Mais um dérbi com o Sporting na Luz, mais uma goleada, mais uma ascensão à liderança do Campeonato só com triunfos e tendo menos um encontro disputado (até o Torreense vencer em Braga e ficar em igualdade pontual), uma série acumulada de 47 encontros consecutivos sem derrotas na principal prova do calendário nacional – sendo preciso recuar até abril de 2024 para encontrar o último desaire na competição, fora contra o rival verde e branco, que ainda assim não impediu a conquista de mais um título. Se dúvidas ainda existissem, a hegemonia do Benfica no futebol feminino em Portugal não só se prolonga como é cada vez mais indiscutível, sendo complicado encontrar um adversário que consiga rivalizar com as águias no topo da classificação. Foi também por isso que, com o passar das temporadas, as atenções das encarnadas se foram começando a virar para a Europa, onde existe ainda espaço para crescer. Esta época não era exceção.
Numa primeira fase que passou a seguir o modelo da Liga dos Campeões masculina, com 18 equipas num só grupo a fazerem seis jornadas com os quatro primeiros a ficarem qualificados para os quartos e as equipas entre a quinta e a 12.ª posições a passarem pelo playoff dos oitavos, o primeiro grande passo era agora entrar no top 12 da classificação, depois do 16.º posto de 2025/26. A campanha começou da melhor forma com a Juventus fora, com um triunfo surpreendente por 2-1 que deu novo alento para as rondas seguintes, depois houve uma derrota na Luz com o Bayern com a resistência a cair apenas nos 15 minutos finais. Agora, o campeão nacional deslocava-se a Londres para defrontar o Arsenal, campeão europeu em 2025 que chegou também às meias-finais da última edição, com uma derrota frente ao finalista vencido Lyon.
“Mais do que pensar em objetivos pontuais, é pensar jogo a jogo. Foi por essa linha de raciocínio que neste momento temos três pontos e discutimos um jogo contra um candidato ao título da Liga dos Campeões, como o Bayern, até aos minutos finais. É com esse mesmo espírito que vamos encarar o jogo perante uma boa equipa do Arsenal, também candidata a fazer coisas bonitas nesta Liga dos Campeões. Mas também queremos ser protagonistas, e ser protagonistas, acima de tudo, é virmos cá, aparecermos, mostrarmos a nossa identidade e lutarmos pelos pontos até ao final do encontro”, comentara o técnico Ivan Baptista na antecâmara da partida no Meadow Park, em Londres, sem balizar qualquer meta para esta terceira jornada.
“Jogando em casa e sendo uma equipa candidata a ir até às fases finais desta competição, será natural olhar para elas como favoritas a ter o controlo do jogo mas isso diz-me muito pouco enquanto treinador. Se a equipa quiser ter uma palavra a dizer, tem de ter um coletivo muito forte. Se estivermos muito focados nisso, em sermos um coletivo muito forte, que vai trabalhar em prol de apenas um objetivo, então aí vamos ter uma palavra a dizer. Acho que vamos criar muitas dificuldades ao Arsenal, tal como criámos há um ano na Luz, contra uma boa equipa, que também o era na altura. Vai ser um bom jogo”, acrescentara.
Olhando para a atual classificação e para o próprio calendário, que tem ainda as receções ao Áustria de Viena e à Roma antes de um encontro fora com o HB Koge, este seria o encontro com menor “relevância” para essa meta de chegar a esse patamar dos oitavos, tendo em conta o favoritismo das gunners e a importância de centrar atenções nas partidas em casa para somar os pontos necessários para garantir a qualificação. No entanto, esta não deixava de ser uma montra para essa afirmação desejada em termos europeus frente a um Arsenal muito longe da discussão do título na Premier League inglesa (que tem sido dominada até agora por Chelsea, Manchester City e as recentes London City Lionesses da Bola de Ouro, Alexia Putellas) e que tivera também um empate nesta Liga dos Campeões com o Paris FC depois do triunfo por 1-0 com o Koge.
O arranque do encontro mostrou bem essa vontade do Benfica em não ser uma equipa acantonada no seu meio-campo a ver apenas jogar o Arsenal. Longe disso. Assim, e durante 25 minutos, Lena Pauels teve só um lance mais “apertado” para resolver, antes de um remate de Stanway defendido para canto e um desvio de cabeça de Alessia Russo para nova intervenção. Aí, numa fase em que as londrinas cresciam no encontro, as encarnadas tiveram a sua melhor oportunidade – a melhor de toda a primeira parte, acrescente-se, com Fröya Dorsin a ficar com um passe mal medido para Misa Rodríguez que deixou a avançada encarnada de baliza escancarada com a guarda-redes a meio caminho mas com o chapéu a sair por cima (30′). Esse acabou por ser o momento até ao intervalo, com as gunners a recuperarem do susto, a criarem mais oportunidades e a chegarem mesmo à vantagem no primeiro tempo por intermédio da inevitável Alessia Russo (39′).
Andreia Norton rendeu Pauleta ao intervalo mas os problemas do Benfica em termos ofensivos mantiveram-se, com o Arsenal cada vez mais balanceado para o ataque em busca do golo que “arrumasse” com o jogo. Lena Pauels, de longe a melhor das encarnadas, foi evitando esse momento com várias intervenções vitais mas não conseguiu fazer nada no lance do 2-0, com Alessia Russo a surgir bem na área após canto para desviar de cabeça (66′). Andreia Norto, logo de seguida, teve o primeiro remate enquadrado do conjunto da Luz para defesa difícil de Misa Rodríguez (68′) mas a tendência da partida voltaria ao que estava, com a formação da casa a mexer na equipa sempre em busca de aumentar a vantagem com golos que podem depois ser importantes em caso de empate pontual na primeira fase e a fazer o 3-0 por Russo de penálti (79′), com o hat-trick da avançada a consolidar a posição de melhor marcadora inglesa na Liga dos Campeões.