Sua Excelência, de Corpo Presente, do escritor angolano Pepetela, é a obra vencedora do Prémio Casino da Póvoa, atribuído anualmente durante o Correntes d’Escritas. O anúncio foi feito durante a manhã desta quarta-feira na cerimónia de abertura do festival literário da Póvoa de Varzim.

Publicado em finais de setembro de 2018, pela Dom Quixote, Sua Excelência, de Corpo Presente, fala sobre um ditador africano que, depois de morto, se põe a recordar, enquanto jaz deitado dentro de um caixão forrado a cetim branco, “as peripécias vividas com muitos dos que lhe vieram dizer adeus, entre os quais se encontram diversos familiares, a primeira-dama (e as outras mulheres e namoradas), os numerosos filhos e as altas dignidades do Estado”.

“Ao relembrar a sua vida, o percurso que o levou a presidente e os muitos anos como chefe de Estado, vai-nos revelando os meandros do poder político, o nepotismo que o corrói e os abusos permitidos a quem o detém”, refere a sinopse disponibilizada pela editora, que descreve o livro de Pepetela como uma “crítica mordaz ao abuso de poder e aos sistemas de governo totalitários disfarçados de democracias”.

O livro foi publicado no final de setembro de 2018

Pepetela (pseudónimo de Artur Pestana dos Santos) nasceu em Benguela, em Angola, em 1941. Frequentou o ensino superior em Lisboa, mas foi em Argel, na Argélia, que acabou por se licenciar em Sociologia, durante o exílio.

Pepetela (Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos) nasceu em Benguela, Angola, em 1941. Frequentou o Ensino Superior em Lisboa (primeiro o Instituto Superior Técnico e depois a Faculdade de Letras), mas acabou por se licenciar em Sociologia, em Argel, depois de se tornar politicamente ativo. Tornou-se militante do MPLA em 1963, participando ativamente na governação de Angola depois do 25 de Abril e ocupando o cargo de vice-ministro da Educação.

Depois da saída do governo em 1982, dedicou-se inteiramente à carreira literária, que tinha iniciado em 1972, com o romance As Aventuras de Ngunga. Foi ainda professor na Universidade Agostinho Neto, em Luanda, dirigente de várias associações culturais, como a União de Escritores Angolanos e a Associação Cultural Recreativa Chá de Caxinde. Pelo conjunto da sua obra literária, um retrato de Angola antes e depois do domínio português, recebeu em 1997 o maior prémio literário de língua portuguesa — o Prémio Camões.

O Prémio Casino da Póvoa, no valor de 20 mil euros, será entregue, juntamente com os outros galardões atribuídos no âmbito do Correntes d’Escritas, no dia 22, sábado, pelas 18h, durante a cerimónia de encerramento do festival, na sala principal do Cine-Teatro Garrett, na Póvoa de Varzim.

O júri deste ano foi constituído pela jornalista Ana Daniela Soares, o escritor espanhol Carlos Quiroga, o escritor português Valter Hugo Mãe, a ex-ministra da cultura Isabel Pires de Lima e a académica Paula Mendes Coelho.

No ano passado, o prémio foi atribuído ao livro A Noite Imóvel, do poeta Luís Quintais. A decisão, tomada “por maioria” pelo júri, teve por base a “qualidade da escrita, a coerência das propostas e a exemplaridade dos conceitos” da obra publicada pela Asírio & Alvim em fevereiro de 2017. O galardão destina-se a premiar uma obra em português, editada em Portugal, e escrita por um autor de língua portuguesa ou castelhana/hispânica. É atribuído nos anos pares a uma novela ou romance e nos anos ímpares a poesia.

Escola Básica do 1.º Ciclo de Venda do Pinheiro recebe Prémio Conto Infantil Ilustrado

Durante a manhã desta quarta-feira, foram ainda anunciados os vencedores dos prémios Conto Infantil Ilustrado Correntes d’ Escritas Porto Editora, Correntes d’ Escritas Papelaria Locus e Fundação Dr. Luıś Rainha Correntes d’ Escritas.

O primeiro — que distingue, anualmente um conto infantil ilustrado inédito realizado por alunos que frequentem o 4.º ano de escolaridade do 1.º ciclo do ensino básico — foi atribuído aos alunos do 4.º C da Escola Básica do 1.º Ciclo de Venda do Pinheiro, por “Tempestade no Rio”. O trabalho foi escolhido de entre 104 participantes, anunciou a Porto Editora. Em segundo e terceiro lugares ficaram o 4.º Q da Escola Básica do 1.º Ciclo com Pré-Escolar e Creche Eng. Luís Santos Costa, do Machico, com “Os Ponteiros Apaixonados”, e o 4.º A do Colégio Paulo VI, de Gondomar, com o conto “A mala da minha professora”, respetivamente.

Foram ainda atribuídas Menções Honrosas à Escola Básica do 1.º Ciclo de Odeceixe e à Escola Básica 1.º Ciclo/ JI Padre José Manuel Rocha e Melo – Lisboa (ilustração), à Escola Básica 1.º Ciclo Quinta do Alçada – Leiria (texto e ilustração) e à Escola Básica José Manuel Durão Barroso – Armamar e ao Colégio D. José I – Aveiro (texto).

De referir que foram atribuídas Menções Honrosas à Escola Básica do 1.º Ciclo de Odeceixe e à Escola Básica 1.º Ciclo/ JI Padre José Manuel Rocha e Melo – Lisboa (Ilustração), à Escola Básica 1.º Ciclo Quinta do Alçada – Leiria (Texto e Ilustração) e à Escola Básica José Manuel Durão Barroso – Armamar e ao Colégio D. José I – Aveiro (Texto).

Foi também lançado o número 19 da Revista, com um dossiê dedicado a Hélia Correia.