Grande parte do mundo parou, na madrugada desta segunda-feira, para ver o derradeiro episódio de “A Guerra dos Tronos”,  para ficar a conhecer, finalmente, o destino das personagens que ainda restavam. Porque se houve coisa que a série criada por David Benioff e D.B. Weiss a partir dos livros de George R.R. Martin sempre nos deu foi uma enorme mortandade, fosse qual fosse a importância e o protagonismo das personagens. Uma estatística: em 72 episódios, só em quatro deles não morreu ninguém.

Deixamos, em ordem subjetiva e crescente, uma lista das mortes mais brutais e devastadoras, justas e injustas, esperadas e surpreendentes de A Guerra dos Tronos.

Ned Stark

Tendo em conta o que veio depois no que a mortes sanguinárias diz respeito, a execução do patriarca Stark acabou por não ser das mais impressionantes mas, logo ao nono episódio da primeira temporada, Guerra dos Tronos mostrava que ninguém, mas ninguém mesmo, estava a salvo. A cabeça decepada de Ned Stark ofereceu-nos o primeiro choque e serviu para agarrar definitivamente quem ainda pudesse ter dúvidas de que, à nossa frente, estava a mais gloriosa série de televisão da década.

Theon Greyjoy

Que as probabilidades de Theon Greyjoy chegar vivo ao final da série seriam, na realidade, reduzidas era um facto assumido por toda a gente. Para o herdeiro das Iron Islands só a morte traria, de facto, a libertação por tudo o que fez (a traição aos Stark) e de tudo o que sofreu às mãos de Ramsey Bolton. A redenção já começara quando salvou Sansa Stark da crueldade do bastardo Bolton mas o que pode ser considerado como “suicídio por White Walker” encerrou com dignidade a história de uma das personagens mais trágicas de A Guerra dos Tronos.

Jon Snow

A mais shakespeariana das mortes de A Guerra dos Tronos – “Et tu, Olly?” – deixou os fãs em estado de choque mas, ao contrário de Júlio César, o Lord Commander teve direito a mais uma vida, proporcionada pela feiticeira Melisandre que, ainda assim, nos fez esperar dois episódios inteiros pela ressuscitação do homem que, afinal, é capaz de ser o único Targaryen com juízo na cabeça. Deve ser, com certeza, do sangue Stark que também lhe corre nas veias.

Os irmãos Clegane

Tivemos de esperar pelo penúltimo episódio mas, quando chegou, o embate que os fãs baptizaram como Cleganebowl foi, à falta de melhor adjectivo, glorioso. Durante oito temporadas, a raiva que o Hound carregou em relação ao The Mountain permitiu-lhe a tudo sobreviver, até mesmo à batalha de Winterfell, e o frente a frente com o irmão entretanto transformado em monstro de Frankenstein selou, num mar do tão temido fogo, o destino inevitável dos irmãos Clegane.

Lyanna Mormont

Mesmo sendo uma personagem francamente secundária no grande esquema das coisas, a verdade é que a pequena Lyanna Mormont teve sempre direito a aparições de encher o olho, culminando na inesquecível morte na batalha de Winterfell, às mãos (ou melhor, à mão…) do gigante do exército do Night King que acabou por também não sair morto-vivo do encontro com a líder da sempre aguerrida Casa Mormont.

Varys

Não é que não estivéssemos à espera. Daenerys já avisara o mestre dos espiões que a traição seria punida com dragão, passe a rima. E Varys, o mais humano dos manipuladores de A Guerra dos Tronos, o único capaz de perceber em quem Daenerys se estava a transformar, acabou traído por quem salvara da morte certa, Tyrion Lannister. E Dracarys, lá se foi Varys…

Walder Frey

Um dos efeitos de A Guerra dos Tronos foi fazer-nos desejar, sem quaisquer remorsos, a mais horrível das mortes a muito boa má gente. E o ignóbil Walder Frey era, desde o Red Wedding, um daqueles que fazia parte da lista, a de Arya e a nossa. E a pequena guerreira Stark deu-nos precisamente o que nós queríamos: uma morte bem elaborada, com crueldade q.b. (a tarte feita com os seus dois filhos…) e que finalmente saciou o nosso desejo de vingança.

Littlefinger

O melhor exemplo do cá se fazem cá se pagam. Num mundo de fantasia com justiça, Petyr Baelish nunca poderia esperar chegar vivo ao fim, mesmo que, na realidade, o próprio achasse que tal ignomínia seria possível e que ele acabaria como o dono disto tudo, versão Westeros. Não o foi. O insidioso, pérfido e traiçoeiro Littlefinger teve o destino que francamente mereceu, com a sentença que Sansa ditou a ser executada por Arya.

https://www.youtube.com/watch?v=l3hTmUKR7LI&t=139s

Night King

Mais um risco para o punhal de Arya Stark, a grande “killer”, este porventura o mais espectacular da sua lista, pelo menos em termos acrobáticos. É verdade que ninguém nos tira da cabeça a dúvida “mas de onde é que raio ela saltou?” mas a morte do Night King e, por consequência, do exército dos mortos fez-nos saltar do sofá tal e qual como o golo do Éder.

Shireen Baratheon

De todas as muitas dezenas de mortes de A Guerra dos Tronos, a da pequena e inocente Shireen será, certamente, a única na categoria “havia mesmo necessidade?” Não, não havia, mas a morte na fogueira da filha de Stannis Baratheon serve-nos para lembrar que nunca vem nada de bom do fanatismo religioso.

O Septo de Baelor (Margaery Tyrell, Loras Tyrell, Mace Tyrell, Kevan Lannister, High Sparrow)

Por falar em fanáticos religiosos, o High Sparrow andava a pedi-las há muito tempo e a vingança de Cersei só não foi inteiramente justa porque no fogo-vivo que destruiu o Septo de Baelor acabaram também por perecer a simpática e sexy Margaery Tyrell e o pobre do irmão Loras, personagem que, para falar verdade, nunca foi mais do uma triste vítima dos acontecimentos.

Hodor

Tal como Shireen, a morte do bom gigante foi das mais tristes de A Guerra dos Tronos, deixando-nos no coração um imenso “oh, não!” Mas a verdade é que o sacrifício do outrora jovem Wylis estava escrito, como nos revelou a visão/regressão de Bran que acompanha a cena da morte de Hodor, que era afinal a abreviatura para “hold the door”.

E, antes, do pódio, algumas menções honrosas:

Qyburn. No meio da trágica destruição infligida por Daenerys Targaryen no penúltimo episódio, a morte de Qyburn às mãos do monstro que criou teve tanto de inesperada como, para falar verdade, de cómica.

Cersei/Jaime. Era inevitável que Cersei e Jaime acabariam por morrer nos braços um do outro. E os fãs estavam, com certeza, à espera de algo mais espectacular mas, na verdade, não podia ter sido mais perfeito.

Tywin Lannister. A morte do patriarca dos Lannister, morto com uma besta por Tyrion, é a prova de que de nada serve ser o mais poderoso de todos quando somos apanhados com as calças na mão.

Rhaegal e Viserion. No final de contas, só um dos dragões é que fazia mesmo a diferença. Viserion acabou transformado em cuspidor de gelo e Rhaegal nem sequer foi capaz de desviar-se de uma seta…

Joffrey Baratheon. Puto horrível que teve o que merecia. Ponto.

Viserys Targaryen. O irmão mais velho de Daenerys tinha a mania que ia ser o rei dos Sete Reinos mas acabou banhado em ouro. Literalmente.

E, finalmente, as três “melhores” mortes de A Guerra dos Tronos:

Ramsey Bolton

O bastardo Bolton merecia a mais horrível das mortes e, por todos os deuses, os antigos e os novos, ele teve-a! O mais detestado de todas as personagens de A Guerra dos Tronos acabou devorado vivo pelos seus cães diante de uma nova e implacável Sansa que foi capaz de resistir a desviar o olhar  da morte do homem que lhe roubou a inocência.

Oberyn Martell

Oberyn Martell podia ser um fanfarrão e era um bocado irritante mas, convenhamos, ninguém merece morrer assim, com a cabeça esmagada pelas mãos do Montanha Clegane. No fim, acabou por ser a bazófia a selar o seu destino e a recolocar o, por breves instantes, esperançoso Tyrion Lannister no corredor da morte.

Red Wedding (Catelyn Stark, Robb Stark, Talisa Stark)

E, ao nono episódio da terceira temporada, “A Guerra dos Tronos” tirou-nos o tapete debaixo dos pés. “The Rains of Castamere”, assim se chamou o dito episódio, conquistou um lugar na história televisiva da infâmia e imortalizou a expressão Red Wedding ao roubar-nos, do nada, Catelyn Stark, o Rei do Norte Robb Stark, a sua mulher Talisa e o filho por nascer. Foi horrível, chocante, inesperado e nunca será esquecido.