apresentou uma identificação falsa que dizia chamar-se Kenneth Misner.

Ted Bundy antes e depois da segunda fuga, de 46 dias.

O caso dos homicídios Chi Omega

Bundy tornou-se o principal suspeito das mortes das jovens estudantes na Florida: o veículo e os cartões de crédito roubados eram de perto da república Chi Omega, onde ele também esteve a viver durante a fuga, nas redondezas. Foi julgado em Tallahasee e só cedeu à pressão das autoridades para se identificar quando, em troca, pôde telefonar à namorada, Elizabeth Kloepfer.

Depois, o mediatismo do caso fez com que o julgamento de Ted passasse para Miami, em junho de 1979. Estavam presentes jornalistas de todos os EUA e de 9 países estrangeiros. Foi nesta altura que as autoridades dos outros estados norte-americanos onde havia mortes do mesmo género começaram a suspeitar de Ted Bundy, mas só existiam provas concretas contra ele no caso Chi Omega.

Cada vez que ia a tribunal, o suspeito entrava em conflito com os advogados, dizendo que eram ineficazes e que não confiavam nele. Bundy chegou a pedir a substituição dos advogados. O juiz recusou, mas permitiu que ele fosse coadvogado do caso, e pudesse representar-se a si mesmo.

O serial killer começou a tirar uma licenciatura de advogado, que não acabou. Fez sempre questão de participar ativamente na defesa dos homicídios de que era acusado.

Pena de morte para Ted Bundy

Para além das provas do carro e dos cartões de crédito… Bundy criou uma ”imagem de marca” nos assassínios: deixava dentadas nos corpos das estudantes mortas. As autoridades emitiram um mandato para analisar a forma dos dentes de Ted e conseguiram uma amostra, que correspondia às mordidas nos corpos das jovens – foi a prova decisiva para a acusação.

No dia 24 de julho de 1979, o júri, composto por 12 pessoas, analisou o caso durante quase 7 horas e considerou Theodore Bundy culpado pelos homicídios de Margaret Bowman e Lisa Levy e de outras três tentativas de assassínio. Ted foi condenado à pena de morte em cadeira elétrica e ficou na prisão Estadual da Florida até ao dia da execução.

O homicídio de uma criança de 12 anos, Kim Leach

Mas da segunda vez em que fugiu, Bundy não se ficou pelos homicídios das duas estudantes… contavam-se 40 dias de fuga quando uma rapariga de 12 anos desapareceu em Lake City, Utah. Depois de já ter sido condenado à pena de morte, Ted foi julgado por este homicídio. Uma testemunha disse ter visto o homem a conduzir uma carrinha branca, na qual Kim entrou, perto da escola. Mais tarde, a polícia encontrou o tipo de sangue igual ao de Kim na carrinha, fibras da roupa da jovem e no corpo estavam, também, fibras do blazer de Bundy.

Em Tribunal, o serial killer acabou considerado culpado pelo homicídio de Kimberly Leach.

O pedido de casamento no Tribunal

No julgamento de Kim, Carol Boone, amiga de Ted, testemunhou a favor dele, descrevendo-o como ”amável, afável e paciente”. De amiga passou a namorada… e foi pedida em casamento pelo serial killer em pleno Tribunal. Bundy perguntou ”Carol, queres casar comigo?”, e ela aceitou sem hesitar.

Se foi uma estratégia para ganhar a compaixão do juiz… não resultou. Bundy voltou para a prisão à espera que a pena de morte fosse cumprida. Quando Carol o ia visitar, conseguia levar-lhe drogas e fazer sexo praticamente sob os olhos dos guardas. Daí resultou o nascimento da filha Rosa, em 1981.

O dia da morte de Ted Bundy

Dois dias antes da execução na cadeira elétrica, o assassino confessou ter matado mais de 30 mulheres em 7 estados do país. Admitiu até que praticava necrofilia, tinha excitação sexual ao olhar ou ter contacto com cadáveres.

No dia 24 de janeiro de 1989, quando Bundy tinha 42 anos, morreu na cadeira elétrica da prisão estadual da Florida. Do lado de fora, havia uma multidão de jornalistas e uma festa enorme com estudantes bêbedos a cantar de alegria pela sua morte. As pessoas tinham cartazes, vendiam camisolas a dizer ”Arde, Bundy, arde!” e pins de cadeiras elétricas.

Há 30 anos, as pessoas reuniram-se fora da prisão para festejar a morte de Bundy.

O documentário da Netflix ”Conversas com um assassino: as gravações de Ted Bundy”

Em janeiro de 2019 saiu uma série documental na Netflix que conta a história de Ted Bundy até ao último suspiro. Em 4 episódios, podemos ouvir testemunhos de pessoas que acompanharam o caso, como jornalistas, detetives e advogados, e também o próprio Ted Bundy através das cassetes de várias entrevistas.

Agora, Zac Efron interpreta Ted Bundy no filme ”Extremely Wicked, Shockingly Evil and Vile”, que estreou no Sundance Film Festival.

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