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Fundação Calouste Gulbenkian

Fundação Gulbenkian vende Partex a petrolífera tailandesa por 555 milhões de euros

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Venda da petrolífera, que era detida a 100% pela Fundação Gulbenkian, acaba de ser anunciada. PTTEP é uma empresa pública, cotada na Bolsa da Tailândia.

Autor
  • Beatriz Ferreira

A Fundação Calouste Gulbenkian vai vender a petrolífera Partex à empresa pública tailandesa de exploração e produção de petróleo PTT Exploration and Production  (PTTEP) por 622 milhões de dólares (cerca de 555 milhões de euros), anunciou esta segunda-feira, em comunicado, a Fundação.

“O acordo seguirá agora o habitual processo de autorizações, que deverá estar concluído até final do ano”, revela a Fundação em comunicado, acrescentando que “a PTTEP pretende utilizar a Partex como uma plataforma de crescimento, alargando as relações que a empresa hoje detém nos países em que opera”. “A PTTEP compromete-se a manter a gestão e restantes colaboradores da empresa, bem como o escritório em Lisboa segundo os termos acordados para a transação. A PTTEP compromete-se ainda a manter a marca Partex”, pode ler-se ainda.

A PTTEP é uma empresa pública, cotada na Bolsa da Tailândia, que integra os índices Dow Jones Sustainability. A operar desde 1985, tem 46 projetos petrolíferos em 12 países.

Segundo o mesmo comunicado, para António Costa e Silva, CEO da Partex, “a Partex tem uma história de mais de 80 anos, é detida pela Fundação há 60 e nesse sentido este é um momento significativo que consagra uma mudança de ciclo”. “Estamos orgulhosos do passado, mas agora estamos com os olhos postos no futuro.”

A Fundação liderada por Isabel Mota já tinha anunciado a decisão de alienar os investimentos nos combustíveis fósseis devido a “uma nova matriz energética e os seus objetivos em prol da sustentabilidade”. Em abril de 2018, a Fundação pôs fim à negociação que decorria com o grupo chinês CEFC para a venda da Partex, por considerar que não existiam condições para continuar negociações. Mas a Fundação realçava que não pretendia desistir da alienação da petrolífera. “Na sequência das notícias recentes vindas a público sobre a situação do grupo chinês e face à incapacidade desta empresa em as esclarecer cabalmente junto da Fundação, concluiu-se que não existem condições para continuar as conversações”, anunciou em comunicado a Fundação Calouste Gulbenkian, em 13 de abril.

Já em fevereiro deste ano, em entrevista ao Jornal Económico, o presidente executivo da Partex, António Costa Silva, dizia mesmo que a petrolífera detida a 100% pela Fundação Calouste Gulbenkian tinha “mais de três interessados”, que eram “companhias internacionais muito reputadas. O objetivo era concluir a venda da Partex até final de junho, tal como veio a acontecer.

A Partex registou, no ano passado, lucros de 37 milhões de dólares. Foi fundada em 1939 por Calouste Gulbenkian e detém participações minoritárias em projetos de gás em Abu Dhabi e em Omã, posições no campo petrolífero de Dunga, Cazaquistão, no bloco 17/06 em Angola e nas bacias de Potiguar e Sergipe-Alagoas, no Brasil.

“Dia histórico”, diz Fundação. 80 funcionários mantém os postos de trabalho

Na conferência de imprensa que se seguiu ao anúncio, Isabel Mota, presidente do Conselho de Administração da Fundação Calouste Gulbenkian, apelidou a venda da Partex como “um dia histórico”, depois de uma negociação “longa, complexa, mas frutífera”. “Cada um vai seguir o seu caminho”, disse ainda, admitindo que a proposta da PTTEP foi “a melhor”. Para a escolha da tailandesa contribuíram, sobretudo, três fatores, segundo Isabel Mota: em primeiro lugar, o novo acionista é  “uma empresa com capacidade, robustez e planos para o futuro”; em segundo lugar, terá em conta o ‘know-how’ dos trabalhadores da Partex, havendo “uma garantia de continuidade dos postos de trabalho”. Por último, enumerou a responsável, “a delegação em Lisboa será assegurada, o que permitirá à PTTEP seguir uma estratégia de desenvolvimento a partir” da capital. A operação deverá ficar concluída até ao final do ano.

Phongsthorn Thavisin, presidente da PTTEP, garantiu, por sua vez, que a “Partex vai ter um papel importante” na expansão da empresa tailandesa. “Gostaria de assegurar à Fundação [Gulbenkian] que iremos tratar bem da Partex”, disse. Thavisin garantiu ainda que os 80 postos de trabalho da Partex (50 dos quais em Lisboa) serão mantidos, assim como a equipa de gestão.

A Partex representa, atualmente, cerca de 18 a 20% dos rendimentos da Fundação Gulbenkian. Questionada sobre como vai a Fundação responder à falta deste rendimento, Isabel Mota afirmou que vai “seguramente tentar” diversificar os investimentos e alinhá-los “com os grandes objetivos de sustentabilidade”. “As regras mestras serão as mesmas: qualidade das análises, prudência, tendo em conta melhores práticas do mercado”. Isabel Mota frisou ainda que futuros investimentos na área da energia “não estão fora de questão”. “O grande imperativo de honra desta fundação é que seja perpétua”, concluiu. A responsável disse ainda que já informou o Governo sobre a venda, mas frisou que a operação não tem de ter luz verde do Executivo “pela simples razão de que o que está a ser transacionado não tem que ver com o legado inicial” da Fundação.

Aos jornalistas, António Costa Silva, presidente da Partex, defendeu que a venda da empresa “vem inaugurar um novo ciclo no desenvolvimento e investimento” da Partex. “Estou a tentar convencer o novo CEO do acionista de que a Partex está não só no Médio Oriente, mas também no Brasil, Angola, temos excelentes relações em Moçambique. No fundo, [pretendemos] criar em Portugal uma plataforma da PTTEP no mundo, sobretudo para o hemisfério ocidental, especialmente para os países que falam português”, defendeu. Informou ainda que para a compra da Partex concorreram 14 companhias, sobretudo europeias e asiáticas. “Houve muito interesse neste concurso.”

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