A Bienal Internacional de Marionetas de Évora (BIME) regressa este ano, seis anos depois da realização da última edição, “invadindo” a cidade alentejana de 4 a 9 de junho, com 25 companhias, de 12 países.

O evento, promovido pelo Centro Dramático de Évora (Cendrev), em parceria com a câmara e apoiado pelo Ministério da Cultura, integra um total de 70 espetáculos, distribuídos por 11 espaços da cidade de Évora, revelou esta quinta-feira a organização.

“A BIME está guardada na memória de muita gente, que viveu e participou nesta bienal. É um momento particular da vida cultural da cidade”, realçou esta quinta-feira à agência Lusa o diretor do Cendrev, José Russo.

Por isso, continuou, “quando as pessoas souberem que vai haver BIME este ano e que está a chegar este evento com esta dinâmica à volta dos ‘bonecos’ vai ser uma grande alegria para toda a gente”.

A BIME, festival de marionetas iniciado em 1987, realizou-se pela última vez em 2013 e ficou agendada nova edição para 2015, que acabou por ser adiada para o ano seguinte e depois cancelada, devido à “ausência de fundos comunitários” para o financiamento.

A edição de 2017 foi, igualmente, cancelada, com o Cendrev a invocar, na altura, o mesmo motivo, a falta de financiamento e a impossibilidade de candidatar o certame a apoios comunitários.

Segundo José Russo, este ano tornou-se possível o regresso da BIME graças ao financiamento assegurado “diretamente pelo Ministério da Cultura” após uma reunião com a ministra Graça Fonseca, e pela Câmara de Évora, ao qual se somam também apoios da Direção Regional de Cultura do Alentejo e da Turismo do Alentejo e Ribatejo.

“Temos um orçamento à volta de 130 a 140 mil euros, que é abaixo do que costumava ser a bienal, mas é um desafio que aceitámos”, disse.

O Cendrev ainda não revelou todo o programa do certame, que tem como “anfitriões” os Bonecos de Santo Aleixo, as marionetas tradicionais alentejanas que são propriedade da companhia e manipuladas por atores da “casa”, mas já “levantou o véu” sobre alguns dos pormenores do programa.

“Estamos a anunciar 25 companhias, com um total de 90 artistas“, adiantou José Russo, indicando que os marionetistas são oriundos de “12 países”, incluindo Portugal.

Os marionetistas vêm do Brasil, Moçambique, Itália, Espanha, França, Bélgica, Dinamarca, Hungria, Peru, Argentina e China.

Ao longo dos seis dias de animação, “vai ser retomada a dinâmica da bienal”, com espetáculos de marionetas, para vários tipos de públicos e todas as idades, “em muitos palcos distribuídos pela cidade”, como o Teatro Garcia de Resende ou em largos, praças e jardins.

Questionado pela Lusa, José Russo admitiu também que o regresso da BIME pode ser positivo para a candidatura de Évora a Capital Europeia da Cultura em 2027.

“Évora tem esta condição que poucas cidades têm. Há aqui um espólio e um património à volta da marioneta conhecido em termos mundiais””, lembrou, argumentando que “o retomar da dinâmica da BIME pode ser um contributo muito importante” para a candidatura, assim como a concretização de uma “ideia antiga”, a criação na cidade de “um centro europeu da marioneta”.