Fundação Calouste Gulbenkian

Fundação Calouste Gulbenkian cancela venda dos petróleos aos chineses da CEFC

Fundação Calouste Gulbenkian decidiu pôr termo à negociação com os chineses da CEFC para vender o petróleo e gás, após notícias de investigações ao grupo e seu presidente. Partex continua à venda.

Manuel Almeida/LUSA

A Fundação Calouste Gulbenkian decidiu “pôr termo à negociação que decorria com a CEFC China Energy para a venda da Partex”, informou esta sexta-feira a fundação.

“Na sequência das notícias recentes vindas a público sobre a situação do grupo chinês e face à incapacidade desta empresa em as esclarecer cabalmente junto da Fundação, concluiu-se que não existem condições para continuar as conversações”, pode ler-se no comunicado.

A intenção de venda mantém-se, contudo. “Mantendo inalterada a sua opção estratégica relativamente à nova matriz energética, a Fundação dará continuidade ao processo de venda da Partex, tendo em conta os melhores interesses da Fundação e da empresa”, diz a fundação.

A decisão da Gulbenkian terá sido comunicada nos últimos dias aos responsáveis da CEFC e surge depois de serem conhecidas investigações promovidas pelas autoridades chineses ao grupo, e em particular, ao seu presidente Ye Jianming, que terá sido afastado do cargo e da própria estrutura acionista da empresa. De acordo com informação recolhida pelo Observador, não terá sido apenas a questão reputacional a determinar o romper das negociações.

Foram efetuados vários pedidos de esclarecimento ao grupo CEFC que envolviam também questões financeiras e relacionadas com a operação de venda, que não foram clarificadas de forma considerada suficiente. O negócio não estava a avançar e a Gulbenkian decidiu não continuar com o processo, uma decisão facilitada pelo facto de não existir nenhum acordo entre as parte, mas apenas negociações exclusivas.

Ainda antes de serem conhecidas as investigações chinesas aos alegados crimes económicos imputados ao fundador da CEFC, já existiam dúvidas sobre o grupo que estava a negociar a Partex. Um grupo privado, mas com ligações ao Partido Comunista chinês,  que cresceu muito rapidamente e sobre o qual pouco se sabia. Na justiça americana corria um inquérito sobre suspeitas de corrupção em África que envolviam a empresa chinesa e um responsável por uma organização não governamental financiada pela CEFC.

A presidente da Fundação, Isabel Mota, tinha sido aconselhada a fazer uma due-dilligence rigorosa antes de fechar a venda que teria também de receber a luz verde do Governo. Terá sido aliás por via deste processo de escrutínio que a Gulbenkian decidiu afastar-se da CEFC. Mas a venda da Partex continua de pé e será retomado o processo de procura de investidores.

Montepio diz que mantém contactos com a CEFC para venda dos seguros

A CEFC aparece em Portugal por via de uma parceria com a associação mutualista Montepio. mais tarde veio e evoluir para um acordo de compra da seguradora do grupo liderado por Tomás Correia, cujo desfecho é agora incerto. A operação estava a ser analisada pela autoridade de supervisão dos seguros. Fonte oficial da associação mutualista, citada pelos jornais Eco e Negócios, já veio entretanto afirmar prosseguem os contados do investidor chinês para a compra dos seguros, com o Montepio (associação) e o regulador.

Uma notícia recente do jornal Público, com base numa ata do conselho de administração da mutualista, revelava que Tomás Correia disse aos colegas do conselho que o grupo chinês tinha sido encaminhado para o Montepio depois de uma reunião com o gabinete do primeiro-ministro. Logo nesse dia, o gabinete de António Costa desmentiu ter feito qualquer encaminhamento para a associação mutualista, tendo apenas confirmado que a CEFC foi recebida, tendo manifestado interesse em investir em Portugal.

A compra do petróleo e gás da Gulbenkian não é o único negócio da CEFC a cair depois de conhecido o afastamento do seu fundador. O grupo suspendeu o projeto de comprar a maioria do capital de um grupo financeiro checo, país onde a CEFC tem vários investimentos. Há notícias de cancelamento de uma emissão de obrigações e congelamento de contas de uma subsidiária. Também não há um calendário para a anunciada compra de 14% da petrolífera russa Rosneft, uma operação de nove mil milhões de dólares que colocou a CEFC nos radares mundiais de negócios no ano passado.

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